Jamais imaginaria que aquele dia, tão comum, se transformaria naquela diversão. Jamais imaginaria que a encontraria ali, no banheiro masculino. Estava mais do que intrigado em saber o motivo da Intocável estar ali. Se ela estava em uma enrascada, era óbvio, estava estampado no seu belo rosto, que naquele instante estava praticamente da mesma cor que seus cabelos ruivos.
— Vocês têm que ver isso — disse sorrindo diante do seu sofrimento. Estava em cima do granito que separava os banheiros.
Claro que não deixaria meus amigos subirem ali e a verem. Mas pareceu divertido ver seu olhar desesperado implorando pela minha ajuda. Até que me dei conta que eles falavam muita besteira. Não que ela fosse uma criança, mas certas coisas eram pesadas para uma garota escutar. Então dei meu jeito e despachei-os. Se ela achava que ia se livrar de mim também era porque não me conhecia.
Fiquei esperando logo na entrada do banheiro, mas parecia que ela pretendia passar o resto do dia ali.
Os corredores começaram a ficarem vazios. Todos já estavam indo para o treino.
Fred, mais conhecido como o nerd virjao, veio correndo todo desajeitado, mas logo barrei sua entrada.
— Lamento, mas está ocupado.
— C... co... como assim? — gaguejou aflito.
— Vai a outro banheiro, Fred — avisei sério.
Sem esperar saiu correndo.
Resolvi entrar e descobrir qual era a dela.
— Ei... — cheguei bem próximo a porta — Todo o colégio já foi para o treino. Pode sair — dito isso escutei um murmúrio agudo. Muito estranho. Será que ela estava passando mal? — Intocável? Você está bem? Abre a porta.
Dei dois toques na porta e ela não deu nenhum sinal de que iria abrir. Bufei, pensando em alguma forma de destrancar, mas escutei ela se mexendo e então a porta abriu e lá estava ela. A Intocável de sempre. Sua boca estava comprimida e seus olhos vidrados na porta. Num instante ela corria até a saída, mas fui mais rápido e me coloquei entre ela e a porta.
— Não tão rápido, Intocável. O que aconteceu? — perguntei, enquanto buscava alguma resposta em seus traços. O cheiro dela era tão suave, mas tomava conta daquele espaço. Percebi que era a primeira vez que realmente ficava sozinho com ela, a primeira vez em anos que tinha sua atenção só para mim.
— Por favor, preciso ir. Tenho que treinar — pediu com a voz carregada de inquietação.
Soltei uma risada fraca.
— Eu também. Qual é, eu te salvei, me deve uma — inclinei levemente o tronco para ficar da mesma altura que ela.
Ela me encarou espantada. De perto seus olhos pareciam bem maiores. Senti uma sensação diferente ao devolver a troca de olhares.
— Eu... Eu apenas entrei no banheiro errado e... E quando fui tentar sair vocês entraram...
Sua bolsa começou a se mexer sozinha. Imediatamente minha atenção caiu lá. Seu corpo retesou. Então não foi um movimento estranho que repetiu, mas sim um choro.
Encarei-a desconfiado. Troquei o peso de uma perna para outra. Angeline parecia que ia ter um ataque de pânico. Sem aguentar, ri da situação.
— Ai ai... Ora, ora! O que temos aqui — avancei um curto passo no seu rumo. Estávamos bem próximos. Involuntariamente meu nariz aspirou seu cheiro suave, mais do que devia. — Me deixa ver — pedi num sussurro.
Ainda sem me olhar, ela fez menção de abrir.
Tudo aconteceu muito rápido. Num instante ela estava agachada, pronta para abrir e me mostrar o que quer que fosse. E no outro, a voz da sua amiga brotou do inferno e então ela escapou de mim feito uma pluma.
Observei as duas correndo na direção oposta do alojamento de treino.
O que será que a Intocável estava aprontando? Talvez, justamente por ser ela, aquela história não saiu da minha cabeça o resto do dia.
No outro dia, durante a aula, ao invés de olhar os slides, apenas prestei atenção na voz do professor, e meus olhos ficaram atentos a qualquer movimento que ela fazia. Não foram muitos. Ela parecia um robô sobre aquela cadeira. Seu braço nem se mexia direito para escrever. Sua postura era incrível.
A única coisa que me tirou a atenção dela foi quando senti algo molhado no meu ouvido. Já sabia o que era e quem. Sem chamar a atenção do professor, torci o braço do Marcus e ele deixou a caneta com uma bolinha de papel molhado cair ao chão.
— Nojento — resmunguei enquanto ele ria e massageava o braço.
— É nojento sim, Arthur. — O professor concordou comigo. E quase todos riram. Eles achavam que meu comentário era sobre a matéria, mas era do maldito cotonete molhado.
A aula acabou e fomos almoçar.
Subíamos as escadas, conversando sobre o torneio que estava se aproximando. Marcus não queria entrar, mas era o que mais tinha chance de ganhar no seu peso, contudo não ia admitir isso a ele, só serviria para inflar seu ego. Lucca queria mais que todos nós. Acreditava que ele tinha chance assim como eu, mas ao contrário dele eu não queria. Até gostava de todo o treino, em como o boxe me ajudou a passar por diversos problemas desde sempre, mas não gostava das competições. De todos os torneios que nosso colégio já teve, minhas vitórias ajudaram a preencher o mural de troféus, mas não era o melhor nem de longe.
Nossa modalidade ficava no penúltimo andar, então sempre subíamos 8 andares. Logo abaixo de nós, algumas meninas do balé subiam, rindo e conversando sobre... Coisas de garotas.
Todas já usavam suas roupas de treino. Aquela meia calça quase transparente, uma blusa colada em seus corpos e uma saia de tule que balançavam de acordo com o andado delas. Algumas rebolavam mais, outras andavam que nem um robô e tinha ela, a Intocável. Ela vinha atrás de todas, e sozinha, algo raro de se ver.
Todos no colégio a chamavam e a conheciam assim, ninguém sabia como começou, mas eu sim, porque fui eu que a apelidei assim. Era simples, ninguém chegava perto, ela não ficava com ninguém. Muitos outros rumores já foram inventados, alguns diziam que era por causa da sua mãe, vulgo diretora do colégio. Outros falavam que ela tinha alguma doença, ou até que era lésbica, mas que também era duvidoso essa última opção, porque ninguém, ninguém nunca a viu com outra pessoa. Ela não tinha nenhum histórico de algum deslize.
Exceto aquele do banheiro. Semicerrei os olhos no rumo dela, que parecia abstraída.
Seu olhar era sempre altivo, isto é, quando estava na presença de sua mãe. Nunca olhava para ninguém, exceto sua amiga. Nunca sorria para ninguém, exceto sua amiga. Nunca conversava com ninguém.... exceto sua amiga, acho que deu para entender. Ela parecia ser de... De outro mundo. Nada parecia abalar ela. Suas notas eram as melhores. Sua beleza era diferente, era exótica. Muitas garotas pareciam intimidadas com sua beleza, já os garotos nem se davam o trabalho de tentar, pois era algo impossível, era como se ela fosse inalcançável. Então apenas a admirávamos de longe.
— Estão vendo o que estou vendo? — Lucca começou e já sabíamos como ia terminar — Vejam e aprendam...
Desceu alguns degraus para alcançá-las.
— Minhas bailarinas, como vocês estão? — abraçou as gêmeas australianas. Elas não eram australianas, mas as características físicas delas (olhos claros, pele bronzeada, cabelos claros com ondas soltas...) fazia como se fossem, então o apelido pegou.
— Descarado, filho da mãe — Marcus murmurou, descendo mais rápido para alcançar elas.
Ri da competição que eles faziam para chamar atenção delas. Eles nem percebiam que faziam isso, apenas exerciam.
—... Quero ver esses rostinhos no torneio de luta.
Angeline subia as escadas, como se não tivesse escutado meu amigo, mas conhecendo ele sabia que não ia deixar passar algo.
— Ora, ora... Se não é a Intocável — Lucca disse e a garota ao seu lado riu de forma debochada.
— Que foi? Está pensando se sobe ou não? — Catarina, a mais vulgar de todas ali perguntou enquanto se aproximava de mim. Ou tentava, já que não dava muita atenção a ela.
— Não vamos te tocar — Marcus zombou e mais garotas riram.
Mantive ali em cima, observando todos. Ela parecia mesmo ponderar se subia ou não. Seus olhos não passavam da altura mediana de nossos corpos. Seu peito se expandiu e ela soltou uma lufada de ar e continuou a subir.
Catarina tocou minha coxa e sussurrou um comentário totalmente desnecessário sobre ela com sua voz melosa claramente forçada.
Com as pernas vacilantes, subiu os degraus segurando no corrimão de metal. Lucca pegou uma mecha ruiva de seu cabelo e num reflexo seu corpo retraiu e andou mais rápido. Algo em mim me fez ficar incomodado. Ele estava indo longe demais.
— Macios e cheirosos! — Lucca constatou.
Assim que ela passou por mim, vi que seus olhos se fixaram na mão da Catarina pousada na minha coxa.
Balancei a cabeça e retirei sua mão dali. Depois que todas elas subiram, restando apenas nós três, Lucca pronunciou:
— Sabe de uma coisa — Apoiou seus braços no meu ombro e no do Marcus. — Vamos adiantar a aposta.
A aposta era jogo que os dois gostavam de fazer todo ano. Era uma competição escrota sobre qual dos dois pegaria mais garotas. A primeira vez participei, mas vi o quanto era sem sentido fazer aquilo, então parei. Os dois até me perturbaram com isso, mas não deram a minha falta.
— Por que a pressa? — perguntei curioso.
— Monta logo um bordel para você — Marcus zombou.
— Quem sabe — deu dois tapas no trapézio dele. — Quem sabe.
— Ordinário!
— Mas dessa vez será diferente. Vamos ter uma convidada em especial — fez uma pausa olhando para cima — A intocável vai estar no topo da lista.
Marcus gargalhou alto e todos ao redor olharam. Ri junto com ele, mas não na mesma altura. Aquilo era piada.
— Você eu sei que não consegue — Lucca zombou dele. — E você... Bem, até que tem alguma chance — disse para mim, dando de ombros.
— Você é o que menos tem chance — Marcus contrapôs — Ela te odeia, você não deixa a garota em paz.
— Isso porque ela não me conhece — disse de forma indecente para seu quadril.
Novamente senti um incomodo ao escutar ele falar daquela forma a respeito da Angeline.
Tirei as luvas suadas e dependurei a regata na porta do meu armário.
Mais um dia de treino extenuante. Com a competição se aproximando o treinador pegava mais pesado. Estava exausto.
— Corno, me espera — xinguei-o fazendo se virar para trás.
Guardei as luvas e as faixas dentro da mochila e caminhei até eles.
— Vamos assistir as dançarinas treinando — Lucca sugeriu com seu jeito safado de sempre.
— E subir lá em cima só para vê-las dando piruetas? — Marcus debochou.
— Deixa de ser escroto. Sabe que o ballet é mais do que piruetas — contradisse ele.
— Como é? — perguntou me encarando como se tivesse brotado garras do predador no meu rosto.
— Arthur tem razão. São belas garotas com roupas coladas...
Novamente, começaram a falar besteiras. Às vezes participava das piadas, mas na maioria das vezes os ignorava. Como não tinha o que fazer resolvi segui-los. Mas sabia que o verdadeiro motivo era para vê-la.
Passamos pelo corredor estreito e esgueiramos atrás das cortinas. Marcus, desastrado como sempre quase derrubou alguns materiais empilhados numa prateleira.
Lucca deu um tapa na nuca dele.
— Fica quieto!
— A culpa não é minha se o espaço é pequeno.
Os dois discutiam enquanto isso meus olhos vasculhavam o estúdio a procura dela como um predador, o que não foi difícil. De cara fui atraído pela dona dos cabelos ruivos mais exóticos que conhecia.
— Caralho!
Elas faziam exercícios em dupla. Uma ficava no chão, deitada e com as pernas na posição de borboleta, enquanto a outra, com o corpo esticado, tinham seus pés sobre uma barra e suas mãos apoiavam na parte adutora das coxas da garota de baixo e então ela fazia flexão.
— Mano, que isso... — Marcus estava embasbacado.
— Ah, nem deve ser tão foda assim — Lucca como sempre tinha que fazer algum comentário maldoso.
Angeline estava por baixo, ao passo que uma das gêmeas custava fazer a flexão apoiada nas coxas dela, dava para ver seus braços finos tremendo. Angeline parecia dar apoio a ela, subindo levemente as coxas. Três flexões depois, a australiana não aguentou e caiu entre as pernas dela.
— Nossa! Que visão — Como sempre, Lucca tinha que ver malícia em tudo.
Depois daqueles exercícios elas se alongaram nas barras fixas a parede. A flexibilidade delas era fora do normal, mas a dela, como sempre, destacava.
Assim que a professora liberou, elas saíram uma de cada vez.
Lucca e Marcus saíram atrás delas, pareciam dois cachorros tarados, nem notaram que eu não os segui.
Esperei que todas as bailarinas saíssem e entrei no estúdio. Era bem diferente do nosso. Mais iluminado, com espelhos ao redor e barras fixas. Atravessei-o e fui para o vestiário. Também completamente diferente do nosso.
Com um ar totalmente feminino, em cada armário tinha fotos delas.
A encontrei de costas para mim, sentada num dos bancos, desamarrando os laços da sapatilha. Iria descobrir sobre o episódio do banheiro ali mesmo. Aproximei mais um pouco, ela ainda não tinha notado minha presença, parecia focada com...
— Ish! — resmunguei de dor só de olhar para seu pé. Estava avermelhado e com bolhas, a unha do seu dedão parecia querer se descolar. Ver aquilo fez meu estômago revirar. Não de nojo, mas sim pela dor que ela não devia estar sentindo, só que ela não demonstrou.
Angeline me olhou, assustada. Algumas mechas ruivas tampavam seu rosto. Quis tirar aquela mecha para que pudesse ver melhor seus olhos. Era raro fazer contato visual com ela. Tão raro que me deixou desnorteado esquecendo o real motivo de estar ali, logo voltou sua atenção ao pé. Quase pronta para arrancar a unha.
— Se eu fosse você não faria isso...
Ela parecia confusa quanto a minha intromissão, mas resoluta em não me dar ouvidos.
— O que estava fazendo no banheiro masculino, Intocável? — voltei o foco e nisso seu corpo ficou rígido parando tudo o que fazia. Antes de cutucar na unha praticamente descolada, olhou-me novamente.
Ela era linda, mas intocável. Como se fosse a pintura mais famosa em um museu e todos pudesse apenas admirá-la de longe, pois teria aquela faixa amarela de restrição, a faixa no caso seria sua mãe. Ri internamente.
— Está querendo ensinar-me como cuidar dos meus pés? — retrucou com um tom divertido. — Uma bailarina que praticamente saiu do útero da mãe já fazendo um pliê? — elevou uma sobrancelha. Meus olhos foram atraídos para sua boca que formou um sorriso tímido, quase imperceptível, mas eu notei.
— Uaau! — estava surpreendido por ter se dirigido a mim e por aquela nova face que descobri, talvez sarcasmo? — Consegui fazer você falar comigo, de novo. Duas vezes na semana. Que avanço! — disse enquanto passei uma perna sobre o banco e me sentei a sua frente.
Sorri feliz por ter conseguido falar com ela. E não passou despercebido como ela ficou afetada com meu sorriso. Gostei.
— Não estou querendo te ensinar, até porque sei que vocês, bailarinas, sofrem bem mais com esses machucados nos pés do que nós, meros e reles boxeadores.
Senti seu olhar indagador em mim. Como se duvidasse das minhas palavras.
— Mas acho que se você arrancar vai doer...
— Eu não ia arrancá-la, só estava tentando deixá-la menos incomoda até chegar em casa — explicou enquanto cortava a ponta da unha — Não é o correto, mas... — deu de ombros como se já fizesse aquilo várias vezes.
— Quer ajuda? — ofereci tentando realmente ajudá-la. Ver aquela unha quase solta balançar e seu dedo avermelhado parecia sofrimento demais.
Ela negou num murmúrio e se levantou, mas a impedi. Tinha avançado a mão para segurá-la, mas no final não tive coragem.
— O que quer que eu faça? — Na mesma velocidade em que me encarou, ela cortou o contato visual. — Se não falar, vou te interrogar novamente sobre o banh...
— Pega uma faixa dentro do meu armário — disparou — é aquele ali, aberto.
Balancei a cabeça diante da sua insistência em não me contar. Levantei-me e fui até seu armário. Era extremamente organizado, tinha várias fotos dela em apresentações, outras com sua amiga. Uma em especial me chamou a atenção, era a foto mais destacada ali. Ela usava uma roupa branca, assim como as sapatilhas. O fotografo soube capturar o momento. Ela parecia voar... como um anjo. Tão linda.
Escutei ela soltar um suspiro e então me dei conta que demorei demais para pegar uma simples faixa. Assim que fiquei a sua frente, bati na minha coxa para que colocasse sua perna ali. Ela parecia curiosa, o que deixou sua expressão facial mais fascinante ainda. Sua beleza ficava a cada segundo mais atraente ainda, se é que isso era possível.
— Coloque sua perna aqui para eu enfaixar — pedi.
Só naquele momento percebi que ela não era tão tímida assim, mas sim assustada. Tinha algo a mais dentro dela. Que ela era inteligente isso era de conhecimento geral, mas tinha algo que cintilava em seus olhos, algo que queria descobrir.
— Não precisa... Na verdade vou fazer isso em casa — disse, claramente nervosa.
Deixei que se levantasse, mas no primeiro passo que deu não aguentou perdendo o equilíbrio. Desastrosamente ela caiu em cima de mim.
Soltei um gemido de dor quando seu cotovelo bateu no meu olho, mas não forte o bastante para ficar roxo no dia seguinte. Aquilo doeu, mas foi esquecido ao sentir todo seu corpo sobre o meu, sentir seu cheiro, sua pele. Minha nossa!
Ajudei a se sentar novamente a todo o momento fitando-a. Seu rosto ficou vermelho como um pimentão. Ao pegar sua perna para colocar sobre minha coxa tentei ignorar a sensação quente que tive do toque da sua pele sob a meia calça fina. Raspei a garganta me ajeitando melhor.
— Você é bem teimosa, Intocável — disse enquanto enfaixava delicadamente seus dedos machucados. — Só queria te ajudar... Sei que não falamos muito, quer dizer nunca conversamos, mas não sou nenhum estranho.
Fiquei observando cada movimento seu, vez ou outra sentia seus olhos subirem, mas não fazia contato visual.
— Prontinho! — passei a mão sobre a faixa no seu pequeno pé.
— Obrigada! É... é melhor eu ir...
— Tudo bem — não a permiti que terminasse, pois sabia que se tratava da sua mãe. — A gente se vê amanhã, espero que não seja no banheiro masculino de novo — brinquei e com isso seus olhos quase saltaram. Não aguentei e soltei uma risada alta e ela retribuiu com um sorriso discreto.
Fiquei um tempo ali, parado. Ainda em choque. Todas as partes em mim gritavam para conhecê-la melhor.
Se estar perto dela, estar com ela, significasse entrar naquela aposta boba, então que assim fosse. Não deixaria que o Lucca ou qualquer outro garoto chegasse perto dela.