Estou andando sem rumo, até que me vi no parque que sempre vinha com o meu pai, sente em frente ao lago, no chão mesmo, e fiquei observando uma família de patinho brincando, eu e meu pai costumava dar nomes para eles, sinto meu rosto molhado pelas lágrimas que teimam descer sem cessar, estou distraída, perdida em meus pensamentos quando uma moça pergunta.
Moça – Posso me juntar a você?
Mila – Sim, porque não! – Dou um sorriso amarelo, e ela me devolve um igual. – Desculpa, mas te conheço?
Moça – Não, você não me conhece.
Mila – Mas eu já te vi em algum lugar – ela sorri fraco.
Moça - Você é a Milena? – Ela pergunta, eu até me assusto.
Mila - Depende de quem está perguntando.
Moça - Me chamo Erica, eu conheci seu pai. Acredito que tenha me visto no velório dele.
Mila - Oh, que legal, de onde conhecia meu pai? – Pergunto curiosa.
Julia - Eu estava no banco, naquele dia - eu a olho com lágrimas nos olhos - seu pai me salvou no incidente do banco, um dos bandidos tinha me pegado e estavam me arrastando para sei lá onde, quando seu pai atirou no homem que me segurava, então começou o tiroteio e seu pai foi atingido, me perdoe, eu nunca quis que isso acontecesse - ela começa a chorar junto comigo, dou um abraço nela.
Mila - Tudo bem, não se sinta mal! - Digo afagando suas costas - Era bem a cara dele ser um herói. - Dou um sorriso amarelo.
Erica - Eu sinto muito mesmo, mas eu vim aqui pra te falar uma coisa, as últimas palavras do seu pai, - eu a olho surpresa - suas últimas palavras foram, “- Por favor, diga a minha filha que eu a amo muito, ela foi o melhor presente que Deus poderia me dar, e que ela nunca deixe de comemorar seu aniversário, pois ele é a data mais importante do ano para mim.” - E começo a chorar e não consigo me controlar, me dói muito não ter ele comigo, mas me confortava saber que ele pensou em mim em seu último suspiro.
Mila - Que faltava você me faz papai. - Olho para ela com carinho. - Obrigada Julia, significa muito para mim, saber que as últimas palavras do meu pai foram direcionadas a mim.
Erica - Este é meu número, ligue se precisar.
Mila - Obrigada. - Nos abraçamos ela segue o seu caminho e eu vou para a confeitaria que costumava ir com o meu pai, compro um cupcake, uma velinha - Parabéns para mim! – Assopro a velinha – Estará sempre comigo papai – digo segurando o pingente que Luan me deu.
No caminho de volta fiquei pensado em como meu pai foi corajoso, ele sempre me surpreendia com as histórias que contavam, eu amava ficar escutando.
Decidi ser advogada por causa dele, eu quero ajudar as pessoas que não podem, claro quero crescer profissionalmente, mas também quero poder ajudar os que não podem pagar.
...
Vou entrar pela primeira vez na casa da minha mãe, é eu nunca vim aqui, não consigo aceitar o marido dela, pois ele foi um dos pivôs para a separação dos meus pais. Sei que ela teve culpa também, digamos que foi a maior culpada, pois ela era a casada, mas, enfim é minha mãe, então sempre vou amá-la independente do que fizer.
Chego meio sem jeito, e logo minha mãe aparece.
Donatella - Que bom que chegou! Já arrumei seu quarto, e enquanto estava no hospital resolvendo as coisas do seu pai, o Luan e o Sidney pegaram suas coisas na casa do seu pai, já arrumei tudo no seu quarto. - Eu estava no piloto automático, então nem liguei por terem pego minhas coisas.
Mila - Obrigada, mas eu preciso ir até a casa do meu pai, preciso limpar, separar as coisas dele, eu preciso… - ela me interrompe com um abraço carinhoso.
Donatella - Sim meu amor, mas não será hoje… hoje você terá que descansar, quase nem dormiu a noite passada.
Mila - Ok mãe, me mostre o quarto por favor.
Donatella - Claro meu bem, fica no andar de cima, venha comigo. - Quando dou um passo sentido a escada, o meu padrasto fala.
Sidney - Oi Mila, meus sentimentos - Eu não consigo nem olhar para a cara dele, então apenas respondo por educação, sem ao menos olhar pra onde ele está.
Mila - Obrigada.
…
Algumas semanas depois…
Chego em casa e vou direto pro quarto, encosto a porta enquanto tiro minhas roupas, sinto-me incomodada como se tivesse alguém me observando, cubro meu corpo com a toalha e sigo para o banheiro, quando saiu do mesmo, Sidney está no meu quarto, eu levo um susto.
Mila - Sidney, que susto! - Coloco a mão no meu coração e segura a toalha que cobre meu corpo - Por favor saia do meu quarto. - Ele ignora o que eu falo, e se aproxima de mim, pega meu cabelo e cheira.
Sidney - É tão cheirosa. - Ele diz com uma voz rouca, dava para perceber que ele sentia desejo por mim.
Mila - Saia do meu quarto por favor. - Eu olho para baixo e como imaginei, o membro dele estava ereto.
Sidney - Agora que estava ficando boa a conversa. - Me abraço, e seguro a toalha com força.
Mila - Não, por favor, não faça isso! - Ele puxa a toalha com tudo, e fico nua na sua frente, tento me cobrir com minhas mãos.
Sidney - É tão linda, tão perfeita… - Ele joga minha toalha na cama, coloca a mão no queixo e fica me olhando de cima para baixo. Que medo estou sentindo agora. Olho para porta ele a deixou aberta, vou andando para o canto do quarto, mas seguindo a frente, para tentar chegar à porta.
Corro, mas ele segura o meu braço e me joga na cama…
Acordo com o corpo dolorido, e muitos roxos e mordidas, eu vou para o banheiro, ligo o chuveiro e sento em baixo da água que desce morninha, minhas lágrimas se misturam com a água do chuveiro, eu coloco a mão na boca para abafar meus soluços.
Pego uma bucha e começo a esfregar meu corpo sem parar, a pele fica vermelha, algumas partes em carne viva de tanto que eu esfrego, eu sinto nojo dele, sinto nojo de mim… sinto vontade de morrer…
Como ele pode fazer isso comigo, como minha mãe pode ser tão cega e não enxergar o escroto que ele é...
Depois de sei lá eu quanto tempo no chuveiro eu saio, coloco a primeira roupa que vejo na frente, pego a roupa de cama, a roupa que estava vestindo ontem, coloco tudo em um saco plástico, vou para o quintal e coloco fogo em tudo.
Fico olhando as chamas crescer, chorando em silêncio, até que tudo vira cinzas, eu entro em casa, vejo minha mãe tranquila no sofá, ao lado daquele monstro, que olha para mim com um sorriso no rosto, que vontade eu ir lá e enfiar a faca no seu coração, se é que ele tem um.
Mila - Mãe, posso falar com a senhora?
Donatella - É para falar daquele showzinho que fez lá fora? - Ela diz sorrindo.
Mila - Mãe é sério, por favor, venha falar comigo. - Ela sobe comigo no quarto. – Mãe, juro que não estou mentindo e nem implicando, mas ontem quando cheguei da faculdade o Sidney abusou de mim – eu contei entre soluços.
Donatella - Eu não acredito Milena, você está mesmo querendo colocar eu contra o Sidney, eu sei que não gosta dele, até aí ok, você tem seus motivos, mas falar que ele abusou de você é demais. - Eu começo a chorar e mostro os roxos do meu corpo.
Mila - Estou falando a verdade mãe, eu jamais inventaria tal atrocidade.
Donatella - Já chega Mila, está de castigo, vai ser da faculdade para casa, sem desvios. - Ela sai e tranca a porta, deito no chão e começo a chorar.
Mila – Por favor mãe, eu te imploro, acredite em mim.
Donatella – Você não gostar dele até aguento, mas isso não dá Milena, assim você ultrapassa todos os limites.
…
Aguardo todos dormirem, faço minha mala e saio pela sacada, é um pouco alta, mas a minha vontade de sumir daqui é maior, consigo sair sem que ninguém me veja.
Eu fiquei vagando um tempo andando na noite escura sem rumo, eu não sabia ao certo o que fazer, para onde ir.
Vou para o parque onde costumava ir com meu pai, fico olhando o céu negro, não havia estrelas, o céu estava como eu, sem vida, sem brilho.
Eu estava me sentindo uma miserável usada, e jogada para escanteio.
Mila – Que falta você me faz pai! Como vou viver sem você?
Vou para o parque onde costumava ir com meu pai, fico olhando o céu negro, não havia estrelas, o céu estava como eu, sem vida, sem brilho.
Eu estava me sentindo uma miserável usada, e jogada para escanteio.
Vou para o parque onde costumava ir com meu pai, fico olhando o céu negro, não havia estrelas, o céu estava como eu, sem vida, sem brilho.
Eu estava me sentindo uma miserável usada, e jogada para escanteio.
Amanhece, e eu ainda estou sentada no mesmo lugar, não preguei os olhos a noite toda, meu celular começa a tocar.
Mila - Alô,
Luan - Amor onde você está, eu vim te buscar e sua mãe disse que não estava, e que também estava faltando roupas do seu armário.
Mila - Estou no parque.
Luan - O que costumava ir com seu pai?
Mila - Sim.
Luan - Estou a caminho.
Alguns minutos depois ele chega e me abraça.
Luan - Eu fiquei preocupado, o que aconteceu? - Eu estava morrendo de vergonha do que aconteceu em casa, mas eu sei que tinha que contar a alguém.
Mila - Amor me faz um favor?
Luan - Sim, do que precisa?
Mila - Me leva a delegacia?
Luan - Sim, mas você está bem? O que aconteceu?
Mila - Só me leva, e sem perguntas, por favor.
Luan - Sim, vamos.
Na delegacia eu denuncio o estrupo que sofri, conto tudo o que aconteceu após.
Eles me levam ao hospital, o pai do Luan me atende, fazem todos os exames necessários, me dão um coquetel de remédios para doenças que são transmitidas através do sexo e pílula do dia seguinte para evitar que eu fique grávida.
Saio do hospital e Luan me abraça.
Luan - Sinto muito meu amor, por não estar para te proteger. - Ele me leva para sua casa, e passa a noite me fazendo carinho, e eu durmo tranquila.
Seguimos os próximos dias bem, a família do Luan é muito receptiva, me tratam como se fosse da família. Na faculdade eu consigo me recuperar, das aulas perdidas.
...
Uma semana depois…
Minha mãe apareceu na porta do Luan fazendo escândalo.
Donatella - Como pode fazer isso com o Sidney?
Luan - Como você pode não acreditar na sua filha.
Donatella - Cala a boca mauricinho, eu sei a cobra que tenho como filha.
Mila - Ele me estuprou, machucou, e eu que sou a errada? Eu fui, sim, na delegacia, e denunciei aquela desgraçado que escolheu como marido, ele não chega nem aos pés do meu pai. - Nisso ela me dá um tapa na cara
Suzane - Ela foi realmente violentada, meu esposo a atendeu no hospital, como pode defender alguém como ele?
Donatella - Fica na sua, provavelmente foi seu filhinho de ouro quem fodeu ela a noite toda, e depois ela inventou essa história.
Mila - O quê? Como pode pensar isso de mim? Como pode ser tão má!
Donatella - Você que é má, nós abrimos as portas de casa para você, e o que você fez? Nos traiu! Sabia que ele pode ser preso.
Mila - Por mim ele poderia morrer.
Donatella - A partir de hoje, esqueça que eu sou sua mãe, pra mim você morreu. - Ela diz essas palavras e vai embora.
A Suzane mãe de Luan me leva para dentro, me conforta dando água com açúcar e muito carinho.