Minhas palavras caíram como uma bomba em um lago sereno.
Enquanto os murmúrios da multidão cresciam ao meu redor, eu mal conseguia me lembrar de como saí do altar.
Ignorei os parentes e amigos que vinham atrás de mim, chamei um táxi e fui embora.
No início, queria ir para casa, mas, no meio do trajeto, decidi ir para o hospital.
Depois que descobri em qual enfermaria Marina estava, fui direto para lá, entrei e vi que ela ainda usava o vestido de noiva da noite anterior, as bandagens grossas em seus pulsos particularmente chocantes.
Ela estava acordada, pálida como um fantasma.
Seus olhos se arregalaram ao me ver e, assustada, ela se aproximou de Brendan.
"O que houve?", Brendan perguntou, a tensão evidente em sua voz.
Soltei uma risada, carregada de ironia e dor. Era curioso que, quando alguém se importava demais com outra pessoa, se tornasse cego a todo o resto.
Brendan demorou alguns segundos para perceber que eu estava ali.
Quando finalmente me viu, seu rosto se contorceu de surpresa e ele puxou Marina para trás de si, como se eu fosse uma ameaça tangível.
"Eleanor, o que você está fazendo?" Seu tom foi como uma punhalada no meu peito.
Eu o ignorei, focando meu olhar em Marina. "Ouvi dizer que você tentou se matar, então vim ver como você está. Ainda está viva?"
Diante do casal imoral, qualquer resquício de compaixão que eu tinha se dissipou.
Senti que, ao não tomar uma atitude drástica, já estava mostrando mais respeito por eles do que mereciam.
"Eleanor, sinto muito. Não esperava que Brendan fosse te largar no altar. Peço desculpas", a voz de Marina oscilava, entrecortada por soluços, como se eu a tivesse intimidado.
Porém, para mim, cada palavra dela estava impregnada de uma arrogância descarada.
Cerrei os punhos, tentando conter a tempestade que rugia dentro de mim, mas não consegui.
Caminhei até a cama e dei um tapa no rosto de Marina.
"Eleanor, você está louca?" Brendan se levantou num salto e me empurrou.
Meu corpo foi arremessado contra a mesa de cabeceira, e o impacto ecoou pelo quarto, acompanhado pela dor aguda que se espalhou por minhas costas e braços.
"Brendan, sou eu a louca ou é você?"
"O que você me disse ontem à noite? Você disse que não se casaria com ninguém além de mim! Então, o que está fazendo agora? Me deixou sozinha para enfrentar todos aqueles convidados? E espera que eu fique calma depois disso?"
Minha voz falhou, mas Brendan sequer piscou.
Seus olhos se fixaram nos meus, frios como gelo.
"Eleanor, quando foi que você se tornou tão irracional? O casamento pode ser remarcado, mas Marina não podia esperar. Se eu não tivesse chegado a tempo, ela poderia ter morrido."
Uma risada amarga escapou dos meus lábios, cortante e seca, enquanto eu percebia o quão repugnante a chantagem emocional podia ser.
Nesse momento, eu não queria dizer mais nada, pois percebi com uma clareza dolorosa que nós dois éramos de mundos completamente diferentes. Não importava o quanto me esforçasse, acabaria sendo humilhada.
"Então vamos terminar aqui."
Sem esperar por uma resposta, virei as costas e caminhei em direção à porta.
Mas antes que minha mão alcançasse a maçaneta, ouvi a voz de Marina soar atrás de mim, carregada de lágrimas: "Brendan, estou bem agora. Por favor, vá atrás dela! Não deixe que eu seja a responsável por destruir o relacionamento de vocês."
Brendan voltou a se sentar ao lado de Marina, seu rosto impassível, mas suas palavras carregavam um peso calculado: "Não precisa. Se ela quer ir embora, que vá. Só não apareça depois pedindo pra reconciliar."
Ele falou alto o suficiente para que eu escutasse.
Em todos os seis anos que passei amando Brendan, era sempre eu quem cedia após uma discussão.
Na época, eu acreditava, com toda a ingenuidade do mundo, que ele também me amava. Que valia a pena engolir a mágoa por amor.
Mas agora...
Droga! Tudo o que eu queria era que ele e Marina fossem para o inferno!