Claire Moore
Eu estava distraída, pensando em como eu vim parar nessa situação. Estou no carro de um estranho, quase fui violada e sequestrada. Por favor universo, já deu por hoje! Fiquei contorcendo minhas mãos no meu colo, estou um pouco nervosa e com medo. Não sei o que fazer, uma parte de mim quer ir embora e esquecer de tudo isso. Mas a outra, quer que eu fique, encare tudo de frente e descubra o que está acontecendo.
A porta do carro se abriu e eu virei apenas minha cabeça para ver quem era. Era ele! Olhei para sua boca e um pouco de sangue escorria, sua roupa estava amassada, mas ele parecia não se importar. Seus olhos encontraram o meu e eu fiquei paralisada, eu não me atrevi a desviar do seu olhar. Eu sou tímida, mas naquele momento eu não me senti intimidada por ele, era como se uma onda de coragem me invadisse. Ele se arrastou no banco e ficou do meu lado.
— Eu tenho que ir para a casa. — sussurrei abaixando minha cabeça.
— Lá não é seguro. Eu vou te levar para um lugar onde possa ficar em segurança. — ele me olhou como se quisesse passar confiança, mas falhou. Nesse momento a única pessoa que eu confio agora, sou eu mesma.
— Como assim “lá não é seguro”? Minha mãe está lá. Eu vou pra casa, você queira ou não, eu vou. — falei determinada e com um misto de raiva. Ele não mostrou nenhum desconforto ou frustração, apenas me olhou com a mão coçando o queixo. Ele está me avaliando?
— Você não está em condições de tomar nenhuma decisão, no entanto não precisa se preocupar. Sua mãe está protegida, eu mandei seguranças vigiarem ela, como fizeram com você antes. — disse. Como assim fizeram comigo antes? Eu estou tão confusa, seguranças me vigiaram esse tempo todo e eu não percebi?
— Quem é você? — perguntei com o cenho franzido.
— A pergunta não é quem eu sou, a pergunta certa é: O que eu vou fazer? — sua voz é aveludada, me fazendo ter arrepios em toda parte do meu corpo. Estou com medo, mas algo me faz querer ficar nesse carro. Não sei se é medo de morrer lá fora ou se é alguma outra coisa. Por fim, decido ficar, algo dentro de mim dizia que eu estaria segura.
— Por que está fazendo isso? — olhei em seus olhos buscando algum tipo de resposta para toda essa loucura.
— Você faz pergunta demais. — comentou.
— E você responde de menos. — rebato. Ele tem um ar misterioso, será que ele é algum assasino em série? Acho que não, ele não tem cara disso, mas se bem que assassinos são bem discreto e eles não tem cara de assassinos. Eles seduzem as mocinhas e depois matam elas. Certo, parei. Eu ando assistindo CSI demais.
— Eu não sei o que faço com sua boca inteligente. — ele balança a cabeça em negação.
— Que tal nada?! — respondo inclinando a cabeça.
(...)
Chegamos em um aeroporto particular, o caminho foi longo e cansativo. Já estava anoitecendo, eu estava quase cochilando no banco do passageiro. Meu corpo estava exausto e minha barriga doía de tanta fome, toda essa frustração me deixou cansada e faminta. Eu preciso da minha cama, da minha mãe, dos seus abraços, dos seus conselhos e que ela diga que vai ficar tudo bem. Eu preciso que minha vida volte ao normal.
Ele pede para que eu saia do carro, não questiono seu comando, apenas obedeço e caminho para fora do carro. Estou andando com a cabeça baixa, não aguento mais, eu preciso comer alguma coisa. Levantei minha cabeça e vi uma pista de partida, um pouco mais na frente um jatinho. Com certeza eu não vou andar nisso, tenho medo de altura.
— Eu não vou andar nisso nem amarrada. — falei esfregando minhas mãos.
— Não me tente... — ele olhou para o jatinho e logo depois para mim.
— Idiota. — murmurei baixo.
— Temos que decolar agora ou você quer ficar aqui e ser morta. Se bem que você não tem escolha. — ele puxou meu braço e me fez entrar no jatinho.
— Me solta, eu sei ir sozinha.
— Eu tenho fita adesiva, se quiser posso usar em você.
— Grosso. — falei com raiva.
(...)
Depois de quase cinco horas de viagem, chegamos a uma cidade que não conheço. A cidade aparenta ser fria, mas não o suficiente para que ele se importe em me dá um casaco. O que ele tem de bonito, tem de ignorante.
— Onde estamos? — perguntei entrando no carro junto com ele.
— Na Virgínia, é só o que precisa saber. — disse.
— Você poderia dizer seu nome? — ele hesita um pouco, mas acaba cedendo.
— Archie.
— O meu é.... — ele me interrompe
— Não precisa dizer seu nome, eu sei tudo sobre você Claire.
— Como você sabe tanto sobre mim? — ele se virou para mim com uma expressão séria.
— Sem mais perguntas. — diz. Ele liga o carro e saímos pelas as ruas de Virgínia.
Após algumas horas de viagem de carro, finalmente paramos de frente a uma casa. Estamos em uma casa distante da cidade, ela parece confortável. Espero que não demore muito para que eu possa voltar para casa.
— Seu quarto fica na segunda porta a direita, tome um banho e sinta-se à vontade. — ele subiu as escadas, me deixando sozinha no corredor.
— Vai ser um pouco difícil, isso não se parece com minha casa. — falei sozinha entrando dentro do quarto. As lembranças invadem minha mente das vezes que eu entrava no quarto da minha mãe para conversar sobre o que tinha acontecido no meu dia.
— Mamãe, eu tirei um 10 na prova de ciência. — falei entrando toda animada, minha mãe teve um susto quando me viu, mas logo abriu um sorriso.
— Parabéns, meu amor. Você merece. — deitei do seu lado na cama e ela me encheu de beijos.
— Quando eu crescer, eu vou fazer faculdade de medicina. — sorri abraçando ela.
— Você será minha medica particular. — ela disse se gabando.
— A senhora nunca mais vai trabalhar, eu vou te dar tudo que quiser.
— Eu não quero ser um peso em sua vida. Eu te amo e quero o seu melhor. Você quer mesmo fazer medicina ou é só para cuidar de mim? — ela me olhou séria.
— A senhora nunca será um peso em minha vida. Eu quero muito fazer medicina, quero poder cuidar das pessoas que precisam de mim e eu quero cuidar da senhora. — falei.
— Tudo bem, se é isso que você querer, vou te apoiar. – Ela me puxou para seus braços e me apertou forte.
— Eu te amo, mamãe. — disse segurando minhas lagrimas.
— Eu também te amo, meu amor. — ela beijou o topo da minha cabeça e ficamos ali deitada.
E tudo vem como um tsunami em minha vida, estou longe das pessoas que amo. E tudo agora não passa de um jogo, preciso saber as regras, eu preciso vencer meus inimigos. Agora, eu só tenho que saber quem quer me sequestrar. Posso lidar muito bem com isso, eu sou forte o bastante. Eu tenho um grande motivo para voltar para minha casa, eu vou voltar e fazer minha mãe ter a vida que merece. O jogo é simples, só basta saber jogá-lo.
Claire Moore
Fiquei deitada por alguns minutos naquela cama, pensando no que aconteceu em menos de 24 horas. Por favor, alguém pode me dizer o que está acontecendo com minha vida? Minha mãe deve ter chamado toda a polícia da região, ela deve estar chorando e se perguntando por que não voltei pra casa. E não é só ela que procura uma resposta. Com muita relutância, eu caminhei para o banheiro. Na tentativa de não só limpar meu corpo, mas também minha mente. As coisas não estão muito claras, talvez um banho ajude. É o que eu espero.
— Você ainda estar viva? — pergunta Archie, batendo na porta.
— Estou, mas tenho um problema. Eu vou te que vesti a mesma roupa. Não achei nenhuma que sirva em mim.
— Você pode usar alguma camiseta minha. Não precisa se preocupar, só tem você e eu aqui. — respondeu do outro lado da porta.
Mas esse é o problema. Ele é homem.
— Tudo bem. — aceitei com relutância. Não havia escolha. Era isso ou andava nua. Ou com a mesma roupa, mas isso seria o mesmo que não ter tomado banho. E tudo o que eu queria era me livrar daquela roupa, tirar o cheio daqueles homens que me machucaram.
— Eu vou fazer algo para comer. Desça em 5 minutos ou eu venho te buscar, independentemente de como você esteja: com roupa ou sem roupa. Fui claro?
— Bastante. — continuo. — Estarei lá em baixo em menos de cinco minutos.
— Boa garota.
Ele não falou mais, então deduzi que já havia ido embora. Olhei as roupas do armário e peguei uma blusa branca acompanhada de uma cueca. Isso é muito estranho, devo admitir. Desci até a sala, com as mãos nas minhas pernas descobertas.
— Não precisa ter vergonha. — falou Archie.
— Diz isso porque não é você que está quase nua.
— Se for assim posso tirar a camisa. — propôs.
— Não. — quase gritei.
— Estou brincando. Venha, vamos comer.
Caminhamos até a cozinha, sentei-me na cadeira a sua frente. Havia algumas omeletes, pão, frutas e suco de laranja. Meu estomago roncou quando viu toda a comida na mesa, fazia horas que eu não colocava nada na boca. Coloquei suco no copo, peguei um pão e comecei a comer. Archie ficava me observando comer.
— Para de me observar. — reclamei com ele.
— O que? Eu nunca vi uma mulher comendo tanto assim. — respondeu rindo.
— Então você viu poucas mulheres comendo, não posso fazer nada a respeito...
Sou interrompida com o barulho da janela quebrando.
— Se abaixe. — ordenou Archie.
— O que está acontecendo?
— AGORA. — gritou, me empurrando para de baixo da mesa. Archie sacou sua arma e caminhou para fora da cozinha enquanto atirava em direção a janela. Eu me encolhia a cada vez que eu escutava um tiro. Tiros e mais tiros eram disparados, parecia que não ia acabar nem tão cedo. Até que pararam de atirar. Não havia mais um som, apenas o suco derramando pelo o chão.
— Claire, apareça querida. — me encolhi o máximo que pude. Não era a voz de Archie. Abaixei minha cabeça e pude ver os sapatos de alguém caminhando pela a cozinha.
— Eu sei que você estar aqui, vamos apareça. — pediu de novo.
Lagrimas desciam pelo o meu rosto, eu não sabia o que fazer.
Eu estava com medo.
Sozinha.
Estava assustada, o que ia acontecer comigo agora?
Ninguém mais falou, não escutei mais nenhum barulho de passos. Engatinho lentamente pelo o chão, sai debaixo da mesa. Me levantei om dificuldade, olhei para o chão e vi vidros por todo lado.
— Achei você. — sussurrou no meu ouvido. Me viro bruscamente e o olho. Ele tem um sorriso de lado e seu rosto estar sujo de sangue.
— Q-quem é você? — falei com dificuldade.
— Eu vim te buscar e dessa vez você não vai conseguir fugir.
Eu não conseguir pensar em mais nada, a não ser correr. Corro para o quarto, sem me importa com os cacos de vidros machucando meus pés. Não me atrevo a olhar para atrás, mas escuto o barulho de seus sapatos contra o piso. Consigo ser mais rápida que ele e entro dentro do quarto. Fecho a porta rapidamente e corro para a cama, me encolhendo na ponta inferior; do lado da parede. Estou sentada na cama olhando para a porta, pensando que a qualquer momento ele pode entrar.
— É melhor abrir essa merda de porta. — grita com raiva.
Permaneço em silencio, não consigo respirar direito.
— Eu avisei.
O barulho do seu corpo contra a porta ecoa pelo o quarto, a porta cai no chão e vejo ele apontando uma arma para mim. Fecho meus olhos com medo. Não consigo mais controlar minha lagrimas. E deveria? Estou preste a morrer, como eu deveria reagir a isso?
Sinto suas mãos pegando na minha cintura e me levantando da cama, fazendo me ficar em pé de frente para ele.
— Eu não fiz nada. Por favor, deixe-me ir pra casa. Eu prometo não contar a ninguém. — imploro, ainda com os olhos fechados.
— Eu sei, querida. — ele passa a arma pelo o meu rosto, ela está quente. — Mas não posso deixar você ir.
— Por que? — criei coragem para abrir meu olhos e o encarar.
— Eu tive esse trabalho todo para nada? Não, claro que não. Você agora será minha. — ele sussurra perto do meu ouvido. — De todas as formas que eu quiser.
— O que quer dizer com isso?
— Quero dizer que tudo que eu quiser, você me dar. Se eu quiser te bater, você me deixa te bater. — bati minha mão em sua cara com toda a força que tive.
— Eu não sou uma vadia.
Ele respira fundo e aponta a arma para minha cabeça. Fecho meus olhos esperando ele disparar, mas nada acontece. Abri os olhos e ele sorriu olhando minha expressão de surpresa.
— Por que não me matou?
— Não irei matar uma pessoa que tive tanto trabalho para ter. — ele aponta a arma para a parede e atira. — Mas não pense que isso me possibilita de a qualquer momento eu pegar essa arma e te matar.
Ele desliza a arma pela a minha coxa descoberta e a pressiona depois de alguns segundos. A arma está quente, grito com a dor insuportável.
— Por favor, pare. — imploro, chorando.
— Isso é para você aprender a não me desafiar mais. — ele aperta mais um pouco e depois tira.