Capítulo 2

Cansado e moído, o CEO se perguntou quando a filha deixaria de espernear.

Não queria mamadeira, não queria dormir, já lhe havia trocado a frauda e dado um banho. O quê mais ele poderia fazer?

Em fim, dizem muito “ tal pai, tal filho” e isso realmente os caía como uma luva, pois Charlotte era tão difícil quanto Christopher.

O CEO sentiu o estômago arder e resolveu descer à cozinha para investigar a geladeira. Parou as escadas percebendo a porta de entrada se abrir, e por fim fechar, já com a secretária do lado de dentro.

— Não devia estar andando por aí senhor, não vai se recuperar se não descansar.

— Cuido sozinho dos meus assuntos. — Respondeu terminando de descer os últimos degrais.

— Sim, posso ver. Mas também posso ver quê estar cansado e esta princesa... — Se aproximou acariciando a cabeça da pequena, em um berreiro no colo do pai. — Não tem culpa de nada, não devia estar chorando.

A intromissão havia acabado com seu humor, não gostava de críticas e não aceitava ajuda a não ser a de Louise. O que uma secretária tinha de tão importante, para vir lhe dizer tais coisas?

— Porque está aqui?

— Prometi a sua irmã, cuidá-lo. — Respondeu  Alyssa cruzando os braços.

— Não preciso, vá.

— Olha, não ligo se quiser me demitir, mas isso tá entalado aqui. — Ela levou a mão a garganta e sua paciência estava estourada.

— Se continuar aqui, é exatamente o quê vai acontecer.

— Já que é assim, aí vai. — Respirou fundo. — Este seu mau humor e jeito explosivo de lhe dar com as coisas não resolvera nada, além disso, aceitar a ajuda de outras pessoas não mata nem fere, então se realmente se importar com a sua filha, vou ficar.

Ele não gostou, mas ela tinha a razão, mau estava se aguentando e não podia dar conta de Charlotte sozinho. Já Alyssa sabia que havia o convencido e esticou os braços para pegar a pequena do colo do pai.

— Não, eu posso carregá-la.

— Está cansado. Vá se deitar e deixa que eu dou conta. — Pegou Charlotte do colo do pai, e a garota que até o momento passava de uma crise de choro a outra, de repente calou-se.

— Tome cuidado, ela não é qualquer criança.

— Todas as crianças são diferentes, eu sou mãe e sei muito bem disso. — Respondeu a secretária causando uma surpresa no olhar do CEO.

— Como?

— Tenho um filho também, quatro meses. Se chama Bernardo, mas o chamo de Beni.

Ouvi-la dizer aquilo, para ele soava tão incrível. Não era do tipo que sabia tudo sobre seus funcionários, mas o básico como o fato dela ter um filho deveria estar em sua ficha no RH, apesar de quê nos últimos meses ele esteve tão aéreo quem nem se quer leu com atenção seu currículo.

Para não socializar demais, Christopher subiu as escadas, se sentindo um pouco mais despreocupado em deixar Charlotte pela primeira vez nas mãos de estranhos.

A menina era tudo para ele, sua vida e seu mundo. Era certo que nunca amou a mãe da menina, Cecília preferia farra e diversão, foi um milagre a filha ter nascido com saúde. Sua felicidade foi plena ao ganhar a guarda da pequena.

Era difícil, ver sua garotinha tão bem, no colo dela. Antes que terminasse de subir as escadas, Alyssa o chamou.

— Senhor, já passam das oito, e minha babá não costuma ficar além das oito e meia.

— E o quê tem? — Respondeu frio.

— Posso pedir que ela traga meu filho aqui?

— Não me importo. — Deu de ombros desaparecendo no segundo andar.

Por outro lado, Alyssa desapareceu na cozinha e aproveitou para ligar. A senhora era um amor de pessoa, mas ela não queria abusar e pediu que trouxesse seu bebê até o endereço do seu CEO.

Passou um tempo preparando a sopa, e se perguntou se ele comia legumes, já tinha pedido algumas vezes o almoço para ele no escritório e nem se quer uma vez pediu salada ou legumes.

— Um tiro no escuro, mas isto está tão bom que duvido que ele não coma. — Disse a si mesma provando um pouco do caldo.

[...]

Se preparando para subir com a sopa, deixou Charlotte no bebê conforto que encontrou na sala e subiu com a bandeja.

Bateu na porta do quarto antes de entrar, mas sem resposta, pensou que ele tivesse voltado a dormir.

Entrou e não o encontrando na cama, deixou a bandeja sobre o criado mudo. E ao dar um passo atrás, deu de costas com um CEO, totalmente nu.

— Ah! — Gritou se afastando do homem e ao mesmo tempo o fazendo cair para trás.

Ele também gritou, e tateando tudo ao seu redor, agarrou a coberta da cama.

— Por quê está sem roupa! Por acaso está louco?

— Porque está no meu quarto e gritando comigo? Você é quem está louca. — Disse Christopher levantando de olhos fechados.

Vendo a situação e com tudo quê estava no caminho, mesmo apreensiva, Alyssa decidiu ajudá-lo e assim se levantou.

— O quê aconteceu?

— Deixei shampoo cair no olho, vim pegar a toalha que esqueci e encontrei uma enxerida no meu quarto. — Respondeu jogando a culpa sobre Alyssa.

— Em primeiro lugar, sinto muito por ter entrado assim, mas eu bati na porta.

— Claro. — Resmungou ele.

— Em segundo. Não sou enxerida, vim deixar uma tigela de sopa para repor suas energias, e um senhor desorientado tombou com minhas costas.

— Desorientado? Cuide suas palavras.

— É o senhor quem... — Antes quê pudesse terminar, a campainha toca e parece que não é a primeira vez.

— Não vai ver quem é? — Perguntou o CEO se agarrando a coberta e tateando o caminho de volta ao banheiro.

— Estou indo. — Respondeu deixando de lado o CEO e seu magnífico comportamento.

Desceu as escadas e ao atender a porta, o filho esticou os bracinhos ao vê-la.

— Meu filhote. — Beijou as bochechas do pequeno e o abraçou contra seu peito. — Obrigada Sra. Eliza, e desculpe-me fazê-la vir até aqui.

— Sabe que pode contar comigo, boa noite Alyssa.

— Boa noite. — Se despediu, deixando a senhora ir.

Fechou a porta, e deixou o bebê conforto de Beni perto do de Charlotte, tão pronto os bebês se viram, se agarravam pelas mãozinhas e faziam sons inteligíveis um para o outro.

— É o início de uma amizade aqui? — Riu Alyssa do entrosamento espontâneo das crianças.

— Parece que sim. — A voz de seu chefe, atrás dela a fez se sentir desconfortável relembrando o de a pouco.

— Pra trás. — Pediu passando por ele, com mais espaço para não encostar.

Ele riu em silêncio, gostou de vê-la desconfortável, para ele pareceu engraçado.

Sentou-se ao lado das crianças no sofá, e começou a brincar com eles. Charlotte que antes nunca foi muito com a cara do pai, pareceu mais relaxada.

— Comeu?! — Gritou Alyssa de outro cômodo.

— Sim. — Respondeu procurando de onde ela vinha.

Logo em seguida ela surgiu do quarto de Louise que ficava no primeiro andar, com um termômetro.

Entregou para o maior, e esperou em silêncio até que a temperatura fosse tirada.

— Trinta e oito, está de brincadeira?

— O quê?

— Era para estar repousando, o que aconteceu hoje não foi para se ignorar. — Alyssa falou de forma tão séria, que ele nem ousou retruca-la. — Vamos subir e você vai deitar.

Em silêncio subiu as escadas, acompanhado dela. Se deitou e mais do quê de pressa Alyssa depositou compressas frias em sua testa.

— Vai abaixar logo, mas tem que descansar.

— As crianças estão lá embaixo. — Disse Christopher.

— Louise está chegando, ela disse que ficará com eles até sua febre abaixar.

— Como assim? Falou com ela?

— Trocamos telefones.

— Ótimo. — Resmungou o CEO.

Para Alyssa ele poderia até ser Insuportável por fora, mas ela podia enxergá-lo por dentro, supunha quê haviam motivos e ele não estava bem.

Continua...

Capítulo 3

A noite que deveria ser “fácil” foi todo o contrário. Sua temperatura aumentou quando deveria abaixar, seu corpo tremia e por um momento Alyssa cogitou chamar uma ambulância.

Já pela manhã não restavam resquícios, despertaram quase quê juntos, com Christopher estranhando estar abraçado a secretária.

—  O quê aconteceu aqui? — Murmurou retirando os braços do entorno da mulher.

Se remexeu na cama inquieto com a proximidade dela e há viu despertar preguiçosamente.

— Bom dia. — Disse bocejando e em seguida colocando a mão sobre a testa do CEO.

— Estou bem. — Retrucou retirando a mão de Alyssa.

— Ótimo, já me sinto aliviada. Vou pegar Beni e nos vemos na empresa senhor. — Disse ajustando a roupa e prendendo o cabelo desarrumado em um coque alto.

Ele não disse nada, mas uma sensação de vazio o tomou assim que ela se foi.

Se pôs de pé e olhando do alto da escada, assistiu a mulher sair do quarto de Louise se despedindo e depositando um beijo na cabeça de Charlotte, enquanto carregava seu próprio bebê.

— Se precisar é só chamar Louise.

— Claro Alyssa, obrigada e desculpa ter jogado ele em cima de você ontem a noite. — A garota de pijama deu um abraço na secretária, com um ar de amizade transparecendo entre elas.

— De nada, já vou indo, tenho que chegar no trabalho às sete.

— Claro. Bom trabalho. — Acompanhou a secretária do irmão até a porta e fechou já encarando o CEO no alto da escada.

— O quê está olhando?

Christopher não entendia o porquê da irmã encará-lo.

— Aposto que não disse nenhum um obrigada, não é? — A irmã o questionava.

— Depositarei um bônus na conta dela.

— Nem todos são como Cecília, nem tudo se resolve com dinheiro maninho. — Respondeu, fazendo o irmão mais velho parecer ser o mais novo recebendo lições de moral.

E de certo modo Christopher precisava. A irmã estava certa, e isso ele reconhecia, mas não gostava de dever nada a ninguém e não queria a simpatia da secretária.

Então se pôs a se arrumar, ainda tinha de ir trabalhar e em dobro se levasse em consideração que os compromissos anteriores deviam ser resolvidos o quanto antes.

[...]

Em casa, Alyssa já se aprontava para sair. Beijou a bochecha de seu filho e agradeceu a babá por aceitar ficar um pouco mais.

Sabia que o dia seria corrido em dobro e imaginou que seu chefe gostaria de colocar tudo que pudesse em ordem.

Uma mensagem fez o celular em seu bolso vibrar.

Ele está um pé no saco, boa sorte hoje Alyssa.

Louise.

Colocou o celular de volta no bolso, depois de entrar no táxi, mas antes a respondeu.

Pode deixar, vou domar a fera.

Alyssa.

Na noite anterior, enquanto o CEO suava e murmurava coisas sem nexo, as duas se sentaram ao pé da cama para conversar.

Alyssa e Louise se deram bem de cara, no final das contas eram bem parecidas, tirando as idades.

Vinte e nove anos tinha Alyssa, enquanto que Louise completaria vinte e um.

[...]

Chegou a empresa e bateu seu ponto como de costume. Olhou pelo vidro e constatou que o CEO ainda não havia chego.

Conversou com o pessoal e repôs a tempo tudo o que fora destruído no dia anterior, pediu a uma das assistentes que lhe emprestasse seu bracelete inteligente por um dia e por fim, aguardou em sua mesa até que Christopher entrasse.

Demorou um pouco mais que o normal, e era de se estranhar. Não era muito o tempo que levava trabalhando naquele escritório, mas se levasse em consideração que o CEO sempre chegava no horário ou até mesmo antes, alguma coisa devia ter acontecido.

— Alô? Louise?

— Sim. Agora não é um bom momento. — A garota respondeu e ao fundo se podia ouvir o choro estridente de Charlotte.

— Me desculpe, mas seu irmão ainda não chegou e ...

— Olha, meu irmão não vai gostar, mas vou te dizer mesmo assim.

Louise deu um tempo e por fim disse:

— Charlotte não para de chorar desde que acordou, ela não mama direito a dias e estou preocupada Alyssa, não sei o que fazer.

— Eu... — Pensou, queria ajudar, mas não sabia exatamente como. — Eu estou indo.

— Não, não quero que ele implique com você.

— Não se preocupe, posso lidar com ele. — Respondeu e desligou.

Sem a mínima ideia do quê exatamente faria, pediu um táxi, dessa vez a caminho da casa de seu chefe.

Continua...

Continue lendo
Apoie o autor e inspire mais histórias incríveis Moboreader
Desbloquear todos
Capítulo
Personalizar
Próximo Capítulo
Minishorts Logo
Leia web novels, ficção online e histórias românticas em alta no MiniShorts. Descubra romances de bilionários, fantasia de lobisomens, drama e novelas de fantasia, além de conteúdos selecionados de dramas curtos inspirados nas tendências de narrativa mais populares.
MiniShorts YouTube
PRODUTOS E SERVIÇOS
Sobre nós
support@minishorts.com
©2026 MiniShorts Todos os direitos reservados. CHASINGTOP HK LIMITED