Capa do Romance Emma Russell: A Mulher Renascida

Emma Russell: A Mulher Renascida

8.0 / 10.0
No dia do seu aniversário, Emma Russell descobre a traição cruel de seu marido, Caio, com sua própria prima. Expulsa de casa e jogada em um porão, ela encontra provas de que ele destruiu seu pai para roubar o projeto Aura. Após ser internada injustamente, Emma conta com Eric para forjar sua morte. Anos depois, ela ressurge como Íris, uma gênia da tecnologia pronta para aniquilar o império do ex-marido. Caio acredita que ela se foi, mas o acerto de contas está apenas começando.

Emma Russell: A Mulher Renascida Capítulo 1

Meu jantar de aniversário não terminou com um beijo, mas com meu marido, Caio, me traindo com minha prima, Bruna.

Ele me expulsou da nossa casa, aquela que meu pai nos ajudou a comprar, e me baniu para a casa de hóspedes. Mas quando cheguei, Bruna já estava lá, vestindo meu robe de seda favorito, sorrindo com desdém ao me dizer que eu ficaria no apartamento úmido do porão.

Lá no porão frio e mofado, encontrei o que meu pai me deixou: a prova de que Caio não apenas se casou comigo. Ele orquestrou a aquisição hostil que destruiu a empresa do meu pai, o levou à morte e depois se casou comigo para roubar tudo o que restava, incluindo o trabalho da minha vida, um projeto chamado "Aura".

Ele me internou em uma clínica psiquiátrica, dizendo a todos que eu estava instável. Ele pensou que tinha me enterrado, mas meu amigo de infância, Eric, me ajudou a forjar minha morte em um acidente de carro encenado.

Agora, anos depois, eu voltei.

Sob um novo nome, Íris, criei uma nova obra-prima que está agitando o mundo da tecnologia e está prestes a colocar o império de Caio de joelhos.

Ele pensa que Helena Ferraz está morta. Ele não tem ideia de que ela está prestes a destruí-lo.

Capítulo 1

Meu jantar de aniversário com Caio terminou, não com um beijo, mas com a descoberta de seu caso com Bruna, minha prima de rosto inocente. O cheiro de champanhe e rosas ainda pairava no ar, chocando-se com o gosto amargo em minha boca. Os convidados estavam saindo aos poucos, seus "boa noite" educados soando vazios, como ecos em um salão deserto.

Eu estava parada junto à grande janela em arco, observando os carros de luxo desaparecerem pela alameda arborizada. Cada lanterna traseira era uma memória desvanecida de uma vida que eu pensei ter, uma vida que nunca foi real. Minha espinha parecia rígida, gelada. Outras mulheres poderiam ter chorado, até gritado. Eu apenas me sentia... quieta. Uma quietude se instalou profundamente dentro de mim, uma calma perigosa.

Uma mão tocou meu braço. Era a Sra. Albuquerque, uma amiga da família por parte de Caio. Seus olhos estavam cheios de pena, ou o que ela pensava ser pena.

"Helena, querida, você está bem?", ela perguntou, sua voz um sussurro suave.

Virei a cabeça apenas o suficiente para que ela visse meus olhos. Não disse uma palavra. Meu olhar era uma muralha. Ela retirou a mão, seu sorriso vacilando, e rapidamente se desculpou. Ótimo. Eu precisava de espaço. Precisava desse ar claro e frio ao meu redor.

Caminhei até meu escritório, o único cômodo que Caio raramente entrava. Meus dedos, firmes como os de um cirurgião, pegaram meu celular. Rolei pela minha lista de contatos.

"Dr. Dantas", eu disse, minha voz mal um sussurro, mas firme. "É Helena Ferraz. Preciso iniciar o processo de divórcio. Imediatamente."

Houve uma pausa do outro lado da linha, uma inspiração súbita. "Sra. Alencar? Tem certeza? Isso é bastante repentino. Está tudo bem?" Dr. Dantas, o advogado da minha família, soava genuinamente surpreso.

"Tenho absoluta certeza", afirmei, cada palavra uma pedra caindo em um poço profundo. "Não há nada 'bem' nisso. Apenas faça."

Ele hesitou. "Muito bem. Vou começar a papelada amanhã de manhã. Há algo específico que você gostaria de incluir sobre a divisão de bens?"

"Apenas comece o processo", respondi, minha voz desprovida de emoção. "Fornecerei os detalhes mais tarde. Por enquanto, a velocidade é essencial."

Uma vibração súbita na minha mão me fez estremecer. Uma notificação. Era de Bruna. Meu estômago se contraiu, um nó frio de pavor e fúria.

A mensagem continha uma foto. Era uma selfie. Bruna, com os olhos arregalados e artificialmente inocentes, deitada contra um travesseiro. O travesseiro de Caio. E em volta do pescoço dela, brilhando fracamente, estava o pingente de safira que Caio me deu no nosso quinto aniversário. Aquele que ele disse ter personalizado só para mim.

Abaixo da foto, uma frase, casual, cruel: "Ele disse que ficou melhor em mim, Lena. E sinceramente? Ele tem razão. Você sempre foi muito... séria para coisas bonitas. Algumas pessoas simplesmente sabem como viver de verdade, sabe?"

Minha visão embaçou. Uma onda quente de náusea me invadiu, subindo pela minha garganta. Minha cabeça latejava, uma batida implacável contra minhas têmporas. O quarto girou. Agarrei a borda da minha mesa, a bile subindo. Bruna. Minha doce e ingênua prima.

O telefone vibrou novamente, uma chamada desta vez. Caio. Seu nome piscou na tela, um vermelho atormentador. Respirei fundo, de forma irregular, e atendi.

"Que diabos foi aquilo, Helena?" Sua voz era fria, afiada, tingida de uma fúria mal controlada. "Você estragou a noite inteira! O que foi aquele olhar mortal para a Bruna? Você me envergonhou na frente de todo mundo."

Minha mão tremia, mas mantive minha voz estável. "Suponho que eu não estava me sentindo muito festiva, Caio. Considerando."

"Considerando o quê?", ele zombou. "Seus dramas de sempre? Olha, estou cansado disso. A Bruna está chateada. Preciso que você arrume suas coisas. Você pode ficar na casa de hóspedes por enquanto. Vou pedir para o pessoal da casa levar seus pertences para lá amanhã."

Uma dor súbita e aguda atravessou meu peito, como se alguém tivesse enfiado a mão e torcido meu coração. A casa de hóspedes. Ele estava me expulsando da minha própria casa, a casa que meu pai nos ajudou a comprar. Por causa da Bruna.

"Tudo bem", eu disse, a palavra um som plano e vazio.

Um instante de silêncio. "O que você disse?" Caio soou genuinamente surpreso.

"Eu disse tudo bem", repeti, uma calma estranha e sombria se apoderando de mim. "A casa de hóspedes. Ótimo."

Ele bufou, um som de descrença frustrada. "Certo. Bem. Apenas... não faça uma cena. Vou mandar alguém para te ajudar." E então, ele desligou. A linha ficou muda com um clique que ecoou no silêncio repentino do escritório.

Meus olhos caíram sobre a fotografia emoldurada na minha mesa – meu pai, Davi Ferraz, seus olhos gentis sorrindo para mim. Esta casa, esta vida, tudo começou com ele. Seu legado. Eu podia sentir o peso frio e pesado de sua ausência, mas também uma faísca, uma pequena brasa de sua força.

Saí do escritório, meus passos ecoando na casa silenciosa. Passei pela grande escadaria, pela sala de estar e entrei no conservatório ensolarado, um lugar que meu pai amava. No canto, quase escondido atrás de uma samambaia exuberante, havia um pequeno armário de madeira antigo. Era dele. Ele costumava guardar seus esboços mais preciosos aqui, seus primeiros projetos.

Tracei os entalhes em sua madeira escura. Quantas vezes eu o vi aqui, perdido em pensamentos, uma caneta na mão? Fechei os olhos, lembrando de sua risada, da maneira como ele me explicava algoritmos complexos em termos simples e mágicos. Ele confiava em Caio. Ele trouxe Caio para sua empresa. E Caio, com o pai de Bruna como seu cúmplice, havia destruído tudo, e a ele.

Meu amor por Caio, aquela coisa frágil e equivocada, havia morrido esta noite. Mas outra coisa estava florescendo em seu lugar. Uma determinação fria e dura. Uma sede de justiça.

Meus dedos encontraram o pequeno e quase invisível fecho na parte inferior do armário. Ele se abriu com um clique, revelando um compartimento secreto. Dentro, aninhado entre plantas desbotadas e um diário de couro gasto, havia um pequeno pen drive criptografado. O trabalho final do meu pai. A verdadeira Aura.

Isso não era mais apenas sobre Caio. Era sobre Davi Ferraz. Meu pai. E seu legado. O pen drive parecia frio contra minha palma, uma promessa, uma arma. Esta era a chave. Era aqui que tudo começava.

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