Colton desligou a chamada, sua expressão marcada por preocupação e ansiedade, claramente não por sua esposa.
"Vá para casa, Kiera. Falaremos sobre isso mais tarde", disse ele.
Kiera retirou com força a mão de Colton de seu braço.
"Vá em frente. Ela claramente importa mais para você", disse ela com um sorriso fino, mascarando seu coração despedaçado.
Colton parecia prestes a responder, mas no final escolheu permanecer em silêncio. Rapidamente, acenou para um táxi, certificando-se de que Kiera estava sentada dentro antes de se apressar para longe.
Um sorriso triste e amargo formou-se nos lábios de Kiera enquanto ela o via desaparecer.
Com a atenção de Colton sempre fixada em outra pessoa, qual era o propósito de manter um casamento vazio?
Quando Kiera chegou à casa deles, os empregados a cumprimentaram rapidamente, mas ela mal os notou.
Seus olhos varreram o quarto monocromático que não tinha nenhum traço de seu gosto pessoal, intensificando sua sensação de insignificância. Ela riu suavemente para si mesma, percebendo o quanto seu casamento tinha sido um teatro, e ponderou se era hora de deixá-lo ir.
A noite toda, Kiera esperou por Colton.
Nenhuma ligação chegou. O silêncio esmagador da parte dele era como uma série de facadas em seu coração já machucado.
"Querido, sinto muito. Não posso te dar a família completa que você merece. Mas não se preocupe. Sempre vou te amar", Kiera murmurou entre lágrimas enquanto assinava os papéis de divórcio que havia preparado durante a noite.
Cada traço de caneta era um corte doloroso em seu coração, cada linha um lembrete de sua profunda tristeza.
Uma vez terminado, Kiera tirou suavemente o anel de casamento que Colton lhe dera, colocando-o cuidadosamente sobre os papéis assinados.
Aquele anel tinha sido sua posse mais preciosa. Três anos usando-o deixaram uma marca indelével em seu dedo, um lembrete permanente de seu amor por Colton, assim como as cicatrizes emocionais que permaneceriam.
Sentindo-se um fracasso no amor, Kiera rapidamente juntou suas coisas, determinada a não vacilar novamente, e saiu da casa.
Quando estava prestes a partir, o segurança de Colton se colocou à sua frente. "Sra. Sutton, a Senhorita Gill está doente, e o Senhor Sutton está cuidando dela. Ele nos instruiu a organizar sua viagem imediata para o exterior", disse ele, sua presença bloqueando o caminho dela e despertando raiva em seu coração.
"Por que eu deveria deixar o país? Eu me recuso a ir!" Kiera retrucou, sua determinação firme.
"Sinto muito, mas o Senhor Sutton insiste, e você deve obedecer", disse o segurança antes de abruptamente nocautear Kiera e arrastá-la apressadamente para um veículo.
Ela foi transportada para um armazém desolado, onde foi deixada vulnerável e posicionada ao lado de um homem que a tocava sugestivamente enquanto câmeras capturavam cada momento degradante.
"Senhorita Gill, está feito", o homem ao lado de Kiera informou Maeve pelo telefone.
A voz de Maeve era fria e maliciosa. "Excelente. Libere as fotos online mais tarde. Duvido que Colton queira uma esposa implicada em infidelidade. Certifique-se de apagar todos os rastros depois."
"Farei isso", respondeu o homem antes de encerrar a chamada. Ele então começou a encharcar o armazém com gasolina, ateando fogo logo em seguida.
Enquanto o fogo ardia, Kiera recuperou a consciência para um pesadelo de chamas e fumaça a engolfando. Lutando por ar, ela percebeu a situação perigosa enquanto o fogo se espalhava vorazmente ao seu redor.
"Socorro! Socorro!" A voz de Kiera ecoou. Ela ignorou seu estado de nudez enquanto golpeava freneticamente a porta do armazém com um bastão, mas o segurança do lado de fora apenas disse: "Sra. Sutton, perdoe-me. Tudo isso foi uma diretiva do Senhor Sutton. Ele garantirá um túmulo digno para você."
Kiera parou, perplexa.
Será que Colton realmente estava por trás disso?
Por quê?
Seria porque, como Maeve, ela também estava esperando um filho? Seu plano era se casar com Maeve e legitimar o filho que esperavam?
"Colton, sua crueldade é sem fim! Como pode matar seu próprio filho?"
Em uma onda avassaladora de desespero, Kiera gritou: "Colton Sutton, eu te desprezo! Amar você foi meu erro. Se houver uma próxima vida, farei com que você sinta a agonia de ser traído por quem mais ama!"
Seus gritos desesperados se perderam no rugido das chamas. À medida que a fumaça enchia o ar, sua respiração se tornou difícil, seus olhos pesados, e ela desabou, sucumbindo ao abraço mortal das chamas...
Cinco anos depois.
Alarico passou um dossiê para Colton.
"Senhor Sutton, aqui está o perfil da designer do Grupo Vista, baseada em Claklas. Ela chega a Freley hoje. Devemos enviar alguém para buscá-la no aeroporto? Ela é famosa mundialmente por seus designs únicos de carros esportivos. Sem nossa parceria com o Grupo Vista, garantir sua orientação teria sido improvável."
"Catarina?"
Um leve estreitamento dos olhos foi a resposta de Colton.
"Sim." Alarico confirmou animadamente.
Em apenas dois anos, Catarina havia ascendido à proeminência como uma notável designer de carros esportivos. Seu modelo de estreia, o "Asa Lunar", conquistou o prêmio máximo em uma competição internacional. Antes de seu lançamento, os ricos já disputavam para adquiri-lo. Com apenas dois desses carros feitos, disponíveis a um preço elevado, a demanda era esmagadora.
Agora, com o Grupo Vista facilitando sua visita a Freley, Alarico apontou a potencial oportunidade para o Grupo Prime mantê-la e sua expertise aqui, dado o interesse de Colton em automóveis de luxo.
O olhar de Colton se intensificou.
Ele hesitou ao examinar o perfil de Catarina e parou abruptamente quando viu seu nome completo.
Kiera Catarina Fowler!
Kiera Fowler era o nome de solteira da esposa dele.
Algo brilhou nos olhos de Colton.
"Existem fotos de Catarina disponíveis?"
"Não, o Grupo Vista mantém Catarina sob forte confidencialidade. Apesar dos meus esforços para conseguir uma imagem por vários canais, não consegui obter nenhuma. Dizem que ela é de cair o queixo."
Alarico ficou surpreso com a ideia de uma designer de carros feminina aclamada mundialmente, especialmente uma famosa por sua beleza. Era incomum encontrar mulheres liderando na indústria de design de carros, predominantemente masculina.
Parecia um pouco duvidoso, não é?
De fato, como uma mulher poderia se destacar no design de carros?
Colton não deu atenção ao ceticismo interno de Alarico. Ele continuou a olhar para o nome Kiera Catarina Fowler no documento, seus olhos se estreitando ligeiramente, seus pensamentos indecifráveis. Seus dedos batiam um ritmo constante na mesa, enchendo o escritório com um silêncio carregado.
"Senhor Sutton..."
"Eu mesmo vou buscá-la no aeroporto", disse Colton decididamente, seus olhos brilhando com uma intensidade rara.
Kiera Fowler...
Poderia realmente ser uma coincidência que o nome coincidisse tão precisamente?
Cinco anos haviam se passado desde o incêndio, e apesar da ferocidade do inferno, que a polícia afirmou poder ter incinerado o corpo de Kiera, Colton nunca aceitou que ela estivesse realmente perdida.
Agora, intrigantemente, Catarina compartilhava o nome Kiera Fowler!
Ele mal podia esperar para conhecer essa designer enigmática.
Alarico ficou brevemente surpreso. Fazia anos desde que Colton havia buscado alguém pessoalmente no aeroporto, mas ele rapidamente recuperou a compostura e foi organizar tudo.
Quando Colton chegou ao aeroporto, o avião de Kiera havia acabado de pousar.
Ela passou pelo portão de segurança, puxando sua mala. Seus longos cabelos castanhos ondulados e aparência marcante chamaram a atenção dos que passavam. Acompanhando-a estava um menino vestido de branco, sua pele delicada e cílios longos e esvoaçantes atraindo olhares admiradores. Ele usava o boné de beisebol ao contrário e saboreava um pirulito, caminhando despreocupadamente ao lado de Kiera. Seu ar relaxado contrastava com seus olhos cativantes, com um olhar penetrante, fazendo os outros hesitarem em se aproximar.
"Arqueiro, estamos em Freley agora, não em Claklas. Deixa de lado essa atitude e fica pertinho de mim", disse Kiera, sentindo uma mistura de frustração e tristeza com o comportamento distante de seu filho.
Arqueiro Fowler, filho de Kiera, cada vez mais espelhava os traços de Colton. Kiera às vezes se maravilhava com a inegável influência da genética, embora secretamente desejasse que Arqueiro refletisse mais suas características.
"Mamãe, fiz algo errado?"
O encolher de ombros inocente de Arqueiro estava tingido de um toque de malícia.
Kiera riu suavemente e deu um leve toque em sua testa. "Não pense que pode usar esse charme comigo. Eu te conheço muito bem. Só lembre-se, agora que estamos em Freley, espero que você fique longe de problemas, entendeu?"
"Não se preocupe. Estou aqui só para conhecer o lugar onde você cresceu. Você está aqui para trabalhar, e prometo que não vou causar problemas. Por que você me olha como se eu fosse o inimigo, mamãe?"
Os lábios de Arqueiro formaram um biquinho, sua expressão era de leve irritação.
Kiera bagunçou seu cabelo de forma brincalhona. "Preciso te lembrar por causa das suas travessuras inteligentes. Vamos, vamos sair daqui. Vou ligar para Charlee e ver se podemos ficar na casa dela por alguns dias."
"Certo."
O sorriso de Arqueiro se tornou radiante, e ele segurou a mão de Kiera enquanto seguiam para fora.
Nesse momento, o olhar de Arqueiro foi atraído por uma figura à distância.
As características do homem e a aura fria que ele exalava eram surpreendentemente familiares. Era quase como se ele estivesse olhando para um espelho.
Era Colton? O homem que supostamente era seu pai?
Arqueiro olhou furtivamente para Kiera, que estava ocupada procurando um contato em seu telefone, e de repente segurou o estômago.
"Mamãe, meu estômago está doendo muito. Preciso do banheiro!"
A atenção de Kiera voltou-se para Arqueiro enquanto ele se curvava, seu rosto avermelhando e suas pernas se mexendo como se estivesse em necessidade urgente.
"Eu vou com você."
Ela se moveu para levantá-lo, mas ele saiu correndo.
"É urgente, mamãe! Eu consigo me virar. Só espere aqui; eu serei rápido."
Arqueiro disparou com uma velocidade surpreendente.
Kiera o observou ir, um sorriso afetuoso no rosto, e então voltou sua atenção para o telefone.
"Charlee, é a Kiera. Acabei de chegar."
Ela estava ligando para Charlee Quinn, uma querida amiga de muitos anos. Apesar do tempo separadas, sua amizade permanecera forte. Charlee, agora professora de jardim de infância, ficou encantada ao ouvir Kiera.
"Onde você está? Posso tirar um tempo para ir te buscar. Você ainda está no aeroporto?"
Charlee estava exultante.
"Não precisa vir nos buscar. Arqueiro e eu vamos pegar um táxi até sua casa", disse Kiera enquanto caminhava. Desatenta ao seu redor, ela acidentalmente esbarrou em alguém.
"Ah, sinto muito. Não te vi aí", disse Kiera ao olhar para cima, apenas para ficar paralisada.
Era ele!
Colton!
De fato, o destino costuma reunir as pessoas de maneiras inesperadas!