— Tato, até que enfim cara. — O loiro levantou e eu fiquei boquiaberta olhando aquelas duas miragens em formas masculinas a minha frente. Estourou um cano de homem bonito e dois deles estavam na minha frente.
Em algum momento eles falaram de mim e eu sem disfarçar abri o sorriso que eu sabia ser o meu mais bonito.
— Oi. — Soltei docemente e vi o loiro me olhar meio estranho, mas o ignorei mirando apenas no médico gostoso.
— Olá. — O doutor pareceu entender meu recado e sorriu de volta antes de uma limpada na garganta nos interrompeu. O estraga prazer nos encarava com cara de poucos amigos.
— Eu e está moça tivemos um acidente hoje de manhã, preciso que ela faça alguns exames.
— Sou Ísis, é um prazer, doutor. — Estendi a mão sem nenhum traço de vergonha e o médico capturou meus dedos na sua mão macia antes de se aproximar me dando beijinhos na bochecha.
— Gustavo Henrique, mas pode me chamar de Henrique, ou de Tato. — Riu carismático e minha boceta imaginária bateu palmas. Eu ia dar muito para aquele macho.
—Tato. — Abri mais um sorriso. — Sou Ísis, resumindo tudo, seu amigo aí gosta de velocidade e me atropelou hoje cedo, meu tornozelo está doendo acho que preciso de um ortopedista.
— Sorte sua eu ser um, então?
— Ah, você é? — Ergui as sobrancelhas surpresa e uma risadinha escapou.
— É, ele é, e acho bom começar a cumprir a ética do médico paciente. — A voz do intruso interrompeu a trocada de olhares maravilhosa que eu dava com o doutor gostoso. Ele já era meu.
— Nossa Boaz, você sempre mal-humorado. Relaxa, brother. — Gustavo olhou para o loiro e eu acompanhei por ser a primeira vez que escutava seu nome.
— Você se chama Boaz? — Falei pensando que o nome apesar de ser bíblico era pouco comum.
— E você se chama Ísis. — Ele pareceu entender meu tom de voz e me acusou de volta.
— Minha vó quem escolheu, cala boca! — Comecei a guerra.
— E o meu era do meu avô. — Rebateu.
— Acalmem-se. — Gustavo acalmou os ânimos. — Bom, você disse que foi atropelada, se sente bem? Foi uma pancada forte? — Perguntou para mim, mas Boaz intrometeu.
— Eu consegui frear, ela só caiu de mal jeito...
— É, mas dói bastante para andar. — Fiz drama me apoiando nele e Tato me olhou preocupado.
— Vamos ver isso? — Apontou para uma cadeira de rodas e eu me sentei visivelmente fazendo uma cena. Não era para tanto, não doía assim. Mas eu precisava dar muito para aquele médico. — Você espera aí, daqui a pouco voltamos vou levá-la para fazer alguns exames.
— Eu não posso ir com ela?
— É melhor não. Você é meu amigo, mas podem reclamar, voltamos logo. — Gustavo respondeu sorrindo e eu encarei Boaz que me olhava de cara feia.
— É, melhor não. — Ri falsamente e infantil que eu era o encarei de volta me sentindo feliz por Deus ter mandado um amigo quase tão gostoso quanto ele e então botei a língua para fora como uma criança birrenta.
Boaz pareceu surpreso demais arregalando os olhos e abrindo um pouco a boca, totalmente chocado com minha atitude e quando comecei a ser empurrada para longe fui capaz de ver que ele sorriu. E puta que pariu, ainda bem que foi só de relance, pois foi um puta de um sorriso.
Gustavo me colocou para fazer exames até da cabeça, nesse eu fiquei realmente preocupada que aquela máquina descobriria a perfeita vadia que eu era, mas muitos exames depois eu estava sentada na maca com a perna esticada enquanto um enfermeiro terminava de encaixar a tala no meu pé e me explicava em como eu teria de ficar quinze dias com o pé para cima, colocando compressas de gelo até intercalar com pequenos exercícios de fisioterapia.
Puta que pariu! Eu não acreditava que seria tão... sério?
— Que ótimo, eu não posso pisar no chão por quinze dias, mas eu moro sozinha.
— Recomendo que fale com alguém para ir te ajudar, que seja ao menos para te levar comida, você realmente deve evitar ficar muito tempo de pé. — Gustavo me olhou interessado. — Um namorado talvez?
Bingo! Ele estava interessado. — Estou solteiríssima, doutor. — Respondi sorrindo e recebi a resposta que eu queria de volta.
Quando retornei para a sala de espera, encontrei o loiro sentado falando de novo ao telefone. Aquele cara era mesmo requisitado. — E então? — Encerrou a ligação ficando de pé.
— Você ferrou meu tornozelo! — Acusei e vi que sinceramente ele sentia muito. — Mas vou ficar bem.
— Mesmo? Foi só uma luxação então? — Encarou Gustavo ao meu lado e o meu médico que agora eu tinha o número muito bem salvo no meu celular e o meu no dele começou a explicar o que tinha me dito dentro do consultório.
— Ela vai precisar de repouso nos próximos quinze dias, e vai precisar de ajuda nisso, mas nada mais que isso, evitar pisar no chão e manter essa perna pra cima o máximo que puder.
Depois de convencido que eu ficaria bem, Boaz se acalmou e se despediu de Gustavo e em seguida o doutor me olhou sorrindo aberto e murmurando: — Meu plantão acaba em vinte minutos, se você quiser eu posso te levar para casa.
A flechinha do cupido espalmou bem na minha bunda enquanto meu cérebro começava a imaginar todas as posições que eu faria usando aquela tala dando para aquele homem. — É sério? Não seria muito incomodo? — Fiz charme.
— Obrigado pela gentileza, Gustavo. Mas eu mesmo vou levar, Ísis. — A voz grossa saiu afiada demais.
Olhei Boaz de cara feia. — Calma aí, eu acho que posso responder por mim mesma.
— Eu sei. — Subiu as sobrancelhas como se fosse o óbvio.
— Então não responda por mim, ok? — O situei me sentindo irritada.
— Eu vou te levar para casa! — Insistiu de novo e ficamos Boaz e eu medindo um ao outro pelos olhos.
— Doutor Gustavo, preciso que assine a alta do paciente do 303. ¬— Uma enfermeira apareceu entre nós acabando o embate.
— Bom, eu preciso assinar uma papelada de altas médicas uma enfermeira te trará seus remédios num minuto, se você tem uma carona está tudo bem, eu te ligo depois, pode ser, Ísis?
— Claro que pode. — Saiu imediato.
Ótimo. — Respondeu dando um tapa leve no ombro do que eu pensava ser seu amigo.
— Eu vou esperar hein, Tato. — Dou um sorriso enorme e me despeço de Gustavo com um abraço apertado e dois beijos no rosto.
— Pelo amor de Deus, vocês acabaram de se conhecer, Ísis! E ainda por cima o cara é seu médico.
— E vamos nos conhecer mais. — Ri sem me importar em parecer uma safada encarando meu doutor delícia se afastar. — Mas graças a você não será hoje. — Fechei o sorriso.
Boaz pareceu perplexo com minha sinceridade, me olhava abismado e só depois de um tempo em silêncio se mexeu: — Vem eu vou te levar para casa. — Agarrou minha mão começando a andar.
— Não vou, não! — Puxando o braço do seu aperto. — Você me atropelou e já me ofereceu socorro, nos despedimos aqui, meu senhor, eu peço um táxi.
— Ísis, você não pode estar falando sério.
— Porque eu não estaria? — Cruzei os braços.
— Você vai embora de táxi coisa nenhuma, se eu der as costas aqui você corre para aceitar a carona do Tato.
— Gustavo é livre e desimpedido, não vejo problema nenhum, mas eu vou mesmo chamar um táxi.
— Não vê problema?
— Se fosse você levando uma mulher para casa estaria achando normal, para de ser machista, Boaz!
— Não sou machista! Só estou tentando... — Ele se calou balançando a cabeça perdendo os argumentos. — Você é maluca, é isso!
— Não, eu não sou maluca, não sou é boba. — Outra risada me escapou. — Sou solteira, livre e Gustavo é também, se rolou atração, porque não?
— Acabaram de se conhecer, cacete!
— Aí, Boaz, sem essa de bom moço para cima de mim? Se não fosse essa sua aliança no dedo eu estaria dando em cima era de você e tenho certeza que seria menos moralista, me poupe.
Os olhos incríveis dele que eu invejava se estreitaram e depois de comprimir os lábios uns segundos soltou:
— Isso não é uma... aliança. — Rebateu e foi como um balde gelado em minha cabeça.
— Não? — Nem disfarcei o interesse.
— É só um... anel. — Puxou o círculo do dedo anelar e o botou no indicador como se fosse óbvio.
Abri e fechei a boca tentando analisar os fatos. Aquilo parecia muito com uma aliança, mas Boaz não tinha motivos para mentir para mim.
Bew, Bew, Bew! O alarme soou de novo.
Então aquele gostoso era solteiro? Digo, solteirinho pronto para o abate?
— Senhorita Ísis. — A enfermeira que tinha me atendido junto com Gustavo apareceu ao meu lado sorrindo. — Doutor Couto pediu que entregasse essas amostras, beba até as cartelas terminarem, estes dois de manhã e este maior a noite.
— Ah, claro. — Sorri de volta. — Obrigada pela gentileza. — Me sentei no banco mais próximo ajeitando as caixas na mão e a receita que ela me entregara. Boaz continuou em pé me encarando meio embasbacado quando franziu a testa e me esticou uma sacola que eu nem tinha visto estar ali. — Aí está.
— O quê? — Olhei dentro ficando chocada ao encontrar a caixa com um notebook de última geração que era caríssimo. — Boaz eu não... o hospital já foi caro o bastante esqueça isso.
— Aceite, é o justo.
— Mas você comprou do mais caro, não precisava ser assim também.
— Ísis. — Ele ergueu um braço e segurou meu ombro. — Eu posso.
— Certo, sendo assim. — Perguntei com os olhos ainda pregados no seu bíceps rabiscado, daria tudo para lamber ali. — Obrigada, playboy.
Ele pareceu perceber meu olhar cobiçador e riu quando me soltou: — Você não quer mesmo uma carona?
Quero uma carona, mas eu quem vou passando a marcha.
Sorri simpática. — Eu vou aceitar, mas só porque eu gostei muito do notebook. — Me levantei segurando as muletas e ele me ajudou com os remédios e a sacola.
Tamanho foi o arrepio quando passou o braço por minha cintura e me guiou para o elevador que nos levaria ao estacionamento.
No carro Boaz não trocou nada mais do que perguntas se eu estava bem. Quando o carro parou quase no mesmo lugar que tinha me atingido que era onde eu morava o vi suspirar alto antes de encarar o lado de fora.
— Você mora aqui?
— Sim, no segundo andar, herdei essa floricultura da minha vó, e a o apartamento lá em cima onde moro.
— Legal. — Sorriu e eu decidi não fazer nenhum pouco a pêssega e ir direto ao ponto:
— Eu te chamaria para subir, mas acho que você está muito ocupado, não?
Boaz ficou mudo por uns segundos até que mudou o semblante fechado para um simpático e me olhou com os olhos faiscantes e disse: — Não estou. — Puxou o freio de mão e agarrou o celular no console do meio se curvando sobre mim para soltar ele mesmo meu cinto de segurança. Uou, aquilo era novo! — Eu vou te ajudar a chegar em casa, senhorita. — Soprou sobre minha boca com os lábios quase roçando os meus.
— Ok. — Concordei e o vi saindo do carro e vindo abrir minha porta.
Assim como no hospital Boaz passou a mão forte por minha cintura. — Obrigada. — Emendei rápido encarando como seus bíceps marcavam na camiseta branca.
— Minha filha do céu! O que foi com seu pé? — Minha madrinha correu para fora da floricultura tapando as mãos com a boca assim que me viu.
— Oi, titia, eu estou bem foi só um pequeno acidente. — Sorri para a senhora que tinha sido a melhor amiga da minha mãe, e a segunda filha da minha vó. Minha madrinha tinha se casado e morado fora por muitos anos, mas depois de ficar viúva e com o filho casado morando fora do país tinha se mudado para morar conosco, estava ali desde antes da minha mãe morrer, e quando foi a vez da minha vó eu sabia que sem ela eu não iria aguentar.
Minha madrinha era meu braço direito na floricultura já há tantos anos que eu considerava ser mais dona do que eu.
— Acidente? Você também? Disseram que atropelaram uma moça aqui na porta hoje, acredita?
— Acredito, eu fui a moça atropelada, madrinha. — Ri da cara de espanto que ela fez. — Mas está tudo bem, foi só uma luxação no tornozelo. A propósito esse é o Boaz, o rapaz me atropelou, mas felizmente me prestou socorro. — Pontuo.
— Muito prazer, senhora. — Ele estende a mão e a mulher aceita meio trôpega encarando sem nenhum pudor o gostoso do meu lado.
— Senhora tá no céu, filho, pode de chamar de Dona Su, é como todos me chamam por aqui. — Deu algumas batidinhas nos dedos tatuados de Boaz. — Mas então sobe logo para o apartamento filha, eu tomo conta de tudo aqui, mais tarde subo para te fazer uma comidinha. — Se despediu com um aceno e ficou lá nos vendo subir.
Boaz subiu as escadas resmungando em como eu pretendia chegar sozinha em casa se com a sua ajuda estava tendo dificuldades.
— Você aceita algo? Acho que temos água, suco e cerveja na geladeira, mas essa última devo lembrá-lo que você vai dirigir e sem beber já não é tão bom no volante. — Dou um sorrisinho pela minha farpa e me sento no sofá.
Boaz revira os olhos. — Eu nunca atropelei ninguém, você apareceu do nada, sou ótimo motorista. Sua madrinha mora com você? — Emendou a pergunta antes que eu rebatesse suas habilidades.
— Não.
— E como vai passar todos esses dias de repouso sem ajuda?
— Não é muita coisa, Boaz, eu vou evitar pisar no chão, mas consigo pular por aqui, não é um espaço muito grande de todo modo. — Ele me olhou com os olhos atentos. Se sentou no meu sofá e logo Sidney apareceu rebolando pelo corredor.
— E aí, carinha? — Boaz alisou o animal que sem vergonha alguma se deitou de barriga para cima para receber carinho próximo aos seus pés.
— Magal não seja tão sem vergonha! — Briguei e o cão me desobedeceu rolando no chão amando o afago de Boaz.
— Magal? — Ele ergueu os olhos pra mim.
— Sidney Magal. — Completei o arrancando uma gargalhada.
— É sério?
— Mais uma escolha da minha vó... eu o comprei quando ela ficou doente, ela sempre falava de animais, mas eu não me lembrava de termos tido um, quando ela descobriu o câncer ficou triste por vários dias, nada que eu ou minha madrinha fizesse era capaz de alegrá-la, então tive a ideia do cachorro. — Aponto para o bichinho que parecia mais um leitão de tão gordinho.
— E a ajudou? — Perguntou interessado.
— Muito. — Ela passeava com Sidney todas as manhãs, coisa que até hoje preciso fazer regularmente, dançava com ele pela casa e vivia assistindo receitas de guloseimas pra se fazer para um cachorro. Ele foi o companheiro dela até o último segundo, e agora é o meu. — Ri emocionada e percebo o homem me olhar também afetado.
— Sinto muito por ela.
— Tudo bem. — Desvio os olhos do dele. — Minha vó era definitivamente minha melhor amiga, contava tudo pra ela, e sabe do que eu mais gostava nela? Ao invés de me repreender ela sempre tirava algo bom da tragédia, no nosso acidente hoje eu aposto que ela diria: “—Você foi atropelada, mas olha que homão você conheceu. ”
Ri sozinha e me senti ficar vermelha quando percebi o que tinha dito.
Boaz me olhava com uma sombra de sorriso no rosto.
— Mas ela iria detestar suas tatuagens. — Emendo. — Ela não era fã, apesar de uma vez fumar maconha com nosso entregador antigo entregador e cismar que iria tatuar um pássaro no cóccix. — Volto a soltar uma risada me perdendo em lembranças.
— Ela parece ter sido muito especial.
— Ela foi. — Concordo me ajeitando no sofá pela primeira vez no dia me sentindo desconfortável sobre o olhar dele. Boaz me olhava curioso demais e o fato era que eu odiava aquele pré-momento antes de duas pessoas ficarem, era por isso que eu sempre escolhia deixar aquilo mais fácil indo direto ao ponto.
Me curvei na sua direção deixando claro o que queria.
— Quer mesmo isso? — Me freou no último segundo.
— Quero se você quiser. — Falei ainda de olhos abertos.
Sua boca encontrou a minha no mesmo momento que suas mãos me puxaram para o seu colo. Embaixo de mim eu sentia seu membro inchando e ficando enorme.
Nossas línguas moveram juntas, não me lembrava de quando tinha dado um beijo tão gostoso, era quente e erótico, tinha química e me fez ficar molhada em tempo recorde.
Esfreguei meu quadril sobre seu pau e ouvi que gemeu entre o beijo, mordeu meu lábio inferior com força e puxou minha cabeça para trás me fazendo abrir os olhos para o encontrar me encarando, mexi o quadril de novo para frente e para trás e foi minha vez de gemer.
Boaz desfez o botão da minha calça a puxou depressa para embolar até minhas coxas e enfiou os dedos dentro da minha calcinha de renda sem cerimônia alguma alisando meu clitóris inchado.
Rebolei contra seu dedo gemendo e joguei a cabeça para trás quando ele foi além e entrou com um dedo até a metade e saindo para buscar mais lubrificação.
Eu não pretendia achar um grande amor nem queria que no fim do dia o cara ficasse, eu gostava de sexo e isso era inegável, era por isso que eu sempre facilitava as coisas.
Homens não gostavam de mulheres fáceis, na cabeça de azeitona deles uma mulher que facilitava a transa logo de primeira não eram dignas de receber nada mais depois disso. E eu queria que aqueles pensamentos fossem para o inferno junto com eles, mas depois que eu transasse.
Sexo era egoísta, e eu era mais egoísta ainda, e era por isso que eu era como era. Tinha me moldado a ser assim desde que mergulhei no lago de merda que não gosto de me lembrar, e estava indo muito bem.
Ao menos pensei que estava até Boaz para de me tocar, raspou a garganta afastando a mão de mim antes de dizer: — Isso não devia ter acontecido, me desculpa. — Se colocou de pé parecendo chateado. — Eu preciso ir... me passe seu número, vou ligar para saber como seu pé está e você salva o meu qualquer problema pode me chamar.
Eu fiquei no sofá com a calça arreada e a calcinha atravessada na xota ainda sem acreditar na sua negação. — O meu celular estragou na queda, mas você pode ligar na floricultura se quiser saber de mim, e eu com certeza não preciso do seu número. — Falei me levantando num pulo começando a ajeitar minhas roupas sem olhá-lo me sentindo rejeitada. Ouvi seu suspiro pesado antes de se virar e sair do apartamento mais rápido que um diabo fugindo da cruz.
— Tudo bem. Vai um, vem seis. — Sorri para o nada falando comigo mesma.
Grande foi minha surpresa quando no início da tarde meu celular tocou com um nome de um médico na tela. Boaz não me fazia falta, Gustavo me provou aquilo a noite toda, e em muitas noites seguintes.
“As digitais desceram por meu abdômen a medida que o corpo se abaixava junto. Ela tocou os joelhos no chão no mesmo instante que a mão alcançou o que eu tanto queria. Com a boca na altura certa, mirou os intensos olhos castanhos para cima e lambeu os lábios vermelhos me deixando pronto sem fazer nada.
— Quero você gozando na minha boca, Gael. ”
Parei abruptamente a leitura do manuscrito que tinha vindo parar erradamente em minha mesa junto com os outros e respirei fundo voltando a olhar a primeira folha.
“Bailando nas nuvens - Ann Bradley”
Eu não era chegado a ler romances, em seis anos à frente da presidência da editora que pertencia a minha família eu sempre fazia questão de escolher alguns manuscritos, mas aquele gênero em questão eu sempre deixava com outros editores, achava um pouco maçante todo o ritual para um final feliz. Mas não aquele.
Aquela merda daquele manuscrito estava definitivamente me afetando de um jeito estranho, eu não estava em abstinência de sexo por isso era estranho já que só isso explicaria o fato de eu estar com o pau querendo bater na testa de tão duro dentro da calça.
Suspirando meio irritado movi os olhos para a folha e continuando de onde tinha parado.
“ Nem nos meus sonhos mais eróticos eu imaginei que sentiria o que senti quando Marena esticou a língua para fora ainda sorrindo muito safada transpassou no freio do meu cacete. Com a boca aberta e faminta, lambeu das bolas até a cabeça me arrancando um grunhido. Então quando pensei que não podia ficar mais gostoso ainda me olhou com os olhos escuros e a boca carnuda com batom vermelho meio borrado cuspiu saliva na ponta antes de descer com a boca se dedicando. Chupou minha glande como se tivesse um pirulito na boca. ”
Subi os olhos novamente pensando no que diabos aquela mulher estava pensando quando escreveu um boquete daquele. Puta que pariu. Eu quem queria Marena aqui embaixo da minha mesa agora, me mamando como uma boa safada que parecia ser. “Olhos escuros, a boca carnuda...” Eu tinha conhecido alguém assim, há duas semanas atrás e irresponsavelmente tinha beijado e roçado o peru nela. E mais, tinha sentido como sua boceta era apertada enfiando o dedo bem fundo. A garota que eu tinha atropelado e que tinha deixado claro que queria dar para mim. — Ísis. — Minha boca soltou em alto e bom som e eu me assustei com a lembrança.
Irritado por pensar na menina que definitivamente já estava fora da minha vida já que desde o episódio em sua casa todos meus telefonemas para a sua floricultura tinham sido atendidos por sua tia que me confirmou que ela se recuperava bem. E isso era o que importava, nada mais. Mirei e bati os dedos no interfone anunciando: — Sarah peça que Rodolfo venha a minha sala, agora.
— Sim senhor. — Respondeu imediatamente e eu evitei continuar a leitura já que corria grandes riscos de ter que bater uma punheta no banheiro, pior ainda agora que imagina a merda daquela personagem como uma mulher em questão. Ísis e Marena eram mulheres que existiriam apenas na minha mente...
— Quer falar comigo, Boaz? — Rodolfo colocou a cabeça para dentro me puxando dos pensamentos pecaminosos.
— Sim, sobre isso aqui. — Levantei o manuscrito na mão. — Ann Bradley.
— Como isso veio parar aqui? — Ele se aproximou. — Eu devo ter o colocado na pilha errada.
— Não interessa muito agora. — Rebati. — O importante é que a quero conosco.
Rodolfo ergueu as sobrancelhas meio surpreso. — Pensei que não gostasse de romances.
— E não gosto. — Pontuei. — Mas parou aqui e eu li algumas folhas, tem potencial.
— Esse livro é demais. — Rodolfo falou animado. — Ainda mais no final.
— O que acontece no final? — Falei curioso.
— Hora, você não vai ler tudo?
— Eu tenho lá tempo para isso? — Desdenhei. (Eu iria ler tudo. Em casa. Onde eu poderia ficar de pau duro em paz.)
— Tá. — Deu de ombros. — Eles não ficam juntos.
— Como é? — Arregalei os olhos. Marena fazia aquele boquete e depois abandonava o cara? Carrasca!
— Não é genial? Não me lembro de uma leitura que me prendeu tanto com um final tão surpreendente.
— Eu a quero conosco! Aliás, qual o nome dela de verdade? É uma mulher?
— Não se sabe. — Ele se desmontou na cadeira parecendo meio frustrado. — Não somos só nós de olho nele ou nela, é um sucesso na internet.
— Não importa, convença-a.
— Eu tentei. — Bateu os dedos sobre o tampo da mesa. — Tento contato com ela há duas semanas e em ambas recusou minha proposta de e-mail.
— Descubra o número.
— Como?
— Eu não sei, procure grupo de fãs, contrate um detetive, eu não te pago para me perguntar nada, é para me trazer as soluções.
Rodolfo pareceu frustrado quando riu.
— Você gostou mesmo, né.
— Tem talento, nos trará dinheiro. — Disfarcei.
— É. — Me olhou desconfiado. — Vou tentar achar o número.
— Faça isso.
Sozinho no meu escritório remoí a vontade de continuar a leitura, mas eram dez da manhã, eu tinha muito o que fazer, inclusive revisar um contrato com os novos patrocinadores, mas quando vi estava mergulhado de novo no mundo paralelo onde Marena e Gael se conheciam se apaixonavam, se divertiam se declaravam um para o outro transavam muito e não terminavam juntos.
— Puta que pariu. — Levantei os olhos. — Isso não é justo. — Reclamei comigo mesmo.
Puxei o pulso encarando o relógio, tinha perdido toda a manhã ali, não tinha revisado contrato algum e a culpa disso era tudo de Ann Bradley.
— Rodolfo está aqui. — A voz de Sarah veio.
— Pode entrar. — Anunciei.
— Achei ela. — Ele falou animado e eu percebi que não tinha nada mais motivador que uma ameaça.
— É mesmo uma garota? — Me senti animado.
— É, a voz bem bonita, mas meio... seca e sem rodeios. — Ele ajeitou o topete. — Não aceitou.
— Como assim não aceitou? — Meu sorriso sumiu.
— Não aceitou. Ela não quer perder o pseudônimo e disse que não acredita em editoras.
— Isso é ridículo! — Bradei.
— Foi o que eu pensei também.
— Eu mesmo vou ligar para ela, mas agora estou atrasado, deixe o número com Sarah quando eu voltar cuido disso. — Falei agarrando meu blazer e me levantando.
— Certo ele me acompanhou para fora da sala.
Quando voltei do meu almoço me sentia mais relaxado peguei o contato que Rodolfo havia deixado e entrei para minha sala.
As primeiras chamadas foram ignoradas e somente no final da tarde na minha última tentativa do dia que a voz que estranhamente eu achei familiar me atendeu.
— Oi. — A voz doce soou do outro lado.
— Olá. — Tentei parecer descontraído. — Difícil falar com você, né?
— Quem é?
— Quem fala é Victor Cappellini, eu gostaria de discutir com você sobre uma possível reunião.
— Victor Cappellini? Você quer dizer da editora Cappellini? — Seu tom saiu irritado e eu podia jurar que a mulher revirava os olhos do outro lado.
— Exatamente.
— Um editor de vocês já me ligou mais cedo e eu disse que não estou interessada. — Rodolfo tinha razão, ela era sem rodeios.
— Sim ele mesmo me informou que a senhorita, devo chamá-la de senhorita ou senhora? Já que não sei seu nome verdadeiro. — Tentei questionar.
— Senhorita.
— Ele informou que a senhorita não estava interessada, mas foi por isso que liguei pessoalmente e insisto em dizer, aceite a reunião e escute nossa proposta.
— Como disse ao seu editor, não quero sair da minha zona de privacidade, senhor Victor. — O modo como ela falou senhor me deixou ligado.
— Prometo que se assim desejar teremos uma cláusula sobre isso, manteremos seu pseudônimo como Ann Bradley se esse é o seu desejo.
Um suspiro pesado veio do outro lado. — Diga-me Victor, você leu meus livros?
— Sim. — Respondi imediato.
— E qual que mais gostou?
Perguntou recebendo meu silêncio. Pego no pulo, eu só tinha lido um de seus livros. E ainda acidentalmente.
— É exatamente por isso que não quero editoras. Vocês acham romances chatos, os publicam pelo dinheiro e pasme, eu os escrevo por paixão.
Putz, ela tinha acertado em cheio. — Tudo bem, escute só, não li todos, mas li seu novo livro “Bailando nas nuvens”, e por isso estou tão fascinado para que trabalhemos juntos, você está escrevendo a continuação, certo?
— Não, o livro não tem uma continuação. — Rebateu e eu fiquei irritado. Ela realmente pretendia manter o casal separado? Que tipo de romance aquela mulher escrevia?
— Você quer dizer que Marena e Gael realmente não vão ficar juntos?
— É, estou dizendo isso. — Sua voz saiu engraçada.
— Mas não faz nenhum sentido! — Minha revolta transpareceu e eu realmente ouvi seu sorriso. — Você leu mesmo... qual a parte que mais gostou? — Pareceu jogar comigo e eu ri de volta, dois podiam jogar.
— Sinceramente? — Fiz uma pequena pausa para que ela ficasse na expectativa. — A cena que Marena faz sexo oral depois do jantar, foi muito... envolvente. — Confidenciei sabendo que com toda certeza ela saberia que tinha me deixado duro.
O silêncio durou uns segundos antes dela voltar a falar: — Tudo bem, eu posso na quinta-feira da próxima semana.
— Ótimo! — Bati na mesa comemorando. — Você sabe onde é a editora, não?
— Não. — Interrompeu. — Não quero uma reunião formal que me obrigue a pensar que já aceitei algo. Podemos tomar café juntos?
— Claro. — Concordo. — Como você quiser.
— Eu envio o endereço para o e-mail que vocês me mandaram. Ah, e por favor parem de espalhar meu número este telefone é pessoal, se chama pessoal por um motivo, Victor.
— Tudo bem, eu peço desculpas. — Sorri da sua irritação.
— Certo. — Me corta de novo. — Então até lá, senhor Cappellini.
Desliguei o telefone animado e respirei fundo, o dia tinha sido produtivo.
Estava irritado no trânsito a caminho de casa quando a mensagem no grupo dos caras me chamou atenção chamando para nos encontramos num pub antes de mais tarde nos reunirmos para o aniversário de Julia na boate. Desviei a rota e em quarenta minutos estávamos sentados numa mesa de esquina enquanto o sol começava a querer nos deixar.
Dava um gole singelo na minha tônica enquanto cada um dos meus amigos falava coisas que não deveriam se levar a pena.
— E então, ficou sabendo que o Tato tá namorando, né? — Rafa bebeu sua cerveja e olhou para nosso amigo que não negou.
— Ah é? Essa é novidade. — Ri interessado.
— Não estou namorando. — Ele riu dando de ombros e me olhando. — Ainda, já que ela realmente é especial, e sim espero que nosso lance evolua.
— Caramba, estou chocado. Quando vamos conhecer a sortuda?
— Na verdade você já conhece, é a Ísis.
Parei com o copo no caminho dos lábios e encarei Gustavo que me olhava avaliativo. — Ísis? A (minha Ísis) ... a moça que eu atropelei?