Capítulo 2

Todos no Rio de Janeiro esperavam para ver a piada que Danna Perez se tornaria.

Eles esperavam o dia em que Lilith Gordon voltasse da Noruega, e Hugo Contreras a abandonasse sem pensar duas vezes.

A própria Danna também esperava por esse dia.

Hoje era o dia que tinham combinado para ir ao cartório registar o casamento.

Hugo faltou pela terceira vez.

Danna ficou na porta do cartório por horas, o sol do Rio queimando sua pele. Ela ligou para ele mais de dez vezes, mas todas as chamadas foram rejeitadas.

O coração dela, que antes ardia como o samba, agora estava frio e cinzento. Com um gesto final, ela rasgou o formulário de casamento em pedaços minúsculos, que o vento espalhou pela calçada.

Ela decidiu acabar com aquele amor humilhante.

Mais tarde, no estúdio de dança, enquanto tentava focar nos passos, ela viu a foto no Instagram de um amigo em comum.

Hugo não tinha atendido suas ligações porque estava no aeroporto.

Ele foi buscar Lilith, que acabara de voltar.

Na foto, Hugo e Lilith estavam sentados lado a lado no lounge do aeroporto, ele com seu terno impecável e ela com seu sorriso sereno. Pareciam um casal de capa de revista.

O coração de Danna morreu de vez.

Ela não foi para casa. Em vez disso, mergulhou no trabalho, aceitando a enorme responsabilidade de coreografar o desfile das campeãs do Carnaval do Rio. O suor e a música eram sua única fuga.

Naquela noite, a campainha do seu apartamento tocou. Era Lilith, apoiando um Hugo completamente bêbado.

"Ele bebeu demais com os amigos para comemorar minha volta," disse Lilith, com um tom de quem era a dona da situação, enquanto o ajudava a sentar-se no sofá de Danna.

Lilith começou a andar pelo apartamento, tocando nos objetos de Danna, seu olhar avaliando tudo.

"O Hugo não gosta de café forte de manhã, só o fraco. E ele odeia coentro, você sabia? Ele também tem o sono leve, qualquer barulho o acorda."

Cada palavra era uma afirmação de posse, uma maneira de dizer: "Você nunca o conhecerá como eu conheço."

Danna cruzou os braços, a calma em seu rosto contrastando com a tempestade em seu peito.

"Lilith, você foi embora. Fui eu quem aprendeu a fazer o café dele, a tirar o coentro da comida e a andar na ponta dos pés pela casa. Você não tem mais o direito de ditar as regras aqui."

Lilith ficou sem palavras por um momento, seu sorriso forçado vacilou. Ela deixou Hugo no sofá e foi embora sem dizer mais nada.

Mais tarde, na escuridão do quarto, Hugo se mexeu. Ele a puxou para perto, seu hálito cheirando a álcool.

"Lilith...", ele sussurrou contra seu cabelo, "eu senti tanto a sua falta."

Ele a beijou, e naquele momento de confusão e dor, Danna cedeu.

Na manhã seguinte, a luz do sol invadiu o quarto. Hugo já estava de pé, vestindo sua camisa. Ele não a olhou nos olhos.

"Não se esqueça de tomar a pílula do dia seguinte," ele disse, com a voz fria e distante.

Ele fez uma pausa na porta.

"Ah, e desculpe por ter perdido o cartório de novo. Tive um imprevisto."

Capítulo 3

Danna não respondeu. Ela apenas se levantou, foi até o banheiro e engoliu a pílula com um copo de água, o gosto amargo preenchendo sua boca. Era um ato final para cortar qualquer laço que ainda pudesse existir.

Hugo a observou da porta, sua expressão indecifrável.

"Sobre o casamento... podemos adiar por um tempo. O trabalho está muito corrido agora," ele disse, como se estivesse falando do tempo.

"Tudo bem," Danna respondeu, sua voz vazia de emoção. Ela já tinha aceitado que o casamento nunca aconteceria.

No dia seguinte, ela cancelou a licença de casamento que havia solicitado no trabalho. Em vez disso, entrou em contato com o diretor de um renomado estúdio de dança em Munique, na Alemanha.

"A oferta de três anos ainda está de pé?", ela perguntou durante a chamada de vídeo.

"Danna! Claro que sim! Estávamos esperando por você!", o diretor respondeu, entusiasmado.

"Eu aceito," ela disse, com uma determinação que não sentia há muito tempo.

À noite, Hugo chegou em casa mais cedo que o normal. Ele parecia desconfortável.

"Lilith vai começar a trabalhar na Petrobras. No meu departamento, na verdade," ele disse, evitando o olhar dela.

Danna riu, um som seco e sem alegria.

"Claro que vai. Onde mais a maior geóloga marinha do país trabalharia?"

Hugo pareceu surpreso com a falta de drama. "É só profissional. Não significa nada."

"Eu sei," ela mentiu.

No fim de semana, haveria a festa de aniversário de Lilith, na casa dos pais dela. Uma mansão na zona sul que Danna conhecia desde criança.

Enquanto se arrumava, Danna olhou para o seu guarda-roupa. Estava cheio de vestidos de cores neutras, de cortes simples, uma tentativa inconsciente de imitar o estilo discreto e elegante de Lilith.

Ela empurrou todos para o lado.

No fundo do armário, ela encontrou o que procurava. Um vestido de samba vermelho-fogo, justo, com babados que se moviam a cada passo. Era o vestido que ela usara na sua primeira apresentação solo. Era a verdadeira Danna.

Ela completou o visual com um batom vermelho vibrante e saltos altos.

Quando chegou à festa, todos os olhares se voltaram para ela. Os amigos de Hugo, um círculo de engenheiros, médicos e advogados, a olharam com uma mistura de surpresa e desdém.

Ela ouviu um deles cochichar para outro: "O que deu nela? Parece que vai dançar no meio da festa."

Hugo, que estava ao lado de Lilith, franziu a testa ao vê-la.

Continue lendo
Apoie o autor e inspire mais histórias incríveis Moboreader
Desbloquear todos
Capítulo
Personalizar
Próximo Capítulo
Minishorts Logo
Leia web novels, ficção online e histórias românticas em alta no MiniShorts. Descubra romances de bilionários, fantasia de lobisomens, drama e novelas de fantasia, além de conteúdos selecionados de dramas curtos inspirados nas tendências de narrativa mais populares.
MiniShorts YouTube
PRODUTOS E SERVIÇOS
Sobre nós
support@minishorts.com
©2026 MiniShorts Todos os direitos reservados. CHASINGTOP HK LIMITED