Olho para o vestido em meu corpo e depois para a rua, que se passa pela janela da limusine que foi me buscar.
Isso é uma loucura, mas a curiosidade me consumiu e antes mesmo que eu pudesse pensar claramente eu já estava com a roupa mandada para mim, esperando o "carro" que me buscaria.
E assim que ele para em frente à enorme mansão, me sinto tensa ao descer do carro.
Pego o convite que me foi enviado junto a roupa e caminho em direção a porta.
Entrego meu convite ao homem que está na porta e ele sorri para mim
- Seja bem-vinda srta. Malia. - Ele diz apontando para dentro.
Eu sorrio e entro na grande casa. Pilares enfeitam a entrada assim como um grande lustre e os convidados que entram mal olha para os lados, apenas continuam caminhando como se fosse apenas uma sala comum.
Provavelmente eles estão acostumados.
Cresci em uma casa boa, mas não com tanto luxo.
- Srta. Malia? - ouço uma voz feminina e me viro dando de cara com uma mulher. - Que bom que veio, fui ordenada para que levasse a senhorita ao escritório assim que chegasse. - Ela diz me apontando um caminho diferente do que os convidados estão tomando.
Eu a acompanho sem dizer nenhuma palavra. Andamos por corredores e mais corredores até pararmos em uma grande porta de madeira.
- Entre por favor. - Ela diz e volta por onde viemos.
Fico em dúvida se é para entrar direto ou bater, mas escolho pela segunda opção.
Dou três batidas na porta antes de girar a maçaneta e abri-la.
Ao entrar, o escritório me surpreende. É como se fosse uma minibiblioteca, com uma grande mesa ao fim, perto das janelas.
E sentado nessa mesa está o senhor Lecler. Ele tem seus olhos em mim assim que entro e diferente de antes, dessa vez percebo o quão bonito ele é.
Talvez eu não tenha percebido por causa do nervosismo, mas meu ele mudou, pelo menos o motivo de tê-lo.
Olho para aquele homem se levantando e caminhando até mim, com metade dos botões de sua blusa social aberta e um copo de whisky na mão.
A cada momento que ele se aproxima, mas eu preciso levantar meu olhar. E quando ele está próximo o suficiente, com seu peito parcialmente exposto em minha frente, percebo o quão alto ele é comparado a mim.
- Você veio, achei que não viria. - Ele diz colocando o seu copo em uma pequena mesa perto da porta. Bem próxima.
Olho para ele novamente e sinto minha garganta secar.
- Eu não havia entendido direito o que o senhor falou, pensei muito sobre isso mas não consegui chegar em uma resposta. - Digo. - Eu também fiquei muito curiosa para tentar entender.
Ele sorri para mim e virar de costas se sentando em um dos sofás disponíveis ali.
- Fecha a porta e sente Malia. - Ele diz e eu hesito. - Vou te explicar tudo.
Rendida pela curiosidade, fecho a porta atrás de mim e no mesmo momento o pouco som que chegava até ali cessa imediatamente.
- Eu odeio essas festas. - Ele diz, explicando o isolamento de som.
Eu apenas concordo com a cabeça e me sento em uma das poltronas próximas a ele.
Fico em silêncio esperando que ele fale algo ou comece, mas por um tempo ele apenas me encara, até que sorri.
- Ok Malia, vou ser bem direto. - Ele fala se curvando em minha direção. - Quero que se case comigo.
Não tenho reação alguma, já fiquei surpresa o suficiente quando ele disse que o cargo era para ser sua esposa.
- Eu sabia que não era como as outras. - Ele diz rindo do meu silêncio. - Eu te vi há algumas semanas. - Ele fala.
- Aonde? - eu pergunto curiosa, mesmo não sendo o que eu deveria perguntar.
- Há alguns dias eu vi você em frente à loja Levouir. - Ele diz e eu fecho meus olhos sabendo exatamente o que ele viu. - Eu estava por perto e vi você discutindo com uma mulher, vi que você não abaixou a cabeça para ela, mesmo ela mostrando ter mais dinheiro e poder, você continuou firme mesmo quando não tinha nada a se fazer. - Ele fala.
Era meu primeiro dia naquela loja e a mulher queria trocar a roupa depois de ter usado é manchado a peça. Pelo que eu me lembro, ela não gostou quando eu disse que a culpa era dela por ter perdido a peça e que não poderia devolver.
Por causa disso e do escândalo que ela fez, aquele foi meu primeiro e último dia na loja. Não que eu fosse ganhar muito, mas para mim era um começo.
- O que eu quero dizer é que eu preciso de alguém como você. Que não abaixa a cabeça para ninguém. - Ele diz soando simples. - Quero que se case comigo e seja a Sra. Lecler que ninguém esperaria, se eu vou ter que me casar, que eu faça isso do meu jeito. - Sorrindo-o se encosta no sofá.
- Malia, eu preciso de uma pessoa que não vai estar casada comigo por interesse e fingindo me amar só porque quer algo de mim. - Ele diz. - Prefiro contratar alguém para ser minha esposa, alguém que eu possa confiar, assim posso continuar tendo o controle da minha vida.
Respiro fundo, já sabendo da minha resposta para ele, penso em como dize-la.
- O senhor disse que já sabia tudo sobre mim antes mesmo de eu entrar em seu escritório. - Digo e ele concorda. - Eu não sei o que pensar disso ainda, mas isso quer dizer que o senhor sabe que eu preciso de dinheiro e não importa o quanto me ofereça, eu quero trabalhar não me vender como esposa. - Falo esperando não ter sido grossa.
Ele não diz nada, apenas continua me olhando com seus olhos verdes que parece me penetrar.
- Acho melhor eu ir embora. - Digo. - Obrigada pela proposta sr. Lecler, me sinto honrada e desculpe por não a aceitar.
Me levanto do sofá e caminho lentamente até a porta.
- Malia. - Ele me chama. Eu paro, mas não me viro para olha-lo.- Eu não estou oferecendo apenas dinheiro a você.
- O que quer dizer? - pergunto.
- Estou lhe oferecendo a oportunidade de ter sua filha de volta, de uma vez por todas.
EDUARDO:
Deixo que Malia segure em meus braços enquanto caminhamos para a festa que está acontecendo no jardim.
- O que você disse, é verdade? - ela me pergunta.
- Eu nunca mentiria sobre isso Malia, quando você se tornar a Sra. Lecler ninguém vai negar a guarda da sua filha há você. - Falo sendo sincero, ninguém fará isso a não ser que queira me enfrentar.
- E tudo o que eu tenho que fazer é me casar com você? - Ela me pergunta.
- Isso Malia, não vou exigir muito de você, apenas que seja a minha esposa aos olhos de todos e se assim desejar minha amiga quando estivermos a sós, poderá criar sua filha e dar uma vida boa a ela.
- E vamos continuar casados por quanto tempo? - ela me pergunta e eu sorrio.
- O tempo necessário, eu ainda não sei, preciso conseguir uma coisa primeiro e quando conseguir veremos o que vamos fazer. - Digo e ela concorda.
Continuamos andando. Mas dessa vez em silêncio, vejo que Malia tem muitas perguntas em sua cabeça e sei que se aceitar fazer isso vai ser pela filha e não pelo dinheiro que estou oferecendo a ela.
Quando estamos perto o suficiente do jardim e somente uma porta fica entre nós e a festa, Malia para e me olha.
- E quanto a... - Malia para e vejo seu rosto ficar vermelho. - Sabe é um casamento falso, mas você... Eu...droga. - Ela fala parecendo nervosa e eu entendo o que quer dizer.
- Malia. - Digo pegando em deus braços e a virando por inteiro para mim. - Por mais que não seja um casamento comum, ainda é um casamento, quando eu subir no altar e fazer meus votos eu vou cumpri-los, serei fiel a você e também irei respeita-la, e isso envolver não te tocar. - Falo e vejo que ela respira aliviada. - Não sem sua permissão. - Completo sorrindo.
Malia é linda, simplesmente o desejo de muitos homens e agora com esse vestido vermelho que a minha secretária mandou a ela, está irresistível.
Mas como disse eu não a tocarei, não sem a sua clara permissão.
- Vamos lá. - Digo estendendo meu braço para que ela o segura. - Vou te apresentar como a minha namorada, apesar de tudo ainda não lhe fiz um pedido de casamento.
Malia balança a cabeça e segura em meu braço.
- Se perguntarem quando nos conhecemos diga a verdade. Em uma entrevista, mas não diga quando, de resto pode dizer o que quiser, irei concordar com tudo. - Falo para ela que ouve e concorda. - E Malia? Consegue parecer apaixonada? - pergunto com um sorriso.
Ela tem seus olhos confuso em mim, até que eles brilham e ela sorri.
- Já pensei em ser atriz, vamos ver como eu me saio. - Ela diz sorrindo e cola seu corpo ainda mais em mim.
Agora sim parecemos um casal.
Olho para ela para ver se está pronta e então abro a porta nos levando até o jardim.
A música toca e bebidas estão sendo distribuídas por garçons. Assim que saímos da casa, nossa presença logo foi notada e muitos olhares recaíram sobre nós.
Sinto Malia hesitar um pouco e seu aperto em meu braço ficar mais forte. Sei que ela não aceitaria nada disso se eu não tivesse colocado a filha dela no meio, mas tenho os meus motivos, e Malia no momento só quer ter a filha ao seu lado.
Olho para as pessoas ao redor, todos fúteis que estão aqui somente por terem dinheiro, por quererem reconhecimento e favores.
Ser obrigado a ir em festas assim já é um saco, agora se anfitrião é um pesadelo ainda mais quando é na minha casa e eu não posso fugir.
Seguro em uma das mãos de Malia é aperto de leve tentando dizer que está tudo bem e então começamos a caminhar.
Cumprimento as pessoas mais próximas de onde estamos, a todo momento Malia sorri e conversa com todos com extrema educação, qualquer sinal de nervosismo que ela tinha desapareceu, debaixo do seu grande sorriso. Falso, mais ainda sim bonito.
Assim que saímos de uma roda de empresários, andamos até uma mesa e logo bebidas nos são servidas.
- Acho que você vai ter um problema. - Malia pergunta olhando para o fundo do seu copo, agora vazio.
- O que houve? - pergunto. Tento pensar em algo que ela tenha feito de errado ou dito, mas nada me vem à cabeça.
- Perto quiosque, tem duas mulheres. - Ela diz e eu olho na direção delas. - Há algum tempo eu fui entrevistada por elas e elas sabem sobre o meu passado. - Malia fala com a cabeça baixa.
Respiro aliviado, isso também é difícil para mim. Qualquer coisa que aconteça pode estragar meu plano.
- Malia, acha mesmo que se eu tivesse vergonha de você ou do seu passado, eu o teria proposto essa idiotice? - falo. - Porque é isso que é, mesmo que seja o que eu preciso, o que você precisa para ter sua filha de volta, ainda sim é uma bobagem.
É uma tremenda burrada isso sim, mas não pude pensar em nada melhor.
- Deixe-as saberem, deixe que elas espalhem. - Falo e abro um grande sorriso. - Quanto mais prestarem atenção em você, mas iremos mostrar que isso não é nada, certo?
Malia me olha e não diz nada, ela é boa e mentir, mesmo sendo muito sincera e verdadeira. Em seus olhos não dá para ver o que se pensa.
Eu sei sobre o passado dela e sei que tem algo errado. Pedi para me descobrirem tudo sobre ela e pouco tempo antes da entrevista dela me entregaram um grande dossiê.
- Está me dizendo que não vai ficar envergonhado, é isso? - ela me pergunta.
- Exatamente.
- Então me deixe fazer uma coisa. - Ela diz e abre um grande sorriso.
Ela passa os braços por dentro do meu terno e fica na ponta do pé até que sua boca chegue perto do meu ouvido.
- Tem gente demais nos olhando e não parecemos um casal, então eu pensei em te abraçar. - Ela diz no meu ouvido. - Me desculpe.
Olho de canto para a festa e como ela disse tem muitos olhos em nós. Sinto o frescor da sua respiração no meu pescoço e apenas faço o mesmo que ela e passo um dos meus braços por sua cintura.
- Não se desculpe, você está indo bem. - Falo e continuamos abraçados
- Vai ser sempre assim? - ela pergunta baixo. - Eu vou ter que me sentir como se estivesse me vendendo?
Inevitavelmente eu aperto um pouco sua cintura com a minha mão.
- Me desculpe, não quero que se sinta assim.- falo. - Você ainda pode dizer não e ir embora.
Se ela quiser pode ir, até mesmo se quiser ajuda eu posso tentar lhe entregar a sua filha. Mas por causa das suas acusações, juiz algum dará a filha para ela, ainda mais para cria-la sozinha.
- Eu sei, mas minha filha é tudo para mim.