Capítulo 2

O dia hoje amanheceu muito mais alegre, os Weasleys ainda estavam fechados e pude tomar meu café da manhã em paz.

E sozinha... de novo.

- No que está pensando, Winnie.

- Ah, Hyun... to com saudade da minha mãe - cruzei os braços sobre o balcão e abaixei a cabeça sobre eles fingindo um choro exagerado.

- Você precisa de um namorado.

- Falando nisso, como estão as coisas com o Ethan?

- Muito bem. O sexo é incrível.

- Não foi o que eu perguntei.

- Eu sei mas gosto de me gabar.

Nós rimos alto, Hyun era tão espontâneo e seu jeito delicado e afetado me deixava cheia de amores, me senti carente mais uma vez.

- Cuida da loja, está bem?! - eu saí de trás do balcão retirando o avental da loja - Preciso sair.

- Aonde vai?

- Tive uma ideia, espero não me arrepender depois.

Sai da loja cruzando com os primeiros clientes do dia, dois meninos gorduchos com sacos grandes de moedas que entraram na minha loja sem se importar com meus vizinhos da frente.

Do outro lado da rua um dos Weasleys abria a loja, eu acenei e ele acenou de volta, mesmo que brevemente, então provavelmente não era o Fred.

Subi a rua até chegar à loja de animais chamada Petwett. Um pequeno sino na porta anunciou a minha entrada.

- Oi?

- Oi - eu cumprimentei a garota do outro lado do balcão - sou a Winnie, da loja de doces. Nós nos conhecemos essa semana.

- Sim, eu me lembro. Em que posso ajudar? - ela parecia concentrada enquanto escovava um grande gato laranja.

- Eu não sei ao certo, acho que estou só olhando.

- Fique à vontade, eu estou na difícil tarefa de desembolar os pêlos desse amasso. Mas chame se precisar de ajuda.

- Obrigada.

Eu andei pelos corredores apertados da loja olhando diversos animais, grandes e pequenos, aquáticos e terrestres, voadores e rastejantes. Um deles me chamou a atenção, era como uma pequena bola peluda e preta que enrolava a língua comprida na grade.

- Eu vi algumas garotas carregando um desses, mas eles eram cor-de-rosa.

- Ah não. Esse é um pufoso, o que você viu era um mini pufe.

- São bem parecidos.

- Verdade. Mas não trabalho com mini pufes - notei que sua voz ficou um pouco sombria - Não são bons como bichos de estimação, principalmente para crianças.

- São hostis?

- Não, são bem mansos, na verdade. Mas eles não duram muito.

Cheguei ao final da loja, havia um pequeno cercado com uma placa que dizia "Para Adoção". Dentro estavam dois animais, um deles era uma graça mas o outro estava destroçando a tigela de ração como se fosse um inimigo.

- E esses? O que são?

- Ah não - a voz detestável de Fred Weasley me chamou atenção - Winnie Lockhart não é capaz de reconhecer um cachorro?

- É claro que eu reconheço, mas não há muitos animais comuns nessa loja se você não notou. aliás senhor Weasley o que faz tão longe da sua amada loja de logros?

- Apenas ajudando minha querida cunhada com animais selvagens e perigosos.

- Fred, eu já disse pra ir embora - disse Abby sem tirar os olhos do gato.

- Bem, ela é um pouco ingrata - ele parou ao meu lado, tão perto que estava me sufocando mas não me senti nem um pouco intimidada.

- Ah.... sei.

- Devia levar o estressadinho, combina bem com você... apesar de achar que ele cheira melhor.

- Muito engraçado, eu acho ele bem parecido com você, briguento e nada ameaçador.

Eu abri o pequeno portão para tirar a cadela amarela de pelo longo e o outro cão pulou em mim, quase me derrubando no chão e lambendo cada parte de pele que alcançava, eu lutei para sacar a varinha e afastá-lo usando leviosa.

Fred achou isso muito engraçado e se dobrava de rir. Eu o ignorei.

Peguei a cadela e ela cheirou a minha mão de forma delicada, andou calmamente ao meu lado até o balcão onde Abby estava.

- Vai levar? Ela é um doce. Vocês vão ser grandes amigas.

- É cachorrão - eu revirei os olhos ao ouvir novamente a voz do Weasley - acho que você ganhou o melhor lar. Hei, Abby. Quanto custa esse daqui?

Fred carregava o enorme cachorro marrom nos braços, o animal o lambia e se debatia tentando alcançar o chão ao mesmo tempo. Quando finalmente o cão conseguiu se soltar, veio correndo para perto da minha cadela e levantou a pata traseira.

- Segure o seu animal - eu gritei - ele está mijando na minha cachorra.

Ele puxou o cachorro de volta para o seu colo, segurando de forma desajeitada o corpo volumoso do animal.

- Vou preparar o recibo de adoção - ela enfiou o gato na gaiola para evitar que fosse apanhado pelo cachorro mal educado que agora enfiava o focinho no balcão - e Fred você não pode levá-lo, sinto muito.

- Porque não? Você tem um filho porque eu não posso?

- Fred, devolve o cachorro - Abby partiu para o interior da loja.

E ao invés de obedecê-la, o Weasley voltou a pegar o cachorro no colo e saiu da loja antes que ela voltasse. Sem se dar conta que precisava de ração, comedouro e uma cama para o animal. E sem o recibo de adoção.

Eu peguei uma grande almofada cor de rosa e alguns brinquedos para minha cadela ainda sem nome, uma saca de ração e coloquei sobre o balcão.

- Que tal Lolla? Para combinar com a sua loja - Abby voltou trazendo um pergaminho que me fez assinar e depois duplicou.

- Não, Lollaland já é uma homenagem a alguém.

- Desculpe, eu não quis... - ela olhou em volta com uma expressão furiosa - ele levou o cachorro?!

- Levou, mas é melhor assim. Aquele animal ia destruir sua loja.

- É, mas agora vai destruir o apartamento que é metade do meu marido.

- Como vocês lidam com o Fred? Ele parece só causar problemas.

- Não. Ele é ótimo, só está sem propósito no momento, aí quer participar de tudo.

- Nem imagino porque.

Nós duas rimos e ela me entregou as compras, eu coloquei uma coleira na minha nova melhor amiga e desci de volta à minha loja.

- Acho que vai ser Lucy... você gosta? De Lucy? - eu entrei com ela na loja e a soltei, Lucy se deitou no capacho e ficou me olhando em silêncio - você é mesmo um amor.

Hyun não estava sozinho, mas interrompeu a conversa na mesma hora ao me ver.

- O que pensa que está fazendo? Não se aproxime com essa coisa. Sabe que sou alérgico.

- Você não é alérgico. Só tem medo porque foi mordido aos seis anos. Oi Ethan.

- Oi Winnie - ele fez um biquinho de choro e puxou o namorado para um selinho - Foi mordido? Coitadinho do meu bebê.

- Nossa... vão pra um quarto.

- Isso significa que estou dispensado? - Hyun sorriu inocentemente.

- Claro, pode ir depois que fechar a loja... às sete.

- Ah, Winnie - disse Ethan se lembrando de algo - eu trouxe o que você pediu.

Ele tirou a pochete da cintura, virando ela para o chão e sacudindo, pela pequena abertura começaram a sair caixas de mais caixas de fogos de artifício.

- Vamos vender fogos agora?

- Só para nos manter no jogo.

- Sabe que essa é uma especialidade dos Weasleys.

- Sim, eu sei, mas nada me impede de vender também.

- Vai mesmo comprar essa briga, não é?

- Claro - eu cruzei os braços, olhando para a entrada da loja da frente onde Fred tentava a todo custo fazer o cachorro entrar - você não?

Hyun arregalou os olhos e mordeu o lábio inferior, pude ver a excitação nele.

- Okay, eu entro nessa com você.

- Vamos começar vendendo fogos de artifício?

- Como assim vamos, Ethan?

- Se ele vai eu também vou, juntinhos até em Askaban.

Eu revirei os olhos e fiz sinal para Lucy me seguir pela escada caracol até o apartamento acima.

- Essa é sua casa - eu coloquei a cama dela na sala e andei até a sacada, do outro lado da rua eu podia ver o cachorro pulando de um sofá pra outro enquanto Fred tentava segura-lo e não pude deixar de rir - é Lucy... pelo menos temos classe.

Pov Fred

- Eu não acredito que ela fez isso.

- É, Fred. Acho que as coisas estão ficando sérias.

A vitrine da casa de doces exibia uma enorme pilha de fogos de artifício Flibusteiro, o segundo melhor.

Um baque alto foi ouvido a partir do andar de cima e algumas partículas de poeira caiu nos nossos ombros.

- Tem que devolver o cachorro.

- Como sabe do cachorro?

- Você roubou da loja da Abby. Acha mesmo que ela não ia me contar?

- Vocês estão iguais ao papai e a mamãe...

- Dois fofoqueiros.

Caímos na gargalhada que só foi interrompida por outro barulho de coisas caindo.

- Sério, devolve o cachorro.

- O Max não é o problema, ela é - levantei o queixo na direção da Lollaland e ele assentiu.

- Alguma ideia?

- Só provocação.

- Faça o que for preciso - ele olhou para trás como se a esposa fosse surgir do nada - só não deixe a Abby saber que eu disse isso.

- Vou pegar alguns produtos.

- Não esqueça de anotar.

Eu corri para o corredor de explosivos e apanhei alguns deles.

- Anota pra mim, Artie - eu gritei para o menino deitado com a barriga no chão, riscando o piso com lápis colorido - seu pai sabe que você está fazendo isso?

Ele deu de ombros e eu também, voltei para a frente da loja, passando pela porta e escondendo as pequenas bolas dentro da manga enquanto atravessava a rua.

A Lollaland era colorida demais, em um nível que se tornava desnecessário, à direita da porta, onde estava a pilha de fogos, havia um grupo de cinco garotos enchendo as cestinhas.

- Vão comprar?

- Sim - respondeu um dos meninos como se fosse a coisa mais incrível do mundo - são Fogos Flibusteiro.

- Hum, vocês sabiam que eles são seguros?

- Seguros?

- É, os pais aprovam.

Dois dos garotos devolveram as caixas para a pilha e isso me deixou muito satisfeito.

- Oi, posso ajudar? - era o atendente da loja, com seu sorriso simpático.

- Não, a loja está cheia. Pode atender os outros clientes, eu me viro.

- Tudo bem, eu dou conta.

- E sua chefe não ajuda?

- Ela cuida dos sorvetes e dos cupcakes.

- Hum.

- O senhor vai levar alguma coisa ou veio só xeretar?

"Desaforado."

- Eu vou levar um desses.

- Vai comprar fogos de artifício?

- Sim, qual o problema?

- Sua loja é cheia deles.

- Não desses. Preciso conhecer os concorrentes... sabe, pra saber o que não fazer.

Ele revirou os olhos e pegou a caixa indo para o balcão de embrulho e eu aproveitei para dar uma volta. Winnie estava distraída embalando cupcakes para duas meninas.

Fiz as bolinhas explosivas escorregarem pela manga e abri uma fresta do freezer às soltando lá dentro.

- Tentando fazer meu sorvete derreter, Weasley? - ela fechou o vidro de uma vez - o que faz na minha loja?

- São Dois galeões e 33 sicles - o atendente bateu com a caixa na mesa.

- Ah eu não vou levar, o atendimento aqui é péssimo.

Dei as costas na mesma hora e saí correndo da loja me segurando para não rir.

- E aí? - meu irmão me perguntou assim que passei pela porta.

- Eles são muito tapados. E aí amigão? - levantei a mão que foi acertada em cheio pelo tapa do meu sobrinho sentado em cima do balcão.

- Você trouxe doces?

- Aqueles doces dão dor de barriga.

- Eu gostei mas minha mãe não me deixa comprar muito.

- Estamos cercados de chatas.

- Se você não tivesse vomitado até as tripas quando te dei aquela caixa de sapos de chocolate... - George levantou a sobrancelha para ele em reprovação.

- Ah pai, não foi o chocolate... eu vomitei porque tomei água depois. Foi a água.

- Hei, Artie. Vamos lá na calçada com o tio, vai ter um show.

George colocou o menino nos ombros e saímos pela porta da frente, o sol estava quente demais mas ia valer a pena.

Alguns minutos depois ouvimos um estouro alto e logo em seguida Winnie saiu para a rua.

Não havia uma parte dela que não estivesse coberta por sorvete verde.

Não aguentamos e caímos na gargalhada, Artie riu tanto que engasgou e começou a tossir. George tentava ajudar o menino no mesmo em meio a sua própria crise de riso, eu me dobrava e gargalhava sem controlar os roncos e guinchos da risada.

Ela estava furiosa mas não disse nada, apenas me encarou retirando avental.

- Nunca esteve tão bonita, Lockhart - eu gritei pra ela que tentava se limpar com o avental sujo.

- Ah não, Fred... é a Abby.

Minha cunhada vinha descendo a rua com uma expressão tão confusa que era quase tão engraçada quanto a de Winnie.

- Entra, rápido - eu gritei arrastando Artie pelo colarinho e George entrou atrás de nós.

Um minuto depois, Abby passava pela porta também.

- O que está acontecendo?

- Oi bebê - George beijou Abby e percebi que Artie fazia a mesma cara de nojo que eu - nada, estávamos tomando sol.

- Sabe que não acredito nisso.

- Te conto depois.

- Oi, como foi o dia com o papai?

- Legal, explodimos os sorvetes da Winnie.

- Fred?

- Você não ouviu o que ele disse? Nós explodimos, não foi só eu... seu marido e filho ajudaram.

- Ela não parece ser do tipo que vai deixar pra lá.

- Estou contando com isso.

- Eu não vou me meter - ela colocou a mochila de Artie nas costas da criança - falou com ele, Amor?

- Falou o que? - perguntei já achando que era bronca.

- Nada demais - George deu um beijo no filho e o menino foi levado por Abby para casa, deixando a loja um pouco menos alegre - é aniversário de morte da murta no final de semana.

- Ela e Abby ainda são amigas?

- São e eu tenho que ir, a Abby não quer explicar para mamãe que vamos em um aniversário de morte então, você vai ter que cuidar do Artie - meu irmão parecia extremamente preocupado.

- Eu sou a babá perfeita. Eu, Max e Artie. Vai ser uma noite incrível...

Capítulo 3

Pov Winnie

Já era de se esperar algo tão baixo vindo de Fred Weasley, mas eu não ia ficar por baixo.

Voltei para a loja e fui direto a cozinha, liguei o fogo abaixo do caldeirão e peguei vários frascos na prateleira milimetricamente organizada despejando a esmo um pouco de cada conteúdo.

Cozinhei a mistura por mais de uma hora, Hyun me olhava pelo vidro da porta vez ou outra mas me conhecia o suficiente para não me incomodar.

Quando a poção reduziu ao ponto de virar uma pequena quantidade grossa de líquido azul turquesa, eu a despejei em uma frasco que cabia na palma da mão e voltei ao salão.

- Hyun, fecha a loja.

- Ainda faltam quarenta minutos.

- Não importa, é tarde demais para crianças estarem na rua de qualquer modo. É preciso que você vá até as Dedos de Mel antes que fechem também.

- Está pensando em...

- Vingança.

Ele cruzou os braços à frente do corpo deixando o quadril meio caído para o lado e abriu o maior sorriso.

- Eu topo, o que quer que eu faça?

- Compre uma daquelas caixas de bombons cafonas em formato de coração e despeje isso.

- Já sei o que vai fazer, mas ele não vai cair nessa.

- Ele não é tão esperto quanto parece, escreva um bilhete alimentando o ego dele, inventa uma mentira, diz que ele é bonito e charmoso.

- Não seria uma mentira.

- Hyun... ele é o inimigo.

- Um inimigo bem gostoso.

- Você tem o Ethan.

- Tenho olhos também.

- Que seja, assina como admiradora secreta, pingue duas gotas disso - eu entreguei o frasco pra ele de forma discreta - e mande uma coruja entregar.

Hyun fechou a loja enquanto eu subia para o apartamento arrancando as roupas ainda sujas de sorvete, deixando-as espalhadas pelo chão da sala.

Lucy se levantou da sua caminha e abanou o rabo para mim. Eu a afaguei e me ajoelhei no chão fazendo carinho no seu pescoço.

Mas me assustei ao ver Fred apoiado na sua janela, olhando pela porta aberta da minha sacada com aquele sorriso detestável.

Fui até a porta e fechei a cortina com força fazendo um dos ganchos se soltarem.

- Eu odeio ele.

Lucy latiu baixo.

- Não se preocupe, ele vai perceber que eu não perco.

Depois do banho, fui direto pra cama.

Ao contrário do que eu pensava, o sono veio fácil e pesado, eu mal me dei conta que já estava dormindo.

Sonho da win:

"O cheiro de chocolate quente estava intenso, apesar de parecer um dia quente, com a luz laranja ignorando as cortinas de renda e iluminando todo o assoalho.

A pequena sala era repleta de fantasias em cores pastéis mas alegres.

Eu observava as mãos delicadas dela mexendo a colher na caneca fumegante.

- Vai se queimar, Lolla.

- Não vou - ela levou a caneca à boca lentamente - Ai.

- Eu avisei.

- E como está a loja?

- Estamos vendendo bem, mas tem esse vizinho...

- Bonito?

- Nossa, você está ficando igual ao Hyun.

- Eu não posso mudar, Win. Eu nem sou real;

- Não, ele não é bonito, e está atrapalhando os negócios, cada vez que ele aparece algo na loja dá errado e hoje ele explodiu meus sorvetes.

- Bem inconveniente esse Frederick Weasley.

- Como sabe o nome dele?

- Eu estou na sua cabeça, se esqueceu bobinha?

- Mas eu nem sei se esse é o nome dele, todos o chamam...

- De Fred... mas não pode ser Fred, não é? E você sabe, é um apelido. Como Win.

Eu fiquei em silêncio, olhando fixamente a caneca intocada a minha frente, não adiantava beber, não teria o mesmo gosto, eu não me lembrava do gosto. Mas o cheiro ainda era igual.

- Eu pensei em tudo, menos nos problemas - Lolla bufou.

- Tudo bem, não se preocupe, eu dou conta dele

- Eu sei - ela disse se levantando e colocando o adorno colorido na cabeça.

Lolla andou até a porta do camarim e a abriu, a luz intensa entrou não me deixando enxergar nada além da garota em sua fantasia volumosa.

- Você não tem que ir, ainda é cedo.

- Ah, Win - ela sorriu por cima do ombro - o show não pode parar."

Acordei muito cedo naquela manhã, com batidas incessantes na porta e o latido de Lucy que arranhava o assoalho tentando descer as escadas.

- Já vai, porra... quer quebrar o vidro?

Enrolei o roupão de seda no corpo enquanto descia as escadas caracol, não precisei chegar muito perto para reconhecer os cabelos ruivos e a caixa de bombons que ele trazia na mão.

Lucy voltou a latir e eu precisei acalmá-la antes.

Abri a porta com um estrondo que era mais fácil quebrar o vidro.

- O que é Weasley?

- Acha que vou cair nessa? - ele sacudiu a caixa na minha frente.

- Não sei do que está falando.

- Você envenenou esses doces e me mandou por uma coruja. Não sou idiota.

- Não tenho coruja e não vendo essa porcaria na minha loja, só doces artesanais.

- Eu sei da onde é. Da Dedos de Mel.

- Não conheço esse lugar.

- Todo aluno em Hogwarts conhece a melhor bomboniere do mundo bruxo.

- Corrigindo - eu enfatizei as palavras - melhor bomboniere até agora. E eu não estudei em Hogwarts. Agora, se me dá licença, eu tenho produtos para vender e clientes para atender.

Bati a porta com a mesma força deixando o Weasley do lado de fora.

Minutos depois eu estava abrindo a loja, já com meu uniforme e Hyun cantarolava de trás do balcão. A loja encheu e eu me mantive ocupada durante toda a manhã. A tarde sempre era mais calma.

Ele não resistiria aqueles chocolates, eram os melhores. Eu sabia porque durante uma temporada nos arredores de Hogsmeade, eu, Lolla e Hyun fomos pegos mais de uma vez roubando essas caixas.

A minha satisfação veio quando alguns clientes saíram correndo da Gemialidades cada um para um lado, em desespero e o gêmeo mais simpático parou na calçada com ânsias de vómito em descontrole.

- Não acredito que ele comeu - Hyun começou a rir.

- Eu disse, ele não é tão esperto.

A porta da minha loja abriu e por ela passou Ethan com cara de nojo.

- Nossa, a rua está com um cheiro horrível - ele se inclinou no balcão dando um selinho em Hyun.

- Imagina como está a loja deles.

- Hyun, sabe o que estou pensando? Eles nunca mais vão poder usar aquele banheiro.

- Eu daria tudo pra ver a cara dele agora.

Mas não precisamos esperar muito pra isso, pouco antes de fecharmos a loja e depois de várias pessoas chegarem perto da Gemialidades Weasley e desistir de entrar. Fred apareceu na porta, tão pálido que parecia não ter uma gota de sangue no corpo, ele atravessou a rua e entrou na minha loja.

Eu aguentei firme mas sua cara abatida fez Hyun cair na gargalhada e Ethan, apesar de não achar muita graça não pode conter um risinho.

- Isso não é engraçado, Lockhart.

- Foi você quem começou, querido.

- Eu não machuquei você.

- Nem eu.

- Não? A minha bunda ainda está doendo.

Eu não pude segurar, e comecei a rir tanto quanto Hyun.

- Eu só fiz uma brincadeira com você - Fred continuou - mas você me prejudicou de verdade.

Fiquei séria na mesma hora, ele precisava ouvir umas verdades.

- Você explodiu meus sorvetes, danificou o freezer e eu perdi todo o produto - eu falava enquanto saía de trás do balcão - Porque você não confia nas suas criações e nem na fidelidade dos seus clientes.

- Não é essa a questão.

- Cala a boca, Weasley - eu cruzei os braços ficando a um passo dele - você está na minha loja e eu estou falando agora. Eu não sou boa em perder, Weasley. É bom que saiba disso..

- Você se acha muito esperta, não é? Mas vai ter volta. E aí, é melhor se preparar.

Ele deu meia volta mas esbarrou "sem querer" em uma pilha de caixas de chicletes antes de cruzar a porta na saída.

- Filho da puta.

- Winnie? Isso foi um pouco intenso.

- Intenso? Isso foi assustador - Ethan corrigiu o namorado.

- Ele precisa entender com quem está lidando.

- Mas a idéia era ele deixar pra lá, agora ele vai querer dar o troco - Hyun pegava seu casaco enquanto falava - A loja era pra ser alegre e não um ringue.

- Eu preciso que dê certo, você melhor do que ninguém deveria entender. Desistir é como deixá-la ir embora para sempre, e isso eu não aceito.

- Não estou dizendo para desistir, só pra pegar leve. Era uma brincadeira e você intimidou ele.

- Já deu seu horário, pode ir.

- Não quero te ver chateada, Winnie - ele se aproximou me dando um abraço forte que me fez sorrir - eu te amo.

- Também te amo.

- Eu amo vocês dois, agora vamos. Estou com fome.

Hyun se juntou a Ethan e saíram da loja me deixando sozinha com Lucy.

- Você me entende, né?

Ela pulou em mim e eu me abaixei dando beijinhos na sua testa. Subimos para o apartamento e eu preparei uma marguerita com o dobro de tequila.

Pela janela da sala, pude ver que pela primeira vez em dias, o apartamento á frente estava silencioso, até o cachorro, sempre barulhento, repousava sobre o sofá. E nem sinal do Weasley.

- Acho que a poção ainda está fazendo efeito. Não acha que exagerei. Acha, Lucy?

Continue lendo
Apoie o autor e inspire mais histórias incríveis Moboreader
Desbloquear todos
Capítulo
Personalizar
Próximo Capítulo
Minishorts Logo
Leia web novels, ficção online e histórias românticas em alta no MiniShorts. Descubra romances de bilionários, fantasia de lobisomens, drama e novelas de fantasia, além de conteúdos selecionados de dramas curtos inspirados nas tendências de narrativa mais populares.
MiniShorts YouTube
PRODUTOS E SERVIÇOS
Sobre nós
support@minishorts.com
©2026 MiniShorts Todos os direitos reservados. CHASINGTOP HK LIMITED