Léo insistiu em uma "noite romântica".
Ele disse que se sentia distante, queria se reconectar antes do aniversário deles.
Ele havia reservado uma mesa no 'Céu de SP', o restaurante de cobertura mais exclusivo da cidade, completo com um show de fogos de artifício particular que ele organizou "só para ela".
Exagerado, caro e totalmente sem sentido para Maya agora.
Ele estava incrivelmente atencioso, segurando sua mão, pedindo seu champanhe favorito.
Interpretando o papel do marido dedicado.
Era uma performance, e ela era sua plateia relutante.
Eu vou desaparecer, Léo, ela pensou, observando-o apontar constelações no céu noturno.
Você só não sabe ainda.
Ele a puxou para perto, roçando o pescoço nela. "Você está quieta hoje, linda."
Apenas cansada, ela mentiu.
Seu toque, antes um conforto, agora parecia uma marca de ferro.
Quando os fogos de artifício começaram a explodir em cores deslumbrantes pelo céu, flashes de câmeras de repente irromperam do canto do terraço.
Sr. Almeida! Uma celebração de aniversário perfeita?, um repórter gritou.
Léo, sempre o showman, sorriu. Ele puxou Maya para um abraço ensaiado.
Então a ficha caiu. Isso não era para eles. Era para *eles* — o público. Sua nova linha de joias de "empoderamento" para mulheres precisava de um rosto saudável e romântico para vender.
Ele não estava apenas sendo um marido; ele estava gerenciando sua marca.
Sorria, querida, ele murmurou.
Maya forçou um sorriso. Ela se sentia como um adereço, uma completa impostora, uma fraude.
O flash disparou. Outro momento perfeito capturado para uma mentira.
Os repórteres, claramente avisados e pagos, agradeceram profusamente antes de serem discretamente escoltados para longe.
Maya queria gritar.
Léo estava constantemente em seu celular.
Coisa urgente do trabalho, amor, desculpe, ele dizia, virando-se.
Mas Maya viu o reflexo da tela no balde de gelo prateado uma vez.
Uma mensagem de texto, de um contato nomeado com um simples emoji de coração. Era uma foto dos lábios de uma mulher, carnudos e sedutores. A mensagem abaixo dizia: *Pensando na noite passada... Mal posso esperar pelo meu verdadeiro presente de aniversário mais tarde.*
Preciso usar o banheiro, disse Léo abruptamente, sua compostura um pouco abalada. "Volto já."
Um pressentimento frio tomou conta de Maya. Ela esperou um momento, depois se desculpou.
Ela não foi para os banheiros principais. Ela seguiu o caminho que ele havia tomado, subindo uma escada particular que não havia notado antes, levando a um nível ainda mais exclusivo.
Uma única porta estava marcada: "A Suíte Celestial".
Ela podia ouvir vozes de dentro. Pressionou o ouvido contra a madeira fria.
Ah, Léo, este é o aniversário mais romântico de todos! Era a voz de Ísis Castro, ofegante e extasiada.
Só o melhor para você, a voz de Léo era um murmúrio baixo e íntimo. "Você acha que eu reservaria este lugar e organizaria um show de fogos de artifício particular para qualquer outra pessoa?"
O sangue sumiu do rosto de Maya. A "noite romântica", a "reconexão" — tudo, uma mentira construída em torno da celebração de aniversário de outra mulher.
Então vieram os sons. Um gemido baixo de Ísis, um som de puro prazer que fez o estômago de Maya revirar. O farfalhar de seda. O tilintar sugestivo de um cubo de gelo sendo jogado em uma bebida, seguido por uma risadinha rouca.
Sabe o que tornaria tudo absolutamente perfeito?, a voz de Ísis era enjoativa, possessiva. "Aquele colar. O 'Horizonte de Maya'. É tão lindo. Eu o quero."
Não houve hesitação em sua voz. Apenas a confiança casual de um homem concedendo um desejo.
É seu, Léo prometeu. "Eu pego para você."
Maya sentiu uma dor física e aguda no peito. Aquele colar não era apenas uma joia. Era o rim. Era o livro raro. Era a suposta prova de que ele atravessaria o fogo por ela. E ele ia entregá-lo à sua amante como um brinde de festa.
Era como vê-lo rasgar a vida deles, pedaço por pedaço, e exibi-la por esporte.
A traição era tão descarada, tão cruel.
O coração de Maya martelava contra suas costelas.
A dor era tão intensa que parecia um golpe físico.
Léo voltou para a mesa, todo sorrisos. "Desculpe por isso, crise no trabalho resolvida."
Ele colocou o braço em volta dela. "Está se sentindo bem? Você parece um pouco pálida."
Alheio. Totalmente, enlouquecedoramente alheio.
Apenas uma dor de cabeça, Maya conseguiu dizer, afastando-se um pouco.
Ela olhou para ele, para o homem que amara, o homem que salvara sua vida, que agora a estava destruindo.
Léo, ela começou, a voz baixa, "se um homem, um marido, estivesse tendo um caso... o que você pensaria dele?"
Ele franziu a testa, surpreso com a pergunta.
Eu pensaria que ele é um canalha, disse Léo, seu tom veemente. "Um verdadeiro lixo. Especialmente se ele tivesse uma esposa que o amasse, que confiasse nele. Não há desculpa para esse tipo de traição, Maya. Nenhuma."
Sua hipocrisia era de tirar o fôlego.
Seu celular vibrou novamente. Ele olhou, um lampejo de irritação, depois outra coisa – preocupação?
Droga, ele murmurou. "Outro assunto urgente da empresa. Um estagiário novo bagunçou uma migração de servidor enorme. Tenho que ir resolver isso. O Marcos não consegue lidar com essa."
Ele a beijou rapidamente. "Você fica, aproveita a vista. Voltarei assim que puder. Eu prometo."
Ele saiu apressado.
Maya o observou ir, uma certeza fria se instalando nela.
Ela pegou seu celular descartável, discou para um serviço de carro.
Siga aquela Escalade preta, ela disse ao motorista, apontando para o carro de Léo que partia. "Discretamente."
A Escalade não foi em direção à sede da Almeida Global.
Dirigiu-se a um elegante e novo prédio de condomínio de luxo em um bairro nobre do centro.
O motorista estacionou do outro lado da rua. Maya esperou.
Dez minutos depois, Léo saiu do prédio.
Com Ísis Castro.
Ísis estava rindo, agarrada ao braço dele. Léo sorria para ela, um olhar de afeto possessivo em seu rosto.
Eles pararam perto do carro dele na entrada privativa do prédio.
Ele a puxou para perto, e eles se beijaram.
Um beijo longo, apaixonado, de boca aberta. Em plena luz do dia.
Maya observou, seu sangue virando gelo.
Então, eles entraram no carro dele. As janelas eram escuras, mas ela viu as silhuetas se moverem.
O carro começou a balançar. Levemente, a princípio. Depois, com um ritmo mais urgente. Sugestivo.
Bem ali. Na entrada.
Maya fechou os olhos.
Ela se lembrou da noite de núpcias.
Léo tinha sido tão terno, tão reverente.
Ele lhe dissera que queria que a primeira vez deles como marido e mulher fosse perfeita, sagrada.
Ele fizera amor com ela com tanto cuidado, tanta devoção.
Parecia uma verdadeira união de almas.
Agora, isso.
Essa exibição barata e sórdida em um carro com sua amante.
O contraste era uma faca se retorcendo em suas entranhas.
O motorista do táxi, um homem mais velho de rosto gentil, olhou para ela no espelho retrovisor.
Senhora, você está bem?, ele perguntou gentilmente.
Maya abriu os olhos. Lágrimas escorriam por seu rosto.
Ele não vale a pena, senhora, disse o motorista suavemente. "Nenhum homem que faz isso vale suas lágrimas."
Maya balançou a cabeça, uma risada amarga escapando dela. "Perdoá-lo? Nunca."