Capítulo 2

Pov. Sara

– Senhorita Ventura pode entrar, o Senhor Devenuto lhe aguarda- diz a loira

Me levanto pego a bolsa e me dirijo até a porta, a loira me dá uma aceno com a cabeça, acho que é para mim entrar, eu faço o mesmo gesto a ela e entro.

Quando entro a primeira coisa que vejo são artes nas paredes, mais são artes tristes, uma imagem de um deserto morto, um homem em agonia, plantas mortas e etc. Isso é macabro.

Olho para o restante da sala e ela é austera e fria, enquanto meus olhos passeia pela sala, eles param e fixa em um homem sentado, mas o problema é que ele não é apenas um homem, e sim o mais lindo que eu já vi em minha vida!

Ele tem os cabelos cor de cobre e profundos olhos azuis, olhos que estão olhando pra mim agora, olhos inquisitivos.

– Senhorita Ventura eu presumo- ele diz com uma voz gelada que eu até me arrepio.

– Sim.

– O que houve com a senhorita Carter que não pode vir a entrevista?

– Ela está doente – Digo, pois parte é verdade

– E você veio em seu lugar? – Será que ele é burro?

– Bem, sim já que sou eu que estou aqui e não ela – Respondo.

– Vamos começar!

– Claro.

Pego o gravador e as perguntas, ajusto o gravador em cima da mesa, e o papel com as perguntas e começo a entrevista.

–O senhor é muito jovem para ter construído um império deste porte. Como conseguiu esse sucesso?

Ele dá um suspiro como se estivesse entediado, acho que ele já ouviu essa pergunta milhares de vezes.

– Eu sou bom em avaliar as pessoas, saber o que elas gostam e almeja e trabalho em cima disso.

– Acha que possui um imenso poder?

– Emprego mais de quarenta mil pessoas senhorita Ventura, isso me dá certo senso de responsabilidade, ou poder, se quiser chamar assim.

Claro que ele tem poder, ele tem mais de quarenta mil pessoas que depende dele. Isso dá um certo poder.

– O senhor compartilha a presidência com outro CEO?

– A empresa é minha. Não tenho que responder a alguém.

Ele é seco em suas respostas, responde quase no automático e isso me dá até certa raiva, mas me controlo, não quero que Samantha me mate.

– O senhor tem algum interesse fora o seu trabalho?

– Tenho interesses, como passar tempo com a minha família ou praticar algum exercício.

– O senhor investe em manufaturas. Por que?

– Gosto de construir coisas e saber como elas funcionam, o que faz com que funcionem, como construí-las e desconstruí-las e tenho adoração por navios.

Vejo um brilho em seus olhos, mas apenas por um instante, pois eles somem rápido.

– Parece o seu coração falando senhor Devenuto!

Ele me dá um pequeno sorriso que me enternece, realmente ele é muito bonito, e por trás de seu terno posso ver que ele é muito musculoso. Sinto que meu coração vai sair pela boa, e com essa sensação o meu rosto está quente, MERDA! Por que eu fui puxar esse rubor da minha mãe?!

– É possível. Embora muitas pessoas dizem que eu não tenho coração senhorita Ventura.

– E por que diriam isso?

– Por que me conhecem bem!

Vejo em seus olhos um homem quebrado, que provavelmente passou por muito na vida.

– Você tem um coração, mais provavelmente o senhor já passou por várias coisas ruins em sua vida. – Merda não era pra mim ter dito isso, é sempre assim, eu nem acabo de pensar e as palavras já saem da minha boca grande sem eu mandar, de todos os meus defeitos esse é o maior deles. Com o que eu disse ele olha surpreso pra mim.

– Por que você diz isso senhorita Ventura?

E agora? Droga de boca grande que não obedece aos meus comandos!

– Por que eu vejo em seus olhos senhor Devenuto.

Vejo ele engolir em seco, acho que fui longe de mais, não deveria ter dito nada...

– Me desculpe senhor Devenuto, fui longe de mais, vamos voltar as perguntas – eu murmuro para ele.

Leio as próximas perguntas e vejo que é do mesmo assunto e vou passar, Samantha que se dane, eu nem queria estar aqui. Mas olhando para o senhor Devenuto pode até valer a pena se ele não fosse tão... rabugento!

Olho a próxima pergunta e esbugalho os olhos e fico com o rosto quente na hora, por que diabos a Samantha iria querer saber se ele é gay, eu também vou passar essa, eu não teria coragem de perguntar isso a ele.

– Está tudo bem senhorita Ventura?

Acho que ele perguntou isso por que estou demorando demais.

– Sim.

– Essas perguntas são suas Sara? – É a primeira vez que ele me chama de Sara e meu nome saindo de sua boca é como veludo, macio... sinto o meu corpo formigar, Deus, o que está havendo comigo?

– Não, elas são dá minha amiga, como eu disse, ela está doente.

– E você já me conhecia antes dessa entrevista? – Ele deve estar perguntando se eu o conheço de alguma manchete de jornais ou revistas.

– Não, na verdade nunca tinha ouvido falar do senhor – E é verdade nunca tinha ouvido falar de seu nome, muito menos visto alguma foto.

Uma batida na porta é ouvida e umas das loiras aparece.

– Senhor Devenuto, desculpe interromper, mas a próxima reunião é em cinco minutos.

– Ainda não terminamos aqui. Por favor, cancele a próxima reunião.

A loira hesita e vejo o senhor Devenuto ficar furioso e olha pra ela como estivesse dizendo "anda logo, saia daqui". A mulher fica vermelha e sai rapidamente.

Sinto que estou atrapalhando o seu dia de trabalho e começo a pegar minhas coisas.

– Onde nós estávamos senhorita Ventura?

– Senhor Devenuto, obrigado pela entrevista, mais eu já vou indo, é obvio que o senhor é muito ocupado e não quero mais desperdiçar o seu tempo.

Acabo de juntar as minhas coisas e as guardo. Me dirijo até ele para apertar a sua mão e o que eu vejo me dá um aperto no coração, vejo ele sentado em uma cadeira de rodas, coisa que eu não vi quando estava do outro lado da mesa. Olho firme para ele, tentando não demonstrar nada em meu rosto.

Um homem lindo e aparentemente jovem está em uma cadeira de rodas, e nesse momento entendo aquela pequena luz em seus olhos no meio da entrevista, agora entendo um pouco da dor que ele transmite.

Aperto a sua mão e sinto uma corrente elétrica passa por mim que me fez até estremecer, olho para ele e parece que ele sentiu o mesmo pois também arregala os olhos.

– Tem tudo o que precisa?

– Sim senhor Devenuto – minto, eu sei que não tenho nem a metade e que a Samantha vai me matar por isso – Mais uma vez obrigado pela entrevista.

– De nada!

Pego minha bolsa e me dirijo ao elevador e entro. Vejo Gael em sua cadeira na porta do seu escritório, ele dá um aceno de cabeça para mim, e eu sorrio em resposta, e as portas do elevador se fecham.

Pov. Devenuto

Seu nome é Sara Ventura, a garota que veio me entrevistar. Ela é tão bonita, não, ela é linda... Seus lábios carnudos, seu cabelo cor de fogo e o corpo mais espetacular que eu já vi em toda a minha vida!

Quando ela veio se despedir, eu não vi os seus olhos cheios de pena como eu estou acostumado a ver, ela apenas me olhou firme e quando foi embora ela deu um sorriso que apenas valorizou os seus lindos olhos azuis.

Me lembro como se fosse ontem o acidente de carro que quase tirou a minha vida e consequentemente me deixou paraplégico, isso só ocorreu por conta de briga estupida com a minha família que nunca deveria ter acontecido.

Meu acidente foi quando eu tinha vinte e dois anos, e hoje eu tenho vinte e sete, quando eu soube da notícia que eu não poderia mais andar, eu fiquei inconformado não queria mais viver... Mas se passaram cinco anos e hoje acho que conformado.

E também faz cinco anos que eu nunca mais tinha sentido desejo por uma mulher, sempre me mantive sozinho, mas quando vi Sara foi como se o desejo que estivesse acumulado voltasse tudo à tona.

Ela é uma mulher linda, com certeza terá um futuro brilhante... e eu sou apenas um homem que está preso nesta cadeira de rodas.

Capítulo 3

Pov. Sara

Voltando para o dormitório, já estava pensando o que a Samantha iria achar quando ela descobrir que eu não acabei a entrevista? Quando entro já dou de cara com Samantha .

– Então Sara, como foi a entrevista?

– Foi boa.

– Boa? Só isso que você me diz?

– Há Samantha o que você queria que eu dissesse? Eu não sabia nada do cara, e outra, você sabe ele é paraplégico?

– Claro que sim!

Então só eu que paguei de burra naquela entrevista por não saber de nada.

– Ok Sara, onde estão as respostas?

Entreguei as coisa pra ela e fui para o meu quarto. Peguei as minhas coisa para estudar, já que esse é o último mês de aula e as provas estão chegando.

Quando estou finalmente concentrada, Samantha grita.

– Saraaaaaaaa!

Eu já sábia o porquê!!

– O que foi? – Fui em direção do grito.

– Mais aqui não tem quase nada! – Diz ela quase chorando.

– Samantha, o cara tinha uma reunião!

– Mais pelo o que eu entendi ele ia desmarcar! Você que saiu correndo de lá, pelo jeito.

Eu sai correndo? Droga, sim eu sai correndo!!

– E além do mais Sara, ele estava interessado em você!

O que? Em mim? A Samantha só pode estar louca, nada a ver!

– Pare de pensar besteiras Samantha , o cara era muito estranho, chato e frio!

E ele é mesmo, a única emoção que eu vi em seus olhos, foi quando os vi brilhar.

– Mais o que houve com ele Samantha – pergunto mais calma.

– Ele sofreu um acidente de carro.

– Mas ele estava sozinho?

– Sim!

Deve ser difícil pra ele, eu amo as minhas pernas, e eu não sei o que seria de mim sem elas.

– Ele é jovem Samantha , quando fui na entrevista eu pensei que iria lidar com um homem de cinquenta e três anos, com uma barriga de cerveja!

– Desapontada? – Ela pergunta rindo da minha cara.

– Não, ele é muito bonito!

– Deixa o Jacob saber!

Affs.

– Eu e o Jacob terminamos a mais de um mês Samantha , ele não precisa saber de nada da minha vida!

Comecei a namorar o Jacob no começo desse ano, mais as coisas não estavam dando certo, por que eu não correspondia os sentimentos que ele sentia por mim. A cada vez que ele dizia que me amava, doía em mim não dizer o mesmo, e no fundo eu sabia que isso o machucava. Por isso resolvi terminar com ele, ele merece uma pessoa que o ame. Mais ele realmente não entendeu isso.

– Tadinho do Jacob, ele sofrendo sem você, volta com ele Sara.

– Ele pode até estar sofrendo Samantha , mas eu não tenho o mesmo sentimento que ele, eu o amo mais como um irmão e não como algo a mais...

– Ok, nem vou mais tocar nesse assunto, já que eu não sou a melhor pessoa para dar esse tipo de conselho.

– Com certeza – dia a ela lembrando-a de seu estado, o que me fez ir a entrevista no seu lugar.

Vou para o meu quarto onde pego minha bolsa.

– Onde você vai Sara?

– Vou treinar um pouco.

Chegando ao ginásio, que está totalmente vazio, já que fui bem no horário de aula, mas acabo encontrando Dig praticando alguns movimentos, e assim que me vê para e me cumprimenta.

– Eai Sara, como você está?

– Tudo bem! E você?

– Sem nada pra fazer!

– Eu também, quer treinar comigo?

– Claro o que você quer fazer?

– Treinar com os bastões pode ser? – Ele assente, e assim passamos a tarde toda treinando.

Pov. Gael

– Então filho, como foi hoje na empresa? – pergunta a minha mãe

Vim jantar nas casa dos meus pais junto com o resto da minha família, faço muito isso, já que eu não tenho o que fazer quando chego em casa, e nossa relação está bem melhor depois que conversamos e ela me perdoou.

– Há mãe a mesma coisa, muitas reuniões e muita papelada para revisar.

Minha família sabe que eu não gosto muito de falar, ele se acostumaram e não forçam.

– Não conheceu nenhuma mulher, você fica muito sozinho filho – dessa vez é meu pai que fala comigo.

– O senhor está falando sério comigo pai?

Eles vive me cobrando um relacionamento, mas eles não entende que eu não quero!!

– Como assim filho?

– Estou em uma cadeira de rodas pelo o resto da minha vida!

Olho pra minha mãe e vejo que os seus olhos estão cheios de lagrima, eu odeio quando ela chora, mas o que eu disse é a mais pura verdade.

– Algum dia você vai encontrar o amor meu filho – diz minha mãe

Foda-se o amor, eu não ligo pra ele, é melhor se eu nunca o tiver em minha vida

– Alguém vai te amar pelo o que você é filho – diz o meu pai.

Por muito tempo eu culpei os meus pais pelo acidente, se eles não se intrometessem tanto em minha vida, aquela briga não teria acontecido, eu não iria sair daqui como um transtornado dirigindo que nem um louco e o acidente não teria acontecido. Eu realmente não sei se os culpo ou não, só sei que me conformei com a minha situação e estou bem assim.

– Quem vai amar um aleijado?

– Já chega Gael, você está machucando a sua mãe.

Eu realmente odeio machuca-la, pois apesar de tudo ela me salvou de uma vida de merda.

– Estou indo embora!!

Viro a minha cadeira e vou para a saída, desço a rampa e vou para o carro, saio da cadeira e meu segurança e a guarda.

Em direção ao Pointpenso na pergunta de meu pai, seu eu tinha conhecido alguém e a primeira imagem que vem a minha cabeça são olhos azuis e cabelos cor de fogo.

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