Capítulo 2

Senhor M O R G A N – Narrando ♔

Noite Anterior...

Eu havia acabado de sair do banho e estava enrolado apenas por uma toalha, quando meu celular tocou.

Suspirei antes de atender a ligação, vendo o nome de uma Deborah na tela.

— O que foi agora? – Perguntei, ouvindo-a suspirar de forma manhosa.

— Amor, por favor, vamos conversar? Eu vou até você se quiser! – Disse ela, me irritando.

— Eu estou em uma viagem de negócios. Conversaremos quando eu voltar! – Respondi e em questão de segundos, ouvi a porta ser destrancada. Vinquei minhas sobrancelhas e me virei, vendo uma mulher parada me encarando.

Minha primeira reação, foi desligar a chamada e a segunda, foi a de pegar uma camisa e me cobrir.

— Por que está aqui? Saia! - Falei, apontando para fora, mas ao ir até ela, a garota entrou fechando a porta, me apontando o dedo em seguida.

— Eu sabia que você não estava viajando! – Disse ela, vindo até mim, mas algo me chamou a atenção. Ela estava...embriagada!?

Por mais que eu não estivesse em uma situação agradável, confesso que era difícil olha-la e não querer toca-la. Ela tem o corpo atraente, mas sem excessos, os cabelos passavam dos ombros; eles eram negros e escorridos. E a franja tampava partes da testa dela, dando um toque angelical.

Só que, naquele momento, eu queria mesmo era a mandar para o inferno!

— Eu vou perguntar só mais uma vez. O que faz aqui? – Perguntei entre dentes, vendo-a sorrir, como se eu tivesse contado uma piada.

— Acha mesmo que agir assim vai tampar o buraco que causou em mim? – Perguntou ela, vindo até mim e me acertando com a bolsa algumas vezes.

Eu a segurei, puxando-a para mim tentando a conter e então, ela encostou a cabeça no meu peito, começando a chorar.

— Você some por duas semanas e aparece sem me falar nada? – Perguntou ela, me fazendo travar o maxilar e a empurrar. Ela então, levantou os olhos até os meus e me mostrou uma expressão triste. — O que está acontecendo?

— Você está sendo inconveniente! Se não sair daqui agora, eu chamarei a segurança! – Falei, puxando-a para fora, mas antes de sair, ela se desfez do toque e me encarou com um olhar de fúria.

— Como ousa, depois de tudo? Você me levou no mais profundo dos buracos ao desaparecer sem nem ao menos me dizer nada. Quando ia me contar que estava de volta? – Perguntou ela, em lágrimas.

Por uma fração de segundos, senti pena dela, mas não é isso que todas as dissimuladas fazem?

Teatro!

Puxei ela de volta e bati a porta com força, deixando-a assustada.

— Amor o que te deu? – Perguntou ela, tentando se aproximar, mas me desviei e como ela estava embriagada, a deixei cair sobre o sofá.

— Aria! Olha essa situação, que lamentável! – Falei em forma de resmungo, me virando para a olhar e de repente, a vi adormecida no sofá. — Ei, acorde!

Suspirei fundo e fui até ela, para a levantar. Assim que a segurei nos braços, ela abriu os olhos vagarosamente e me encarou de forma tão intensa, que não consegui decifrar o que aquele azul acinzentado queria me dizer.

E de repente, ela me deu um tapa.

— Você está com outra? Por isso está me tratando assim? – Disse ela, com um tom áspero.

Como ela conseguia ser tão falsa?

Travei meu maxilar e segurei os braços dela a levantando e a coloquei por cima dos meus ombros, levando-a para o banheiro e então, senti as mãos dela acariciarem meu peito por dentro da camisa, de forma lasciva.

— Eu estava com saudade! – Resmungou ela, me provocando, mas instantaneamente acabei me lembrando de o porquê eu estava com tanta raiva e a afastei. 

— Não me toque! – Pedi entre dentes a colocando no chão.

 Abri o registro do chuveiro e a forcei ficar embaixo para que se recuperasse daquela bebedeira e assim que a soltei e fiz menção de sair, ela me puxou.

— Aria, me solta! – Pedi, tendo meu corpo abraçado por ela e então, eu já estava todo molhado novamente.

— Cássio, o que está acontecendo? Por que você está me tratando assim? – Perguntou ela, com a voz manhosa, encostando a cabeça no meu peito.

Inspirei o ar de meus pulmões mostrando a minha irritação e então, virei a cabeça para o lado, tentando esconder minha repulsa. E antes que eu a afastasse, senti as delicadas mãos dela passearem pelo meu corpo.

Ela era completamente provocante! - Pensei, me repreendendo por aquilo estar passando pela minha mente.

— Diz que não sentiu a minha falta? – Perguntou ela, com uma voz manhosa, passeando com a mão pelo meu abdômen.

— Aria... – Chamei irritado, tirando a mão dela do meu corpo e ao me afastar, ela estava se despindo.

— O que está fazendo? – Perguntei indo até ela, tentando a impedir. Ela tirou minhas mãos com aspereza e continuou. — O que?! Acha que vai me comprar, ficando pelada na minha frente?

— Acho! – Gritou ela, ficando apenas de lingerie. Respirei fundo e a segurei, prendendo-a na parede.

— Pare com isso agora! – Falei com um tom frio, tendo os olhos dela fixos aos meus novamente. Ela abriu os lábios suavemente e eu me repreendi por aquilo ter saído de alguma forma, um tanto sensual.

Ela me enlouquecia, mas eu estava furioso demais para pensar nisso naquele instante.

— Vista-se e saia daqui. Se algum dia te fiz entender que tínhamos algum tipo de relacionamento, ele acabou! – Falei, ainda mantendo o nosso corpo colado e então, dei um passo para trás, a soltando.

Ela se desesquilibrou, caindo sentada no chão e confesso que, naquele momento, ela pareceu muito lamentável. Vinquei minhas sobrancelhas a encarando e então, suspirei irritado, desligando a água em seguida.

Me abaixei até ela e ao me aproximar, ela levantou os olhos até mim e resmungou algo com dificuldade.

— Você mudou! – Disse ela, tentando se levantar.

Fiquei parado a observando. Ela caminhou com o corpo molhado até o quarto e foi até o closet para pegar a toalha.

Ela conhecia bem cada canto daquele lugar.

Aria estava a ponto de me enlouquecer. – Pensei, levando a mão até os meus cabelos o bagunçando.

E então, ela saiu de lá, vestida com uma camisa branca e a toalha enrolada nos cabelos.

— Droga! – Resmunguei a olhando. Ela sabia que era golpe baixo. — O que está fazendo? Você não vai embora?

— Onde quer que eu vá a essa hora? Não tem nem um taxi pela vizinhança e não é a primeira vez que dorme ao meu lado. – Disse ela, se jogando na cama.

— Aria! – Chamei irritado e ao ir até ela, me surpreendi ao vê-la adormecida. Ri desacreditado e com pura ironia. Entrei no closet e me vesti, voltando até ela.

Ela estava tão tranquila, será que não fazia ideia do que estava acontecendo? – Me perguntei naquele momento, imaginando sobre quantas vezes ela esteve nesse apartamento com outra pessoa. E ao vê-la tranquilamente sobre aquela cama, foi o limite para mim.

— Deixe a chave ao sair e não volte mais aqui. Nós realmente terminamos.

Capítulo 3

Aria S W A N – Narrando ♕

Sala de Reuniões da Morgan’s Company, 10:00 am...

Cássio já estava falando a mais de uma hora e confesso que, não ouvi nada do que ele dizia. A voz dele envolvia meus sentidos, me trazendo à tona, lembranças que não fazia ideia que existiam.

— Quando ele me deu banho? – Perguntei, pensando estar confusa entre algo que poderia ser real ou sonho. Aquilo talvez explique o fato de eu ter acordado no apartamento do Cássio.

— Do que está falando? – Perguntou Milena, cutucando o meu braço. Eu a olhei confusa e então, ela sorriu. — Quem te deu banho?

— Nós terminamos? – Perguntei a vendo vincar as sobrancelhas. E foi então que, me virei para o lado, encarando Alex que me deu de ombros.

— Tem algo a perguntar, senhorita Swan? – Perguntou Cássio, com um tom frio.

Naquele momento, um frio percorreu meu corpo e então, levei meus olhos para

— Não, senhor, me desculpa.  – Falei, tendo os olhares de todos e de forma curiosa sobre mim. Talvez porque eu nunca fosse do tipo que responde meus superiores.

— Ótimo, então, vem comigo! – Disse ele, em um timbre seco, juntando os papéis em cima da mesa e indo até a porta.

Fiquei parada e em transe, tentando assimilar o que estava acontecendo. Eu não estava prestando atenção em nada por ali e de repente, as duas ao meu lado me cutucaram.

— Aria! – Chamou Alex entre dentes e em um tom baixo, para me alertar.

Olhei para porta, sentindo o olhar escurecido de Cássio sobre mim e então, me levantei apressada indo até ele.

Nós nos olhamos por um instante e confesso que, eu não queria ter tido aquela expressão sobre mim. Eu nunca o vi me encarar com tanto desprezo e aquilo fez com que meu coração se apertasse.

Quando todo aquele amor que ele dizia sentir, se transformou em ódio?

— Me segue! - Disse ele em um tom gélido, indo em direção a sala dele.

Respirei fundo e o segui. Assim que passei pela porta, levei um susto ao ouvi-lo bater à porta e quando me virei para o olhar, Cássio estava tirando o paletó, seguindo até a mesa enquanto afrouxava a gravata.

Ele abriu o computador e começou a digitar algo, enquanto eu permaneci parada na frente dele e depois de alguns segundos, ele levantou o olhar até os meus, me causando um certo calafrio.

—Vai ficar aí ou trabalhar? – Perguntou Cássio, voltando a atenção para o computador.

Me sentei na lateral da mesa, onde havia outro notebook me esperando e então, o liguei, desbloqueando o sistema em seguida.

E assim que digitei a senha, meu coração gelou. Era o dele particular e havia uma foto nossa no protetor de tela. Para quê colocar uma foto nossa sorrindo, se iria terminar comigo?

— Cássio...- Chamei com a voz fraca, tendo os olhos dele sobre mim.

— O que foi? Algo de errado? – Perguntou ele, abrindo o primeiro botão da camisa. Ele acostumava fazer isso quando estava com a cabeça cheia de problemas.

— Quer que eu vá buscar um café? – Perguntei o vendo se encostar na poltrona de couro e respirar fundo.

— Quero que fique quieta aí, Aria e trabalhe! – Disse ele, voltando a atenção para o notebook em sua frente.

— Certo! – Respondi, me levantando. Fui até filtro e me servi com um copo de água e logo após terminar de beber, peguei um elástico no meu pulso e prendi meu cabelo no alto para aliviar aquele calor que eu estava sentindo.

Não era nada obsceno, mas confesso que, seria muito difícil para mim trabalhar ao lado dele, fingindo ser uma desconhecida.

Cássio era muito lindo e estava ainda mais!

Ele tinha os braços fortes e as pernas torneadas, mas nada era tão exagerado. O abdômen dele era definido e ele estava sempre preocupado com a saúde; tanto que, vivia praticando esportes nas horas livres. A pele dele era clara, os cabelos eram castanhos escuros e o olhar era tão intenso, quanto o de um lobo.

Eu me pagava olhando para aqueles castanhos amarelados por minutos, até esquecer de respirar, mas eles de repente, não me retornavam mais como antes.

— Cansou de olhar? – Perguntou ele, travando o maxilar e se levantando em seguida. Cássio se escorou na mesa e abaixou até mim, se aproximando lentamente e aquilo fez com que meu coração acelerasse dentro do meu peito. — O que está tramando?

— Que você não se separe de mim! – Falei baixo e sem pensar, o vendo arquear uma sobrancelha.

Por mais que aquele homem me fizesse atingir o ápice da loucura, tinha algo que parecia faltar. E eu queria descobrir o que era, para tentar colocar de volta.

Ameacei tocar o rosto dele vendo-o se esquivar e então, ele respirou fundo e fechou os olhos.

Quando vi que aquilo era uma permissão, o toquei, vendo-o os abrir, me encarando fixamente.

— O que eu fiz para você? – Perguntei, sentindo-o tirar minha mão com aspereza e se afastar, voltando para o lugar.

— Não sou obrigado a ficar explicando quando não quero algo! – Disse ele, sem me olhar.

Ele voltou a digitar, fingindo ignorar completamente a minha existência e aquilo fez com que o meu interior se remoesse.

Fechei o computador e me levantei irritada, saindo daquela sala.

Fui até o banheiro e me tranquei lá para tentar relaxar e quando ia pegar meu celular, me lembrei que o havia deixado na sala dele. 

— Droga! – Resmunguei fazendo menção de sair, mas ao tocar no trinco da porta, ouvi uma voz encorpada e feminina soando por todo o lugar.

— “Hm, estamos bem sogra, não se preocupe! O próximo ultrassom será na semana que vem”. – Disse a mulher, dando um riso.

Abri a porta a observando pela fresta da porta, notando se tratar de Ellen. Aquilo me deixou intrigada, quem fará ultrassom? Será que ela...

Tampei a minha boca ao vê-la alisar o ventre e continuar a falar.

— Diga ao Senhor Morgan para não se preocupar, Sogra. Por aqui está tudo sobre controle! – Disse ela, com um timbre tranquilo, saindo de lá em seguida.

Meu mundo caiu. Como assim, ela chamou de sogra a pessoa que eu pensava ser a minha?

Eu me senti enganada e saí de lá em passos firmes, voltando a sala de Cássio. Assim que entrei, ele parecia ter se assustado ao me ver e desligou a chamada rapidamente.

— Isso são modos, Aria? – Perguntou ele, entre dentes e então, me aproximei o acertando um tapa.

— Como ousa falar que me ama todo esse tempo e de repente aparecer com a mãe do seu filho? – Perguntei irritada, o olhando com fúria.

Cássio olhou para a porta e sorriu. Me virei para olhar também, vendo a ruiva parada bem atrás de nós.

— Estou atrapalhando? – Perguntou a mulher, com um sorriso vencido.

— Não, a senhora não está. Quer saber de uma coisa... – Falei ameaçando ir até ela e então, senti meu braço ser puxado com rispidez.

— Aria, cale-se! – Disse Cássio, com um tom autoritário, me puxando para ele. Nós nos olhamos por um instante e então, ele travou o maxilar, me encarando com ódio. — Se queria a minha atenção, parabéns, você a tem.

— Você está brincando comigo? – Perguntei, sentindo-o apertar meu braço brutamente.

— Precisa de algo, Ellen? – Perguntou Cássio, a olhando com os olhos suaves. Aquilo fez com que meu interior se revirasse, eu realmente senti repulsa por ele naquele instante.

— Estou indo almoçar, você vem? – Perguntou ela, sorrindo.

— Vá na frente! – Disse ele, olhando para mim em seguida e quando a porta foi fechada, ele me soltou. — O que pensa que está fazendo?

— Cássio, que merda é essa? Você é o pai daquela criança? Você me traiu esse tempo todo? E tudo o que passamos juntos? – Perguntei, alisando o meu braço, me encostando na mesa.

Ele riu de escárnio.

— Do que está falando? Quem te traiu? – Perguntou ele, se aproximando de mim.

Naquele instante, senti um mal-estar e minhas pernas fraquejarem. Eu senti como se fosse cair a qualquer momento. Tudo estava rodando e quando me apoiei, me celular tocou em cima da mesa.

Fiz menção de pegar, mas Cássio o pegou primeiro.

— O quê, vai pedir socorro? Olha só para você! Parece patética. – Disse ele entre dentes. — Não adianta fingir, eu não caio nesse teatro!

— Cássio...Me ajude, eu não... - Pedi, sentindo meu corpo fraquejar e quando eu estava prestes a ir ao chão, senti os braços dele me segurando.

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