Capítulo 2

Entrou em seu quarto, sua irmãs logo vieram da varanda.

- Belle, porque demorou tanto?? - Falou Bryelle sussurrando.

- Porque eu não achava o livro. Tive que procurar e demorei, só achei quando olhei de baixo da rede da varanda. Como pude deixá-lo lá! - mentiu.

- Hum, ok. Pensamos ter visto algo passar pela sua janela. Achamos que fosse um bran. Aí apostamos que talvez você desse um grito. Mas não ouvimos então achamos que não era nada.

- Oh, é mesmo? Não era nada. É se fosse também, eu sei me defender.

- Humm, passou perfume. Que cheiro bom? O que é? - ela franziu a testa.

- Ah, é um óleo natural que estava no meu baú, quando abri para procurar o livro, senti o cheiro e achei maravilhoso, passei.

- Ah, muito gostoso mesmo, mas um pouco enjoativo não?

- Não para mim. Ela ficou um pouco incomodada com a insistência delas no cheiro do seu lobo. - Bom, meninas, agora vou ler. Amanhã nos falamos está bem? Boa noite para vocês. - despediu-se de suas irmãs. Queria que elas entrassem logo para que pudesse olhar pelas janelas.

Elas foram embora e Belle apagou todas as luzes. Deitou e ficou bem quieta. Escutou elas cochichando enquanto iam para os seus próprios quartos. Esperou tudo se aquietar. Jogou um feitiço em si mesma para ficar invisível. Se levantou da cama, abriu a porta sem nenhum clique, saiu para a varanda dos fundos da casa, caminhando em todo o entorno dela, passou para a parte do lado, que dava vista à beira da floresta e não viu ou ouviu nada. Ficou farejando o ar como se fosse um cão tentando sentir o cheiro do lobo novamente. Não ouviu, cheirou ou viu nada. Frustrada voltou à cama. Na correria de fingir normalização apenas deitou com os pés sujos, dessa vez ela iria se lavar. Entrou em seu banheiro, fez um feitiço para abafar sons e ligou o chuveiro. Tirou a camisola suada e entrou debaixo da água morna, pegou o seu sabonete preferido de lavanda e lavou o corpo todo. Inclusive onde o lobo lambeu. Lambeu! Ela passou a mão pelo trajeto da língua dele e voltou em sua memória a sensação completa do que ele fez. Belle tinha memória fotográfica, então tudo que ela lia, fazia, ou detalhes imperceptíveis na hora para ela mas que sua mente memorizou, passavam por seus olhos após o acontecido. Ela era muito boa estudante por causa disso e outra porque amava ler. Então ao passar o que aconteceu em cada milésimo de segundo pela sua mente ela tinha visto o lobo correr para sua árvore. Depois ignorar, pois achara não ter visto direito. Depois quando ele entrara, e ela finalmente o viu completamente, de pé em frente dela, ela percebeu o abdômen forte e musculoso, a frente dele toda, era, do peito até em baixo, nas partes íntimas, completamente liso, sem pelos. E ele carregava uma ereção enorme. Ela percebeu isso agora e ao lembrar como aquilo balançava quando ele caminhava na direção dela, a deixou perplexa. Como havia ignorado esse enorme detalhe.

Ela passou a mão novamente pelo local da lambida, sentindo uma necessidade estranha. Balançou a cabeça e fechou o chuveiro. Saiu da ducha e se secou.

Entrou no quarto e pegou uma camisola limpa. Jogou a outra no cesto, amanhã, pensou, iria lavar suas roupas antes de ir para a faculdade.

Deitou e puxou o lençol por cima de seu corpo. Sentiu o cheiro de novo, levantou a cabeça e percebeu que o cheiro vinha de onde ele lambeu. Pensou. Lavou com seu sabonete de lavanda, esfregou várias vezes, enquanto divagava sobre o encontro incomum. O cheiro havia ficado mesmo assim.

Espera aí, era lua cheia. Havia lido livros sobre lupinos no primeiro ano da faculdade. Sentou novamente, lembrando-se. Ele não tinha controle nenhum sobre a fera em noite de lua cheia. Mas havia sido até gentil com ela. Poderia ter transado com ela tranquilamente, ainda mais com este cheiro intoxicante que a deixou pronta para ele. Ela não queria admitir, mas ficara completamente molhada. Deuses. O que estava acontecendo? Somente de lembrar a cena vezes e vezes repassando cada detalhe, ela ia achando mais e mais pequenas coisas que deixou passar. Ele se arrepiou, ele não a atacou, foi embora sem fazer nada, mesmo estando com a ereção tão dura que parecia que iria explodir em orgasmos ali mesmo e quando ele cheirou seu sexo, sua língua havia passado pelos lábios e o sexo havia pulado freneticamente pingando no chão. Deuses. Ele pingou no chão. Ela pensou tanto que se cansou e dormiu à exaustão.

Perdeu a aula na faculdade no dia seguinte e acordou às três horas da tarde, sonolenta e cansada, mas o cheiro do lobo permanecia. Precisava ler sobre isso. Resolveu tomar mais um banho e lavar os cabelos, se esfregou e passou hidratante até sua pele brilhar. Penteou os cabelos e os secou magicamente. Iria à biblioteca da cidade para pesquisar a respeito.

Desceu, a casa se encontrava vazia. Seus pais com certeza já estavam trabalhando há muito tempo e suas irmãs estavam na faculdade delas.

Belle, saiu pela porta dos fundos e usando um feitiço de levitação, voou até a casa da árvore.

Entrou pela porta da varanda, sentiu o cheiro do lobo lá dentro. Parou tentando entender se era o cheiro da sua pele, atual ou que havia permanecido da noite anterior. Achou que estava mais forte do que estava ontem, e do que ela sentia em si mesma. O pior era que o cheiro a deixava desejosa dele. Olhou no chão da cabana bem onde ele havia parado. Se abaixou e olhou atentamente, não havia marca de pingo mas sentia o cheiro ali. Levantou e foi andando pela casa. Passou na parte da pequena escada para o andar de cima, entrou em um dos quartos, nada. No outro sentiu o cheiro mais forte. Era o seu quarto preferido. Ela inclusive, havia passado o final da tarde anterior ali, deitada, com as janelas e o balcão abertos, recebendo a brisa que vinha da janela e saía pelo balcão dos fundos que dava na floresta. Ficou até o início da noite e depois voltou pra casa grande. Não sabia porque ainda não havia mudado suas coisas para lá, para a sua casinha.

Capítulo 3

Belle tinha vontade de sair da cidade apenas para fazer as coisas do jeito que ela queria e não do jeito apenas que sua mãe queria. Amava a mãe, sabia que ela era sábia e carinhosa sempre ao lhe pontuar porque não deveria fazer algo, mas queria ter mais liberdade.

- Logo! - Disse a si mesma. Logo iria, só precisava ter paciência. Voltando o pensamento ao seu quarto, voltou os olhos pela varanda de cima para a floresta adiante. Não havia nada ali, a não ser árvores gigantescas e lindas. Entrou no quarto e sentou na cama que havia deixado revirada. Deitou e uma lufada de cheiro veio até ela. Se assustou. O cheiro vinha dali. Virou e ficou de joelhos na cama com a cara no lençol.

- Deuses! Que cheiro maravilhoso.

Seu núcleo se alagou e seu coração palpitou como se ele estivesse ali. Nunca mais trocaria esse lençol.

Que maluca ela era, sua mãe sempre disse que ela, Belle era a mais maluquinha de suas filhas. "Belle, você não tem porteira menina" , ela gritava às vezes. Agora pela primeira vez, Belle achava que a mãe estava certa.

Mas também sabia racionalmente que ele não era apenas uma fera, existia um homem ali, um homem que parecia havia desejado tanto Belle que conseguira se controlar e fugira, que a acompanhara pelo caminho dela de retorno a casa principal e que havia voltado e passado a noite na cama em que ela ficara a tarde e começo de noite anterior. Ela quereria encontrar esse homem? Como ele seria?

Belle, saiu da casa da árvore. Voou até o chão e pousou em frente à casa principal. Entrou no carro que estacionara logo ali, e saiu de ré.

Saindo pela rua que levava à avenida principal, acelerou um pouco. Queria chegar logo à biblioteca, mas antes passaria na cafeteria de Hélène . Atravessou a avenida principal e entrou em outra rua, dirigiu por cinco metros e parou na loja da esquina.

Le café d'Hélène, estava escrito em uma placa dourada com as letras chiques em alto relevo com arabescos formando uma xícara de café fumegante. Hélène era uma bruxa que se especializou em alimentos. Então, tudo que ela fazia, era dos deuses. Hecate que a abençoou com certeza. Abriu a porta sentindo o aroma dos pães, bolos e doces assados ou assando. A cafeteria estava repleta de gente, em sua maioria alunos da faculdade que ficavam ali perto e vinham comer em suas aulas vagas. Principalmente os alunos que queriam cozinhar tão bem quanto Hélène. Ela sentou em uma mesa vazia, e pediu ao garçom, um bownie de trufas e um café au lait.

Esperou, lendo algo, e logo ele veio trazer. Colocou as coisas na mesa, eu sorri e agradeci. Comi lentamente, o mais lento que pude, para provar a mim mesma que não estava morrendo por estudar mais sobre a casta de Lobos que havia se instalado na cidade. Então ouvi uma conversa das moças que sentavam atrás de mim.

- Ahh, eu morreria por dar uma boa mordida naquele traseiro suculento. Você viu aquele homem?

- Aquele lobo, você diz não é? Porque no caso Sharia, ele morderia sua bunda querida e não o contrário. Aliás, iria morder muito mais até. Sabe que Lobos mordem suas parceiras para marcá-las? Para sempre meu bem, você não iria querer isto, já que é uma ninfa e quer todo pedaço de homem que vê por aí.

- Isto é verdade. Mas que sinto uma vontadinha, ah sinto! Ele poderia apenas me foder e ir embora.

Ambas riram.

Belle se irritou um pouco achando que elas só podiam estar falando do seu lobo. Opa opa opa, seu lobo uma pinoia, Belle. Se aquiete, falou a si mesma mentalmente. Mas seu cheiro nela falava o contrário. Terminou o brownie, e deu uma boa gorjeta para o garçom Jefhy. Sabia que ele juntava tudo que podia para pagar sua faculdade e ela fazia joias e as vendia como água pela Internet, então estava bem para ajudar quem tinha menos que ela.

Ela pegou o carro e colocou no estacionamento da biblioteca. Caminhou pela calçada e entrou distraída, tomando ainda seu café. Seus cabelos esvoaçaram com o vento gelado do ar condicionado, arrumou e entrou. Falou com a atendente, que indicou o caminho.

- É na segunda sessão, no terceiro andar. É proibido flutuar na biblioteca senhorita. Mas pode usar seu poderes de flutuação de objetos para pegar os livros mais altos, caso necessite. E não pode entrar com alimentos ou bebidas. Por favor. Obrigada e tenha uma maravilhosa experiência.

- Obrigada. Terei. Vou guardar meu café em minha bolsa e tomá-lo quando sair. Tudo bem?

- Claro. Tenha um ótimo dia senhorita Grimmyre.

Ela lhe entregou o cartão novo da biblioteca nova, que Belle enfiou no bolso traseiro da calça. A porta se abriu e eu passei e coloquei meu café em minha bolsa. Tomaria mais tarde. Subi as escadas, nunca havia vindo a essa biblioteca em específico, sempre estava na escola ou faculdade e as bibliotecas de lá eram enormes e muito completas. Mas já que ela havia sido construída na mesma rua da cafeteria e tinha curiosidade para conhecê-la, aproveitara para vir nela. As escadas eram magníficas e ela tinha certeza que já havia visto a foto dela em algum lugar.

Sorriu, que beleza de biblioteca. Sabia que voltaria sempre nela a partir de hoje. Terminou de subir as escadas e procurou a sessão indicada. Encontrou e reparou nos milhares de livros antigos. Escolheu alguns e sentou na mesa mais próxima. Começou a virar as páginas, ler e absorver tudo que podia sobre os lupinos. Principalmente sobre quando eles se transformavam na lua cheia.

As reações que ela teve foram de desconfiança, incredulidade e até surpresa.

"Lobos em sua formação feral completa não tinham consciência, apenas instinto. O único que obliterava isto era o instinto de proteção que o lobo e o homem tinham pela sua companheira.

Sendo que o do lobo sobrepujava em muito o instinto de proteção da fêmea do que o do homem. Eram dois em um, não era apenas um homem que tinha a transmutação em lobo, era como se fossem um só mas os dois tinham consciências de formas diferentes."..." na lua cheia, o lobo fica mais forte do que o homem e o homem usava a força do lobo no dia a dia e ele saía em sua forma de lobo completa, somente em momentos de estresse por território, no caso do alfa ou indícios de que sua companheira estaria em perigo..."

" O lobo costuma priorizar a aceitação dele como companheiro, mesmo sendo feral, ele quer que ela sinta desejo por ele, então a marca levemente com a sua língua em alguma parte do corpo, para sinalizar a outros que aquela mulher pertence a ele."

- Oh, isso quer dizer que eu sou a companheira do lobo? - murmurou a si mesma chocada.

Ela não podia acreditar nisso. O canalha a marcou. Marcou! Sem sua permissão!

Precisava ler mais.

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