Capítulo 2

Ponto de Vista de Adell:

O mundo do lado de fora da janela do táxi era um borrão de neon e chuva, mas por dentro, eu sentia uma calma estranha e perturbadora. Minhas lágrimas haviam secado, deixando uma sensação apertada e ardente ao redor dos meus olhos. A última mensagem de Emiliano, suas tentativas patéticas de se explicar, de implorar, de racionalizar, foram ignoradas. Eu bloqueei o número dele. Eu não queria ouvir nada do que ele tinha a dizer.

A voz da minha mãe, surpreendentemente gentil em sua firmeza, tinha sido uma tábua de salvação. "Adell, querida, você sabe que minha porta está sempre aberta. Mas desta vez, você volta nos meus termos. Chega de correr atrás de sonhos vazios." Ela não se vangloriou, não disse "eu te avisei". Apenas uma compreensão silenciosa e resoluta que dizia muito.

Lembrei-me de zombar dela anos atrás, quando ela tentou me apresentar a Javier Torres. "Ele é médico, Adell", ela disse. "Estável, inteligente, de boa família. Ele te admirava na faculdade." Eu o descartei como chato, previsível demais. Meu coração estava decidido pelo caos, pela paixão crua do mundo de Emiliano. Eu queria ser aquela que o salvaria, que o construiria. Que tola eu fui.

Agora, a ideia de estabilidade, de apoio silencioso, soava como um santuário. Eu precisava de terreno firme, não das areias movediças do ego de um músico.

"Eu aceito seu arranjo, mãe", eu disse a ela, as palavras parecendo surpreendentemente certas. "Vou conhecê-lo. Vou considerar qualquer coisa. Apenas... me tire daqui." A admissão da minha audição recém-restaurada foi recebida com um silêncio atordoado, depois uma onda de alívio dela. Era como se essa cura física fosse um símbolo da minha prontidão emocional para retornar.

Limpei o último vestígio de lágrimas, endireitei os ombros e respirei fundo. Minha determinação se endureceu, uma barra de aço substituindo o vidro frágil do meu eu passado. Joguei fora oito anos, minha audição, meu orgulho, por um homem que me via como um fardo. Nunca mais.

O taxista, um homem idoso e gentil, me olhou pelo retrovisor. "Tudo bem, moça? Você parece que viu um fantasma."

Consegui um sorriso fraco. "Apenas uma noite longa." Olhei pela janela, as luzes da cidade refletindo em meus olhos. A velha Adell, aquela que vivia para Emiliano, se foi. Enterrada sob o peso de sua traição. Mas a nova Adell, ela ainda estava em construção. E ela estava voltando para o Rio de Janeiro.

O pensamento de encarar minha mãe, de admitir meu fracasso colossal, era assustador. Mas a imagem do rosto zombeteiro de Emiliano, suas palavras ecoando em meu ouvido agora perfeitamente funcional, alimentava uma raiva fria que ofuscava qualquer constrangimento. Ele me fez sentir pequena, descartável. Eu me levantaria disso, mais forte, mais orgulhosa.

Meu celular vibrou na minha mão. Era minha mãe. "O jatinho está esperando em Jacarepaguá. Meu motorista vai te encontrar no Galeão." Prática, eficiente e exatamente o que eu precisava.

Digitei uma resposta, uma única palavra: "Chegando."

Os últimos oito anos passaram diante dos meus olhos: as risadas, os sonhos compartilhados, os apartamentos apertados, os sucessos estrondosos. E então, a erosão lenta e insidiosa da minha autoestima, a distância crescente, a traição final e brutal. Tinha sido uma promessa grandiosa e vazia, construída sobre areia.

Agora, um novo capítulo. Um escrito não nas notas caóticas e apaixonadas de um hino de rock, mas no ritmo silencioso e constante do autorrespeito e do amor genuíno. Eu só não tinha percebido o quão desesperadamente eu ansiava por esse ritmo silencioso até agora.

O avião decolou, subindo acima da grade brilhante de São Paulo. Olhei para baixo, um pequeno ponto de luz em um mundo vasto e indiferente. Emiliano e Keisha, seu caso sórdido, suas palavras cruéis, agora pareciam impossivelmente distantes. Como um pesadelo do qual eu finalmente estava acordando.

Era isso. O começo de algo novo. Algo real. Eu só esperava me lembrar de como construí-lo desta vez.

A oferta da minha mãe não era apenas sobre um arranjo de casamento; era um caminho de volta para mim mesma, uma chance de reivindicar a Adell Salles que eu havia enterrado sob camadas de devoção e sacrifício. E desta vez, eu não deixaria ninguém me diminuir novamente.

O avião subiu mais alto, perfurando as nuvens. O futuro era uma tela em branco, e eu estava segurando o pincel.

Ponto de Vista de Emiliano:

O loft parecia uma jaula, seu vazio luxuoso zombando de mim. Dias se transformaram em noites, cada um pontuado pela repetição frenética do desastre da noite passada. O rosto de Adell, pálido e manchado de lágrimas, passava diante dos meus olhos. Sua voz, tão baixa, mas tão firme, dizendo: "Estou indo embora. E não vou voltar." E então aquela mensagem de texto arrepiante: "Acabou. Não entre em contato comigo de novo."

Minha cabeça latejava. Keisha, ainda aqui, flutuava por aí, alheia ao abismo que se abriu sob meus pés. "Emi, querido, você viu a nova postagem sobre nós? Todo mundo está falando sobre isso!", ela cantarolou, mostrando o celular. Mal registrei suas palavras. Uma raiva surda fervia dentro de mim. Ela deveria ser uma distração, uma breve fuga. Não isso. Não o motivo pelo qual Adell foi embora.

Tentei ligar para Adell novamente. O número dela estava bloqueado. Meu coração afundou, uma pedra fria e pesada. Tentei de um telefone diferente, um pré-pago que eu mantinha para... outros fins. Ainda bloqueado. Ela estava falando sério. Ela realmente se foi.

O pânico começou a se instalar, um pavor frio e rastejante. Adell era mais do que apenas minha noiva; ela era minha âncora. Ela cuidava de tudo, gerenciava minha agenda, apaziguava minha gravadora quando eu era difícil, suavizava minha imagem pública. Era ela quem se lembrava do aniversário da minha mãe, quem garantia que meus impostos fossem pagos, quem me lembrava de comer. Ela era o motor silencioso da minha vida caótica. E agora esse motor havia parado.

Meu empresário ligou, sua voz tensa com raiva mal contida. "Emiliano, que diabos está acontecendo? O anúncio do casamento deveria ser uma mina de ouro de relações públicas, não um desastre nuclear! As postagens de Keisha Matos estão por toda parte. A narrativa da 'noiva surda' está explodindo online, e não de um jeito bom."

Eu gritei de volta: "A culpa é da Adell! Ela apareceu na balada! Ela jogou um copo!"

A resposta do meu empresário foi arrepiante. "Não importa de quem é a 'culpa'. O público vê um astro do rock traindo sua noiva leal e com deficiência. Você precisa consertar isso. Agora."

Consertar isso. Como? Adell se foi. Meu mundo estava desmoronando. O loft, antes um símbolo do meu sucesso, agora parecia um mausoléu. Cada canto guardava uma memória dela, uma acusação silenciosa. A poltrona gasta onde ela lia, a cozinha que ela usava com moderação, mas organizava meticulosamente, o pequeno canto de gravação onde ela ouvia minhas primeiras demos, a cabeça inclinada, aquele sorriso suave e conhecedor em seu rosto.

Fui até o armário, pegando a jaqueta de couro vintage que Keisha estava usando em suas fotos virais. Cheirava fracamente ao perfume barato dela, um contraste gritante com o cheiro sutil e elegante de Adell. Lembrei-me de Adell comprando para mim, seus olhos brilhando. "Para o meu astro do rock", ela sinalizou, dando um beijo na minha bochecha. A jaqueta parecia pesada, de repente nojenta. Arranquei-a do cabide e joguei no lixo.

Eu precisava encontrá-la. Eu precisava fazê-la entender. Isso foi um erro. Um momento de fraqueza. Ela era minha musa. Meu anjo. Eu não podia perdê-la. Não agora, quando tudo que eu construí parecia tão precário sem ela.

Peguei meu violão, um instrumento feito sob medida que Adell havia encomendado para mim. Meus dedos voaram pelo braço, mas as notas eram dissonantes, sem alegria. A música, minha força vital, parecia vazia. Sem Adell, não havia melodia. Apenas ruído.

---

Capítulo 3

Ponto de Vista de Adell:

Rio de Janeiro. A cidade das possibilidades infinitas, da ambição altíssima, das realidades duras. Fazia oito anos desde a última vez que a chamei de lar, desde a última vez que vivi sob o teto meticulosamente curado de minha mãe. O ar, fresco com a promessa do outono, parecia diferente aqui. Mais limpo. Mais nítido. Como uma faca recém-afiada, pronta para cortar o peso morto do meu passado.

O motorista da minha mãe me encontrou no aeroporto de Jacarepaguá, uma presença familiar e estoica da minha infância. Ele simplesmente acenou, pegou minha única mala e me levou ao Bentley que esperava. Sem perguntas, sem julgamentos. Apenas um serviço eficiente e silencioso, exatamente como eu me lembrava.

A cobertura, ainda na Avenida Vieira Souto, ainda exalava aquela aura de dinheiro antigo e tradição inflexível. Mas desta vez, parecia menos uma jaula e mais uma fortaleza. Ao entrar, o cheiro familiar de lírios caros e madeira polida encheu meus sentidos. Minha mãe, Cristina Salles, estava no grande hall de entrada, seu cabelo prateado perfeitamente penteado, sua expressão indecifrável.

"Adell", ela disse, sua voz mais suave do que eu me lembrava, mas ainda carregando aquele aço subjacente. Ela não me abraçou, mas seus olhos, geralmente tão guardados, continham um lampejo de algo que eu não via há anos: preocupação. "Você parece... cansada."

Eu assenti, o eufemismo quase risível. "Eu estou."

Ela me levou para a sala de estar, onde um bule de chá Earl Grey já estava sendo preparado. "Conte-me tudo", ela ordenou, não de forma rude.

Eu relatei a história, a postagem viral, a balada, as palavras. Cada detalhe agonizante. Enquanto eu falava, sua expressão endureceu, uma máscara familiar de desaprovação aristocrática se instalando em suas feições. Mas também havia um lampejo de dor em seus olhos, um reflexo da minha própria.

"Eu te avisei, Adell", ela disse, sua voz baixa. "Eu te disse que ele era um sonhador. Sonhadores perseguem seus próprios desejos, nunca vendo verdadeiramente os sacrifícios feitos por eles." Ela fez uma pausa, seu olhar direto, inabalável. "Eu também te avisei para não ser uma mera companheira na jornada de outra pessoa. Você tentou construí-lo, ser sua salvadora. Mas você se perdeu no processo."

Eu engoli em seco, o chá de repente com um gosto amargo. Ela estava certa. Cada palavra.

"E agora, minha audição voltou", acrescentei, quase como um pensamento posterior. "Bem a tempo de ouvi-lo me chamar de fardo." A ironia era uma torção cruel da faca.

Minha mãe fechou os olhos por um momento, uma rara demonstração de emoção. "Um milagre, talvez. Ou uma cruel reviravolta do destino. Mas é um presente, Adell. Uma chance de ouvir de verdade, não apenas o mundo, mas a si mesma." Ela abriu os olhos, seu olhar penetrante. "Você disse que aceitaria meu arranjo."

"Eu disse", afirmei, minha voz mais forte agora. "Eu vou. Chega de ilusões românticas. Eu quero estabilidade, respeito. Um parceiro, não um projeto."

Ela assentiu, um leve sorriso tocando seus lábios. "Bom. Javier Torres. Você se lembra dele?"

Javier. O nome enviou um leve lampejo através da minha memória. Um garoto quieto e inteligente da faculdade, sempre sério, sempre gentil. Ele me admirava, eu sabia. Mas eu estava muito ocupada correndo atrás de um astro do rock.

"Eu me lembro", eu disse, uma estranha mistura de apreensão e curiosidade se agitando dentro de mim.

Minha mãe continuou, seu tom suavizando um pouco. "Ele se tornou um cirurgião cardiovascular muito respeitado. Construiu sua própria clínica. Sem drama, sem escândalos. Apenas competência silenciosa. Ele ainda não se casou. E ele pediu especificamente uma apresentação a você."

Ele me pediu? Depois de todos esses anos? O pensamento foi estranhamente reconfortante.

Uma empregada apareceu, colocando discretamente um iPad na mesa de centro. Minha mãe gesticulou para ele. "Enquanto você estava... fora, os problemas de Emiliano começaram. O público não está reagindo bem à sua última escapada."

Observei enquanto ela rolava por artigos de notícias. "Reputação de Emiliano Rocha Manchada", "Noiva Adell Salles Fica em Silêncio", "Fãs Exigem Respostas". A seção de comentários, antes cheia de adoração, agora fervia de raiva. Minha história, amplificada pela internet, estava virando o jogo. A "noiva surda" agora era vista como uma vítima, não um fardo.

"O que Emiliano fez é abominável", afirmou minha mãe, sua voz tensa de desaprovação. "Mas essa reação pública, é uma faca de dois gumes. Vai destruí-lo, mas também garantirá que você não seja esquecida. Você será vista como a parte injustiçada, aquela que merece algo melhor."

Uma satisfação sombria se instalou em meu peito. Eu não queria que ele fosse destruído, não de verdade. Mas também não queria que ele escapasse das consequências de suas ações. Finalmente entendi a abordagem pragmática da minha mãe para a vida. Não era sobre amor, mas sobre sobrevivência. Sobre reconstruir.

"Preciso descansar", eu disse, esfregando minhas têmporas. O peso do mundo, de todas essas novas decisões, parecia pesado.

Minha mãe assentiu. "Claro. Seu antigo quarto está pronto. E Adell... bem-vinda de volta." Suas palavras não eram um convite; eram uma afirmação.

Enquanto eu subia a familiar grande escadaria, o silêncio da cobertura era um contraste gritante com o caos pulsante da balada. Era um silêncio curativo, um silêncio que prometia paz, não negligência. Eu estava em casa. E pela primeira vez em muito tempo, senti que estava exatamente onde precisava estar.

A força silenciosa da minha mãe, seu apoio inabalável, foi um bálsamo para minha alma maltratada. Eu sabia que este caminho não seria fácil, mas parecia certo. Parecia caminhar em direção à luz, longe da escuridão em que ele me mergulhou.

Entrei no meu antigo quarto, um santuário de tons pastel suaves e móveis antigos. A cama, com seus lençóis brancos e impecáveis, parecia convidativa. Afundei nela, puxando um cobertor macio ao meu redor. Os últimos vestígios de lágrimas finalmente secaram. Meu futuro, antes tão inextricavelmente ligado a Emiliano, agora estava completamente desvinculado. Era aterrorizante e estimulante.

Fechei os olhos, imaginando Javier Torres. Um médico. Estável. Gentil. Era um contraste gritante com a vida que eu acabara de deixar. E pela primeira vez, senti um lampejo de esperança que não estava ligado a uma promessa grandiosa e vazia, mas a algo silencioso, constante e real.

O barulho da cidade zumbia suavemente lá fora, uma presença constante e reconfortante. Chega de celebrações encenadas. Chega de traições ocultas. Apenas a reconstrução silenciosa de uma vida. E desta vez, eu a construiria para mim mesma.

O passado era um livro fechado, queimado até as cinzas no fogo de sua traição. E eu, Adell Salles, estava pronta para escrever uma nova história. Uma melhor.

Ponto de Vista de Emiliano:

O silêncio no loft era ensurdecedor, um lembrete constante da ausência de Adell. Dias se transformaram em uma semana, depois duas. Minhas ligações não foram atendidas. Minhas mensagens, não lidas. Meu empresário ainda estava no meu pé, exigindo que eu "consertasse esse pesadelo de relações públicas". Mas como eu poderia consertar qualquer coisa quando a única pessoa que sabia como me consertar se foi?

Keisha, abençoado seja seu coração superficial, não ajudava em nada. Ela flutuava pelo meu loft, tentando ser alegre, tentando me distrair. "Emi, amor, vamos sair! Todo mundo está falando de nós, deveríamos dar um show para eles!", ela arrulhava, alheia ao fato de que "todo mundo" agora estava principalmente me despedaçando online.

Eu a afastei. "Apenas... me deixe em paz, Keisha." Ela fez beicinho, seus olhos grandes e inocentes, mas sua presença era como uma lixa para meus nervos em carne viva. Eu não suportava o jeito que ela me olhava, como se eu fosse um prêmio que ela havia ganhado. O que eu vi nela? Uma emoção passageira, uma fuga desesperada da gratidão sufocante que eu sentia por Adell.

Passei meus dias andando pelo loft, olhando para o lado vazio da cama dela, sentindo o buraco enorme que ela deixou para trás. Meu celular era uma fonte constante de agonia. Artigos de notícias e postagens em redes sociais narravam minha queda. "Emiliano Rocha: De Astro do Rock a Destroços", "O Custo da Traição: Fãs Abandonam Rocha". As vendas do meu álbum despencaram. Datas de shows estavam sendo canceladas. Minha gravadora estava furiosa.

O silêncio ficou mais alto, ecoando o vazio em meu peito. Tentei escrever, mas a música não vinha. Meu violão parecia pesado, sem vida. Cada acorde que eu tocava soava oco, zombeteiro. Adell tinha sido minha musa, minha inspiração. Sem ela, eu era apenas um homem cansado com um coração partido e uma carreira em rápida desintegração.

Lembrei-me de sua força silenciosa, da maneira como ela conseguia acalmar minha energia frenética com um único olhar. Sua lealdade, sua crença inabalável em mim, foram a base do meu sucesso. E eu joguei tudo fora por uma emoção barata, por um impulso passageiro de ego.

Eu precisava dela. Eu precisava de sua presença silenciosa, de sua mão firme. Eu precisava do seu perdão. Mas como eu poderia conquistá-lo? Eu a chamei de fardo. Eu praticamente assinei meu amor para fora da existência. A lembrança das minhas palavras, claras como um sino em minha mente, parecia um ferro em brasa na minha alma.

Peguei os pedaços espalhados do meu celular quebrado. Era inútil. Assim como eu. Eu precisava encontrá-la. Eu tinha que. Mesmo que significasse rastejar de joelhos, implorando por uma segunda chance. Porque sem Adell, eu não era nada.

---

Continue lendo
Apoie o autor e inspire mais histórias incríveis Moboreader
Desbloquear todos
Capítulo
Personalizar
Próximo Capítulo
Minishorts Logo
Leia web novels, ficção online e histórias românticas em alta no MiniShorts. Descubra romances de bilionários, fantasia de lobisomens, drama e novelas de fantasia, além de conteúdos selecionados de dramas curtos inspirados nas tendências de narrativa mais populares.
MiniShorts YouTube
PRODUTOS E SERVIÇOS
Sobre nós
support@minishorts.com
©2026 MiniShorts Todos os direitos reservados. CHASINGTOP HK LIMITED