—Vamos por favor, eu prometo que irei retribuir depois. —Ela sussurra em seu ouvido.
—Assim não é justo, sabe que faço qualquer coisa quando diz que vai me retribuir depois.
—Então vamos, o que está esperando? —Rana o puxa pelo braço, e os dois pulam juntos.
—Aaaaa, isso é loucura. —Tiago grita.
—Não, isso é adrenalina. Eu amo. —Rana ri enquanto seu paraquedas se abre no céu.
Hoje.
Os pensamentos dela voltam. —Bem, você perguntou porque não deixamos minha avó ir, primeiro ela tem 75 anos e depois é loucura passar 40 dias fazendo uma trilha.
—Não subestime a dona Nara ela não é como qualquer uma da sua idade.
—Realmente ela não é. —Rana sorri começando a relaxar. —E como você está? Namorando?
—Está curiosa para saber, não é? —Ele a olha nos olhos pela primeira vez, e é como se bem no fundo ainda existisse uma pequena chama do seu amor.
“Droga não deveria ter perguntado isso, logico que estou curiosa.”
—Claro que não, só queria saber já que sabe que eu estou noiva pensei em ficarmos quites.
—A Jasmim não te contou que não tenho relacionamentos sérios com ninguém?
—Não falamos sobre você.
—Entendo.
“Preciso mudar de assunto, e rápido.”
—Como está seus pais?
—Meus pais estão muito bem.
—Trim., trim. —O celular dela toca.
“Droga é o Noah.”
—Vou deixar você com sua ligação, e vou voltar ao trabalho. Foi bom revê-la manda um abraço para todos, até mesmo para o seu pai.
—Certo.
Ele sai e a deixa sozinha. “Certo? Porque eu disse isso, ou porque eu perguntei se ele estava solteiro? Não é como se eu realmente tivesse interesse em saber, estou noiva e muito feliz.” —Ela tenta se convencer que não sente mais nada por ele.
— Olá, amor. —Rana o atende e coversam em Japonês.
—Como foi sua viagem? Tudo funcionou?
—Sim, cheguei há uma hora. Estou aqui na padaria.
—Estou feliz que tudo correu bem. Agora preciso desligar. O cliente acabou de chegar. Te ligo mais tarde.
—beijo. —Rana desliga o celular.
—O que foi isso que acabei de escutar? Era o Noah, não é?
—Nem vem, você sabe um pouco de Japonês, e era ele mesmo.
—Quando eu vou visitar sua familia eles falam em Italiano comigo, até me surpreendi deles saberem.
—Já falei meu pai morou na Italia quando era mais novo. O Noah queria saber como foi o voo, se ocorreu todo bem.
—Que fofo.
“Não o Noah, não é fofo. O Tiago sim é fofo, ele pode ser educado. Sai pensamentos sombrios.”
—Ele se importa comigo, do seu jeito.
—Me desculpe por isso, se soubesse que ele estaria aqui nunca a teria trazido.
—Tudo bem Jas, eu conheço minha amiga você é meio desligada.
—Quer sair daqui?
—Mas, você não precisa trabalhar?
—Já falei com a minha mãe ela disse que pode tomar conta de tudo hoje. Onde gostaria de ir?
“Qualquer lugar que seja bem longe do Tiago, já está ótimo.”
—Você escolhe.
—Já até sei onde vamos.
As duas entram no carro e Jasmim começa a dirigir. —Então, como foi rever meu primo depois de tudo?
“Horrível, assustador.”
—Não foi tão ruim assim, mas por favor podemos mudar de assunto. Onde está me levando?
—Canal Saint-Martin.
—Jas você ainda lembra que eu amei esse lugar.
—Sei que sou a Dori, porém eu não tenho perda de memória recente.
—Só você mesmo. —As duas começam a rir.
Jasmim estaciona e juntas elas caminham ao redor do Canal Saint. —Sério eu gostar desse lugar é uma coisa, mas porque você gosta desse lugar?
—Posso gostar sim de barulho e agitação, mas as vezes é bom um lugar isolado, e que traz uma paz. Podendo apenas sentar e apreciar o som da natureza, não é em qualquer lugar que conseguimos fazer isso.
—Uau, você está parecendo eu falando assim.
—Muitos anos de convivência da nisso. —Rana sorri.
—Sabe já disse que estive com saudades?
—Já, e respondi eu também.
—Como está sendo a convivência com o Noah depois de 3 anos? Você já se acostumou, ou melhor você sente algo além de amizade por ele?
“Aí, o que eu respondo?”
—Claro que gosto dele se não, não iríamos nos casar. —Ela finge um sorriso. —Porque essa pergunta?
— Então vou mudar minha pergunta, está se casando com ele por amor ou por causa do seu pai.
“Nossa ela me conhece tão bem.”
—Isso faz diferença?
—Amiga claro que faz, sinto muito. — Jasmim a abraça.
“Isso é o que eu mais achava estranho neles, mas também era o que mais sentia falta poder abraçar.”
—Obrigada, por isso eu digo que você é minha melhor amiga. Aliás, senti falta de poder abraçar.
—Aí, Lua me esqueci que não gosta disso.
—Não, eu realmente senti falta de abraços. A única pessoa que me deixa abraça-la é minha vó.
—Ei, não deixe a Amélia escutar isso, mas você também é minha melhor amiga.
—Aí nossa, agora vou ficar me achando. Sempre pensei que a Amélia fosse sua melhor amiga.
—A Amélia é mais como a irmã que eu não tive, e você minha amiga que me ensinou a viver a vida intensamente. Se não fosse por você Lua eu não teria tido coragem de fugir naquela época, e passar quase dois anos viajando.
—Amiga é muito bom ouvir isso. Já ia me esquecendo minha avó mandou falar para você, que ainda não se esqueceu que você prometeu ir visita-la e levar o Benjamin junto. Que ele já vai fazer um ano e ainda não cumpriu com sua promessa.
—Sua avó é um amor, prometo que antes do seu casamento eu vou ir visita-la.
—Sim, ela adora você...
As duas passam o resto da tarde colocando a conversa em dia, e já há noite. Elas voltam para casa. —Amor chegamos. —Ninguém responde.
—Ué será que não tem ninguém? —Rana pergunta.
—Amor você está aí?
—Estou na cozinha, preparando a janta. —Téo grita.
—E onde está o Benjamin? —Jasmim grita aflita.
—Calma ele está aqui comigo.
As duas se dirigem para a cozinha. —Amor que susto, ele sabe que odeio quando chego e não encontro ninguém. —Ela pega o Benjamim do carrinho. —Olá amorzinho a mamãe chegou.
—Mama.
—E a Dori sabe que quando chega e não me encontra é só vir na cozinha, que normalmente estarei aqui com o Ben.
—Que sorte em o Noah odeia cozinhar.
—Não é tanta sorte assim, o Téo me deixa louca quando vou cozinhar. Quer ficar só em cima, cuidado com isso, quer ajuda, precisa de algo...
—Não é bem assim, eu só gosto de cozinhar e das minhas coisas intactas. A Jas sempre que vai cozinhar acaba estragando algo.
—É que essa cozinha é como a irmã mais velha do Ben. —Jasmim começa a rir.
—Estou curiosa, você jas é tão romântica não tem vontade de se casar?
—Sim, eu tenho. Só não nos casamos ainda por causa de tudo o que aconteceu, os jornais de fofoca iriam adorar uma manchete. Téo Cooper que perdeu a ex esposa poucos meses atrás, hoje está se casando novamente.
—Mas, tecnicamente não iria mudar muita coisa vocês já estavam juntos e continuam. Não sei qual seria o problema do casamento.
—Foi o que eu tentei dizer para a Dori, mas ela não aceita.
—Não é isso, é que eu prefiro não arranjar problemas, agora que conseguimos colocar tudo em ordem na nossa vida. Nós tivemos que ir em vários programas de fofoca dar relatos sobre o que aconteceu com a Agatha, e posso dizer não foi nada bom.
—Realmente nos fomos em 4 programas de fofoca fora os outros que recusamos.
—Entendo, mas agora já faz quase um ano por que não se casam?
—Sabe que eu não sei? —Jasmim ri.
—Onde vocês foram, depois de saírem da Cristal?
—Então você já está sabendo que o Tiago estava lá?
—Sim sua mãe me contou, sinto muito pela minha Jas ser tão Dori.
—Sem problemas, ela não teve culpa.
—Não tive mais, não deveria ter deixado vocês a sós.
—Por que não? —Rana pergunta.
—Lua eu não sou burra, eu vi os olhares entre vocês.
“Eu não fiz de proposito, mas não teve como evitar.”
—O que está insinuando, eu não gosto dele faz muito tempo.
—Já que estamos falando de vocês dois, preciso dizer algo. Agora que já passou anos, e você está noiva vou jogar a real. Sei que se acostumou com o Noah, mas meu primo, entretanto nunca deixou de te amar. Esse é um dos motivos pelo qual ele não consegue ter um relacionamento sério com ninguém, por isso para o bem de vocês dois por favor não volte a falar com ele.
“Por que ela está me dizendo isso? O Tiago ainda me ama, como assim, depois de tudo?”
—Dori não seja grossa, porque está falando isso?
—Porque nem um dos dois merece sofrer novamente.
—Jasmim não somos mais crianças nem tão jovens assim, para jogar tudo a perder por uma paixonite. Não se preocupe.
—Então está admitindo que ainda sente algo pelo Tiago?
—Eu não disse isso.
—Não disse com essas palavras, porém deu para entender.
—Você não pode insinuar isso depois de tudo, como pode achar que quero ter algo de novo com seu primo? —Rana a encara.
—Querem vinho? —Téo tenta mudar de assunto, antes que tudo piore.
— O verdadeiro amor não morre nunca, é exatamente como um vulcão pois pode estar quieto, dormindo, mas está ali, dentro de você. E se não tomar cuidado, vai entrar em erupção de novo quando você menos esperar, causando uma destruição completa.
“Ela é minha amiga, mas está passando dos limites, eu já esqueci o Tiago faz tempo. Com tudo desde que nos reencontramos parece que só sabe perguntar isso, é melhor eu sair daqui antes que briguemos.”
—Olha eu preciso tomar um ar, vou dar uma volta na cidade, mas logo volto. Com licença.
—Ok, eu paro de falar disso.
—Realmente, eu preciso tomar um ar.—Ela paga sua bolça e sai para fora.
“Para onde eu vou?” —Ela pensa enquanto chama um taxi.
—A dama vai para onde? —O taxista sorri.
—Frenchie to go. —Ela olha para o taxista surpresa. —Tiago você é o meu taxista?
—Qual o problema em fazer bico?
—Nem um, mas nunca imaginei você fazendo isso.
—Não que eu precise, faço corrida quando estou entediado, me ajuda a passar o tempo. Só por curiosidade mesmo, porque está indo para o nosso restaurante?
—Não é o nosso restaurante.
—É sim, foi lá que nos beijamos pela primeira vez. Ou, já se esqueceu?
“Como iria esquecer isso.”
Setembro de 2012, primeiro encontro.
“Eu não acredito que a Jasmim armou esse encontro para mim.”
Tem algum problema? —Tiago pergunta.
—Olha vou logo ao ponto, eu e você não vai rolar. —Ela o encara.
—Nossa você é direta, é porque não sou rico?
“Não ligo para isso, já meu pai.”
—Claro que não, eu nem ligo para isso. O problema é você mora em Paris, já eu moro em Londres e depois que me formar irei voltar para o Japão.
—Calma uma coisa de cada vez, ainda nem terminamos nosso primeiro encontro e já está pensando no futuro.
—Você está certo, mas é melhor não.
Ela tenta se levantar, porém Tiago lhe segura pelo braço. —Por favor se não quer que seja um encontro podemos jantar como amigos, fique. Porém, garanto que no final irá mudar de ideia.
— Você é insistente em. —Ela se senta de novo. —Só vou ficar por que não resisto a um desafio.
—Obrigado.
Eles jantam conversam agradavelmente, e antes de saírem do restaurante Tiago a olha nos olhos. —O que foi Tiago?
—Não me sinto bem, meu coração está muito acerelado.
—Quer que peça ajuda? —Ela o olha preocupada.