Lena se aproximou discretamente e murmurou junto ao ouvido de Theo com voz suave: "Theo... seu avô acha que chegou o momento de termos filhos."
Theo ficou imóvel, sua respiração interrompida momentaneamente. Depois de alguns segundos, ele reagiu com um riso sarcástico: "Lena, já conversamos sobre isso antes de nos casarmos. Então não tente passar dos limites."
Sua posição sempre era clara.
Com um comportamento reservado e inflexível, ele deixou evidente que ela não deveria nutrir expectativas além do papel de esposa. Sentimentos como afeição ou ternura jamais fizeram parte do acordo.
Os três anos de casamento se resumiram à mera convivência, desprovida até mesmo de um único beijo.
Inevitavelmente, Lena se perguntava se ele estava guardando sua afeição exclusivamente para Violet.
Durante anos, Theo mantinha uma muralha intransponível entre ambos. Contudo, desde que Violet retornara, ele vinha demonstrando mudanças: passava noites fora e, ao voltar, suas roupas carregavam discretamente a fragrância dela.
Será que já havia intimidade entre eles?
Esse pensamento consumia Lena, despertando um ciúme abrasador. O que Violet possuía que ela não tinha?
Movida pela angústia, Lena o puxou bruscamente pelo cinto e roçou os lábios em seu pescoço, surpreendendo Theo.
Com uma risada carregada de amargura, ela o provocou: "Não é isso que os casais fazem? Ou será que você é impotente?"
Esse tipo de provocação era arriscado, especialmente na frente de um homem como Theo.
Ela notou imediatamente a mudança na expressão dele, e um relance de vitória surgiu em seu semblante.
Mas ele não tardou a afastá-la com firmeza, e sua mão passou sobre o ombro dela, onde ainda se encontravam os pinos metálicos que sustentavam os ossos fraturados, lhe provocando uma dor aguda.
Esforçando-se para conter o impulso, Theo respondeu com frieza contida: "Você ainda não se recuperou plenamente daquele acidente na galeria. Talvez devesse se concentrar nisso em vez de criar conflitos."
Embora sua voz estivesse ligeiramente mais branda, Lena sentiu um sofrimento ainda mais profundo, suas palavras penetrando-a mais duramente do que antes.
Sim, ele sabia.
Ele estava absolutamente ciente de tudo que ela sofrera, e apesar das inúmeras vezes em que buscara por seu apoio, ele se mantivera sempre distante e apático.
A dor se tornou tão esmagadora que Lena já não sabia se a fonte da angústia era sua lesão física ou o sofrimento emocional.
Lágrimas ameaçaram surgir enquanto ela mordia o lábio, tentando controlá-las.
Talvez jamais conquistasse o amor de Theo.
Tomando fôlego, ela reuniu coragem para desviar o foco da conversa: "Fiquei sabendo da nova vaga para liderança no setor de design... acha que eu teria a chance de..."
De forma ríspida, Theo a interrompeu, o olhar se tornando gélido: "Então é esse o verdadeiro motivo por trás de tudo isso?"
Ela ficou em choque, incapaz de articular qualquer palavra.
Sem lhe dar uma chance de se explicar, ele lançou um olhar repleto de desprezo e declarou: "Lena, minha empresa não é um campo de testes para suas ambições. Ser minha esposa não te concede privilégios. Sem aptidão real, você apenas se exporia ao ridículo."
Aptidão?
Então ele realmente desconhecia quem ela era. não sabendo de que ela havia cursado design na universidade.
Foi nesse instante que ela se recordou da proposta que havia recebido um ano antes, vinda da prestigiada marca internacional Fable & Verse. Eles haviam lhe oferecido o cargo de diretora de designer.
Mas na época, tomada por seus sentimentos por Theo, ela recusara sem hesitar.
Ela havia colocado seus sonhos de lado inúmeras vezes, tudo em nome de um amor que jamais fora correspondido.
Agora, diante dos escombros de suas esperanças, Lena finalmente via as coisas como realmente eram.
Fixando os olhos em Theo, ela exclamou com uma ironia cortante: "Então é isso? Eu quase perdi a vida organizando uma exposição de arte para Violet Ford, e você nem sequer considera meu nome para um cargo de design?"
Theo recuou com frieza, o tom de sua voz inflexível e severo: "Não tente se fazer de vítima. Foi apenas um ferimento leve. E antes de sair exigindo oportunidades, talvez devesse se perguntar se é merecedora delas."
Após uma curta pausa, ele continuou com frieza: "Violet é um talento nato, uma artista reconhecida mundialmente. Ela já conquistou seu espaço. Mas e você? Seu maior trunfo foi se promover à sombra do meu nome. O que mais é capaz de oferecer?"
Cada frase lançada por ele parecia estilhaços atingindo diretamente seu coração.
Lena encarava o homem que um dia idealizou, agora reduzido a um reflexo cruel e desprovido de empatia.
Então era assim que ele a via: com desprezo.
"Está bem", ela respondeu, a voz tingida de sarcasmo. "Jamais serei Violet. Nunca estarei à sua altura. Sendo assim, Theo, vamos pôr um fim a isso de uma vez por todas. Vá atrás da felicidade ideal que tanto procura ao lado dela."
Ela estava exaurida de tentar aquecer um coração que, há muito, havia se tornado inerte.
A expressão de Theo se deformou em um sorriso carregado de desdém. Estava evidente que ele não a levava a sério. "Tudo bem. Mas não espere minha compaixão quando começar a se arrepender dessa escolha."
Em seguida, ele saiu em disparada, fechando a porta com um estrondo.
Sozinha, Lena se acomodou à beira da cama, as lágrimas deslizando silenciosamente por seu rosto enquanto fixava o olhar na porta agora fechada.
Quanta crueldade!
Esse casamento havia se transformado em uma provação insuportável.
Lena permanecia sozinha, o rosto enterrado nas mãos. Theo não retornara naquela noite.
Por volta das três da madrugada, uma nova publicação de Violet no Instagram surgiu na tela do celular de Lena.
A imagem retratava um cenário intimista: uma xícara de leite aquecido e a mão de um homem, identificável pela aliança nupcial, um anel cuja criação fora obra da própria Lena.
A legenda abaixo dizia: "Basta uma ligação e ele vem, seja dia ou noite."
Isso explicava a prontidão com que Theo aceitara o divórcio. Ele já estava comprometido com Violet.
Sem poder evitar, Lena sorriu amargamente, pois tudo enfim se encaixava.
Mesmo com a dor provocada pela imagem, ela continuava deslizando os dedos pela tela.
Foi então que se deparou com outro registro: no mesmo dia em que ela jazia ferida, soterrada entre os destroços, Theo havia presenteado Violet com um jato particular, apenas para que ela não perdesse tempo aguardando em aeroportos.
Nesse instante, toda e qualquer dúvida desapareceu. Os anos dedicados àquela relação não haviam significado nada para ele.
Durante seus aniversários, Theo nem sequer se esforçava para lhe oferecer uma lembrança simbólica.
Mas com o retorno de Violet, ele não mediu esforços para lhe conceder um presente de valor exorbitante.
A constatação foi dilacerante.
O coração de Lena, imerso em amargura, parecia irremediavelmente estilhaçado.
A dor constante no ombro funcionava como um lembrete cruel — seu casamento fora moldado para destruí-la gradualmente.
Theo somente retornou ao meio-dia do dia seguinte.
A casa o recebeu com um silêncio absoluto.
Não havia qualquer refeição preparada, tampouco um copo de água à vista.
No lugar de qualquer acolhimento, uma pilha de documentos o aguardava sobre a mesa.
Com um leve sinal de desaprovação no semblante, ele deixou o casaco sobre o sofá e se dirigiu ao local, se deparando com o título "Acordo de Divórcio" estampado no topo da primeira folha.
Sua fisionomia se tornou carregada.
O que, afinal, Lena pretendia com isso?
Sem demonstrar interesse, ele nem sequer se deu ao trabalho de folhear os papéis.
Com base em sua vivência, Lena havia feito a mesma coisa inúmeras vezes ao longo dos anos, apenas para retornar logo depois. Sendo assim, ele não esperava um desfecho diferente dessa vez.
Sentindo um leve incômodo provocado pela fome, ele se dirigiu à cozinha, onde a empregada se ocupava com o preparo do almoço. Após lançar um olhar breve ao que estava sendo feito, ele se acomodou na sala de jantar para aguardar a refeição.
Meia hora depois, ao provar a sopa de mariscos, ele franziu o rosto em desgosto. "Isso está horrível."
A empregada esboçou um sorriso constrangido antes de dizer: "Senhor Haynes, a senhora Haynes costumava preparar suas refeições pessoalmente. Então receio não ter o mesmo domínio sobre os temperos..."
Ouvindo isso, o semblante de Theo se tornou sombrio.
Apesar do apetite inicial, os pratos dispostos à sua frente repentinamente lhe pareceram desinteressantes.
Com brusquidão, ele largou a colher de lado e ordenou: "Esqueça isso. Perdi a fome. Separe meu terno preto e a gravata listrada para o compromisso de mais tarde."
A empregada enrubesceu, visivelmente desconfortável. "Perdão, senhor, mas não sei onde estão essas peças. Era a senhora Haynes quem organizava esse tipo de coisa. Talvez devesse tentar contatá-la?"
O maxilar de Theo se contraiu. Isso seria algum tipo de estratégia para ressaltar o quanto ela era insubstituível?
Murmurando algo inaudível, ele pegou o casaco e os documentos do divórcio, deixando a residência com pressa.
A empregada, deixada para trás, apenas observou com perplexidade enquanto começava a recolher a refeição intocada.
Assim que chegou ao escritório, Theo foi informado de que Lena não havia comparecido ao trabalho.
Com o cenho franzido, ele refletiu sobre o último ato dramático dela.
Mesmo sentado à sua mesa, ele não conseguiu se concentrar em nenhuma tarefa.
Por fim, ele pegou os papéis do divórcio e os folheou com visível contrariedade.
O conteúdo era direto. Lena solicitava oitenta milhões, nada além disso.
Ela parecia ter redigido o documento em um momento de exasperação.
A expressão de Theo relaxou brevemente e se converteu em um sorriso irônico ao se deparar com o motivo alegado para o divórcio.
"Razão do pedido: Descumprimento das obrigações conjugais. Três anos sem qualquer intimidade. A requerente solicita a dissolução do vínculo com base nesses fundamentos."
Exibindo um semblante sombrio, ele pegou o celular e ligou para ela.
Lena atendeu após alguns instantes, a voz soando rouca e sonolenta. "Alô?"
Um sorriso irônico surgiu nos lábios de Theo enquanto examinava esse trecho. "Gostaria que me esclarecesse, Lena, o que exatamente você pretende insinuar com isso?"