Capítulo 2

Semanas depois.

«Senhorita Victoria, aqui está o seu jantar.» A empregada colocou o prato na mesa. De repente, ao ver a comida à sua frente, Victoria sentiu o estômago embrulhar. Balançou a cabeça e pegou o garfo, determinada a dar a primeira mordida.

Mas... ela se levantou abruptamente e correu para o banheiro, dominada por uma onda de náusea. Não era a primeira vez naquela semana. Enquanto limpava a boca em frente ao espelho, um pensamento a atingiu como um raio: sua menstruação estava atrasada havia alguns meses.

Poderia realmente ser o que ela suspeitava?

Sem hesitar, pediu um teste na farmácia e, ao ver o resultado, as lágrimas embaçaram sua visão. Depois de esperar tanto tempo por um milagre, ele finalmente estava ali. O que ela tanto desejava estava agora refletido na tira do teste.

«Positivo.»

Ela pulou de alegria e abraçou a barriga, sem conseguir acreditar. Naquele exato momento, a porta da mansão se abriu. Eder acabara de voltar do trabalho e, ao vê-la pulando de excitação, franziu a testa.

«Oi, meu amor. Por que está tão feliz?» Ele largou a pasta no chão enquanto Victoria, com os olhos cheios de lágrimas, se aproximou dele e estendeu o teste à sua frente.

«Meu amor, tenho algo muito importante para te contar.»

Eder, fingindo surpresa, pegou o teste nas mãos. Ao ver o resultado, conseguiu sorrir.

«É... é verdade isso, Victoria?» ele perguntou, com uma nota melancólica na voz. Ele a olhou nos olhos, e ela, radiante de emoção, sorriu ternamente de volta.

«Sim, meu amor, sim! Vamos ser pais!» ela exclamou, radiante de felicidade.

«Que alegria!» Eder a abraçou e a ergueu no ar. «Você me faz tão feliz, meu amor. Finalmente vamos ser pais!»

«Estou tão feliz, Eder. Finalmente!»

Enquanto Victoria celebrava, agarrada ao peito dele, a expressão de Eder mudou pelas costas dela. Seu olhar se tornou sombrio e calculista, como se tudo estivesse se desenrolando exatamente como ele havia planejado.

A euforia deles encheu a mansão. Eles celebraram fervorosamente o milagre que tanto esperavam. No entanto, o toque insistente da campainha interrompeu o momento.

Victoria se afastou do marido e o olhou, confusa.

«Quem será?»

Ela abriu a porta e, ao ver o rosto de Carolina, sua alegria foi completa.

«Irmã! Que alegria te ver aqui.»

Ela se jogou nos braços dela e a abraçou apertado, sem conseguir conter sua excitação.

Carolina retribuiu o abraço, mas pelas costas da irmã, lançou um olhar ameaçador para Eder.

«Vim te visitar, irmãzinha.»

Carolina entrou e encarou o cunhado friamente. «Não sabia que você já estava em casa, Eder.»

«Como vai, Carolina?» ele respondeu com indiferença.

Victoria olhou para os dois, sentindo sua alegria completa. Pegando as mãos deles, exclamou com entusiasmo:

«Vamos celebrar. Pedi a Jacinta para preparar um jantar especial.»

Carolina franziu a testa ligeiramente, mostrando confusão.

«Celebrar o quê?»

«Irmã, estou grávida», Victoria anunciou, com os olhos brilhando de emoção.

Carolina sorriu nervosamente, fingindo estar feliz por ela.

«Parabéns, Victoria.»

Em meio àquela felicidade forçada, os três se sentaram para jantar enquanto conversavam sobre planos para o futuro com o bebê a caminho.

«Bom, eu mesma fiz a sobremesa. Vou trazê-la.» Victoria sorriu deliciada e se levantou da mesa.

«Obrigado, meu amor.» Eder pegou a mão dela e deu-lhe um beijo afetuoso.

Ainda envolvida em sua alegria, ela correu para a cozinha. Enquanto preparava as sobremesas, não conseguia parar de sorrir. Compartilhar a notícia com as duas pessoas que mais amava a encheu de felicidade.

Colocou os três pratos em uma bandeja e voltou para a sala de jantar.

Ao chegar, seu marido e sua irmã haviam desaparecido.

«Que estranho... Para onde foram?» ela se perguntou.

Silenciosamente, ela começou a procurá-los pela casa, ainda segurando a bandeja nas mãos. Achou estranho que os dois tivessem desaparecido ao mesmo tempo.

Então, um som vindo do final do corredor, bem no escritório de Eder, chamou sua atenção.

Eram gemidos?

Victoria levou a mão à boca e congelou ao lado da porta entreaberta. O que ela viu do outro lado despedaçou completamente seu coração. Ela não podia acreditar!

Carolina estava agarrada ao pescoço do marido, beijando-o apaixonadamente. Seus lábios molhados mal sussurravam no ar, e os gemidos intensos confirmavam a traição. Mas não foi isso que mais a chocou.

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«E me diz, quando você vai se livrar da minha irmãzinha estúpida, meu amor?» Carolina sussurrou sedutoramente, acariciando as costas da mão de Eder.

«Muito em breve», ele respondeu friamente. «Agora que ela está grávida do bebê daquele idiota do Salvatore Mancini, será muito mais fácil me livrar dela... e dele.»

«É incrível, meu amor.» Carolina não soltava o pescoço dele. «E me diz, querido, como você conseguiu engravidá-la do filho daquele idiota?»

Cada palavra que Victoria ouvia era uma adaga direto no peito, dilacerando-a por dentro.

«Foi muito fácil», Eder confessou com desdém. «Eu apenas a droguei e paguei os homens de Mancini para me ajudarem a colocá-la na cama dele. E claramente, a vadia não perdeu tempo. Ele caiu direitinho.»

«E pensar que por tanto tempo a tonta estava tomando anticoncepcionais, pensando que eram vitaminas», Carolina explodiu em uma risada zombeteira, enquanto Eder agarrava o rosto dela para beijá-la selvagemente.

Victoria mordeu os lábios, incapaz de proferir uma única palavra. Ela balançou a cabeça, tentando silenciar as frases que ainda ecoavam no ar. Sua mente nublou. O filho que ela esperava... não era do marido. E a dor da traição, perpetrada pelas pessoas que ela mais amava, perfurou sua alma como uma adaga em brasa.

Suas mãos tremeram, e a bandeja de sobremesas caiu abruptamente no chão. O estrondo do aço contra o azulejo quebrou o silêncio, assustando Eder e Carolina, que viraram a cabeça para a porta. Ela se abriu.

Com os olhos cheios de lágrimas e o peito ardendo de fúria, Victoria invadiu o escritório, pronta para confrontá-los.

«Seus traidores imundos!»

Capítulo 3

«Seus traidores imundos!»

Victoria cerrou os punhos com raiva. Um turbilhão de emoções a sacudia por dentro: o amor estava se transformando em ódio, e a dor, em uma incontrolável sede de vingança. Ela se aproximou do marido e o olhou diretamente nos olhos.

«Seu maldito traidor! Desde quando você está me traindo com a minha irmã, Eder?»

Sua voz tremia, pesada de desilusão.

Eder a olhou com frieza e indiferença. Ele não era mais o homem que ela amara um dia, nem aquele que ela pensava conhecer. Enquanto isso, Carolina se empoleirava descaradamente na escrivaninha, exibindo um sorriso zombeteiro, claramente desfrutando do espetáculo.

«Victoria, querida... Não é o que você pensa», Eder mentiu, sem o menor pudor.

«Ah, não é?» Os olhos de Victoria moveram-se do rosto da irmã para o do marido, como se buscasse neles um resquício de humanidade. «Como você pôde?»

Eder deu de ombros com total indiferença, afastando-se do caminho dela. Acendeu um cigarro com uma calma insultante antes de responder:

«A culpa é sua, Victoria. Você parou de me tratar como seu marido. Nossas noites se tornaram frias e chatas. Você não me dava mais um bom sexo, então tive que recorrer à Carolina... ela sabe como fazer direito.»

Carolina passou pela irmã com arrogância, empurrando-a sem o menor cuidado antes de agarrar o braço de Eder possessivamente.

Victoria sentiu seu mundo desmoronar. Seu peito apertou - cada palavra uma adaga cravada direto em sua alma. A dor era tão profunda que, por um momento, ela pensou que poderia morrer dela.

«Você é tão tola, irmãzinha. Enquanto você estava obcecada em ter um filho, eu estava dando prazer ao seu marido.» Carolina a olhou de cima a baixo e deslizou uma mão atrevida pelo braço de Eder.

«Não! Por favor... isso não pode estar acontecendo.» Victoria balançou a cabeça desesperadamente, a voz embargada entre soluços. «Não é minha culpa... Eu te amo, Eder. Sempre te amei, incondicionalmente. Por que você está fazendo isso comigo? E... me diga a verdade... É verdade que você me entregou a outro homem?»

Eder exalou uma nuvem de fumaça e a encarou com um desapego glacial. Não havia compaixão em seus olhos, nem um traço do amor que ele um dia jurou a ela.

«Victoria, se você realmente me ama e quer outra chance comigo, você dará um herdeiro ao meu chefe, Salvatore Mancini. Ele é o pai... e essa será a sua maior prova de amor.»

Ele se aproximou e roçou a bochecha dela, marcada pelas lágrimas, mas Victoria afastou a mão dele com nojo. Seu mundo estava desmoronando diante de seus olhos; era como estar presa em um pesadelo sem fim.

«Nem morta! Eu não darei meu filho a ninguém. Isso não pode ser real!»

Eder agarrou seu braço com força, forçando-a a olhá-lo.

«Querida, se você me ama, fará o que eu digo. Você não tem escolha.»

«Não!» ela gritou em desespero, sentindo o sangue ferver de raiva. «Eu vou abortar essa criança. Não vou levá-la adiante. Não vou te dar nada!»

A expressão de Eder escureceu. Seus traços se retorceram em algo cruel e impiedoso enquanto ele apertava o braço dela com força brutal.

«Você não tem escolha, Victoria.»

«Sim, eu tenho!» Ela tentou correr para a porta, mas antes que pudesse alcançá-la, sentiu uma parede de força detê-la. Escapar não seria tão fácil.

Eder e Carolina não lhe deram trégua. Enquanto Victoria lutava desesperadamente por sua vida, eles amarraram suas mãos e pés, arrastando-a para fora da mansão sem que a empregada percebesse. Enfiaram-na no porta-malas do carro como um mero objeto.

Eder dirigiu por uma hora. Quando o carro finalmente parou e o porta-malas foi aberto, um arrepio frio percorreu a espinha de Victoria. O pânico a dominou no momento em que ela reconheceu o lugar: a Corporação Mancini, a fachada do chefe da máfia mais poderosa da cidade, usada para encobrir seus negócios obscuros. Sua mente pintou uma imagem aterrorizante do chefe de seu marido, um criminoso violento que matava sem hesitar.

A caminhada até o escritório pareceu interminável. Eder não pediu permissão, nem se anunciou. Ele invadiu o escritório de Salvatore Mancini, cercado pelos homens do mafioso. Com um empurrão, jogou Victoria no chão diante dele.

Salvatore levantou o olhar, visivelmente irritado.

«Por que você está aqui, Eder? Eu não te chamei.»

Eder deu um sorriso calculista.

«Senhor, eu trouxe algo que talvez lhe interesse.»

A cabeça de Victoria estava coberta com um capuz escuro. Sem aviso, Eder o puxou, expondo o rosto dela.

Salvatore sentiu um choque perfurar seu peito. Seu olhar se fixou nela, atordoado. Aquela mulher... era a mesma que havia se metido em sua cama noites antes. O que ela estava fazendo ali?

Sua mandíbula se contraiu.

«O que isso significa, Eder?»

Eder sustentou seu olhar com descarada desafio, saboreando o momento.

«O senhor sabe perfeitamente o que significa, senhor. Permita-me apresentar Victoria Ventura, minha esposa. Ela está esperando o seu filho. Lembra-se daquela noite?»

Victoria balançou a cabeça, confusa. Seus olhos se fixaram em Salvatore e, para sua surpresa, ele não inspirava o medo que ela havia imaginado. Havia algo nele - uma conexão inexplicável que a fazia sentir-se menos aterrorizada. Mas quando ela processou a brutal confissão de seu marido, sentiu o chão desaparecer sob seus pés.

«Não estou entendendo uma porra, Eder. O que diabos está acontecendo aqui?»

Eder, no entanto, sorriu sem pudor.

«Chefe, vou lhe dar o seu herdeiro... em troca de cinco milhões e o controle sobre o território norte. Essa zona tem que ser minha.»

«O quê? Você está vendendo sua esposa por dinheiro?» Salvatore olhou para ele com total nojo. Em todos os seus anos na máfia, ele havia visto homens cruéis, mas até os mais impiedosos deles respeitavam suas esposas.

Eder deu de ombros com cinismo.

«'Vendê-la' soa muito duro, meu senhor. Chamemos de troca. E se você não aceitar...» ele fez uma pausa, «eu mesmo quebro o pescoço dela.»

Em um único movimento, Salvatore encurtou a distância e desferiu um soco brutal no rosto de Eder. Sangue jorrou de seu lábio.

Eder não se moveu. Não porque não quisesse revidar, mas porque estava cercado pelos homens de seu chefe.

«Seu maldito bastardo... Eu deveria arrancar suas bolas, Eder!» Salvatore cuspiu as palavras com raiva.

Victoria permaneceu em silêncio, paralisada, incapaz de processar o que estava acontecendo.

Eder, por outro lado, limpou o sangue do lábio com as costas da mão e sorriu insolentemente.

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«Senhor, se o senhor não aceitar o acordo, de um jeito ou de outro, esta mulher morrerá... com seu filho dentro dela. É sua decisão.»

Salvatore, apesar de ser um homem frio e sem remorso, não podia ignorar a mulher parada à sua frente. Se ela realmente carregava seu filho, ele não podia deixar que seu maldito marido a matasse. Havia algo nela que despertava um sentimento incômodo dentro dele, algo que ele não estava pronto para confrontar naquele momento.

Ainda assim, nem os cinco milhões nem o território norte significavam muito para ele. Então, sem dar muito crédito a Eder, ele acenou brevemente.

«Solte-a, seu maldito tolo!»

Eder desamarrou Victoria e deu um sorriso arrogante.

«Muito bem, chefe. Então vamos formalizar. Nos vemos em sete meses, com seu filho.»

Salvatore soltou uma risada seca e sombria.

«Besteira, Eder. Victoria fica comigo.»

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