Dominique Rodrigues
Acordei com disposição o bastante para correr uma maratona. Ainda são quatro da madrugada, mas não quero que nada saia errado no meu primeiro dia de trabalho na Dvorak. Sem fazer barulho, saio do quarto e sigo por um corredor iluminando com a lanterna do meu celular. Geralmente a luz do corredor fica acessa, mas como não sei por que apagaram. prefiro não acender. Também não posso fazer barulho. Faz exatamente quatro meses que moro na pensão da Dona Flor dividindo um quarto com três garotas.
Lavei meu cabelo sem pressa e o sequei com a toalha. Secador estava fora de cogitação antes das seis da manhã. Isso não era um problema, graças a Deus os meus cabelos nunca foram rebeldes. Eles sempre entenderam que não tínhamos condições financeiras para caprichos.
Me vesti com calma tratando de ficar o mais formal possível com uma saia preta na altura dos joelhos e uma blusa branca de mangas compridas, passei um batom nem um pouco chamativo e deixei os cabelos soltos. Eu estava mais que pronta. Só faltava o salto que decidi colocar quando estivesse saindo para não cansar as minhas pernas.
Ao sair do banheiro, uma pessoa já esperava para usar. O dia na pensão estava começando.
Antes de sair da pensão, peguei a minha bolsa e um casaco para o caso de o clima mudar. São Paulo é a capital da mudança no clima. O meu visual seria destruído se o colocasse, mas entre conforto e beleza, escolho conforto. Quando começar a receber o salário e puder alugar um apartamento, penso em beleza.
O metrô estava lotado. Quase fui jogada para fora antes da minha estação. Mas nada estragaria o meu humor. A Dvorak me aceitou como funcionária entre tantos outros. Me esforcei muito, e consegui.
Desci e andei os poucos minutos até o prédio de dez andares. O lugar era tão imponente que até tive vergonha de entrar. Muito vidro, limpos ao extremo, imaginei o trabalho dos responsáveis pela limpeza. O nome Dvorak estava escrito em letras douradas e grandes. Respirei fundo e passei pelas portas que se abriram diante da minha movimentação.
— Bom dia! — disse me aproximando de uma das recepcionistas.
— Bom dia! — a moça respondeu com um sorriso calculado. Ela usava um uniforme de saia e colete cinza e blusa branca, com um lencinho no pescoço. — Posso ajudá-la?
— É o meu primeiro dia. Poderia dizer onde devo ir me apresentar?
— Pode esperar com os outros, ali no saguão. Os Dvorak vão recebê-los e em seguida serão encaminhados ao seus lugares. — Ela apontou para um canto onde havia alguns sofás e várias pessoas.
— Obrigada! — agradeci e segui em direção ao grupo de onze pessoas. Eu contei. Queria que fossem doze, pois comigo se tornaria treze, o meu número da sorte. É, sou cheia de superstições. Desde não passar embaixo de escada até não deixar bolsa no chão para não ficar sem dinheiro.
O grupo era composto por apenas três mulheres, o resto eram homens. Alguns bonitos, outros nem tanto. O mais engraçado foi que o que me chamou mais a atenção foi uma garota negra de sobrancelhas bem feitas, olhos cor de âmbar e cabelos com aqueles cachos que me matam de inveja. Ela usava uma calça de alfaiataria grafite e um terninho da mesma cor sobre uma blusa branca de seda. Deveria estar em uma passarela, não em uma empresa.
Me aproximei dela e puxei conversa:
— Olá, vocês são novatos também?
Ela sorriu mostrando dentes perfeitos e alinhados naquela boca cheia que também me deixa com certa inveja.
É só inveja! Não tenho desejo por mulheres. Apesar de também ainda não ter experimentado o sexo masculino, prefiro braços fortes me abraçando. Meus sonhos eróticos são com belos homens.
Alheia aos meus pensamentos invejosos, ela respondeu com uma voz melodiosa:
— Sim. Estamos esperando os irmãos fazerem o discurso de boas-vindas. Me chamo Rubia, vou ser a secretária do Apollo Dvorak.
— Prazer! Me chamo Dominique, vou trabalhar com o pessoal de design gráfico. — Agradeci a Deus por ter alguém disposto a conversar.
— Oi, meninas! — uma mulher muito loira sorriu e se aproximou. — Me chamo Ayla, vou ser a secretária do senhor Matteo. — Está claro seu nervosismo, pois suas mãos tremiam um pouco e a voz dela saia um pouco falha enquanto falava sem parar para respirar. — É o meu primeiro trabalho e a primeira vez que saio da minha cidade para morar sozinha em um lugar tão grande quanto São Paulo. Vocês são daqui?
Olhei para ela enquanto falava. Era realmente muito bonita, mas não me causava inveja como Rubia. O que ela tem de mais marcante são os olhos verdíssimos e as covinhas que nasciam a qualquer pequeno sorriso. Seu corpo era magro demais e deixava seu vestido social um pouco frouxo. Tive vontade de adotá-la. Como se eu tivesse condições de cuidar de alguém!
— Eu sou de Los Angeles. — Rúbia disse sorrindo amigavelmente para Ayla e me tirando da análise. — Mas tem dois anos que vivo em São Paulo. Me apaixonei por essa cidade.
— Eu nasci no estado, mas em um município mais afastado e menos desenvolvido — respondi também.
Enquanto conversávamos, alguns rapazes entraram na conversa e logo estávamos menos tensas.
Não demorou nem dez minutos e uma senhora com roupas sóbrias e elegantes chamou a nossa atenção fazendo com que olhássemos os dois homens parados atrás dela, parcialmente cobertos por sua imagem. Ela era muito alta. Ou era o salto.
— Esses são dois dos donos dessa empresa. Escutem com atenção o que eles têm a dizer — depois da vaga apresentação, ela se afastou ficando em um canto enquanto encarávamos os dois deuses do olimpo que desceram para falar conosco. Nunca achei homem de terno bonito, mas ao vê-los mudei de opinião rapidamente. Terno era a roupa mais perfeita do mundo. Ou era eles que eram? Eram eles.
— Inicialmente, desejo as boas-vindas. A frente da empresa estou eu, Gael Dvorak e os meus irmãos Matteo e Apollo Dovrak.
Tomei um certo ranço do seu jeito de mencionar o próprio nome. Senti como se ele se proclamasse o dono do mundo e automaticamente o apelidei assim; Dono do Mundo. Claro que não deixaria isso chegar aos ouvidos dele jamais, não sou louca. E claro que o jeito insuportável não me impediu de ficar excitada com o seu tom de voz. A voz de Gael Dvorak era aquele tipo de voz que não dá para controlar a imaginação. Ele certamente é o tipo que dá uma ordem e é obedecido com um sorriso. Se ele disser: Vá lavar a louça! Aposto que mesmo uma feminista vai e com a calcinha molhada, esperando, quem sabe, uma recompensa mais tarde. Esse pensamento me fez imaginá-lo em uma cena em uma cozinha, onde ele chega no meu ouvido e diz uma ordem qualquer com essa voz deliciosa e eu o vejo nu com as mãos cheias de detergente pronto para nos lambuzar.
Sorrindo, balanço a cabeça para espantar a imagem erótica e volto a minha atenção para as palavras dele. Meu pensamento: preciso de um namorado urgente. Virgindade em excesso pode fazer mal.
Gael continuava falando, enquanto o irmão permanecia calado ao seu lado com uma expressão sombria. Olhei para Ayla que estava ao meu lado, ela parecia ter diminuído um pouco — como se fosse possível — e disfarçava suas mãos um pouco tremulas. Tive pena dela porque seria a secretária dele. O homem não parecia nada fácil de lidar.
Quando Gael passou a palavra para ele, levei um susto. Ele tem a voz mais grave que a do irmão.
— Sejam bem-vindos! — disse simplesmente. Até pensei que ele sairia abruptamente, porém ele ficou lá parado como uma estátua de cera em um museu de personagens de suspense.
Percebi que Gael o olhou com certa irritação, mas voltou a nos encarar com um sorriso que também faz molhar calcinhas e disse:
— Meu irmão fala pouco, mas suas palavras são o que realmente desejamos. Sejam bem-vindos e vamos trabalhar.
Eles foram aplaudidos, enquanto saiam em direção aos elevadores.
Todos estavam seguindo seus rumos de acordo com o que a mulher, que descobri se chamar Juliet, nos indicava.
A primeira que ela orientou foi a Rúbia, pedindo para que ela a aguardasse enquanto terminava, pois a levaria até a sala dela já que o seu novo chefe não apareceu. Rúbia sorriu e se afastou um pouco, não parecia nem um pouco abalada. Ao contrário de Ayla que ficou olhando o chefe dela sair sem dar nenhuma orientação. Coitada, foi pegar logo o CEO que não fala!
Fui informada a qual andar deveria me dirigir e me despedi das minhas novas colegas com um sorriso. Vamos começar o trabalho de verdade!
***
O dia foi tranquilo. Conheci os meus colegas de trabalho. Meu chefe me explicou algumas coisas do que eu faria, me entregou meu crachá com minha foto e nome e passou os meus acessos aos sistemas necessários para o trabalho. Eu era oficialmente funcionária da maior empresa de cosméticos da América Latina. O dia passou extremamente rápido diante da minha transbordante alegria.
Na saída tive a sorte de encontrar Ayla e Rubia. Rubia saia pelo saguão assobiando uma música, outra coisa que me fez ter inveja. Não sei assobiar, e aos poucos estou me descobrindo uma invejosa completa.
Rindo com esses pensamentos, a chamei:
— Rubia?!
Ela se virou sorrindo ao me reconhecer e apressei o passo para alcançá-las. Ayla estava ao lado dela e tinha uma expressão bem melhor.
— Como foi o dia de vocês? — perguntei ao me aproximar.
— Não fiz nada. — Rubia diz simplesmente. — Acho que eles nem sabem o que fazer comigo. Meu chefe parece que é um fantasma aqui na empresa.
Ri um pouco e olhei para Ayla. Ela foi logo dizendo:
— Tenho certeza de que trabalhei por vocês duas. A secretária provisória não estava trabalhando direito. Tive que refazer muita coisa.
— Fiquei preocupada, confesso. Achei ele sombrio — falei.
Conversávamos caminhando pelo imenso saguão.
— Eu também. — Riu. — Mas percebi que não é tão ruim. Ele foi muito atencioso. De poucas palavras, mas estava lá para me ajudar a me adaptar.
— Bom, meninas, meu love me aguarda! — Rubia diz acenando para um belo rapaz ao lado de uma moto na frente da empresa.
— Até amanhã! — Ayla e eu dissemos juntas.
Um sentimento de que seriamos muito mais que colegas tomou conta de mim.
— Cuidado, meninas! Esse primeiro mês é crucial. Qualquer deslize e vamos direto para a rua. — Rubia diz antes de se afastar muito. — Não façam nada que comprometa seus empregos, pois gostei de vocês e ficarei uma fera se não formos mais colegas.
Apenas rimos. Isso eu já sabia. A fama da Dvorak era que não admitiam falhas ou desrespeito, e para eles alguém iniciando não pode fazer nada que vai contra as regras, pois significa que essa pessoa não respeita o seu trabalho. Esse foi um dos motivos pelo qual acordei de madrugada. Dormiria na porta da empresa, mas não daria chance ao azar de me fazer atrasada.
Uma coisa que devo deixar clara sobre Dominique Rodrigues, eu sou uma pessoa que atrai o azar.
Ayla e eu seguimos até a mesma estação do metrô, mas pegamos direções diferentes. Pretendia voltar de ônibus, porém decidi deixar de lado para acompanhá-la.
Enquanto voltava para casa, já sentia saudade do trabalho. Sentia dias cada vez melhores no horizonte.
Gael Dvorak
Depois que Matteo saiu do elevador no penúltimo andar, segui até o último, onde ficava o meu escritório. Fiz questão que cada um de nós ocupássemos um andar inteiro para mostrar status, mesmo que sobrasse espaço que poderia ser melhor distribuídos. O meu, é claro que ficou definido como o último. Eu queria estar no topo e merecia por ser o que mais trabalhava entre meus irmãos. Eles nem se atreviam a questionar.
— Bom dia, senhora Carter! — cumprimentei a minha secretária enquanto andava para a minha sala. — Por favor, avise que teremos uma reunião com o setor de design após o almoço. Falaremos sobre o próximo lançamento.
— Sim, senhor Dvorak.
A senhora Carter era o exemplo contrário de uma secretária atraente, mas não lhe faltava eficiência. Fiz questão de contratar alguém casada e com mais de cinquenta anos, assim poderia controlar minha libido. Como a secretária é quase uma esposa, ter uma gostosa poderia me deixar em maus lençóis. Confesso que adoro transar, de tal forma que chega a ser perigoso. E eu tinha uma regra ‘nunca me envolver com funcionários da Dvorak que reportam a mim”.
Li alguns contratos marcando algumas cláusulas para discutir com o meu advogado. Na hora do almoço desci para o restaurante da empresa. Fiz questão de adaptar a empresa com um restaurante para deixar mais prático e menos custoso para todos. Era servido café da manhã e almoço, além de disponibilizar lanche e café em qualquer horário. A nossa empresa pensava no bem-estar dos funcionários sempre, e era por isso que nossos processos seletivos viviam cheios e mal havia demissões. Todos queriam uma chance de trabalhar na Dvorak e quem conseguia não largava o osso.
***
Quando cheguei na sala de reuniões, todos os responsáveis pelo setor de design estavam sentados em suas posições, inclusive os dois novatos. Um rapaz e uma moça. E que moça! Tive que me esforçar para não desviar o olhar para ela mais que o necessário. Ela nem era a mulher mais linda que já conheci, mas havia algo que me puxava em sua direção, como um imã. Talvez fosse seus expressivos olhos castanhos que tinham um brilho que me fazia pensar em pureza e perdição. E quando eu penso em perdição significa me perder em pura luxúria.
Nota: transar com a funcionária nova. Agendei na minha mente. Na hora nem lembrei se ela se encaixava ou não nas minhas regras.
Falamos sobre o novo batom. Era um produto de longa duração e a prova d’agua. A embalagem seria em forma de uma flor em botão. Durante a reunião, chamei algumas pessoas do marketing para passar detalhes dos anúncios e propagandas.
Terminei a reunião e decidi ir para casa em busca de não pensar muito na nova tentação do lugar. Precisava estudar a nova funcionária antes de agir. O objetivo era conquistá-la, não ir com sede ao pote e ser processado. Nunca tive dificuldade em ter qualquer mulher que quisesse, porém isso não me deixou descuidado. Tinha que pensar no nome Dvorak antes de qualquer par de pernas abertas. Uma parte minha dizia que era um caminho perigoso, enquanto outra parte dizia que era o chefe dela que reportava a mim não ela. E ainda tinha a maior parte que não dizia nada, só fantasiava diferentes formas de estar dentro dela.
Ao chegar em casa encontrei minha mãe passeando pelo jardim com meu pai. Fazia algum tempo que ele não tinha crises graves. Na verdade, raramente as tinha. O encarei e vi o quanto se parecia com Apollo. Apesar de sermos trigêmeos, somos fisicamente diferentes. Todos nós temos cabelos pretos, olhos de um cinza diferenciado e acaba ai as semelhanças. Apesar de sermos altos, Matteo é o mais alto dos três com seus dois metros, depois vem eu com meus 1,95 e Apollo com seus 1,88. Detesto pelo e trato de me barbear todos os dias, além de depilar áreas que também prefiro lisinhas — elas também gostam. Matteo tem pelos pelo corpo e em alguns momentos fica parecendo um viking com sua barba, nem sempre. Agora Apollo vive com uma barba cerrada e uma expressão de moleque vagabundo. Outra coisa que gostamos bastante é de cuidar do nosso corpo, eu correndo, Apollo com suas aventuras e Matteo com seus treinos na academia que montou em sua casa. Éramos diferentes como qualquer irmãos.
— Olá, meu filho. Como foi com os novos funcionários? — meu pai perguntou ao me ver saindo do carro e deixando para o motorista terminar de estacionar. Aquela expressão de moleque de Apollo se fez presente com o seu sorriso. Nem os cabelos grisalhos tiravam sua expressão de garoto travesso.
— Excelente. Pessoas muito competentes pelo que pude analisar — respondi e logo perguntei. — E como vocês estão, meu casal favorito?
— Entediados. — Meu pai respondeu sorrindo. — Estou tentando fazer sua mãe sair dessa casa, mas ela fica me mantendo prisioneiro.
— Então tenho a solução. Vamos jantar fora e depois fazer algo que a mamãe não pode saber. — Pisquei para ele.
— Gael! — minha mãe começou a tentar negar.
— Mãe, quero levar a senhora a um restaurante incrível. Não aceito não como resposta.
Abracei a minha mãe guiando-a pelo jardim. Ela acabou aceitando e a noite foi incrível. Família realmente é um bálsamo.
***
No dia seguinte à reunião, passei novamente pelo setor de design. E no outro e no outro. Já tinha a ficha da novata. Seu nome era Dominique Rodrigues e pelas fofocas, ela não tinha namorado. Era só o que eu precisava saber.
Eu não resisti quando me entregaram o novo batom na embalagem experimental.
Olhei o objeto sob a minha mesa enquanto pegava o telefone e discava o ramal do setor de design.
— Fred, mande a novata até a minha sala — ordenei.
— Sim senhor — ele não questionou o motivo.
Em menos de cinco minutos, a senhora Carter bateu na porta anunciando a chegada de Dominique.
Como ela conseguia ficar cada dia mais linda?
— Entre e sente-se, por favor! — disse a uma Dominique de expressão profissional.
— Com licença — ela disse ao se sentar. Sua voz é macia e seu cabelo preto e ondulado estava preso em um coque que eu desejei desfazer enquanto beijava seus lábios convidativos.
— Quero que experimente esse batom. — Apontei o objeto sobre a mesa. — Quero ver no público de verdade.
Ela estendeu a mão para pegar o batom, mas fui mais rápido. Peguei o objeto e me sentei na mesa.
Ela me olhou estranhando a minha atitude. Sua sobrancelha arqueada a deixava ainda mais bela.
Foi mais forte que eu. Simplesmente abri o batom e segurei o seu queixo. Ela fechou os olhos, como se adivinhasse minhas intenções, e quase cedi a vontade de provar dos seus lábios. Pela forma como respirava, senti que a afetava tanto quanto ela me afetava. Dominique era um perigo para mim. Nunca me envolvi com nenhuma funcionária da empresa — mesmo que minha regra só inclua quem reporta a mim —, mas ela me parecia um ótimo motivo para enfrentar um processo de assédio ou uma chantagem. Esse pensamento me fez lembrar de Guilhermina, com a qual transei algumas vezes, mas isso foi antes que ela começasse a trabalhar na empresa, quando eu era jovem e curioso. A contratação foi a desculpa perfeita para dar um basta na relação. Ela sempre foi linda e gostosa na cama, mas não passava de sexo. Ainda assim, vez ou outra tenho que recusar seus avanços.
Aproveitei cada milésimo de segundo enquanto passava o batom nos lábios de Dominique. Pude sentir um pouco da sua pele macia enquanto a segurava pelo queixo e cheguei a sentir uma corrente elétrica passando por todo meu corpo quando contornei seus lábios com o polegar, em busca de imperfeições.
Quando ela abriu os olhos, comentei:
— Essa cor ficou incrível em você.
Ela abriu a boca para responder, mas a fechou novamente. E ao fechar, mordeu o lábio inferior distraidamente. Já a vi fazendo isso em vários momentos. Suspeito que era um movimento involuntário quando estava nervosa.
Para não deixá-la ainda mais desconfortável, completei:
— Obrigado por me ajudar a fazer esse teste. Gosto de ver como os produtos ficam de perto. A chamei para que você conheça um pouco mais sobre como trabalho é feito.
— Foi um prazer ajudar — sua voz saiu baixa.
— Leve esse kit e faça um teste em suas amigas. Gostaria de saber algumas opiniões — eu já tinha feito experimentos em várias modelos, mas não importava. Queria saber a opinião dela.
Ela pegou o kit.
— Claro, senhor Dvorak. Para quando o senhor deseja?
— Próxima segunda, por favor. — Voltei para minha cadeira e sentei. — Pode ir. Segunda feira entro em contato para saber o resultado. — A dispensei. Ela era muito atraente. Se ficasse mais tempo com ela poderia fazer alguma besteira. Algo como um assédio total. Passar o batom na sua boca poderia ser justificado que eu estava seguindo os passos do comercial de lançamento, que era muito parecido com o que fiz, mas se ela continuasse diante de mim, nada justificaria meus próximos atos.
Ela se foi, deixando a sala mais fria que de costume.