A noite seguinte veio com uma lua cheia tão intensa que banhava a floresta em prata. Elisa não conseguia tirar o lobo da cabeça. Seus olhos. Sua presença. E a forma como seu corpo reagira àquilo... como se o animal tivesse despertado algo adormecido nela.
Naquele dia, ela caminhou mais fundo na floresta, guiada por um impulso que não compreendia, como se algo dentro dela soubesse o caminho. Seus pés a levaram até a mesma clareira - mas agora ela estava diferente. Havia um círculo de pedras cobertas por musgo, como um altar antigo, esquecido pelo tempo.
E ele estava lá.
Mas não como antes.
Em pé no centro da clareira, nu sob a luz da lua, estava um homem. Alto, de pele bronzeada, cabelos escuros caindo até os ombros e músculos esculpidos como se a própria natureza o tivesse moldado. Seus olhos - aqueles olhos - eram os mesmos. Intensos, dourados. Selvagens.
Elisa parou, o coração martelando no peito. Ele a observava com a mesma fome silenciosa.
- Você... - ela murmurou, ofegante.
- Cael - ele disse, com a voz rouca, grave, como o eco de um trovão distante. - É o nome que me deram antes da maldição.
Elisa sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha, mas não de medo. O corpo dele era uma obra viva. Forte, viril, coberto apenas pela luz da lua e pelas cicatrizes que contavam histórias de dor e sobrevivência. Ele se aproximou lentamente, como quem respeita um ritual antigo.
- Você não tem medo de mim... - ele falou, com um leve sorriso.
- Não. E não sei por quê - respondeu ela, os olhos fixos nos dele.
- Porque você sente. Como eu. - Seus dedos tocaram o rosto dela, deslizando pela pele como se a estivesse decorando. - Você me despertou, Elisa. Há anos eu não tomava forma humana. Mas algo em você... quebrou a prisão.
Ela não resistiu quando ele a puxou para mais perto. O calor que irradiava do corpo dele era como uma fogueira em meio ao frio da floresta. Seus lábios se encontraram, primeiro devagar, como um reconhecimento - depois com urgência. Fome. Desejo. Fúria e carência misturadas.
As mãos de Cael eram firmes, marcadas pelo tempo, e percorreram o corpo de Elisa como quem aprende uma nova linguagem. Ela se entregou. Não havia razão ali. Só instinto. A pele contra a pele. Os suspiros misturados. Os corpos se movendo sobre a grama úmida, embalados pela música ancestral da floresta.
E quando Cael a tomou, não foi apenas físico - foi algo mais profundo. Como se ele a tocasse por dentro. Como se cada estocada libertasse não apenas prazer, mas partes esquecidas dela mesma. Partes que ela não sabia que ainda existiam.
Gritou o nome dele enquanto chegava ao clímax. E nos olhos de Cael, ao alcançá-la, havia mais do que luxúria. Havia reverência. Como se ela fosse a salvação dele.
Ali, entre os sussurros das árvores e o luar banhando seus corpos unidos, Elisa entendeu: aquela floresta guardava segredos antigos. E ela era agora parte deles.
O sol da manhã mal tocava as folhas quando Elisa despertou sozinha na clareira. O calor do corpo de Cael ainda estava na grama, mas ele havia desaparecido - como se tivesse sido apenas um sonho. Mas o gosto de sua pele ainda pairava em seus lábios. A dor doce entre suas coxas era real. O arrepio constante em sua nuca também.
Ela retornou à cabana sem dizer uma palavra. Por dentro, fervia. Cada toque, cada suspiro, cada olhar dele a havia marcado de forma irreversível. Era como se o lobo tivesse deixado um pedaço de si nela - e ela, de si nele.
Naquela noite, não dormiu. Esperou. Desejou.
E quando a floresta chamou, ela atendeu.
A caminhada foi silenciosa, como se os galhos e folhas a guiassem em reverência. E ali, no mesmo círculo de pedras, ele estava. Sentado, seminu, o peito largo ofegante, os olhos dourados cravados nela.
- Você voltou - disse ele, como se não esperasse. Mas desejasse.
- Eu não consegui ficar longe - respondeu, parando diante dele. - O que você é, Cael?
Ele a observou por um longo tempo, antes de responder.
- Uma maldição. Um homem que se tornou fera por desafiar as regras do sangue. Alguém que, por desejar demais... foi condenado a viver entre dois mundos. - Ele se levantou, nu, imponente, o membro já semi-ereto apenas por vê-la ali. - Mas com você... eu me sinto homem de novo.
Ela o tocou. Primeiro o peito, sentindo o coração acelerado sob sua pele. Depois deslizou a mão por sua barriga firme, até alcançá-lo. O calor pulsava em seus dedos, e o olhar dele se escureceu com desejo.
- Então me prove - ela sussurrou. - Me mostre que ainda é homem. E meu.
Ele não pediu permissão. A puxou com força pela cintura, colando seus corpos, e a beijou como se precisasse dela para viver. Elisa gemeu, sentindo a excitação crescer rápido, voraz, como se seus corpos já se conhecessem há milênios.
Cael a virou com um movimento firme, colocando-a de costas contra uma árvore. Suas mãos deslizaram por sob o vestido dela, puxando a peça com impaciência. Seus dedos exploraram entre suas pernas, sentindo o quanto ela já estava molhada por ele.
- Você está pronta para mim, toda vez que me vê - ele sussurrou ao pé de seu ouvido, antes de morder levemente seu pescoço. - É como se sua alma chamasse a minha.
E então ele a penetrou por trás, com força, com fome. O corpo de Elisa arqueou, os seios pressionados contra a casca áspera da árvore, enquanto ele se movia dentro dela com estocadas profundas, precisas. Cada gemido dela era um convite. Cada investida dele, uma resposta selvagem.
A floresta os envolvia. O som dos corpos se chocando, os gemidos, os suspiros e o vento dançando pelas folhas criavam uma sinfonia erótica e ancestral.
Quando vieram juntos, foi como um rugido surdo que ecoou no coração da mata. Um pacto. Um elo. Algo mais profundo que o prazer.
Depois, ainda ofegante, Cael a abraçou por trás, as mãos grandes cobrindo seus seios, o rosto escondido em seu pescoço.
- Você é o que me ancora - murmurou. - Mas quanto mais forte nosso laço se torna... mais a maldição reage.
- O que isso quer dizer?
- Quer dizer que não vão permitir que fiquemos juntos por muito tempo... a floresta... sente. E ela não perdoa.