Capítulo 2

Cinco anos depois, em uma rodovia de Andeport, Arielle estava sentada no banco de trás do carro com a cabeça apoiada no ombro de Everett. "Você tem certeza de que essa médica vai poder curar minha doença?", ela perguntou suavemente. "Ela será capaz de me operar?"

Arielle tinha um problema cardíaco e Everett não mediu esforços ao longo dos anos para tentar curá-la. Há poucos dias, o Hospital Geral de Andeport contratou a doutora Melly Sherman, uma famosa médica estrangeira conhecida pela sua especialidade em cirurgias cardíacas. Baseado em suas pesquisas e taxa de sucesso impecável, as pessoas do campo médico a consideravam como a maior cirurgiã do mundo.

Everett acenou positivamente, mas estava claro que Arielle estava abalada. "É que essa mulher ainda é tão jovem", ela lamentou. "Não sei se ela é experiente o suficiente. Como ela poderá me operar?"

No fundo, não era o diploma ou a experiência da mulher que incomodavam Arielle, mas o nome Melly Sherman. Isso a fazia se lembrar daquela vadia, Melissa Sherman. Seria essa uma grande coincidência?

Em alguns minutos, o carro saiu da rodovia principal e entrou em uma estrada remota. Ao longe, eles avistaram uma villa no sopé de uma montanha.

"Espere aqui", Everett disse gentilmente. "Vou dar uma olhada primeiro."

Ambos saíram do carro, mas Arielle ficou encostada no veículo, esperando que o homem voltasse. Nesse momento, um Lulu da Pomerânia saltou da grama e olhou para ela com o rabo abanando. Sem hesitar, Arielle gritou e o chutou. "Saia daqui, seu cachorro maldito!"

O cachorrinho choramingou e saiu correndo de volta para seus dois jovens donos.

"Harley!", um menino disse enquanto saía de baixo de uma árvore. Como tinha acabado de chover, seu corpo estava encharcado e coberto de lama.

Assim que Merrick Sherman pegou o Lulu da Pomerânia em seus braços, o cachorrinho começou a vomitar.

Nesse momento, uma garota também apareceu com uma expressão preocupada. "O que devemos fazer, Merrick? Harley não está nada bem! Será que ele vai morrer?"

Enquanto isso, Arielle encarava as duas crianças à sua frente, sentindo que já os tinha visto em algum lugar.

Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, uma voz soou atrás dela. "O que aconteceu?", Everett questionou.

Assim que ouviu a voz do homem, Arielle correu e se jogou em seus braços. "Everett, um cachorro me perseguiu e tentou me morder!"

Essas palavras deixaram Merrick furioso. "Sua mentirosa! Harley nunca mordeu ninguém antes. Ele só estava abanando o rabo para você! Esta é a nossa casa. Podemos brincar com nosso cachorro quando e onde quisermos! Que direito vocês têm de estacionar seu carro aqui? A quem vocês pediram permissão?!"

O garoto tinha cerca de quatro anos e seu rosto era delicado como o de uma boneca. Agora, no entanto, seus olhos flamejavam de raiva enquanto segurava o cachorrinho machucado em seus braços. Embora tivesse uma voz infantil, as palavras de Merrick eram racionais como as de um adulto.

A curiosidade de Everett foi despertada quando avistou a figura do menino. Por um instante, ele também sentiu uma forte sensação de familiaridade.

Após uma breve reflexão, Everett se virou para seu assistente. O homem se adiantou e, com uma breve reverência, olhou para as duas crianças. "Pedimos desculpas! A culpa é toda nossa. Por favor, permita-me levar o cachorro a um veterinário! Garanto que ele ficará bem..."

"Não precisa!", Merrick relutou. "Esta é a nossa casa. Saiam daqui, por favor!"

Capítulo 3

Com as bochechas vermelhas de vergonha, o assistente se levantou e olhou para Everett. O menino era muito teimoso e ele não sabia o que fazer.

Everett limpou a garganta e perguntou: "Vocês dois são parentes da doutora Sherman?"

"Por que você está procurando nossa mãe?", Lindsey Sherman perguntou, inclinando a cabeça.

Everett e seu assistente se entreolharam envergonhados. Eles estavam ali para ver a doutora Sherman, mas não esperavam ofender os membros de sua família antes mesmo de conhecê-la.

"Minha noiva está doente. Precisamos da ajuda da sua mãe", Everett respondeu.

"É melhor vocês saírem daqui agora mesmo!", Merrick retrucou. "Minha mãe não vai tratar essa mulher!"

"Merrick...", Lindsey disse com um beicinho infeliz. "Mamãe sempre diz que o dever médico é curar os feridos e resgatar os moribundos. Não podemos guardar rancor contra as pessoas, por mais que elas mereçam."

As palavras sábias da garotinha fizeram o coração de Everett derreter. Se seu filho com Arielle estivesse vivo, teria a mesma idade dessas duas crianças. Esse mero pensamento o fazia se lembrar de Melissa, despertando instintos assassinos no homem.

"Minha mãe não está em casa no momento. Ela saiu!", Lindsey disse. "Se quiserem, podem esperar por ela lá dentro."

As duas crianças caminharam em direção à villa com o cachorrinho e Everett os seguiu. Arielle, por sua vez, ainda estava furiosa, mas sabia que não podia perder a compostura.

Quando finalmente chegaram na villa, Arielle estava prestes a se sentar em um sofá, mas o garoto a impediu. "Desculpe, este é o lugar da minha mãe! Só ela pode se sentar aqui. Sente-se em outro lugar, por favor!"

Fazendo o possível para controlar sua raiva, Arielle caminhou até a outra ponta do sofá, mas Merrick a impediu novamente. "Aqui é onde minha irmã e eu nos sentamos!"

Com a testa franzida, a mulher olhou para Everett, como se estivesse pedindo sua ajuda. "Everett...", ela disse, batendo o pé no chão raivosamente. "As crianças de hoje são muito mal-educadas!"

"Você está certa!", Merrick zombou. "Minha irmã e eu somos mal-educados. Já você é extremamente bem-educada, não é? É por isso que você chutou nosso cachorro sem pestanejar? Além disso..." O garoto fez uma pausa e a encarou da cabeça aos pés antes de acrescentar: "Você não é mais uma criança! Por que não fala como uma adulta? Nem minha irmã age mais como uma criança mimada! É patético!"

Arielle ficou constrangida e sem reação. Indisposta a desistir, ela se virou para Everett, mas o homem gesticulou para que ela permanecesse quieta.

"Vá atrás do doutor Wyatt Quinn", ele ordenou a seu assistente. "O doutor Quinn é o veterinário mais famoso de Andeport", Everett explicou às duas crianças. "Ele vai examinar seu cachorro e dará um diagnóstico preciso de sua condição."

Merrick estava prestes a recusar, mas sua irmã agarrou sua mão. "A mamãe só trata pessoas, ela não pode fazer nada para ajudar Harley. E se algo acontecer com ele? Não devemos recusar a ajuda deles. Deixe o veterinário examinar Harley. Afinal, eles nos devem isso!"

Essas palavras fizeram o rosto de Merrick suavizar. "Tudo bem", ele concordou, embora relutantemente.

Everett sorriu, admirado pela postura das duas crianças. "Como vocês se chamam?", ele perguntou timidamente.

"Meu nome é Lindsey Sherman, e este é meu irmão, Merrick Sherman..."

Antes que a garota pudesse terminar suas palavras, Merrick cobriu a boca dela. "Mamãe nos pediu para não dizer nossos nomes a estranhos! E se eles nos sequestrarem?"

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