Capítulo 2

Perdoem qualquer erro de digitação, boa leitura 🥰

A viajem foi tranquila, apesar de Julie e eu estarmos com medo por nunca ter viajado de avião. Minha cabeça doía, mas eu não me importava. Eu estava em Nova York, cacete!

Tiramos nossas malas do avião, e procurávamos impacientemente por alguém que pudesse ser a host mom, até que meus olhos pararam em uma mulher jovem e bonita, segurando um cartaz em sua mão direita, e com a mão esquerda, segurava a mão da nossa criança.

"Julie, Lizzie, sou eu, a Anya!"

Sorri. Que fofa.

                                                    •••••

- Então você deve ser o nosso querido Anthony. - me abaixei, colocando as mãos nos joelhos para ficar à altura do garoto, que sorria travesso para nós.

- Sim. Ei, eu falo a sua língua! - Disse a última frase em português.

A boca de Julie e a minha ficaram no formato de um "O" com a surpresa.

- Então você é uma criança prodígio? Gostei de você! - Minha amiga brincava com Anthony, batendo palminhas para ele.

- Na verdade, eu sou brasileira. - Anya disse e eu fiquei boquiaberta mais uma vez. - Ele não é fluente, são poucas as frases que ele consegue pronunciar.

Ela sorriu vendo as nossas reações.

- Eu vivo muito ocupada e Anthony se sente muito sozinho, mesmo com a babá americana. Ela é um doce, sabe, mas ele está acostumado com o calor brasileiro. Eu sempre o estou beijando, abraçando e brincando com ele quando posso. No entanto, a babá não está acostumada com isso.

- Então por isso que você optou por babás brasileiras. - Julie disse antes que ela pudesse terminar.

- Sim, e eu vi no aplicativo da agência que vocês são amigas desde crianças, então achei que seria bom para o meu filho ter duas pessoas que se gostam o bastante para ensinar as culturas brasileiras para ele.

- Anthony é uma criança adorável, tenho certeza que seremos ótimos amigos. Não é, Tony? - Eu brinquei e todos sorriram.

No carro de Anya, eu não podia acreditar. Eu admirava aquela cidade com tanta devoção que até os deuses sentiriam ciúmes. Passava os olhos por toda aquela literatura, uma verdadeira obra de arte. Eu me sentia viva, como se estivesse dentro de uma poesia, deslumbrada com os prédios, as esculturas e até mesmo as pessoas.

Finalmente!

Ao chegar na casa de Anya, após passar por um (muito chique) condomínio reservado, notei que já havia visto aquela mansão antes, então franzi o cenho em confusão.

- Tenho a impressão que já vi essa casa em algum lugar. - Julie, que parecia ler minha mente, disse.

Anya sorriu, e matou nossa curiosidade enquanto passávamos por aquela enorme porta de madeira da sua sala.

- Eu sou cinegrafista e cedi minha casa para algumas gravações de grandes filmes e séries.

Uau.

Só agora eu me lembrava em que filme eu havia visto aquela casa, eu estava prestes a deitar no chão e sair rolando, pois Chris Evans pisara naquele chão.

Magnífico.

Minha mãe morreria de inveja se soubesse em que casa eu iria morar a partir de agora.

- Então, meninas, sejam bem vindas no seu novo lar. Eu não costumo ser uma pessoa chata, então acho que vão gostar de mim. - sorriu simples.

- Me preocupo se você vai gostar de nós, por que você já tem todo o meu coração. - eu falei, sorrindo como uma tola.

Após sermos apresentadas aos nossos respectivos quartos, que são exageradamente grandes, Julie e eu surtávamos.

- A mulher é muito rica, você viu quantos empregados ela tem? E ela é tão jovem...

- Eu, particularmente, só estava pensando em como adoraria beijar aquele chão. Ah... Como eu queria ser o chão agora... Imagina ser pisado pelos Chris Evans?

- Besteira. Nem acredito que vou ser paga para morar nesse castelo.

- Não, você será paga para dar amor e carinho ao Anthony. - apontei o dedo para o seu rosto. - nós seremos. - corrigi.

- Anthony é um garoto maravilhoso, quando eu tiver um filho, quero que seja como ele.

- Por Deus, mulher, você nem deu tempo para a criança mostrar as garras!

Nossa discussão foi interrompida por batidas na porta, e eu me deparei com uma garota magra, branca e que tinha o cabelo em um tom castanho-claro.

- Oi, eu sou Aimee... É... Eu... Sou a babá do Anthony. - a pobre estava tão nervosa que mal conseguia falar. - A Anya me disse... Me disse que era pra vir conhecer vocês.

- Entre, docinho, não precisa ficar com vergonha. Nos considere suas amigas.

Em menos de meia hora de conversa, conseguimos deixar Aimee vermelha como um pimentão, de tanto rir.

- Então, docinho, como é ser empregada daquela deusa? - Julie perguntou, empolgada.

- É simplesmente maravilhoso. Quando ela está em casa, eu não preciso fazer nada, pois ela quer se dedicar ao filho o quanto pode, então me deixa aqui a vontade. Me dá presentes e sempre me leva nesses eventos em que tem várias pessoas famosas. - Julie e eu nos entreolhamos, a cada minuto que passava, ficava melhor. - Eu, como sou extremamente tímida, sempre tento me esconder das pessoas, mas eu conheci o Michael B. Jordan, eu sou apaixonada por aquele homem. Nós conversamos um pouco e tiramos fotos. Foi a melhor noite da minha vida.

- Eu já acho que não há uma alma viva nesse mundo que não seja apaixonada por ele, com todo respeito.

- Você não conta, Lizzie. Você é apaixonada por todo mundo.

- Me deixa em paz! - eu disse colocando um travesseiro em meu rosto.

- Espera aí, isso significa que vamos estar sempre perto de artistas famosos?

- Artistas como Chris Evans!? - eu gritei, jogando os braços pra cima.

- Calma aí, também não é assim! - Aimee sorriu. - A senhorita Anya só convida quem ela tem confiança. Uma vez ela chamou uma cozinheira chamada Helena para ir à uma premiação, mas ela não saía de cima do elenco the walking dead, então teve que ser retirada pelos seguranças. Anya quase perdeu o emprego, foi tenso. Depois disso ela nunca mais chamou ninguém além de mim.

- Então temos que conquistar a confiança dela, amiga! - Julie piscou pra mim e nós três caímos na gargalhada.

Minhas aulas começariam em três dias, e até agora, estava tudo maravilhoso, o que me fazia olhar torto pro universo, me perguntando se seria uma pegadinha ou se eu merecia mesmo aquilo tudo. Eu sempre morei em uma casa simples, e em boa parte da minha vida fomos só minha mãe e eu. Mas agora eu estou em uma mansão luxuosa, com tantos empregados que eu não conseguia  contar nos dedos.

- Lizzie? - desperto do meu devaneio ao ouvir a voz de Henry ao telefone, estávamos em videochamada.

- Ah... Oi... É... Desculpe... O que você dizia mesmo?

- Dizia que já estou com saudades e não sei se posso aguentar isso, ficar longe de você é uma tortura!

- Ah, meu amor, eu também estou com saudades.

- Duvido que esteja, agora está rodeada de luxo. - fez drama.

- É claro que estou, mas rodeada de uma riqueza que não é minha. Eu estou aqui para conseguir o meu próprio dinheiro. Espero conseguir uma grana para que você possa vir me visitar logo.

- Não sei se poderei ir. - disse firme.

- Por que não? Não era o nosso plano desde sempre?

- Era o seu plano, não o meu. Eu estou enrolado com os treinos e não sei quando vou conseguir uma folga.

- Entendi, tudo bem. Terei que desligar agora.

Ele desligou.

É simplesmente ridículo. Antes de sair de lá, eu arquitetei todo um plano para que isso desse certo, e agora ele me dá um fora? Que merda ele acha que é para falar assim comigo? O que estava acontecendo com ele?

Ah, universo, você é mesmo cheio de brincadeiras.

Não, a culpa não era do universo. Talvez o Henry só seja um idiota.

Ou eu estava sendo egoísta.

É claro, eu saí de lá para viver a vida que sempre sonhei. Henry também tem um sonho, e eu estava o impedindo de vivê-lo.

A babaca estava sendo eu. Ai, amado Pai, teria que me desculpar com ele. Mas não hoje.

Capítulo 3

Perdoem qualquer erro de ortografia, beijos da autora e boa leitura. ❤️

Timothée

- Cara, você está na merda! - Peter fala ao passar pela porta, enquanto me vê virar uma garrafa de vinho na boca.

- Você não sabe de nada. - Eu disse seco.

- Não diga coisas que você sabe que não são verdade. É ela, não é?

Eu fiquei em silêncio.

- Até quando vai deixar que ela te maltrate desse jeito?

- Rosalie fodeu com a minha vida. - pigarreei, batendo com o fundo da garrafa no vidro da mesa.

- É claro. Mas nós dois sabemos que não é só por isso que você está assim. Você ainda a ama.

- Está sendo estúpido. Como poderei amá-la depois do que fez comigo?

Peter gargalhou

- Não sei, me diga você! Como pode amar aquela mulher depois de tudo o que ela fez?

- Será que você pode deixar de citá-la para mim por pelo menos um dia? Não vê que estou muito bem com a Bárbara? - gritei, estressado.

- Meu amigo, não me leve a mal, mas ela não está no nível de mulheres que você costuma se relacionar, se é que me entende.

- Eu posso ter mudado.

- Não acredito que uma prostituta seja o seu tipo, mesmo agora.

- A Bárbara não é uma má pessoa, ela só teve um passado difícil.

- Tudo bem, mas você só está sujando a sua imagem vivendo desse jeito, todos comentam sobre o seu estado, depois que tudo aconteceu. E sobre as mulheres com quem você anda saindo. Já viu que está sendo chamado de 'acessível'?

- Eu não me importo com o que as pessoas pensam.

- Deveria, afinal, você é uma figura pública. Se você gosta dessa garota, peça para que ela mude, e se ela realmente te ama, mudará.  Você sabe que precisa de alguém que te erga, que limpe sua reputação, e que principalmente te faça feliz.

- Eu detesto clichês.

- Falou o homem dos filmes de romance. Apenas deixe de ser chato e pense no que eu estou te dizendo.

Peter então se retirou da sala e me deixou em um silêncio insuportável, preso em minha própria mente e refém de meus pensamentos incessantes.

É claro que eu sabia que não poderia amar Bárbara, nem sequer pensara nisso. Mas como meu amigo disse, precisava me recompor e retomar a minha vida, mesmo que isso precisasse envolver outra pessoa.

Mesmo que tivesse que ferir os sentimentos de alguém para isso.

Depois de procrastinar um pouco, peguei minha jaqueta clássica de couro e fui encontrar com Bárbara em sua pequena suíte, a qual dividia com mais três amigas. Eu não gostava de estar naquele lugar, pois sabia que muita libertinagem acontecia ali, me sentia como num chiqueiro de mulheres, todas porcas e fáceis. Bárbara era a menos rodada daquele grupo, e era a que eu podia pelo menos sentir empatia e um pouco de desejo.

Bárbara foi o meu refúgio depois do meu trágico fim de relacionamento com a Rosalie, eu estava acabado, e mesmo estando de um lado torto da vida, ela foi capaz de me entender e me ajudar. Ela me contou a sua história de vida e para quem visse de fora era fácil julgar, mas por trás da maquiagem e das roupas curtas, havia uma mulher que passou por muitas coisas e que era muito forte.

Ela pode ser uma boa vítima, caso se esforce direito.

Eu também meio que estava num lado torto do mundo, saindo com várias garotas de programa, me embriagando, cheguei até a xingar algumas pessoas da imprensa e recusar entrevistas. Devo minha vida ao Peter por consertar tudo pra mim, e por um milagre conseguiu me manter na mídia sem ser fixado como o maior idiota do mundo.

- Meu amor! - Bárbara correu para mim com um sorriso no rosto.

- Eu já pedi pra você não me chamar assim! - Pedi.

- Tudo bem. A que devo a honra?

- Preciso de um favor seu.

- Eu sou toda sua - piscou.

- Não é nada disso. Quer ser minha namorada?

A garota ficou um tempo em silêncio, incrédula e com a boca aberta.

- O que me diz? - pressionei.

- Assim do nada? Sem nenhuma surpresa?

- Você não merece isso. E é sobre isso que eu tenho que falar com você. - a garota exibiu um semblante triste, parecendo decepcionada.

- Timmy, você sabe que isso não é um favor. Eu jamais imaginei que você me pediria, mas sempre sonhei com esse momento. É claro que eu quero namorar você!

- Para isso você precisa deixar a vida fácil e ficar só comigo, no entanto, eu poderei ficar com outras pessoas. Você vai ganhar uma boa quantia pelo tempo que estivermos juntos, acredito que não seja muito.

- Timothée, você está me ofendendo. Eu não preciso de dinheiro para estar ao seu lado. E porque você pode ficar com outras pessoas? Não sei se posso ficar bem com isso...

Ah pronto, a prostituta dizendo que não precisa de dinheiro para fazer sexo, era o que me faltava.

- Não é bem um relacionamento de verdade, você só tem que cumprir a sua parte. E desde quando recusa dinheiro de seus clientes?

- Se é um namoro, não é um trabalho, e eu não te considero um cliente.

Mas sempre me cobrou por hora, hipócrita.

- Para mim é um grande trabalho. - Eu disse seco.

Ela fechou os olhos, respirou fundo e concordou com a cabeça.

- Tudo bem, precisamos tirar uma foto e mandar pra imprensa.

- Já? Que entusiasmo!

- Está na hora de virar a página! - depositei um beijo em sua testa.

LIZZIE

Meu relacionamento com Henry já passava dos quatro anos, namoramos desde o terceiro ano do ensino médio. Temos uma parceria, e eu não poderia deixar que uma besteira levasse embora tudo o que construímos juntos.

Fiz várias voltas pelo quarto antes de decidir ligar para Henry, e assim que estava prestes a ligar, recebi a sua chamada.

- Meu amor, precisamos conversar...

- Sim, Henry, eu já iria ligar pra você...

- Olha, meu amor, me desculpa. Eu fui um idiota com você, não deveria ter dito aquilo, eu estava estressado com os treinos, mas eu prometo que vou fazer isso dar certo. - Ele disse me interrompendo.

- Eu fui idiota também, fui muito egoísta com você. Você tem os seus sonhos e eu quero que viva eles intensamente. Eu estarei aqui pra te ajudar quando você precisar.

- Falando nisso, eu tenho que ir à uma viajem pra outra cidade nesse final de semana, e eu queria que você me ajudasse, sabe, financeiramente... Eu sei que você acabou de chegar e ainda não recebeu nem o primeiro pagamento, mas se tiver umas economias sobrando... É que é muito importante pra mim, sabe? É sobre o futebol.

- É Claro, Henry! Se é importante pra você, eu vou te ajudar! O que eu tenho não é muito, mas eu faço questão de te dar.

Eu fiz a transferência, e naquela noite fui dormir bem mais tranquila por ter feito as pazes com o meu namorado e ainda tê-lo ajudado.

No outro dia, Julie e eu estávamos roendo as unhas de nervoso (não literalmente). Era o nosso primeiro dia de aula e não podíamos negar que estávamos um pouco inseguras com tudo. Pegamos o carro que Anya cedeu para o nosso uso e fomos conversando assuntos aleatórios para quebrar o galho e diminuir nervosismo.

Ao chegarmos na universidade, uma onda nostálgica nos atingiu, olhando para todas aquelas pessoas cheias de livros nos braços, gente bagunceira, grupos de fumantes, outras ouvindo músicas e outros estudando.

- Isso me lembra o ensino médio. - Julie disse olhando fixamente a frente da instituição.

- Espero que não seja tão ruim quanto.

- Acho que não, aqui não tem a Hannah. - sorrimos.

- Pelo menos aquela vadia não ficou lá até o final. Eu não suportaria.

- Se você levasse um fora do Henry publicamente, também iria querer sumir do planeta.

- Pra onde será que ela foi?

- Não faço a mínima ideia. Espero que esteja bem longe da minha vida.

- Somos adultas agora, Lizzie. Acho que ela não vai mais pegar no nosso pé.

- No mundo em que vivemos hoje, todo cuidado é pouco. Agora vamos, por que é o nosso primeiro dia e não podemos nos atrasar.

E entramos na faculdade, como duas crianças que viam o papai-Noel pela primeira vez.

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Falsa Devoção

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