Capítulo 2

Dean continuou: "Já que você não gosta de carros esportivos, o Sr. Hughes está disposto a oferecer mais trinta milhões como compensação..."

"Não, isso não será necessário," Natalie interrompeu.

Dean congelou por um momento, perplexo. "O quê? Você não está satisfeita?"

Sem dizer uma palavra, Natalie pegou um porta-cartões de sua bolsa e deslizou-o sobre a mesa.

"Isso contém todos os cartões bancários que Connor me deu. Eu não os usei. Por favor, devolva-os a ele. Quanto ao dinheiro e às propriedades..." Ela soltou uma risada suave e balançou a cabeça. "Eu não preciso deles."

Dean, sempre composto, respondeu com tranquilidade: "Pode ficar tranquila—toda a documentação legal foi completamente autenticada pelo advogado do Sr. Hughes. Não há condições ocultas. Dada a integridade do Sr. Hughes, ele nunca pegaria o dinheiro de volta. Você pode aceitá-lo sem preocupação..."

Até o assistente de Connor presumiu que ela era apenas mais uma mulher movida pela ganância.

"O código de acesso para a Vila Tranquila é 0921." Natalie levantou-se de seu assento, claramente desinteressada em prolongar a conversa. "Vou retirar minhas coisas até às 20h de hoje. Você pode dar uma olhada então."

Com isso, ela se virou e foi embora.

Dean hesitou brevemente antes de contatar os bancos onde as contas foram abertas.

"Ela nunca usou isso?"

Quando a confirmação veio do outro lado, Dean ficou surpreso.

Esta era a mesma mulher que, três anos atrás, passou a noite com Connor depois que ele estava embriagado—quem supostamente se vendeu por cinco milhões?

Após uma breve pausa, Dean reuniu os documentos e dirigiu-se ao escritório.

Parado diante da mesa de Connor, ele relatou as palavras exatas de Natalie.

Connor interrompeu seu trabalho, seus olhos afiados se estreitando ao pousarem no porta-cartões à sua frente. "Ela nunca gastou um centavo?"

Dean assentiu. "Verifiquei com vários bancos. Não só os fundos não foram tocados, como também há três milhões a mais nas contas."

A expressão de Connor escureceu levemente.

Percebendo a mudança de humor, Dean acrescentou cautelosamente: "Quanto à Vila Tranquila, a Srta. Simpson me pediu para recolher as chaves hoje à noite às 20h."

Connor permaneceu em silêncio por um momento antes de casualmente voltar aos seus papéis, como se o assunto não tivesse importância.

"Resolva isso."

Deixando a Vila Tranquila para trás, Natalie voltou para seu modesto apartamento alugado.

Ela nunca se iludiu acreditando que pertencia à Vila Tranquila. Nos últimos três anos, ela manteve seu apartamento, então a mudança de volta foi sem esforço.

Agora, nos seis meses restantes de sua vida, ela poderia se separar de tudo em seus próprios termos.

A noite passou tranquilamente.

Ao amanhecer, Natalie levantou-se cedo. Ao contrário da Vila Tranquila, seu apartamento ficava muito mais longe da Hughes Group, onde ela trabalhava. Sem tomar café da manhã, ela saiu apressada, chegando quase no horário.

Ao se acomodar, seus olhos pairaram sobre a carta de demissão já redigida na tela. Seu cursor pairava sobre o botão "enviar", hesitação surgindo.

"Ei, você ouviu? Um peixe grande está vindo hoje. Eu vi a diretora se maquiando quando eu levei café para ela!"

Natalie apagou a última linha de sua carta, pensando em uma maneira melhor de formulá-la.

"Meu Deus! A diretora, que nunca deixa ninguém se aproximar, está realmente se esforçando por esse cara? Ela ignorou aquele herdeiro dos Bailey por tanto tempo, e agora está se arrumando para outra pessoa? Quem é ele?"

"Ouvi dizer que ele tem fortes laços com a diretora. A família Bailey tem importunado ela por causa daquele contrato, então esse cara está aqui para resolver a situação."

"Um salvador, hein? Uau. Imagine ter o poder de assustar os Bailey assim!"

Sentada nas proximidades, Kaitlin Marsh zombou, lançando um olhar desdenhoso para os colegas fofoqueiros.

"Vocês realmente não sabem?" Ela sorriu. "Está em todos os círculos da elite. O único homem que poderia fazer nossa diretora se apaixonar é..."

Capítulo 3

Natalie tamborilou o dedo, clicou no mouse e programou o envio do e-mail.

De repente, o elevador soou.

Sentada perto, ela instintivamente virou a cabeça e imediatamente avistou uma figura familiar.

O homem tinha ombros largos, cintura fina e traços marcantes. Seu terno, feito sob medida, destacava cada linha esculpida de seu corpo. Era o mesmo homem com quem ela tinha compartilhado uma noite apaixonada há duas noites.

"Uau, não é Connor Hughes, o único herdeiro do Grupo Hughes?" exclamou uma das colegas de Natalie.

No momento em que Connor entrou no escritório, um burburinho tomou conta do escritório.

"Connor!"

Natalie olhou para cima exatamente quando Vera Dawson, a diretora—normalmente composta e distante—o cumprimentou. Hoje, no entanto, um raro sorriso adornava seus lábios. Seu cabelo, geralmente preso, agora caía em cachos soltos, suavizando sua beleza gélida com um toque de charme.

Mas ao observar o rosto cuidadosamente maquiado de Vera, um frio percorreu sua espinha.

O delineador longo e dramático acentuava o olhar de Vera, tornando seus olhos estranhamente semelhantes aos de Natalie. Acrescentava um toque inesperado de sedução ao seu olhar usualmente penetrante.

Vera nunca foi adepta à maquiagem. Sua postura natural era tão imponente que Natalie, com seu comportamento animado e expressivo, nunca tinha considerado qualquer semelhança entre elas.

Contudo, agora era inegável—uma revelação que a chocou profundamente, deixando-a abalada.

Ela tinha sido tão ingênua.

Assim que a porta do escritório se fechou atrás deles, a atmosfera gradualmente se acalmou.

Mas os murmúrios não cessaram.

"Você pode acreditar? Esse é Connor Hughes, um homem de poder e influência na alta sociedade. Para ele vir pessoalmente aqui... Ele deve realmente valorizar nossa diretora!"

"Obviamente. Afinal, eles já tiveram uma história," Kaitlin interveio, sua voz carregada de intriga.

Suas palavras imediatamente atraíram o foco de todos.

Ela deliberadamente fez um espetáculo—pedindo café, solicitando massagens nos ombros—antes de finalmente limpar a garganta, observando a sala e baixando a voz.

"Nossa diretora e o Sr. Hughes foram uma vez o casal perfeito do campus, admirado por todos. Mas a família Hughes? Sua riqueza e influência estão em outro nível. Até mesmo famílias abastadas lutam para chamar atenção deles. Três anos atrás, um contrato enviou nossa diretora capaz e independente para o exterior. Dizem que tiveram uma separação amarga, mas olhe para eles agora. Claramente, a história deles não terminou."

Com essas palavras, Natalie sentiu como se o chão desaparecesse sob seus pés.

Tudo de repente fez sentido.

Três anos atrás, a partida abrupta de Vera levou àquela noite fatídica em que ela passou a noite com Connor. Agora, Vera estava de volta, tinha garantido uma posição na empresa e—por alguma cruel ironia—acabou como sua superior.

Nos últimos três anos, ela tinha sido uma tola desinformada, agarrando-se aos momentos fugazes de gentileza de Connor, confundindo-os com algo real. Mas agora ela percebia a dura verdade.

Ela nunca foi nada mais do que uma substituta. Que brincadeira de mau gosto!

"Natalie!"

Natalie despertou de seu torpor, encontrando o olhar desaprovador de Jaynie Martin, a líder da equipe.

"Chamei seu nome três vezes! O que está acontecendo?"

Empurrando de lado a turbulência em sua mente, Natalie levantou-se. "Desculpe, Jaynie, não estou me sentindo bem..."

Ela havia planejado usar este momento para se demitir, mas antes que pudesse dizer outra palavra, uma pilha de documentos pousou em suas mãos com um golpe seco.

"Leve isso para a sala de reunião. Você está liderando este caso, e a diretora está esperando!"

Natalie congelou por um momento, pega desprevenida. Sem pensar, ela soltou, "Mas meu papel é no design. Não era para Kaitlin apresentar?"

"Kaitlin?" Jaynie zombou. "Ela só sabe mesmo é espalhar boatos. O que mais ela poderia contribuir?"

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