NARRAÇÃO PATRÍCIA
Meu plantão acabou já faz 12 horas, mas ainda estou em atendimento. Hoje o setor de traumas está impossível. Estou em uma cafeteria próxima ao hospital com Bento, meu amigo e médico também. Assim que sento com meu costumeiro café e bolinho de nozes, escuto um barulho horrível. Olho para o lado e vejo um carro capotado e sem pensar duas vezes corro em direção a ele. Na parte do motorista um senhor se encontra acordado, parece apenas que machucou a testa e sua perna, deixo Bento realizando os primeiros atendimentos.
Corro na parte traseira e localizo um homem. Seu cabelo castanho sujo de sangue, sua boca perfeita com um corte e seu belo nariz fino me chama a atenção. Ele é perfeito! Concentra Patrícia, ele precisa de você. De imediato percebo que em sua perna há uma fratura exposta e na sua cabeça um corte que aparenta ter sido feito pelo impacto com a janela. Geme muito, mas mantém os olhos fechados. Preciso dele acordado. Tento chama-lo para manter os olhos abertos e ficar me olhando. Então lindos olhos claros me olham tão intensamente que me perco no tempo e esqueço o que estava fazendo. Não consigo decifrar se é verde ou azul. Foco Patrícia!
Tento fazê-lo conversar enquanto faço os procedimentos, mas está fraco, perdendo muito sangue. Enquanto imobilizo sua perna e tento parar o sangramento, pois uma artéria se rompeu, vou contando que estava na cafeteria e comento que seus olhos são lindos. Abre um sorriso tão lindo que me faz querer beijar cada centímetro do seu corpo onde dói para cura-lo. Meu Deus, foco Patrícia! Ele pergunta do motorista, acho que Talles... Olho pro lado e vejo que já foi atendido e está bem na lateral do carro.
Quando volto para continuar o atendimento o vejo perder os sentidos e ter uma parada cardíaca. Sem pensar duas vezes o puxo do veículo, mesmo com medo de ter fraturado a coluna e começo a fazer a massagem cardíaca. Estou montada nele realizando o procedimento e só consigo pedir a Deus que estes lindos olhos me olhem mais uma vez. Bento vem ao meu encontro e me auxilia no procedimento. Nesse momento chega a ambulância e como um milagre lindos olhos se abrem e me olham intensamente. Acho que nunca mais viverei sem olhar esses olhos. Os paramédicos começam a realizar a mobilização e coloca-lo na ambulância. Me abaixo e dou um beijo em seus lábios, que me fazem tremer inteira. Olho em seus olhos e respiro fundo.
- Te vejo logo, mas espero que esteja bem para um jantar de agradecimento. Tchau!
Pergunto para qual hospital está sendo conduzido e para minha alegria é onde trabalho. Preciso de um banho e depois vou pra lá saber dele.
NARRAÇÃO RICARDO
Sinto meu peito doer, me sinto sufocado e de repente uma tomada de ar invade meu peito e meus olhos se abrem. Ela está aqui, em cima de mim. O que aconteceu? Patrícia me trouxe a vida novamente? Vejo uma movimentação ao meu lado, acho que a ambulância chegou. Estão cuidando de mim, mas quero ela me tocando. Por que ela saiu de perto? Eu preciso dela!
- Patrícia!
Minha voz sai fraca, estão me levando para a ambulância. Vejo Talles me esperando com um curativo na perna e na cabeça. Como em um sonho ela surge na minha frente. Seus lindos olhos me encaram com carinho e diz que quer um jantar em agradecimento por salvar minha vida. Só consigo pensar em seus lábios nos meus. Ela selou nossos lábios rapidamente, mas esses poucos segundos foram suficientes para sentir que a quero mais que tudo. Estou na ambulância e Patrícia não veio junto. Paramos rapidamente e já sou carregado para dentro do hospital. Escuto vozes ao meu redor se comunicando rápido e me levando para uma sala toda branca. Estou cansado e me deixo relaxar, meu corpo dormir com o pensamento nos olhos azuis e boca perfeita de Patrícia.
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Acordo no susto de um choro. Ao abrir meus olhos vejo minha mãe ao pé da cama aos prantos. Essa cena corta meu coração e quase em um sussurro chamo por ela.
- Mãe!
Me olha com ternura e corre para os meus braços soluçando em meu pescoço. Posso sentir suas lágrimas escorrerem em meu peito.
- Mãe, estou bem, não chora.
- Ricardo, quase morri quando vi seu corpo passando em uma maca indo para o centro cirúrgico.
Minha mãe trabalha no hospital de São Paulo como chefe da pediatria. Afago seu cabelo e ela levanta a cabeça para me analisar.
- Filho, foi sorte você não ter morrido. Teve uma pancada feia na cabeça, mas o pior foi sua artéria da perna se romper. Eu quase perdi você.
- Não foi sorte, tive um anjo que me socorreu. O nome dela é Patrícia.
Assim que seu belo nome sai de meus lábios, percebo que não tenho mais nada sobre ela. Não tenho nada.....
- Como assim Ricardo, nenhuma Patrícia entrou com você no hospital, apenas os socorristas.
Minha mente trabalha para tentar lembrar algo que me ajude a descobrir quem ela era. Patrícia... Patrícia... médica...
- O nome dela é Patrícia e ela é médica. Estava no café de frente para o local do acidente. Me ajudou no local e não seguiu com a ambulância. Ela não me deixou morrer mãe, lutou por mim.
Minha mãe com um sorriso lindo no rosto acaricia meu rosto e beija minha testa.
- Ela tem lindos olhos azuis e um sorriso que amolece qualquer coração?
- Sim.....
- Só pode ser a nossa Patrícia, o anjo do setor de traumas. Ela é conhecida como o anjo da cura, sempre luta pela vida dos pacientes. Não se permite perder uma vida se quer. Só para quando tem certeza que não há risco algum. Você esteve em boas mãos meu filho, dizem que ela cura com um sorriso.
Já achava Patrícia perfeita, depois das palavras da minha mãe e tenho certeza de que é um anjo. Então ela trabalha aqui!
- Preciso falar com ela, saber quando estará aqui de novo.
- Patrícia fez um plantão longo de dois dias seguidos, provavelmente sua escala será daqui dois dias.
Não vou aguentar ficar dois dias sem olhar aqueles lindos olhos. Como se ouvisse meus pensamentos a porta se abre e lindos olhos azuis, um belo corpo em um belo vestido florido, cabelos soltos que lhe deixam extremamente atraente aparece em meu quarto. De repente seus olhos se tornam frios e por algum motivo penso que ela vai se afastar.
- Dra. MORETTI!
Olha pra minha mãe e para mim.
- Ricardo Moretti... não pode ser...