Quando ele apertou ainda mais seus dedos em minha garganta, fechei os olhos com força, sentindo meu corpo adormecer pela fraqueza e desespero, e ele murmurou se aproximando de mim, trazendo seu cheiro em uma mistura de colônia cara com sangue em meio ao meu medo.
Uma mistura de medo, apavoro e sedução.
Meu Deus estou enlouquecendo.
— Você pode tentar fugir quantas vezes quiser, então já adianto, será muito pior quando eu te pegar a cada nova tentativa.
Arrancando um suspiro de dor do fundo da minha garganta, senti meu corpo se encolher pelo medo. Ele me empurrou para trás quando libertou meu pescoço dos seus dedos e se afastou.
Em uma tentativa de defesa, eu apertei meus dedos em volta da garganta e respondi baixo.
— Eu nem sei por que você está fazendo isso comigo. Como posso desistir de fugir? Não posso perder a minha vida …
Ele soltou uma risada fria e grave, levou sua mão em direção a cabeça e sem eu esperar, tirou sua máscara e senti meu corpo se arrepiar com a visão que tive a minha frente. O homem se abaixou, ficando frente a frente comigo.
Seus olhos estavam brilhando para mim. Grandes esferas escuras e profundas, cobertas por cílios espessos e pretos. Um sorriso brincava em seus lábios carnudos e bem delineados. Seu queixo e mandíbula eram bem definidos, não existia sinal de barba. Seus cabelos castanhos arrastavam em seu colarinho na parte de trás da sua camisa preta, alguns fios castanhos caíam em frente aos seus olhos e ele afastou as madeixas com os dedos que estavam envoltos por um par de luvas de couro, que permitia somente a ponta dos dedos de fora e sem eu esperar, ele me levantou do chão em um movimento rápido, me jogando sentada na cadeira que a poucos segundos foi colocada ali.
Meu corpo bateu no assento de madeira com força, me fazendo soltar um gemido de dor.
Em seu rosto era possível ver a diversão brilhar. Ele estava se divertindo com meu medo. Ele estava se divertindo com a minha dor.
— Não adianta você lutar pela sua vida. Você me pertence. O maldito dia em que invadiu minha propriedade e incendiou a porra dos meus armazéns foram a assinatura da sua sentença de morte, Florzinha.
Eu franzi a testa em confusão pois eu não havia feito nada daquilo. Realmente não sei do que ele está falando. Eu simplesmente pulei o muro da sua propriedade porque estava tentando escapar dos inimigos que invadiram minha casa. Pela primeira vez senti vontade de me explicar.
Eu precisava lutar pela minha vida. Pela minha liberdade.
O homem à minha frente era muito alto, estava usando roupas pretas que pareciam ser extremamente caras para este ambiente, ele usava suspensório, gravata e parecia ter um coldre de couro em sua coxa direita e o detalhe que me fez estremecer internamente, uma máscara que cobria todo o seu rosto estava entre seus dedos e agora é possível ver seus cabelos castanhos compridos que são escondidos perfeitamente.
Para meu desespero, eu sabia que estava em terras inimigas, e na tentativa de me salvar quando invadiram a minha casa, acabei caindo direto em suas mãos, ou seja, estou muito ferrada.
Estou diante do chefe da Ghost Mafia.
— Eu sinto muito. Eu só queria…
De repente, mais homens entraram na sala onde estávamos e de relance vejo que todos estão mascarados e prontos para atacar. De repente, surgiram disparos muito próximos de onde estamos e uma onda de vertigem me invadiu, deixando-me incapaz de reagir.
Fechei meus olhos com dificuldade, tentando me manter acordada até que vejo aquele homem furioso colocar sua máscara mais uma vez enquanto se aproximava de mim a passos rápidos e consegui ouvir sua voz comandar algo que parecia fugir do meu entendimento. Tudo parecia estar se distanciando de mim.
— Senhor, um deles confessou que estão atrás dessa garota.
A última coisa que vi foi aquele homem se aproximar de mim rapidamente e me agarrar com suas duas mãos até que mergulhei na escuridão.
Horas antes.
Eu estava em meu quarto lendo mais um livro de romance quando ouvi alguns sons vindo direto da rua, me levantando da minha poltrona, afastei minha coberta e andei em direção a janela quando vi algumas pessoas invadindo a mansão pela porta dos fundos. Já estava muito escuro, mas ainda assim foi possível ver toda a movimentação. Me afastando da janela, corri em direção a saída do quarto quando gritei.
— Papai, estamos sendo atacados…
Saindo do seu escritório, meu pai apareceu no corredor aflito, tirando a arma da sua cintura ouço ele engatilhar com habilidade e arregalando meus olhos com medo, vejo o quão real é a situação.
Nunca havia presenciado nada parecido.
Nunca vi meu pai com uma arma em mãos.
Faço parte de uma família rica e bem sucedida na cidade da Flórida, e sinceramente, nunca vi nenhum tipo de ataque na cidade em meus 24 anos.
— Malditos.
Ouço meu pai gritar enquanto se aproximava de mim, e me direcionando para a saída até que ouvimos disparos próximos e me abaixando, cobri minha cabeça sentindo o medo me embalar e sussurrando, meu pai abriu a porta da biblioteca e murmurou.
— Mavie, preciso que você preste atenção no que eu vou falar.
Eu o encarei enquanto engolia em seco, sentindo meu coração acelerar no peito com medo do que possa estar acontecendo. Depositando suas duas mãos em meus ombros, vejo a expressão do meu pai se tornar séria enquanto ele chamava minha atenção.
— Vou ajudar você a escapar, e depois disso, não volte para cá.
Eu senti lágrimas escorrendo em minhas bochechas ao ouvir isso, e neguei com um gesto, me sentindo incapaz de me afastar. Eu não poderia deixá-lo para trás.
Nervoso, meu pai envolveu meu rosto entre suas mãos e disse.
— Eu não vou sair vivo, mas terá pessoas que irão protegê-la. Eles vão ir atrás de você seja onde for. Está me ouvindo?
Seus polegares acariciaram minhas bochechas quando tudo pareceu real. Tão real quanto assustador.
Eu assenti enquanto as lágrimas desciam incessantes pelos meus olhos e fui puxada para o interior da biblioteca quando meu pai apertou no painel e inseriu uma senha e a pequena estante próxima a sua mesa se moveu. Com os olhos arregalados, me surpreendi por não saber da existência daquele móvel, mas deixando de lado, meu pai me empurrou para dentro do que parecia ser uma passagem secreta e disse.
— Fuja, Mavie. Nunca na minha vida vou poder pagar o que fiz, mas nunca esqueça, eu amo você com todo meu coração, meu amor.
Pousando as mãos em meus lábios, fiz menção de me aproximar para abraçar meu pai mas ele fechou a porta da passagem com força e ali me debulhei em lágrimas, enquanto conseguia ouvir fortes disparos vindo através dessa parede e assustada demais, lembrei das ordens do meu pai e sai correndo por entre as pequenas lamparinas que existiam nas paredes.
Milhares de pensamentos se faziam presentes em minha mente. Um deles é o medo de alguém machucar meu pai. O que vou fazer se meu pai se machucar?
O que será que vai acontecer?
Não sei quanto tempo fiquei correndo, apenas ouvindo os sons da minha respiração ofegante e meus pés encontrando o chão em meio a algumas pedras, mas o único pensamento que se fazia presente em minha mente era sobre a ordem que meu pai havia me dado.
Eu preciso fugir. Eles irão me encontrar. Mesmo que eu não saiba quem, ainda assim, serei encontrada pelas pessoas de confiança do meu pai.
Ofegante, parei de correr e me escorei na parede enquanto puxava o ar desesperadamente e andando a passos trôpegos, encontrei a saída do túnel e senti meu coração apertar ao ver que eu estava em um lugar completamente desconhecido.
Engolindo em seco, encontrei uma estrada de terra e comecei a correr através dela, ao meu redor existia apenas vegetação. A lua brilhava forte no céu noturno e estrelado. Havia uma brisa forte e fria que jogava meus cabelos em meu rosto à medida que eu corria. Tudo estava silencioso exceto pelos sons de grilos cantando em algum lugar, e tentando manter a força para correr, puxei o ar com dificuldade até que algo prendeu meu pé e fui lançada com força no chão. Sai rolando pela estrada, sentindo minha pele se arranhar a cada fissura que as pedras causavam enquanto eu rolava no chão.
— Chefe encontramos a garota. Vamos levá-la para o calabouço.
Ouço alguém murmurar, e me encolhendo enquanto sentia dor em meus joelhos ralados, vi alguns homens estranhos se aproximarem e logo em seguida minha visão foi interrompida quando levei uma pancada na parte de trás da cabeça.
A alguns dias estamos lidando com pequenos ataques em todo o território da Flórida e por isso fui obrigado a voltar para a mansão antes do previsto. Meu pai, o chefe da organização confiou a execução dos traidores para mim, o que não é nenhuma novidade e depois que contabilizaram os estragos dos armazéns queimados por uma bastarda, chegou a parte que eu mais gosto.
Banhos de sangue.
Eu sou um dos soldados mais letais do Ghost Mafia. Nossa modalidade consiste em negociações e vendas de produtos e drogas ilícitas, casas de prostituições e lutas clandestinas. Tudo isso gera uma fortuna mensal que é administrada pelo meu pai, August Blake, o Boss do Ghost.
Nossa marca registrada é matar e não deixar rastros, por isso usamos máscaras, fica fácil nos infiltrar e depois capturar os culpados, e depois que estão em nossas mãos cada um morre de acordo com a penalização que merece. Nosso armazém onde fazemos as torturas e cremações está cheio depois de boas investigações. Trouxemos os traidores para cá por que é um espaço gigante e com uma localização que nem mesmo os melhores policiais encontrariam e se caso alguém tente fugir, acabará caindo em um labirinto sem fim , o que só piora a situação pois não tem como sair com vivo.
Aqui cada um terá um fim de acordo com o que aprontou em vida.
Temos devedores engraçadinhos que tentaram fugir, temos ladrões, tem os traidores que aceitaram dinheiro em troca de informações e tem os estupradores e confesso que esses eu gosto de assistir morrendo lentamente, pois o castigo desses é da melhor forma que existe ou já existiu.
Temos leis no Ghost e quem não a respeita, acaba sendo punido e na maioria das vezes acaba não voltando para compensar o erro, e algo que não tem perdão entre nós, são os traidores e violadores de mulheres e crianças.
Não gosto de saber que violentaram dessa forma, mas gosto de vê-los sofrendo a cada segundo.
Essa semana irei me divertir lentamente no armazém onde batizei carinhosamente de Calabouço. Aqui temos inúmeros brinquedos de torturas, desde os mais leves até os que causam danos extremos como os quartos de empalamento.
O quarto de empalamento é onde torturamos o estuprador através de estacas de madeira pontiagudas, através do seus ouvidos, boca, anus, ou até mesmo vagina. Isso já aconteceu e confesso que entrei em êxtase quando assisti a cada um deles sendo torturados lentamente. De acordo com o grau do dano, eles recebem estacas maiores e mais grossas.
Aqui não temos misericórdia. Se não quer morrer, basta não foder com a chance que recebeu.
Aqui funciona da seguinte forma, Deus no céu e o Ghost na terra.
Assim que abri a porta do Calabouço, sou recepcionado por gritos de dor, sangue espalhado por entre os corredores, e um cheiro forte de alvejante, sangue e brasa.
Sorrindo, coloquei minha máscara e abri a primeira porta, onde encontrei um homem acorrentado de cabeça para baixo. Em seus braços existia um peso de 50 KG onde iria causar o deslocamento dos seus membros lentamente.
— O que temos aqui?
Murmurei enquanto me aproximava de um soldado e colhia a ficha do prisioneiro. Aqui levamos muito a sério a penalização, cada um tem um registro e eu examino um por um para me certificar de que estão recebendo os devidos cuidados.
Passado os olhos devagar, encontrei a sua acusação e vi que é apenas um roubo em um de nossos prostíbulos e assentindo, me aproximei do homem que se chama Angelo e perguntei.
— E então ângelo, vamos bater um papo.
Soltei o ar devagar enquanto puxava uma cadeira e virei de frente para ele e apoiei meus braços em cima do encosto de costas e perguntei.
— Sua mãe nunca ensinou que não se deve roubar nada de ninguém?
Eu estava rindo, mas a máscara não deixava isso ser evidente. A expressão do homem era de terror e eu estava adorando ver ele se mijar enquanto sua urina descia em seu rosto.
— Que coisa feia.
Levantei da cadeira e disse.
— Hoje você só vai sair daqui com os ombros quebrados, mas na próxima…
Eu parei de falar e me agachei, ficando de frente para Ângelo e segurei o peso de 50 KG, lhe dando um certo alívio momentâneo.
— Não terá próxima vez, Filho da puta.
Soltei o peso deixando-o cair no chão e foi possível ouvir o som de ossos se quebrando quando o grito de dor tomou a sala fria e fedorenta que eu tanto gosto. Se ele não aprender a lição depois de dois ombros quebrados, com certeza vai acertar as contas no inferno.
— Esse é o último aviso. Se mexer no que é meu mais uma vez, você vai morrer lentamente.
O homem estava se mijando de tanta dor quando virei minhas costas e fui em direção ao próximo quarto, disposto a continuar a seção de tortura.
Depois de muito sangue, jogos psicológicos e membros esmagados, triturados e arrancados, chegamos ao penúltimo quarto e aqui está um dos mais antigos membros da Ghost.
Confesso, esse homem foi muito difícil de ser encontrado, e por ter sido um dos nossos melhores soldados, foi o que dificultou a busca. Saymon Neumann é um dos conselheiros de confiança do meu pai, que depois de muita investigação ficou sabendo que ele estava escondendo em sua casa uma herdeira. A filha de um dos nossos inimigos.
— Finalmente nos encontramos, Senhor Neumann.
Entrei na sala fria, observando o homem que estava sentado em sua cadeira em uma postura firme. Como se fosse o dono da porra toda.
Em seu rosto existia uma expressão de superioridade que estava me irritando, mas continuei a seguir meu plano e o deixei bem à vontade.
— Você não foi mal tratado aqui, não né?
O homem arqueou a sobrancelha e negou em um gesto e murmurou firme.
— Não, ninguém se atreveu a mexer comigo.
Assentindo, eu tirei minha máscara e falei demonstrando respeito.
— Ótimo, uma morte a menos.
O homem engoliu em seco, e sua expressão vacilou por alguns segundos enquanto eu falava.
— Você pode ir daqui a pouco, só preciso confidenciar algo para você.
Ele assentiu e relaxou a postura enquanto cruzava seus dedos acima da mesa e eu me sentei de frente para ele sem pressa.