Capítulo 2

No dia seguinte o céu estava nublado e chovia de hora em hora, desci do segundo andar aonde fica os quartos e banheiro e fui para a sala me esquentar na lareira que Mike fez questão de ascender. A parte da sala é feita de pedras com detalhes em madeira, bem rustico e meio Viking, só faltava a cabeça de um dragão pendurada em cima da lareira, mas me surpreendi ao ver um conjunto de iluminação moderna em ferro preto, com uma TV 42” e um sofá gigante marrom cheio de almofadas peludas, um tapete preto e um vaso com uma planta bem verde no canto da janela que ilumina bem o ambiente, cortinas grossas e pesadas caindo de qualquer jeito dando seu próprio charme aquele lugar. Comecei a me sentir dentro de um filme, aquela sala realmente era magnifica.

Bom dia querida! dormiu bem? Creio que você começa essa segunda na escola, então te aconselho a conhecer um pouco a cidade antes- Diz Sharon aparecendo na porta que dá acesso a cozinha.

Bom dia! Tão cedo assim? não posso esperar um pouco mais até me acostumar com a casa e a vizinhança? - Digo a ela com tom de tristeza na voz.

Desculpe filha, entendo seu medo. - diz Sharon tentando acalmar Ada - mas todos nós chegamos a um momento de nossa vida, que precisamos superar eles.

Na verdade, mãe, a palavra “medo” é muito pouco para o que eu sinto, mas eu vou tentar. - Digo a ela em tom baixo e depositando um beijo em sua testa.

Deixo a sala às pressas e me dirijo ao quarto, por conta da conversa que tivera com a mãe tinha perdido a oportunidade de tomar seu café da manhã, e agora não iria mais pois seu estomago avia embrulhado por causa do assunto que falaram. Esse diálogo é muito delicado para ela, nunca se sentira segura em parte alguma e fazer contato com outras pessoas, sendo elas humanos ou vampiros a aterrorizava ainda mais, e não sabia explicar o porquê.

Sento na cama apoiando os cotovelos nos joelhos e coloco as mãos na cabeça, então resolvo ligar o notebook e dar uma olhada nas redes sociais e quem sabe ligar para minhas amigas de New City. Depois de alguns minutos resolvo mandar uma mensagem de texto no grupo que temos juntas.

“oi meninas, chegamos bem! O lugar é cheio de arvores e bem afastado do centro da cidade. Me desejem sorte, segunda já começo na escola nova. Já estou com saudades de vocês.”

Enquanto esperava a resposta de suas amigas acabou por pegar no sono novamente, e ao acordar 3 horas depois suas amigas já aviam respondido a mensagem que enviara.

“Olá baby, que bom que tudo ocorreu bem! Te desejo sorte na nova escola sem a nossa companhia. Logo iremos te visitar, a Eadlim não parou de chorar dês de quando você partiu. Tenho umas informações pra te contar.”

Respondeu Isadora no grupo das amigas, deixando Ada integrada com a amiga, pois ela não era de trocar informações, ela sempre foi muito reservada e centrada em tudo, o que será que acontecera?

“Isa, conta logo pra ela! E Ada..., sinto sua falta.”

Coloca a amiga Eadlim, atiçando ainda mais a curiosidade que já fervia em meu interior.

“o que está acontecendo? Vocês estão me deixando nervosa.”

Já estava impaciente por causa do suspense todo que as duas amigas estavam fazendo, resolveu respirar fundo e esperar pela resposta.

“Ontem à noite minha mãe recebeu uma visita, na qual tem muitas conexões com vampiros de todos os tipos por causa da empresa dela. E no meio do assunto acabaram por citar a cidade aonde você foi morar, e advinha? Essa cidade é famosa por ser morada de uma família de vampiros muito antiga e que ainda segue a tal religião, o que todos colocam como ritual.”

Ela sabia sobre essa tal família e sobre a influência que exercia sobre essa cidade, mas achava que a amiga estava exagerando.

“então me prometa que vai se cuidar. Essa moça contou muitas histórias ruins sobre esse suposto ritual.” complementa Eadlim.

“ok! Prometo que irei me cuidar meninas.”

tinham me apavorada para isso? Provável que tenha mais coisas que não estão querendo me contar, então resolveu mandar mais uma mensagem para as duas.

“espero que não estejam escondendo nada de mim! E se estão, dou até a noite pra me contarem o que está acontecendo.”

Quando sua mensagem foi visualizada, e Isadora começou a escrever a tela de seu computador apagou. Pensei que tinha colocado para carregar o Notebook, e infelizmente terá que esperar carregar para saber o que as garotas estão lhe escondendo.

Capítulo 3

Assim que desci as escadas, me deparo com um casal e supostamente seu filho de mais ou menos 10 anos de idade, sentados juntos no sofá conversando alegremente com meus pais. Acho melhor não interromper, já que não fora chamada a se apresentar, pode ser que seja uma visita de negócios, e me dirijo a cozinha sem chamar a atenção.

Conforme me aproximo da cozinha, meu corpo começa a ficar inquieto, a porta lateral da cozinha esta entreaberta fazendo o ressinto ficar gelado, ao me aproximar da bancada ouço ruídos altos vindo além da porta, ou seja, da floresta que rodeava a casa. Então ao ouvir um berro vindo daquele local, parecido como alguém sendo torturado, me escondo por trás da mesa.

Apesar da temperatura estar muito baixa, minhas mãos suam estendidas ao lado do meu corpo. Sinto no ar o cheiro mais doce que já sentira na vida, vindo das árvores bruxuleantes largadas a própria sorte naquela terra de ninguém. Minha boca começa a ficar seca e um gosto de ferro surge sobre a minha língua embrulhando o meu estômago. Ouvia agora o assovio longo e triste do vento passando entre meio as árvores, então do nada instalou-se um silêncio ensurdecedor. Resolvo levantar e caminhar até o balcão novamente e ao olhar para a porta vislumbro a silhueta de um homem, me movimento em pânico numa tentativa fútil de sair daquele local, infelizmente o garoto me nota ali em estado de choque, então me vejo mergulhando dentro de seus olhos verdes.

Minhas pernas tremem, e o suor começou a brotar em minha testa, um arrepio gelado percorre minha coluna, não consigo respirar... preciso de ar, minha visão embaça e sinto as mãos daquele garoto percorrerem meu corpo, deixando um rastro quente em minha pele, sua voz me acaricia ao me perguntar algo que não consigo entender, ele pressiona o corpo dele ao meu contra a pia da cozinha para eu não cair e também não poder escapar, sinto todos os seus músculos tensos sobre suas roupas pretas.

Porque ele está tenso? ele estava me encurralando, eu que deveria estar me sentindo tensa. Assim que me curvo para frente arquejando ao sentir uma onda forte de enjoo, a mão dele desliza de minha cintura e brinca com os cabelos em meu ombro e pescoço, ouço ele falar algo mais alto, mas os zumbidos em meus ouvidos não me deixam entender absolutamente nada do que ele está falando.

Então sinto outro toque, e todo aquele mal estar parece diminuir, porém, o dono daqueles olhos na qual me prenderam e me acariciaram parece estar relutante em me soltar, ele aperta minha cintura uma última vez e desaparece do meu campo de visão, assim como tudo a minha volta, então eu caio desmaiada ao chão.

Acordo deitada em meu quarto, confusa e com uma dor de cabeça latejante, o que será que aconteceu comigo? Então, lembro-me do ocorrido. De quem eram aqueles olhos? Aquele toque quente que mexeu comigo? Quem será que era essa pessoa? E aliás... como fui parar em meu quarto depois do desmaio? Ainda estava zonza, e meu coração ainda martelava em no peito, fui ao banheiro lavar o rosto para tentar me acalmar e clarear a mente.

Quando estava indo em direção ao quarto para me deitar novamente, começo a escutar as vozes dos convidados e de meus pais na sala, tento escutar o que conversavam.

-Sua filha está melhor senhora Owen? - pergunta o homem mais velho

-Claro, está ótima... só precisa de um descanso - diz Sharon, que pelo tom de voz parece estar com um sorriso nos lábios - ela já passou por coisas piores.

-É uma menina forte senhor Moore - Mike acrescenta em um tom mais reservado.

-Vejo que vocês têm somente a Ada - diz o senhor Moore- não pensaram em ter mais filhos?

-Já pensamos sim, porém, Deus não quis que tivéssemos ninguém mais além da Ada- Diz Mike tristemente.

Quando Mike e Sharon me adotaram, eles estavam tentando já havia algum tempo ter filhos, a primeira tentativa infelizmente não tinha dado certo, Sharon teve um abordo instantâneo, estávamos sozinhas e a casa foi invadida por vampiros, consegui chamar a polícia, mas infelizmente não consegui salvar o bebe. Na segunda tentativa, Sharon e Mike tinham conseguido o tão sonhado filho, porém, poucas semanas depois que ela e o bebe tinham voltado do hospital, eu fiquei doente e Sharon fez questão de ficar comigo no hospital, porque ela achava que na verdade eu estava com ciúmes do novo integrante da família, mas eu estava com a apêndice quase estourando. Mike havia saído para trabalhar e o bebe tinha ficado com uma conhecida dos meus pais, e quando voltamos para casa, o bebe estava amarrado ao lustre, sangrando como um pedaço inútil de carne, aquilo foi horrível. Sharon precisou de anos para se recuperar psicologicamente daquilo, a amiga de Sharon foi encontrada morta no quarto do bebe e a polícia nunca conseguiu achar os culpados. A maior parte do tempo eu ficava com os pais das minhas amigas, porque me sentia responsável pelo que acontecera, o enterro tinha sido rápido, pois precisei voltar ao médico porque eu tinha piorado e precisava passar por uma cirurgia urgente. Então assim que tudo melhorou, decidimos deixar aquela casa e abandonar aquelas lembranças horríveis, começando do zero em um novo lugar.

Caminho para meu quarto e sento na cama tentando não lembrar daqueles anos horríveis que passamos, respiro fundo e coloco uma música para relaxar enquanto leio meu livro.

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