Após escutar barulho vindo da porta, ergui minha cabeça até lá e vi novamente o homem entrando e vindo em minha direção.
Apesar de ainda estar completamente enjoada, já estou um pouco mais consciente do que está acontecendo. Eu fui sequestrada. Fui levada por dois homens enquanto estava conversando com Ayanna. Ela é a culpada disso tudo. Ela que me fez ser sequestrada.
Nas últimas horas não consegui parar de pensar em como a minha família deve estar preocupada comigo. Se eu tivesse comunicado alguém da minha saída, com certeza isso não teria acontecido. Mas agora estou aqui, sem ter absolutamente nenhuma informação do lugar em que me encontro e sem saber o que esses caras vão fazer comigo.
Eu sei, sei que tenho quase 0% de chances de sair viva daqui, mas prefiro não pensar muito nisso.
A única coisa que estou tentando fazer é não dormir. Não posso dormir. Só Deus sabe o que eles podem fazer comigo enquanto estiver desacordada.
A questão é que eu já quase não estou mais aguentando fazer isso. Meus olhos estão pesando e meu corpo está quase me implorando para eu me deitar pelo menos um pouco. O que apesar de tudo é completamente impossível de eu fazer, já que ainda estou amarrada nessa cadeira que está me deixando cada vez mais agoniada.
-Bom dia, querida. -Tentei enxergar o que está em sua mão, mas a escuridão me fez ver apenas um coisa quadrada. -Trouxe seu café da manhã.
Tentei não olhar em seu rosto mas ele me forçou a fazer isso no momento em que levantou o meu rosto em sua direção.
Apesar de no começo eu ter pensado que ele era um velho, na verdade ele é jovem. Bem mais jovem do que eu podia imaginar. Não consigo ver perfeitamente como é o seu rosto, mas tenho quase certeza de que ele possui uma barba.
-Está com fome? -Ficou esperando minha resposta mas eu não fiz isso. -De qualquer forma, trouxe pão. -Estendeu o que agora descobri ser um saco de papel e colocou em minha mão. -Come tudo.
Assim que ele tirou sua mão da minha, soltei o saco e ele acabou caindo no chão. O homem sorriu.
-Vai se fazer de difícil então? Escuta, você não vai querer que venha outra pessoa te fazer comer, vai? Porque acredite se quiser mas eu sou o mais legal daqui.
Elevei meu olhar até ele mas não esbocei qualquer reação. Até porque não estou nem um pouco afim de demonstrar qualquer coisa que estou sentindo pra ele.
Eu com certeza estou com muita fome, mas me recuso a comer qualquer coisa que eles me derem.
-Então tá, se é assim que você quer. -Ele se virou e voltou a caminhar para fora do quarto.
(...)
Eu não faço ideia de quantas horas que devem ser agora, mas posso apostar que já se passaram um bom tempo desde a última vez que o cara veio até aqui. Uma coisa que veio absolutamente do nada em minha cabeça é que hoje é o meu aniversário. O último também.
Fico triste por pensar que no meu último aniversário, meu pai, Zack e Jake não vão estar presentes. Mas apesar de tudo, fico feliz por saber que pude viver por 17 anos. 17 anos até que é bastante tempo. Quero dizer, é óbvio que eu queria fazer mais coisas em minha vida, mas parando pra pensar agora, até que eu fiz bastante coisa.
Eu vivi por 14 anos com a minha família completa, vivi por 8 anos tendo Jake como meu melhor amigo, tive a oportunidade de vê-lo namorando a pessoa que sempre foi tão apaixonado. Me redimi com Clair e enfim pude ver o lado dela da história, e por fim pude passar bons momentos ao lado da pessoa que eu jamais imaginei que algum dia eu fosse gostar de ter por perto.
Zack foi uma pessoa extremamente fantástica nesses últimos meses e eu sou eternamente grata a ele por ter me ensinado a ser eu mesma. Foi ele quem me fez ter coragem de poder agir como eu sempre quis. Não aquela Alexia que só pensava em passar na faculdade, não aquela Alexia que fazia de tudo para ser a filha que meu pai esperava, apenas eu mesma.
Zack me ensinou que a felicidade está nas pequenas coisas da vida. Nos momentos como quando fomos até a casa de sua tia, quando fomos ao Central Park, quando ficamos juntos no hospital, quando fomos na festa da casa de Clair, quando jantamos no jardim de minha casa, eu estava tão feliz. Não pelo lugar, não pelas pessoas ao nosso redor. Mas por simplesmente ele ter estado ao meu lado naquela hora.
Mesmo sem perceber, ele estava me fazendo ficar cada vez mais apaixonada por ele.
Eu não vou mentir e dizer que eu queria isso, porque se fosse alguns meses atrás, teria sido o cúmulo estar apaixonada por Zack Kendell, o garoto que era desejado por quase todas as meninas do ensino médio. Mas poder ter tido a oportunidade de ver de pertinho a sua mudança, foi simplesmente incrível.
Ainda não consigo acreditar no quanto ele mudou. De metido, babaca e egocêntrico, ele passou a ser uma pessoa presente, protetora, engraçada e várias outras qualidades.
Eu não sei descrever muito bem tudo o que ele fez eu sentir nesses últimos meses, mas algo me diz que é isso o que o amor faz dentro de uma pessoa.
A porta se abriu mais uma vez só que não fiz questão de levantar a cabeça.
-Oi. -Escutei uma voz diferente. -Como você está?
Ergui levemente a cabeça e vi um outro cara. Pela voz ele deve ser bem mais novo do que o primeiro.
-Eu não devia estar aqui. -Se aproximou de mim. -Mas fiquei sabendo que você não está comendo.
Continuei apenas o encarando.
-Olha, eu entendo você fazer isso. Entendo mesmo. Mas você acha que isso te ajudaria em que? -Se sentou à minha frente. -Primeiro que isso só vai te fazer morrer mais rápido, segundo que você só está se prejudicando.
Engoli a saliva com uma certa dificuldade, já que minha garganta está extremamente seca pela falta de água.
-Eu sei que você pensa que sou como eles por estar aqui agora. Mas estou apenas pelas drogas. Não curto muito essa coisa de manter em cativeiro. -Procurou meu olhar. -Então estou aqui pra te ajudar. Não quero que você morra, Alexia.
O olhei assim que ele falou o meu nome. Ele sorriu e pegou em minha mão.
Agora eu consigo ver perfeitamente o seu rosto. Ele deve ter no máximo 19 anos. Não mais que isso. Seus cabelos são grandes e tocam até o ombro. Já os seus olhos são um tom de preto bem intenso.
-Eu vou afrouxar a corda de suas mãos, se você me prometer que vai ficar de boquinha fechada. -Sorriu ao me provocar, já que eu não abri a boca desde o momento em que ele entrou aqui.
Ele virou o meu braço e afrouxou, me fazendo ver as marcas que a corda causou em meu pulso. Estão quase em carne viva. Prefiro não pensar muito na dor que isso está me causando.
-Tenho que ir agora antes que me peguem aqui. -Se levantou e pegou o saco de pão do chão. -Tenta comer, tá? -Sorriu e se virou pra sair.
-Obrigada. -Sussurrei.
Ele se virou pra mim e piscou um olho.
(...)
No fim eu acabei comendo o pão e isso já me fez sentir meu corpo agradecendo por isso. Ainda estou com sede mas me recuso a pedir água pra eles.
Eu ainda não entendi muito bem o que significa tudo aquilo que aquele rapaz fez, mas a única coisa que sei é que me sinto mais "tranquila" por saber que não tem apenas gente ruim por aqui.
-Você tem 2 minutos pra melhorar essa cara sua. -O homem com barba voltou. Ele acendeu a luz e isso me fez fechar os olhos por conta da dor que a claridade causou. -Eu vou ligar para a Ayanna e você vai ficar de boquinha fechada. Vai apenas concordar com tudo o que eu disser, me entendeu?
Após eu me acostumar com a claridade, olhei para ele. Ele começou a mexer no celular e em seguida o colocou no ouvido.
-Olá, minha querida Ayanna. -Sorriu e começou a andar pelo lugar. -Acho que já está na hora de eu começar com as minhas propostas para deixar a garota viva. Está podendo conversar agora? Ótimo, então vamos lá. -Tirou o celular do ouvido e colocou no viva voz. -Vou te dar duas opções, no fim você escolhe qual fica melhor pra você. Primeiro, eu quero Cinquenta mil dólares em minha conta ainda essa semana. Se fizer isso, estaremos com nossas dívidas quitadas e eu liberto a garota no lugar em que deixei. Ou segundo, -Se virou para mim. -você trabalha pra mim o resto da sua vida e eu deixo ela livre, é claro, sem prometer que esteja com vida.
Minha garganta se fechou por um segundo e eu senti vontade de chorar.
-Carter, por favor. -Escutar a voz de Ayanna me fez ter vontade de gritar.
-Socorro! Ayanna, me ajuda! -Não consegui me controlar e isso fez o homem rir.
-Está sentindo o quão desesperada a garota está? Então acho melhor você agilizar logo na sua resposta.
-Você sabe que eu não tenho esse dinheiro, Carter. E eu não... eu jurei nunca mais mexer com essas coisas.
-A decisão é sua, querida. Só não adianta depois vim dizer que eu não avisei. -Ele foi com o dedo em direção ao botão de desligar.
-Não, por favor, por favor. -Comecei a falar descontroladamente. -Ayanna!
-Carter, espere. -Falou do outro lado da linha. -Me dê 2 dias pra pensar. Apenas dois dias.
-Dois dias é tempo demais, não acha?
-Só me prometa que vai mantê-la viva até lá. -Carter ficou em silêncio. -Eu vou arranjar a grana. Mas preciso que me prometa.
-Dois dias. É só isso o que você tem. -Desligou e passou a mão no cabelo. -Aproveite bem esses dois dias que lhe restam. Caso ela não traga o que eu pedi, você está morta.
Assim que ele bateu a porta, não consegui controlar toda a emoção presa dentro do meu peito.
-Como assim você recebeu uma ligação? -Comecei a andar pelo quarto com o telefone no ouvido.
Hoje faz 3 dias que Alexia está desaparecida. Sequer tivemos alguma notícia de como o caso dela está. Estava começando a ficar desinquieto até receber esse telefonema vindo de minha mãe.
-Eles querem cinquenta mil em troca dela. -Respirou fundo. -Eu não sei o que fazer, Zack. Não tenho aonde arranjar esse dinheiro.
-O pior é que eu nem posso comentar nada com o senhor Gomes, senão ele vai querer saber como é que o sequestrador entrou em contato conosco. -Cocei a testa. -Estamos presos em uma enrascada.
-Eu consegui escutar a Alexia.
Ouvir o seu nome fez o meu coração acelerar.
-Como é que ela... -Não consegui terminar. -Como ela está?
-Me pareceu desesperada. -Escutei ela fungar o nariz. -Estou me sentindo péssima com tudo isso.
-Nós temos que arranjar esse dinheiro. Até quando que você pode passar a grana pra eles?
-Até sábado.
-Está brincando. Isso é daqui dois dias! -Quase gritei. -Como quer que a gente consiga cinquenta mil em dois dias?
-Eu não sei! -Gritou nervosa também. -Eu não sei. Estou tão desesperada quanto você. Olha, é isso ou eu vou ter que voltar a trabalhar pra eles. Isso sem ter a certeza de que ela vai voltar viva.
Coloquei o dedo na boca e comecei a roer a unha.
Apesar de eu estar completamente irritado com tudo o que ela causou, sou incapaz de dizer a ela para fazer isso. Não posso pedir para ela voltar a trabalhar para essas pessoas desgraçadas.
-Tá bom, olha, eu vou tentar pensar em alguma coisa. Te ligo assim que tiver alguma ideia.
-Tudo bem. -Respirou fundo. -Toma cuidado, meu filho. Amo você.
Suas últimas palavras me fizeram ficar em silêncio por alguns segundos.
-Tchau. -Foi a única coisa que consegui dizer.
Desliguei o celular e apoiei minha cabeça nas mãos. Isso tudo está me deixando maluco.
-Irmão. -Levantei a cabeça e vi Alicia parada na porta do meu quarto. -Mamãe pediu pa eu avisa que a polícia tá lá embaixo. Eles quelem falar com você.
A polícia? Mas o que é que eles teriam pra conversar comigo? Até porque pra eles eu sou apenas o "namorado" da vítima. Estranho.
-Estou indo. Obrigado, Alicia.
Ela saiu correndo e eu me levantei. Antes de sair do quarto, dei uma olhada no espelho e vi que não estou tão mal assim.
-Agora é a sua vez de se fuder. -Alysson riu assim que passei por sua porta.
A ignorei e continuei seguindo em frente. Quando cheguei no topo da escada, avistei dois policiais de pé em frente do sofá. Valentina e o senhor Gomes estão sentados, ambos parecendo estarem nervosos.
-Você é Zack Kendell? -Perguntou o polícial mais alto. Ele parece ter saído de um filme onde possui aqueles xerifes com o bigode marcante.
-Sim. -Concordei assim que desci o último degrau. -Aconteceu alguma coisa? -Olhei para o rosto de Valentina e a vi quase me implorando mentalmente para eu me manter calmo.
-Nós queremos apenas te fazer algumas perguntas, senhor Kendell. -Respondeu o outro, que está com um bloco de notas na mão e parece estar anotando algumas coisas.
-Ok. -Falei e cruzei os braços. -Estão me achando suspeito?
-Zack. -Valentina me repreendeu.
-Está tudo bem, senhora Kendell. -Olhou para ela e em seguida para mim. -Não, não estamos achando que você é um suspeito. São apenas perguntas de rotina.
-Vamos lá então. -Arrumei minha postura.
-Poderia se sentar junto a eles dois, por favor? Isso facilitaria a nossa comunicação.
-Estou bem aqui. -Olhei ao redor.
-O senhor poderia por favor se juntar a eles dois? -Disse o policial com cara de xerife. Ele parece estar quase perdendo a paciência. Típico dos policiais de Manhattan.
Fui sem vontade nenhuma em direção ao sofá e me sentei em um que não há ninguém.
-Poderia nos dizer aonde esteve no dia em que Alexia foi sequestrada?
Pensei um pouco.
-Em casa. -Cruzei as pernas. -Estava deitado em meu quarto assistindo um filme.
O que está com o bloco de notas começou a anotar.
-E quando você a viu pela última vez?
-De tarde. Logo que chegamos da escola.
-O que ficaram fazendo nesse tempo?
-Escuta, isso é mesmo necessário? Porque pra mim isso já é invasão de privacidade.
-Queremos apenas alguma respostas, senhor Kendell. -Colocou a mão no cinto. -Agora responda a minha pergunta.
Olhei para o senhor Gomes e em seguida para Valentina. Eu não posso falar a verdade. Não mesmo.
-Estudando. -Voltei a olhar para os policiais. -Estávamos estudando para uma prova.
Anotou mais uma vez.
-Ela chegou a te contar que iria àquele local?
-Não. -Neguei e me segurei para não me xingar mentalmente por isso. -Ela não... ela não me contou. -Abaixei a cabeça.
-Por que acha que ela não te contaria? Afinal, vocês são bem próximos, não?
-E-Eu não sei. -Senti minha garganta se fechar. -Ela fez isso escondido de todos nós. Acha mesmo que se eu soubesse, teria deixado ela ir até lá? Ainda mais de noite?
-Entretanto você conhecia a mulher com quem ela estava se encontrando.
Senti o olhar de todo mundo focar sobre mim. Essa não. Mas que merda.
-Do que está falando? -Tentei não gaguejar. -Acha que se eu soubesse, não teria contado a vocês?
Mandou bem, idiota. Mente mesmo na frente dos policiais. E na verdade eu nem sei por que é que estou fazendo isso. Ayanna não merecia isso. Ela merecia ser presa para poder pagar por tudo o que está fazendo a Alexia passar.
-Lá na cena do crime nós encontramos essas cartas. -Retirou de dentro da jaqueta e abriu um dos papéis. Olhei para o senhor Gomes e ele parece estar tentando entender. Pelo jeito quando íamos ontem na delegacia, era esse o papel que eles tinham encontrado. -E aqui parece estar sendo um pedido de desculpas especial a você. Será que poderia nos explicar?
Me levantei e isso fez o policial com cara de xerife tocar na algema em seu cinto.
-Fique aonde está.
-Eu só quero ver o que tem na carta.
-Agora não. -Dobrou o papel mais uma vez. -Antes eu quero saber quem é Ayanna e por que é que ela estava te pedindo desculpas. Aqui fez parecer que ela havia abandonado você e a sua irmã quando mais novos. Me diga, senhor Kendell, Ayanna se trata de sua mãe?
-Zack, o que você... -Valentina tentou falar mas o policial a mandou ficar quieta.
-Eu não... -Não consegui encontrar as palavras.
Não adianta mais. Tudo foi por água abaixo. Tudo o que eu disser daqui pra frente será usado contra mim. Ou eu a denuncio, ou vai nós dois pra prisão.
-Pode nos explicar por que é que sua mãe estava se encontrando naquele horário com a desaparecida?
-Eu não sei. -Neguei. -Eu nem sabia que ela estava viva. -Tentei manter minha voz firme. -A última vez que vi minha mãe foi quando eu tinha 3 anos de idade. Eu cresci sabendo que ela morreu. É praticamente impossível ser ela.
O policial não tirou seu olhar de mim, como se quisesse ver se estou dizendo a verdade ou não.
-Acredite, se eu pudesse fazer qualquer coisa para poder ter a Alexia aqui agora, eu com certeza faria. Eu jamais tramaria alguma coisa para machuca-la. -Me sentei mais uma vez e olhei para baixo.
-Muito bem, acabamos por hoje. -Escutei ele fechar o bloco de notas mas não ergui a cabeça. -Eu aviso vocês sobre qualquer notícia. Obrigado pela ajuda.
Senhor Gomes se levantou e os acompanhou. Antes de um dos deles sair, ele veio até mim e se inclinou através das costas do sofá.
-Estou de olho em você, rapazinho. Ainda não estou tão convencido de sua história.
Olhei para ele e o mesmo arrumou o chapéu na cabeça.
-Tenham um bom dia. -Dito isso eles saíram e eu me levantei também.
-Temos que conversar. -Valentina pegou em meu braço assim que passei por ela.
(...)
-Que história é aquela? -Começou a andar de um lado para o outro em meu quarto. -Zack, eu quero que você olhe no fundo dos meus olhos e me diga que você não tem nada haver com toda essa história.
Continuei a olhando e coloquei o dedo indicador na boca.
-Por favor, me diga que você não tem nada haver.
Não posso dizer a verdade a ela. Não posso lhe contar sobre minha mãe. Isso a tornaria cúmplice também e eu não suportaria dar esse peso a ela.
-Não tenho nada haver, Tina.
Ela suspirou aliviada e parou de andar.
-Estou tão surpreso quanto você. -Continuei.
-Graças aos céus. -Veio até mim e pegou em meu rosto. -Eu não suportaria ver você indo preso também.
Ok, isso me deixou preocupado.
-Não era a minha mãe, Tina. Eles se enganaram.
-Sim, eu penso isso também. -Sorriu e arrumou o meu cabelo para trás. -Que coisa, não é? Por um momento eu pensei que você estivesse metido em todo esse caos.
Forcei um sorriso.
-De qualquer forma, vá tomar um banho. Você está fedendo. -Ela me soltou e eu involuntariamente cheirei minhas axilas.
-Não estou não.
-É claro que está. E vê se dá um jeito nesse quarto. Pelo amor de Deus, isso está pior do que um chiqueiro.
Ri e ela começou a ir em direção a saída.
-Tina. -A chamei e ela se virou. -Amo você.
Ela sorriu e pareceu ter ficado emocionada.
-Eu também amo você. -Disse e saiu.
Já eu me joguei para trás na cama e fiquei durante um bom tempo apenas observando o teto.
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