Capítulo 2

07:30 — Quarto do Axel. — Cidade do Vale. — Zefinópolis

Axel Knight.

O despertador ressoa implacável, arrancando-me do conforto do sono. Solto um gemido frustrado, irritado com sua insistência. Mal fechei os olhos e já estava tocando, como se estivesse determinado a me arrancar da cama.

Com um suspiro resignado, sento-me na cama e estico os braços em um longo bocejo, esfregando os olhos para afastar a sonolência. Consulto o relógio ao lado, constatando que são seis e meia da manhã. O dia mal começou e já estou mergulhado na rotina.

Decido que um banho longo é a melhor maneira de despertar completamente. Levanto-me e dirijo-me ao banheiro, onde jogo minhas roupas no cesto de roupas sujas antes de adentrar o box.

A água quente cai sobre mim, revitalizando meus sentidos entorpecidos pelo sono. Deixo-me envolver pelo vapor, permitindo que a correnteza leve consigo a tensão acumulada durante a noite. É um momento breve de paz antes do caos do dia.

Agora que o senhor Dante se tornou pai, a responsabilidade de comandar a máfia recaiu sobre os meus ombros. Sinto o peso dessa incumbência em cada fibra do meu ser. Ser o líder não é glamouroso como muitos imaginam; é uma tarefa árdua e incessante, que consome minha energia e minha sanidade.

Tudo agora é minha responsabilidade. Decidir quem entra, quem sai, quem vive e quem morre. É um fardo pesado demais para carregar sozinho. Entendo agora as palavras do chefe, quando dizia que o trabalho é uma merda. Ele estava certo.

Desligo o chuveiro e sai do box, envolvendo-me em uma toalha. Caminho até a pia e pego minha escova de dentes, preparando-me para enfrentar mais um dia no comando da máfia Zefinópolis. Que Deus tenha piedade da minha alma.

A sensação de estar sempre correndo contra o tempo me consome, deixando-me à beira da exaustão. Chegar em casa às três e meia da manhã se tornou rotina, e o sono regular que eu costumava desfrutar agora é apenas uma memória distante. Sinto que a qualquer momento poderia explodir, e o pior é que minha mente parece prestes a seguir o mesmo caminho.

Zefinópolis não é exatamente o tipo de lugar onde as pessoas fazem fila para visitar. É uma cidade marcada pela violência, onde a tranquilidade é um luxo que poucos podem desfrutar. Nós, os da máfia, temos nosso próprio código de conduta. Cuidamos das nossas coisas, mas não gostamos de chamar atenção para nossas atividades. A polícia sabe disso e sabe também que, se decidir cruzar nossas fronteiras, não terá força suficiente para lidar conosco. É uma espécie de pacto não escrito, onde todos sabem seu lugar e respeitam os limites impostos. A violência é nossa sombra, sempre presente, mas cuidadosamente controlada.

Os policiais podem tentar, é claro. Sempre que nos aventuramos a transportar armas ou drogas através de suas fronteiras, há o risco de conflito. No entanto, eles estão cientes de que não ficaremos de braços cruzados diante de qualquer interferência. Se optarem por nos desafiar, estarão declarando guerra contra nós. E, como bem sabem, não recuaremos diante de uma batalha. O que nos diferencia não é apenas a força bruta, mas também a astúcia e a determinação em proteger nossos interesses a qualquer custo. A guerra não é uma opção que tomamos de ânimo leve, mas se for necessário, estaremos prontos para lutar até o fim.

Deixo o banheiro para trás e me dirijo ao guarda-roupa, buscando algo para vestir. Opto por uma calça jeans preta e uma camisa preta, complementadas por uma jaqueta de couro da mesma cor. Vou de luto nessa merda, refletindo meu estado de espírito sombrio.

Com o celular em mãos, saio do quarto e vejo as chamadas perdidas do Yenki. Solto um suspiro resignado, pressentindo que problemas estão a caminho. Não demora muito para eu retornar a ligação para ele.

— Axel? — Sua voz soa do outro lado da linha.

Bufo com sua pergunta óbvia.

— Não, aqui é a alma dele, quer deixar alguma mensagem? — Minha resposta vem carregada de sarcasmo, uma forma de autopreservação diante da inevitável tormenta que se aproxima.

Ele solta um suspiro cansado.

— Nem a essa hora da manhã, você deixa de ser sarcástico.

— É um dom. Agora, o que você quer? — Minha impaciência transparece em cada palavra, enquanto me preparo para o que quer que seja que ele tenha a me dizer.

Mais um suspiro ecoa do outro lado da linha.

— Acho que fiz merda.

Pelo amor de Deus, tudo o que eu queria era um pouco de paciência.

A irritação toma conta de mim enquanto ouço as palavras de Yenki.

— O que diabos você fez, cara?

Minha voz transborda de raiva contida.

— Lembra que estávamos precisando de alguém para contratar pessoal, para ficar de guarda nas boates, nos cassinos... — Ele tenta explicar, mas eu o interrompi bruscamente.

— Fala de uma vez, droga! O que exatamente você fez?

Minha impaciência atinge seu ápice. Estou à beira de perder o controle.

— Eu contratei um garoto... — Sua voz soa apreensiva.

Solto um longo suspiro, tentando conter minha fúria crescente.

— Hum? — minha resposta é um grunhido desanimado.

— E ele só contratou estupradores e pedófilos.

Minha mente parece congelar por um instante diante dessa revelação repugnante. Então, todo o meu autocontrole desmorona.

— Vai se ferrar, seu idiota! Que diabos você fez, caralho!!? — explodo em um palavrão em outro idioma, deixando escapar toda a minha frustração e revolta.

— O que? — a voz de Yenki soa confusa do outro lado da linha.

Respiro fundo várias vezes, tentando recuperar minha compostura.

— Irei relatar tudo para o chefe e depois eu chego aí.

— Tudo bem... Sinto muito, Axel. — sua voz soa arrependida.

— O que passou, passou.

Sem dar-lhe a chance de responder, desligo na cara dele, deixando-me sozinho com minha raiva borbulhante e a necessidade de resolver mais um problema criado por minha equipe.

Respiro fundo várias vezes, tentando controlar a tempestade de emoções que ameaça me consumir. Nego com a cabeça, irritado com a situação, e sigo até a cozinha, onde uma montanha de pratos sujos me aguarda. Não tenho tempo para isso, mas também não posso ignorar minhas responsabilidades domésticas.

Tomo o café da manhã às pressas, com a mente já focada em resolver o problema criado pelo garoto. Só espero que o chefe não decida me mandar matar o Yenki. Apesar de todas as suas falhas, ele tem sido útil em algumas situações.

Saio de casa e entro no meu novo carro, substituto do anterior que precisou ser incinerado para eliminar qualquer evidência do último trabalho sujo que executei.

Ao dar partida em direção à casa do chefe, observo atentamente as ruas de Zefinópolis. Apesar de ser conhecida por sua agitação e violência, há momentos de calmaria que contrastam com a imagem geral da cidade. O nome oficial deste lugar é Cidade do Vale, uma região marcada por um clima predominantemente ameno. Aqui, as estações do ano parecem se fundir em um padrão quase constante de sol, raramente interrompido por chuvas torrenciais que transformam o chão em uma pista de patinação.

Os prédios imponentes da Cidade do Vale se erguem majestosos, testemunhas silenciosas da intensa atividade que pulsa em suas ruas movimentadas. É um lugar onde o movimento é constante, onde cada esquina conta uma história e cada sombra esconde segredos que apenas os iniciados podem compreender.

Mas mesmo com tudo isso, eu amo essa cidade.

Capítulo 3

08:40 — Casa do senhor Dante. — Cidade do Vale. — Zefinópolis

Axel Knight.

Desço do carro e digito a senha para abrir a porta da casa. Sinto-me sortudo por ter a confiança deles para me conceder acesso ao seu santuário. Porém, mal adentro a casa, sou atingido por um travesseiro lançado em minha direção.

— Ainda se faz de líder da máfia e anda tão distraído. — Bufo, reconhecendo a voz irritante de Orion.

Orion é um jovem de energia contagiante e curiosidade insaciável e às vezes um pé no saco. Com uma altura média e uma estrutura corporal esguia, ele é ágil e rápido, sempre pronto para explorar o mundo ao seu redor. Sua postura é relaxada e descontraída, refletindo sua natureza jovial e despreocupada.

Despreocupada até demais. Esse garoto só me tira a paciência. 

Seus traços faciais são suaves e juvenis, com bochechas levemente rosadas e olhos brilhantes cheios de entusiasmo. Seu sorriso é luminoso e contagiante, iluminando seu rosto com uma alegria genuína e inocência.

E de inocente esse garoto não tem nada. 

Ele tem cabelos escuros e rebeldes, que caem em desalinho sobre sua testa em uma bagunça encantadora. Sua expressão é frequentemente animada e expressiva, refletindo sua natureza vibrante e energética.

Sua pele é macia e imaculada, com um tom de pêssego que parece radiante e saudável. Ele possui uma aura de juventude e vitalidade que é irresistivelmente cativante, e sua presença ilumina qualquer ambiente em que ele se encontra.

Ilumina mesmo, ilumina para pior. 

— Orion, vá procurar outra pessoa para infernizar. — Minha paciência está no limite.

— Hum, está tão irritadinho? — Ele provoca, ignorando minha advertência.

Se ao menos ele soubesse o quão próximo estou de explodir, talvez reconsiderasse suas brincadeiras.

— Me deixe em paz. Onde está o chefe? — Minha voz soa áspera.

— Pegando a mamãe. — Seus olhos reviram em uma expressão de tédio.

Essa criança é um verdadeiro incômodo, meu irmão.

— Sabe como é, a Elara está no quarto se quiser vê-la. — Orion comenta, provocando-me com um sorriso malicioso.

Sinto meu rosto esquentar um pouco diante da menção dela.

— Cale a boca, você é uma praga. — Reviro os olhos, tentando disfarçar minha reação.

— Axel!! — Sou surpreendido pelo tom de repreensão da senhora Thalia, que desce as escadas. — Não chame o meu filho assim, seu idiota.

Thalía é uma mulher de beleza atemporal e presença cativante. Com uma altura média e uma figura esbelta e elegante, ela exala uma elegância discreta em cada movimento. Sua postura é impecável, refletindo sua graça e confiança interior.

Seus traços faciais são delicados e refinados, com maçãs do rosto suavemente definidas e um queixo gracioso. Seus olhos são grandes e expressivos, com uma cor profunda e misteriosa que parece capturar a luz ao seu redor.

Ela tem cabelos longos e sedosos, que caem em cascata ao longo de suas costas em ondas suaves. Sua cor é um rico tom de castanho, com reflexos dourados que brilham à luz do sol, adicionando uma dimensão extra à sua beleza radiante.

Sua pele é suave e impecável, com um tom de porcelana que contrasta com seus cabelos escuros e olhos brilhantes. Ela tem uma tez naturalmente luminosa, que parece emanar uma aura de serenidade e calma. O senhor Dante encontrou uma bela esposa.

E apesar de ser a esposa do meu chefe, desenvolvemos uma relação de amizade sincera ao longo dos anos. Ela se tornou uma figura materna para mim, cuidando de mim como se eu fosse seu próprio filho, especialmente nos momentos difíceis.

— Não tenho culpa se o garoto puxou ao senhor Dante. — Retruco, provocando uma risada na senhora Thalia.

— Ele está lá em cima. — Ela sorri gentilmente, indicando o caminho para o escritório do chefe.

Com um aceno de agradecimento, subo as escadas rapidamente. Preciso relatar os acontecimentos ao chefe com urgência, minha cabeça parece à beira de uma explosão iminente. No entanto, minha pressa me faz colidir com Elara no corredor, resultando em ambos caídos no chão.

— Desculpa. — Dizemos simultaneamente, antes de sermos tomados por uma risada compartilhada.

— Essa foi boa. — Ela comenta, seus olhos brilhando com alegria genuína.

Observo-a por um momento, maravilhado com sua beleza e graça.

Ela tem uma altura de um metro e sessenta e cinco, uma estatura graciosa que complementa sua presença elegante. Suas maçãs do rosto são suavemente arredondadas, destacando-se delicadamente em seu rosto encantador, enquanto seu queixo é delicado e bem definido.

Seus cabelos são longos, lisos e luxuosos, caindo em uma cascata de fios sedosos da cor castanho escuro, que brilham com reflexos sutis à luz. Seus olhos são uma característica marcante, com uma tonalidade cativante de castanho claro que brilha com calor e vivacidade.

O tom de pele dela é moreno, radiante e luminoso, exibindo uma tez impecável e saudável. Sua aparência geral é marcada por uma beleza natural e uma aura de graça e sofisticação, que a torna verdadeiramente deslumbrante. Ela é linda demais.

Nunca imaginei que pudesse sentir algo assim por alguém, mesmo sabendo que meus sentimentos não são correspondidos.

— Sim, foi. Se machucou? — Perguntei, preocupado com a possibilidade de tê-la ferido.

— Não, e você? — Ela me olha intensamente, seus olhos transmitindo uma curiosidade genuína.

— Não... Eu estou bem. — Respondo, um pouco envergonhado por estar sendo observado de perto.

É estranho como me sinto tão desconcertado na presença dela. Sou conhecido por ser frio, um assassino, quase um líder da máfia. Mas perto dela, pareço um adolescente inseguro.

— Que bom, fico aliviada em saber que não se machucou. — Ela sorri, e por um momento, tudo ao meu redor parece desaparecer, deixando apenas nós dois.

Ela se tornou uma mulher incrivelmente linda. Droga, estou realmente apaixonado pela filha do meu chefe.

Um pigarro nos interrompe, trazendo-me de volta à realidade.

— Se eu não estiver atrapalhando aí, Axel, poderia entrar? — A voz de Dante me faz dar um sobressalto.

O chefe Dante é um homem de presença imponente e carisma magnético. Com uma estatura alta e uma figura robusta, ele irradia uma aura de autoridade e poder. Sua postura é firme e confiante, refletindo sua posição de liderança dentro da comunidade.

Seus traços faciais são fortes e marcantes, com uma mandíbula quadrada e sobrancelhas arqueadas que lhe conferem uma expressão de determinação e seriedade. Seus olhos são profundos e penetrantes, de uma cor intensa que parece capturar a atenção de todos ao seu redor.

Ele tem cabelos escuros e bem cuidados, que estão levemente grisalhos nas têmporas, indicando sua maturidade e experiência de vida. Seu rosto está marcado por linhas de expressão que contam a história de seus muitos anos de liderança e sabedoria.

Sua pele é ligeiramente bronzeada pelo sol, mostrando os vestígios de uma vida passada ao ar livre e sob o calor do sol. Ele possui uma constituição atlética e musculosa, resultado de anos de trabalho árduo e dedicação à sua comunidade.

— A-Ah.. C-Certo, chefe. — Respondo, me sentindo totalmente desajeitado.

Elara também parece nervosa.

— Vou ver como a mãe está. — Ela some rapidamente da nossa vista, deixando-me sozinho com o meu chefe.

Ela correu, me deixando sozinho com o chefe, meu Deus. Que constrangedor.

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