- Joga óleo vegetal nela. - exclama alguém dentro a plateia fria e carniceira.
- Água! Água! Joga água 'ni' mim. Tá queimando. Minha Jaci da Conceição! - exclama perdendo líquido em meio as chamas.
- Não existe mais água por aqui há décadas.
Retruca um dos “bots”.
- Apaga seu moço robô. Mim ajuda! Tá queimando! Aí! Aí! O que eu fiz? "Pra" merecer isso! O que fiz? (...) Indaga gritando aos quatro ventos quente da ‘cybercidade’ de Caruaras no agreste Meridional do estado de Pernambuco Assombrado.
O corpo inflamado da Trovadora/Poetisa caíra por fim bem no meio do Beco do Major Sinval, (hoje beco da pequena de Ouro e também da antiga livraria estudantil). Ninguém o ajudará por horas a fio... A vida híbrida quase seguirá normalmente...
Caruaras de carros elétricos abandonados... Carregadores pifados..., (Com carne em "3-D" colocada intencionalmente para dar pane nos próprios carregadores. Anti tecnologias?
Capotas e carcaças de flutuantes oxidados por quase todas as ruas... Lixo virtual, (Hologramas de balsas chia, chia repletas de comida enlatada e embutidos criados em
Impressora; "3D") e androides desatualizados comendo e catando lixo eletrônico também.
Caruaras da linha do trem...
***
- Nego tenho uma notícia triste pra tu. - disse Rosinha com olhos de choro.
- O que “Mulé” vai fala logo... - retruca Nego Ciborgue já prevendo a mais triste das notícias que se pode receber.
Tua mãe morreu, agora! Recebi a notícia da máquina de oxigênio. Ela não suportou a intubação.
- Minha ‘veinha’... Se foi... - murmura Nego chorando e baixando a cabeça.
- Calma meu gato! Força ela foi chamada pra as estrelas. - tenta confortar sua parceira/companheira.
"Que a santinha Jaci da Conceição seja por todos nós!".
Pensa Rosinha também chorando, porém, discretamente.
- Era a única renda da nossa casa. - comenta Rosinha fitando a porta oxidada do refrigerador científico, (antiga geladeira adaptada).
- Era minha única mãe. (...) - retruca o filho.
- Eu sei... Meu bebê eu sei. Me desculpa é que penso na gente.
- Tá! Eu sei... Ah minha veinha se foi... Minha guerreira... Minha rainha... Depois dela só meu bisavó que trabalha fixo. E por um breve tempo construindo a linha do trem aqui na cidade de antigamente. - disse Nego Ciborgue enxugando os olhos marejados.
"Terei que vender o único bem que me resta e vale algum nesse mundo facista/capitalista de uma merda"!
Pensa Nego Ciborgue fitando os próprios membros musculosos e mecânicos.
Três meses e alguns dias, (eternos)... Após o sepultamento de Nega Santa...
***
Nego Ciborgue, (já sem os braços) deitado:
"Tenho que levar o holograma da foto de porcelana da minha veinha, já faz mais de três meses".
Pensa Nego Ciborgue tentando reagir daquela "deprê".
Rosinha sentada só de calcinha e blusão do Caruaru Cite, retocando o esmalte e o “holovisor” ligado em um filme Sertão Punk, era o "CANGAÇO OVER DRIVE". no intervalo surgira um comercial do outro filme "Estranha Bahia".
- Uau! - Exclama a esposa de Nego.
Bá! Bá! Baaa! - alguém batera lá do outro lado da porta...
"Mas eu conheço essa batida... É... Mas não pode ser".
Pensa Nego Ciborgue, (sem os braços) deitado/deprimido na escuridão do seu próprio quarto.
Bá Bá!! Baaa!!! - insiste ainda do além porta.
"Essa batida não existe outra igual".
Pensa Rosinha.
"Só pode ser... Mãe?".
Pensa Nego arrepiando-se profundamente.
- 1...2...3...
Quando Rosinha, (seu companheiro/parceiro por suas costas) abrira a porta.
Nego Ciborgue arregalara os olhos... Era como se avista-se a mais aterrorizante visão, (...) visagem de um pavor tão desejado... Sonhado... Mentalizado... Aguardado.
- Mãe? (...) - exclama com os lábios trêmulos mudando de tom e cor.
- Meus Jesus Cristo Eletrônico! - murmura sua companheira/parceira pálida como um cadáver apesar da pigmentação afrodescendente.
- Não! Não pode ser... (...) Mas... Mas a senhora já morreu faz três ‘mês’. - dispara Ciborgue com a menina dos olhos nervosa como nunca.
- Meu filho! Eu voltei... Sua mamãe tá de volta...
Disse aquela senhora ainda melada de terra de cemitério... A visão que se segue... E grotesca, nefasta e horrorosa... Mas caberá ao leitor ou leitora tirar suas próprias conclusões.
- Mas tem, tem Tapurus descendo e subindo no seu rosto, minha mãe.
- Meu filho de minha vida. Abrace sua mãe.
- Não, acho que vou vomitar... Que nojo... A senhora tá fedendo a carniça mãe.
- Calma filhote mainha vai cantar uma ‘musiquinha’ “pra” acalmar meu nenezinho: disse e continua rodopiando no seu próprio eixo: - Na boca da mata... Eu encontrei um pássaro branco, avisando que cheguei... Na boca que vi dentro dela... - Canta dona Nega Santa.
- Mãe? É a senhora? (...). - indaga gelado fitando Rosinha que mais parecia que não estava ali...
- Quando... Passara na porta do cemitério seu moço não esqueça de olhar para trás... Vocês vou ver uma moça vestida de negro seu moço... Ela Maria Mariá... Ela é Maria Mariá... Matei com sete facadas dentro seu coração sou Pomba Gira... Sou pomba Gira menina na sexta-feira da paixão... Mas eu chorei... Eu chorei... O homem que eu amava com sete facadas eu matei... Chorei... Sexta-feira da paixão... O homem que amava eu matei... Cantarolava o tal ponto de candomblé Nega Santa.
- Mas meu filho sua mãe voltou, tá com vergonha de mim?
- Jamais mãe... Me desculpe! - disse abraçando aquele ser, (envolto em trapos/restos da mortalha) em decomposição/putrefação.
Sua mãe, (aquele ser derretera por entre os seus braços baratas e tapurus mecânicos correram para o interior de sua casa e também por a calçada sob os gritos de Rosinha... Na periferia da “cyberprincesinha” do agreste Meridional ‘cyberpunk’/distopico de Caruaras.
- Mãe! Oh! Mãe!! Mãe!!! - Logo acordara suado meio que desesperado por sentir/perceber ter uma pequena percepção, pois estava a sonhar.
- O que foi Neguinho meu! Sonhou com Nega Santa de novo foi? - indaga Rosinha lhe fazendo um carinho.
- Foi! (...) Mas dessa vez foi diferente tão real.
Retruca Ciborgue.
- Que fedor é esse Nego? - indaga sua esposa/companheira tapando as marinas e fitando os calçados do seu parceiro conjugal.
- Tô sentindo também... Deve ser merda.
- Parece que tu pisasse em carniça queimada.
Uma pequena procissão, (seres híbridos, androides, bots e ginoides, ciborgues) com dispositivos móveis em mini pedestais clamando o retorno/vinda da santinha/inteligência artificial Jaci, passara cantando louvores para a tal entidade espiritual/tecnológica.
***
- Ei, vocês aí, sabe dizer onde mora a ginoide Janaína? - Indaga um ser andrógino, (aparentemente sem gênero definido) talvez homem, mulher ou trans...
- Não senhor. - Retruca tremendo nas bases.
- Senhor tá no céu, 'filhinho'. - retruca aquele ser sobre patins com voz híbrida, (...).
Logo se juntara a uma pequena turma de patins procurara por Janaína, (a ginoide) por toda 'cybercidade', (...).
***
- Mataram Maria Meia-noite agora! - disse ofegante Ciço do Poico.
- Quem foi? (...) - Indaga Líbio Catito.
- Não se tem certeza ainda, mas estão dizendo a boca miúda que fora uma gangue. - Comenta baixinho, (quase no pé do ouvido) Darck Araújo.
- Que gangue? Fala logo! - indaga outro colega.
- Os Habitantes do Escuro? - Indaga Líbio tentando adivinhação.
- Não! (...) - Retruca Ciço do ‘Poico’.
Continua...
- Merda. (...) - exclama Líbio.
- A Gangue dos Patins. - dispara Darck Araújo.
- Como foi? - pergunta mais uma vez Líbio.
- Ela tava dormindo... Perto de um ponto de ônibus voador e aí então veio alguém de patins e tocou gasolina e riscou um fósforo. Aí já viu né? - disse Ciço indagando.
- Fogo na bichinha da poetisa. - comenta Fennaco imaginando aquela agonizante cena.
- Queimou oitenta por cento do seu corpinho lá.
Disse o irmão de Ciça lamentando.
- Merda! - exclama novamente Líbio também se lamentando.
- A máquina de cirurgia do hospital de robôs disse que ela continua queimando apesar do atendimento e remédios, curativos. - retruca Fennaco.
- Eita! (...) - Exclama outra vez Líbio.
- Já tinha Amputado os dois braços. - disse Ciço com a vista para o chão.
- Oxe! Melhor que a santinha Jaci tenha levado ela “mermo”. - comenta Darck Araújo.
- Pois é... - concorda Fennaco.
Já na outra extremidade da Capital do cyberagreste... Além do Rio, (oleoduto) Ipojuca:
Alto da Banana Artificial:
"Já vai 'pra' quatro meses essa gravidez, vou ter que falar "pra" meu homem, mas tenho medo 'mermo' assim".
Pensa simulando um claro sentimento de angústia.
- Macabel? - indaga sua companheira conjugal.
- Oi. - responde Calisteu teclando em seu telemóvel com criptografia quântica.
- Tenho uma coisa 'pra' te dizer. - disse Janaína um pouco desconfiada e receosa Janaína.
"Vixe Maria!".
Pensa Calisteu.
- Tô grávida! (...) - dispara a ginoide.
- Eita! (...) Exclama sentindo seu coração palpitar.
"Vou ser pai".
Pensa Macabel se tremendo nas bases.
- Danada você heim? (...) Indaga/comentando.
- Por que? Você não gostou da notícia que vai ser pai? - indaga lhe fitando os olhos.
- Lógico que sim! Filho é filho... Apesar da surpresa. Mas gostei sim! Mas é que...
- Hum... Quer eu seja mãe solo é? Criar sozinha esse filho ou filha. - exclama aquela pessoa eletrônica cortando a frase do seu parceiro/companheiro.
"Queria um menino, até já tenho um nome, mas se vier uma menina também será bem vinda".
Pensa Janaína alisando seu ventre com órgãos híbridos e impressos em '3D' sob pele tipo pêssego/ciliconada.
Estava a gerar um bebê/boneco ‘hi-tech’, (de três meses de gestação) sob a lua sintética do país do meio, (República Popular da China) que estava com problemas técnicos e não ligara há cerca de três noites eternas de inverno nuclear.
Ah! Caruaras negra, vampira e assombrada.
Relatos de relatos de ataques astrais e aparições de velhas almas penadas/amaldiçoadas, (...) Assassinadas sobre o chão rachado/asfalto derretido/esburacado, máscaras usadas 'KN-95', jogadas/abandonadas/esquecidas e sujas de óleo velho e sangue coagulado.
***
Avenida Rio Branco, outrora Rua da Matriz e pré historicamente; Rua Angolinha, (onde aportavam os homens, mulheres, jovens e crianças afrodescendentes escravizados.
"Essa noite tá estranha... Além desse maldito inverno nuclear, acho que 'tamo' vivendo uma inversão dos polos magnéticos da terra...".
Pensa o comissário Lacerda lembrando-se daquele certo documentário que havia assistido, (...). Fitara o firmamento da "cyberprincesinha" do agreste.
"Tá tudo cinza nesse céu de minha santinha Jaci da Conceição".
Pensa Cachorrão colocando para dentro da blusa preta o seu distintivo da Polícia Cívil.
Estavam reunidos ali... de frente a casa do bispo, (Zona Central) em baixo de uma árvore artificial; onde outrora era um cemitério.
Mais a frente... a Igreja Holográfica de Nossa Senhora das Dores, (Hoje Igreja/Catedral), antiga Igreja de duas torres demolida ainda no ano de 1964.
- Três dias e três noites de escuridão creio que já tá acontecendo. - Comenta Lourival fitando o firmamento.
- Será? (...) - indaga Afrodite também olhando para o céu cinza de Caruaras, (...).
- Minha bússola de bolso tá doída, ela tá apontando para a antártica lá no sul do globo... O certo era para apontar para o Ártico ao norte. Disse aquele certo comissário com o seu dedo indicador ereto como se quisesse sentir/medir o vento artificial daquela terra sintética. Era o comissário Dorian Lurdy.
- Até os animais tão doido, tudo migrando, tu visse a notícias da manada de elefantes híbridos lá na China? - indaga Lacerda sacando o seu antológico cantio com uísque e café sem açúcar.
- Vi sim! E as aves híbridas tão tudo perdida. - Retruca Afrodite com cabelo amarrado tipo “pito”.
- Que mundo apocalíptico. - comenta Lourival acariciando o seu cavanhaque.
- Doido o "baguio". - Retruca Afrodite Silva.
Madrugada de noite/eterna...
***
Zé ‘Oio’ de Gato no volante:
"Tô tão seco que se aparece-se alguém eu juro que parece e botava "pra" dentro só pra comer bem gostoso... Tô precisando descarregar, já não aguento mais tanta 'punheta', minhas mãos já tão criando calo".
Pensa dirigindo/pilotando seu flutuador, (‘Simca Chambord’ adaptado feito "steampunk") bem devagar, (quase pousando em baixa via aérea).
Era as imediações das ruínas negras do Estádio Luiz de Lacerda, (o Lacerdão). Campo do time virtual do Central Sport Clube. O time mais antigo da cidade inteligente de Caruaras.
- Quando um braço de pele alva surgira da sombra de uma árvore, (embutida com antena "6G" para obter mais e mais informações dos transeuntes, motoristas, catadores de lixo eletrônicos e virtuais) fizera gesto de carona:
"Que estranho tive a impressão que saiu um braço dentro da parede da garagem da C.A.D.I.S.A, que estranho será verdade a lenda urbana que minha avó contava pra mim?".
Pensa ‘Oio de Gato’ sentindo um calor de desejo e seu membro ereto.
- Nossa será uma mulher? Ou trans... Sei lá?
Se auto indaga tentando ver através do 'plastvidro' do parabrisa.
Diminuíra ainda mais a velocidade... Baixara o vidro sintético:
Uma voz feminina se fizera pronunciar com ares de extrema sedução na mesma calçada do (caruaru Diesel S.A) portão gigante da desativada loja/revendedora de caminhões.
Seu moço? Pode me dar uma Corona? - indaga aquela mulher loura, (de cabelos curtos e tinha uma das pernas mecânica) vestida de branco gelo na calada da noite eterna de inverno nuclear.
Andava com extrema elegância na esquina da Rua Visconde de Inhaúma com a Rua Barão de Porto Seguro, (a rua da agência virtual da caixa econômica federal).
- Posso sim! Mas a senhora vai 'pra' onde? - Indaga o rapaz com fome de amar nos olhos.
- Rua Goiás ali na beira da linha. - disse inclinando na porta do carro voador.
- Sei... Entra aí... - disse sem pensar muito.
- Tá!
Quando o motorista desviara um pouco de sua atenção a galega já estava dentro do flutuante.
"Nossa! Que rapidez... Nem vi quando essa mulher entrou... Que estranho, mas acho que vai valer apena".
Pensa fitando a loura por o espelho interno.
- Você tem alguém? - indaga após um curto período silêncio a galega da Cadisa.
- Porque da pergunta? - retruca o motorista também Indagando.
- Só 'pra' puxar conversa. - Justifica a loura cruzando as pernas e continua: Você acredita em Lilith? - indaga mais uma vez.
- Lilith? Sei quem é não. E sobre um alguém; tenho não, aínda, mas pretendo ter sim! - disse conduzindo em velocidade o flutuador por entre outras carros e motos voadoras em média via aérea no trânsito caótico da “cyberprincesinha” do agreste Meridional.
- Qual seu nome? Moça? - indaga outra vez.