Capítulo 2

Acordo pontualmente as 6 da manha para a minha corrida matinal e contemplo a quinta avenida pela janela do meu quarto me preparando para mais um dia árduo de trabalho. Pego meu fone de ouvido, meu iPod e desço para o térreo. Na rua, é possível ver a cidade acordando para um novo dia, as ruas ainda não estão movimentadas mas já é possível ver algumas pessoas transitando apressadas para os seus destinos. Assim que ponho o pé na rua, conecto meus fones de ouvido ao iPod e esquecendo do mundo exterior, inicio minha corrida até o Central Park, que é onde corro normalmente. Uma hora depois, estou de volta ao hotel para me aprontar para ir para a empresa. Meu pai fundou a Demprey Beauty & Co e eu dou o meu sangue todos os dias para que ela continue prosperando desde que assumi a empresa por conta da saúde do meu pai que não é mais tao boa, a quatro anos, afinal, eu não poderia fazer diferente com o homem que me ensinou tanto e me passou toda a sua sabedoria. Felizmente, as ações estão sempre altas desde que entrei e eu tenho feito tudo certo graças a minha inteligência. É tudo resultado do meu grande esforço todos os dias. Tomo uma ducha longa, coloco meu terno sob medida e arrumo os papéis que estão disposto pela minha mesa de escritório e me atrapalho. Demiti a última secretaria por sua incompetência, dei muitas chances a ela, mas tudo que ela sabia era dar em cima de mim e eu não aguentava mais. Felizmente, hoje é o primeiro dia da nova secretária e eu finalmente terei alguém para me ajudar a fazer esse trabalho. Tomo um café da manha leve e pego a minha pasta descendo até a garagem, onde o motorista já me espera. Cumprimento-o com um bom dia, que ele rapidamente devolve. Logo estamos no meio do trânsito da movimentada Manhattan, diferente da hora que acordei, agora as ruas já estão a todo vapor e há pessoas andando na calçada cuidando de suas vidas e carros buzinando por todos os lugares a fim de chegarem aos seus destinos. Como as pessoas estão começando a ir para o trabalho agora, o trânsito ainda não está tão caótico e eu consigo chegar na empresa sem problemas e sem atrasos. Pontualmente as 7:45 estou entrando na cobertura da empresa e cumprimentando a secretária da recepção, Lana. Ela tem me ajudado a cuidar dos deveres da minha secretária, mesmo que não seja seu trabalho e eu estou muito grato pela sua ajuda, mas ela não é paga para isso.

– Bom dia, Srta. Lana. – Cumprimento passando por ela, que se levanta.

– Bom dia, Sr. Demprey. Como vai nessa manha? – Pergunta educadamente com um leve sorriso no rosto.

– Vou muito bem, obrigada. A secretária começa hoje, certo? – Pergunto indo para a minha sala e ouço o barulho do seu salto no chão, o que significa que ela me segue a uma distância segura.

 – Correto, senhor. Ela chegará em breve.

– Ela é boa mesmo, não é? Confiei essa tarefa a vocês por não ter tempo suficiente para escolher uma nova secretária e quero acreditar que vocês levaram a sério essa tarefa levando em conta minhas preferências. – Digo entrando em minha sala e tirando imediatamente o meu terno e pendurando-o perto da minha poltrona.

 – Claro, ela passou em todas as etapas com honras. Mesmo nunca tendo atuado como secretária, tenho certeza que ela vai se sair muito bem devido as suas qualificações que são muito boas. – Ela diz em frente a minha mesa enquanto eu me sento e eu assinto.

– Você sabe que eu não ligo para isso, certo? Acho que o trabalho conta mais que as qualificações, já vi pessoas sem nenhuma qualificação que faziam o trabalho melhor que qualquer outro que ostentava um currículo gordo. Mas vamos confiar no seu trabalho e ver se ela faz um bom trabalho. – Digo me ajeitando na cadeira e olhando em seus olhos para deixar claro que eu falo serio.

– Não se preocupe, eu mesmo vou treiná-la. – Lana diz sem se abalar. Gosto desse controle nela.

– Não precisa, eu mesmo farei isso.

 – O que? – A sua expressão se abala um pouco e eu arqueio a sobrancelha.

 – Algo contra? – Pergunto observando bem o seu rosto, que logo volta a expressão normal.

 – Nada, senhor.

– Então, se está tudo combinado, pode voltar ao seu lugar. Alguém pode te procurar na recepção e você não está lá.

– Então vou me retirar. – Ela faz uma mesura e se vai. Olho o relógio que marca 7:55 e decido ir esperar a nova secretária em sua mesa, ela deve chegar a qualquer momento e eu quero estar lá para conhecê-la. Sendo assim, saio e sento-me a sua mesa. Pela relógio da parede, consigo acompanhar os minutos passando e eu não posso acreditar no que está acontecendo. Ela está atrasada em seu primeiro dia de trabalho, o que é inadmissível para mim, todos sabem que eu não tolero atrasos. Incapaz de suportar ficar sentado e esperar, começo a andar ao redor e quando o relógio marca 8:00 eu dou uma risada sem graça.

– Ela está tentando me enlouquecer por acaso? Ela não sabe quem eu sou? – Digo para mim mesmo tentando conter a minha raiva. No mesmo momento, ouço o barulho de passos se aproximando e me escoro na escrivaninha despreocupadamente esperando que ela chegue até mim. Estou de frente a porta e a mulher que anda confiantemente até mim não é nada do que eu esperava, eu dei uma olhada em seu currículo e o que eu esperava ver era uma mulher com roupas de vó, aparência de vó e grandes óculos de grau, além de uma vida social inexistente, mas a mulher que vejo a minha frente não se parece nem um pouco com isso. Ela está vestida com uma roupa normal de secretária, camisa social e saia lápis complementada por um scarpin preto. Apenas acho que uma camisa social não deveria ficar tao bem numa mulher, uma saia lápis não deveria ser tao apertada e sapatos scarpins não deveriam deixar suas pernas tao longas que chega a ser sexy. Ela carrega um olhar de confiança em seu rosto e o seu cabelo balança para lá e para cá num elegante rabo de cavalo a cada passo dado. Sua aparência me desestruturou um pouco, mas já estou de volta a mim e pronto para dar sua primeira bronca. Ela não parece o tipo de pessoa que sabe executar esse tipo de trabalho e provavelmente mentiu no currículo e essa não seria a primeira vez que isso me acontece. Eu conheço muito bem o seu tipo. Assim que ela está próxima a mesa, não dou chance para que ela seja a primeira a falar e a analiso de cima abaixo.

– Está atrasada, Senhorita Gabrielli. Deveria saber que eu não tolero atrasos. – Digo com autoridade e seu olhar parece vacilar um pouco mas ela logo se recupera e volta a ter o mesmo olhar determinado de antes.

 – Creio que cheguei na hora certa senhor. – A sua voz é tao bonita quanto a sua aparência, mas isso não me engana.

– Que horas começa o seu expediente? – Pergunto.

– As 8:00, senhor. – Responde imediatamente e eu aponto para o relógio na parede.

 – Senhorita, que horas são no relógio?

– São 8:01, senhor. – Responde prontamente e eu assinto.

 – O que significa que está atrasada e eu não tolero atrasos. Certifique-se de chegar na hora amanha, do contrário, não acho que esse trabalho sirva para você. Esteja na minha sala daqui a cinco minutos para discutirmos a minha agenda, o seu treinamento começa imediatamente. Bem-vinda a Demprey Beauty & Co, eu sou Sebastian Demprey e serei o seu chefe de hoje em diante. – Digo com autoridade e não espero a resposta e volto a minha sala fechando a porta com força. Belo começo de dia para mim.

Capítulo 3

Sustento meu sorriso apenas até que ele entre na sala e feche a porta força demais para qualquer um que estivesse vendo e sou capaz de respirar livremente quando ele está fora da minha vista. Me escoro na mesa e me abano um pouco em busca de ar.

– Meu Deus, achei que ia morrer. Estou no trabalho ou numa competição? Por que diabos me olhava com tanto ódio? Como um homem tão bonito pode ser tão sério e ranzinza? Que horror. Cazzo, assim não vai dar certo. – Murmuro para mim mesma tentando me recompor e imediatamente me lembro das suas palavras. “Esteja na minha sala daqui a cinco minutos.” e começo a trabalhar imediatamente. Coloco minha bolsa na mesa, pego a agenda em branco disponível na gaveta, respiro fundo umas trinta vezes e estou pronta para encarar a fera que é o meu chefe.

Com passos decididos, ando até a sua porta e dou leves batidas pedindo permissão para entrar.

– Entre, senhorita Gabrielli. – Ouço a sua voz abafada pela porta e eu entro e fecho a porta.

– Estou aqui para discutir sua agenda, Senhor. Quando quiser… – Digo com a minha melhor expressão, e temo que não esteja tão boa como eu gostaria.

– Bem, essa é a minha agenda. Memorize. – Diz me entregando uma lista extensa. – Certifique-se de me notificar de todos os meus compromissos todos os dias, sempre pela manha quando eu chegar já quero que esteja aqui. Você também será responsável pelo meu café, preto e sem açúcar a não ser que queira ser despedida. Revise estes papéis e me devolva até o fim do dia, quero ver do que você é capaz. Por enquanto é só isso, pode sair. – Pego a pilha enorme de papéis que ele me entrega e espero que a minha cara não esteja entregando toda a minha insatisfação, pois é muita e eu nunca fui muito boa em esconder as emoções.

– Claro, senhor. Vou me retirar agora. – Digo dando o meu melhor sorrisinho e me viro para sair.

– Ah, senhorita Gabrielli, mais uma coisa. – Ele diz me chamando.

– Sim? – Digo voltando a me virar e escondendo minha cara azeda.

– Você só pode almoçar quando eu sair para almoçar, essa é a regra. Depois que eu sair, você pode sair também e quando eu voltar você já deve estar no seu lugar. Isso é tudo, traga o meu café e não demore. – Fala e eu resisto ao meu impulso de retrucar, apenas assinto e me retiro.

Coloco a pilha de documentos na minha mesa e ponho as mãos na cintura.

– O que ele acha que sou? Um robô, por acaso? – Digo olhando para a pilha enorme de papéis. – Isso vai demorar horrores para ser concluído. Melhor eu começar logo. – Digo observando-os e puxo a cadeira para me sentar, mas ai me lembro do seu café e torno a empurrar a cadeira. – Minha memória ainda vai me colocar numa enrascada qualquer dia.

Resmungando a má sorte de um chefe ruim, eu ando em busca do seu café esperando que meu dia não seja tão caótico como a minha manha.

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