Rosalyn estava apaixonada por Saul há quatro anos antes do casamento de três anos deles.
Só agora ela sentia que realmente o compreendia.
Saul era completamente insensível.
Qualquer esperança que ela ainda tivesse nele se desfez completamente naquele momento.
Ela reprimiu sua tristeza e forçou um sorriso brilhante enquanto o olhava. "Tudo bem. Deixe-a se mudar."
Ela já estava pronta para partir de qualquer forma. Quem quer que morasse naquela casa não importava mais para ela.
Saul fez um leve som de assentimento e se afastou.
Ao mesmo tempo, o telefone de Rosalyn tocou com uma notificação.
O título dizia: "O Confronto Entre um Promissor Advogado e uma Viúva Glamourosa."
Abaixo havia fotos de duas pessoas, apenas suas costas visíveis. Rosalyn as reconheceu instantaneamente.
Era Saul e Norene.
O texto que acompanhava descrevia a identidade de Norene. Ela havia se casado com um homem rico no exterior, mas ele era abusivo.
Saul cuidou de seu caso, não só conseguindo o divórcio, mas também ganhando metade da fortuna do ex-marido dela.
Rosalyn soltou uma risada de desprezo.
Um mês atrás, Saul havia mencionado que iria ao exterior por um caso. Ele nunca disse que era por Norene.
Saul não tinha estudado direito originalmente; sua área era finanças.
Três anos atrás, por razões desconhecidas, ele mudou de carreira. Estudou incansavelmente e obteve sua licença de advogado em apenas um ano.
No ano seguinte, tornou-se uma lenda no mundo jurídico, apelidado de "Advogado Imbatível."
Rosalyn nunca entendeu por que ele mudou de rumo até que perguntou a ele uma vez.
Ele olhou pela janela, sua voz amarga. "Por alguém."
Naquela época, ela não entendeu o que ele quis dizer. Agora, estava tudo claro como cristal.
De repente, lágrimas encheram os olhos de Rosalyn enquanto ela ria.
Mesmo sabendo que Norene era casada, Saul havia pavimentado incansavelmente o caminho para o futuro dela.
Rosalyn murmurou para si mesma, "Tudo bem, Saul. Se você a ama tanto, eu vou me afastar."
Naquela noite, Norene se mudou, suas coisas chegando caixa após caixa, como se planejasse ficar para sempre.
Saul, que raramente vinha para casa, voltou naquela noite e até preparou uma refeição completa ele mesmo.
Três meses antes, Saul, que sempre evitava a cozinha, havia se matriculado em um curso de culinária. Rosalyn achou estranho na época.
Agora ela percebia que ele estava se preparando para o retorno de Norene.
Ver o homem que amava há tanto tempo fazer tantos esforços por outra mulher, o coração de Rosalyn doeu apesar de si mesma.
A equipe ofereceu ajuda, mas Saul preferiu preparar tudo sozinho, mostrando seu comprometimento pessoal.
Um homem antes tão meticuloso agora cozinhava por amor.
Naquele momento, Rosalyn viu o quão grande era a diferença entre ser amado e não ser.
Logo, a refeição estava pronta, e todos se sentaram.
Norene, como sempre, continuava servindo comida para Rosalyn, agindo como se fossem as melhores amigas. "Rosalyn, Saul fez tudo isso. Você não costuma ter a oportunidade de provar a comida dele. Você tem sorte de eu estar aqui. Coma!"
Norene já nem tentava disfarçar.
Rosalyn se lembrou de sua infância. Norene costumava vir para brincar, mas só quando Saul estava por perto.
Ela costumava pensar que Norene via Saul como um irmão mais velho, já que ela não tinha um.
Agora Rosalyn percebia que tinha sido ingênua.
Ela afastou as ofertas de Norene, mantendo seu tom apenas educado. "Obrigada, mas não."
Os olhos de Norene se encheram de lágrimas, sua voz soando piedosa. "Rosalyn, você está chateada? Você não quer que eu more aqui? Eu pensava que éramos melhores amigas. Se você me odeia, vou me mudar hoje à noite. Mas o processo? Eu implorei para Saul aceitá-lo. Se você está brava, culpe a mim, não a ele."
Antes que Rosalyn pudesse responder, Saul franziu a testa e disse, "Rosalyn, se você está chateada, resolva comigo. Norene sempre te viu como a melhor amiga. Não precisa agir assim com ela."
Melhor amiga?
Que tipo de melhor amiga tenta roubar seu marido?
Rosalyn estava cansada de discutir com eles. Ela falou calmamente. "Sou alérgica a peixe. Você esqueceu?"
As palavras de Rosalyn deixaram a sala em um silêncio embaraçoso.
Seu marido havia preparado uma refeição completa, mas nenhum prato era seguro para ela comer.
Sua suposta melhor amiga sequer se lembrou de sua alergia a frutos do mar.
Se algum deles tivesse se importado um pouco com ela, não teriam esquecido.
A voz de Saul estava baixa quando ele falou. "Desculpe, eu não sabia que você era alérgica a frutos do mar."
Rosalyn esboçou um sorriso fraco e amargo. "Está tudo bem."
Ela já havia decidido partir. Se ele lembrava ou não, já não importava mais.
Com pouca coisa na mesa que pudesse comer, Rosalyn foi para a cozinha e preparou macarrão para si mesma.
Durante a refeição, Saul descascava camarões para Norene, mergulhando-os no molho, sem querer que ela fizesse isso sozinha.
Rosalyn lembrou-se do primeiro ano juntos, quando saíram com amigos.
Ela havia pedido brincando para Saul descascar camarões para ela, mas ele respondeu friamente: "Se não quer descascar, não coma."
Camarão era o único fruto do mar ao qual Rosalyn não era alérgica.
Depois disso, ela nunca mais os comeu.
Quando criança, seu pai costumava descascá-los para ela. Como adulta, sem ninguém disposto a fazer isso, simplesmente parou.
Agora ela entendia. Não era que Saul não pudesse descascar camarões. Ele simplesmente não queria fazer isso por ela.
Após o jantar, Rosalyn começou a subir as escadas, mas Norene a interrompeu, insistindo em preparar café para todos.
Enquanto Norene carregava um pote de água fervente, ela tropeçou, e o líquido escaldante espirrou em direção a Rosalyn.
Saul estava bem ao lado delas.
Naquele momento crítico, ele puxou Norene para seus braços, seus olhos cheios de preocupação inconfundível. "Norene, você se queimou?"
Os olhos de Norene se encheram de lágrimas enquanto ela apontava para seu braço levemente avermelhado. "Meus dedos foram salpicados."
A expressão de pânico cruzou o rosto de Saul. Ele pegou Norene nos braços e correu para levá-la ao hospital.
Enquanto isso, Rosalyn ficou sentada no chão, seu braço e coxa cobertos de bolhas e queimaduras causadas pela água fervente.
Ela era sua esposa. Era ela quem precisava de um hospital. Mas Saul não se importou.
Mais tarde, Rosalyn cuidou sozinha de suas feridas em casa.
Ela disse a si mesma para lembrar daquela dor. Só uma dor tão intensa lhe ensinaria uma lição.
À uma da manhã, Saul voltou com Norene. Ela foi até o quarto de Rosalyn sozinha.
"Rosalyn, vim ver como você está", disse Norene.
Sem esperar permissão, ela empurrou a porta. "Rosalyn, sinto muito por esta noite. Suas feridas estão bem? Deixe-me ver."
Rosalyn já estava com dor e de mau humor. Agora, interrompida enquanto tentava dormir, ela retrucou: "Norene, estamos só nós duas aqui. Pare de fingir. Não está cansada? Melhores amigas, hein? Nunca pensei que seria você a me apunhalar pelas costas."
Quando a família de Norene enfrentou a falência anos atrás, Rosalyn implorou ao pai para ajudá-los a sobreviver.
Nunca imaginou que havia salvo uma cobra ingrata.
Vendo que Rosalyn sabia a verdade, Norene abandonou o ato, sua voz cheia de arrogância. "Rosalyn, nós não somos iguais. Você só tem um pai rico. Eu não dependo de homem nenhum. Eles são apenas degraus para mim. Quanto a Saul, é ele quem está atrás de mim. Se você não consegue manter seu marido, isso é problema seu. Não jogue tudo em cima de mim."
Rosalyn achou a desfaçatez de Norene espantosa, vestindo sua traição como algo nobre.
Antes que Rosalyn pudesse responder, Norene se aproximou, provocando. "Também sei que você liga para Saul todas as noites às dez. Quer saber por que ele não atendeu este último mês? Ele estava na minha cama."
Suas unhas roçaram o queixo de Rosalyn enquanto ela sorria. "Ouvi dizer que você destruiu o robô que eu dei a ele? Obrigada por isso. Se não o tivesse feito, ele não teria corrido para mim no exterior. Meu divórcio não teria acontecido tão rápido."
Os olhos de Rosalyn se arregalaram em choque.
Aquele robô era um presente de Norene? Eles eram repugnantes ao extremo.
Vendo a expressão furiosa de Rosalyn, Norene riu com satisfação. "Não há necessidade daquele robô agora. Estou de volta. Você teve o título de Sra. Wright por três anos. Hora de abrir espaço."
O olhar de Rosalyn tornou-se gélido. Ela deu um tapa forte em Norene, sua voz cortante. "Norene, você nunca aprendeu a ter decência?"
Norene ficou espantada. "Você ousa me bater?"
"Bater em você? Não preciso escolher um dia especial para isso. Para uma destruidora de lares como você, um tapa é pouco."
Antes que Rosalyn pudesse dizer mais, Saul entrou, seu rosto escurecendo. "Norene nunca foi a outra. Se alguém aqui é a outra, é você."