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Como Não Ser A Mulher Perfeita

8.4 / 10.0
Aos 29 anos, Maria Eduarda carrega o estigma de cinco divórcios, sendo vista como a esposa mais difícil do mundo. Sua vida sofre uma reviravolta inesperada ao aceitar um casamento por contrato com um homem que parece perfeito: atraente, bilionário e extremamente sagaz. Agora, Madu entra em uma nova dinâmica matrimonial, mas o grande mistério que paira sobre essa união é saber se o seu atual marido terá resiliência suficiente para suportar o seu temperamento.

Como Não Ser A Mulher Perfeita Capítulo 1

— E some da minha casa, eu não quero ver você nunca mais! — Eduarda estava aos berros pela janela enquanto jogava todas as coisas de seu marido para fora, sem nenhuma pena, até mesmo dos álbuns caríssimos, comprados com muito esforço por ele.

Ela havia descoberto que ele estava jogando a comida que ela fazia pelo ralo da pia, e estava comendo na casa da mãe, o que para ela era imperdoável, o tipo de coisa que apenas um péssimo marido iria fazer, um ultraje contra seus dotes culinários, um tanto duvidosos, porém nem tão ruins ao ponto de virar comida triturada assim que desse as costas.

— Eu é que estou feliz por estar indo embora dessa casa, sua maluca! — Matheus gritava de volta, o ruivo estava definhando por conta da comida ruim e queimada da esposa, além de ter outros mil motivos para querer ficar bem longe dela.

Se parasse para enumerar os defeitos de Eduarda, sairia como o herói desta história, por ter sobrevivido mais de dois dias em, nem tão, sagrado matrimônio.

Matheus recolheu todas as suas coisas do meio da rua, isso antes de Eduarda mirar uma mala enorme em sua cabeça com o que tinha restado, por pouco não o acertou em cheio. Os vizinhos observavam a cena com as línguas coçando para ligarem e fofocarem com todo mundo, pois com este, já era o quinto marido que Eduarda expulsava de casa desde que se mudara para aquela casa amarela, que ficava entre a Rua das Roseiras e a Rua Coronel Sávio de Sá. Seus casamentos eram tão curtos que eles faziam bolão apostando quanto tempo duraria, sendo que desta vez o senhor do 87 ganhou, oito meses.

O marido, agora ex, mal tinha entrado no ônibus, e Eduarda já havia começado a chorar e a quebrar tudo que via pela frente, aquilo era tão costumeiro que ela mantinha as facas e coisas afiadas trancadas, só para garantir que não mataria ninguém, pois sempre que estava com raiva, se esquecia de onde tinha posto as chaves.

E depois de ter chorado e esperneado como sempre, ligou para sua irmã, Vivian. Limpava e assoava o nariz, enquanto esperava que ela atendesse, até que atendeu.

— O que foi dessa vez, Madu? — Vivian costumava atender Eduarda desta maneira, pois sempre que ligava, era problema.

— Botei o Matheus pra fora de casa.

— O que? Mas já, Maria Eduarda? Eu achei que esse casamento iria durar mais, você estava tão animada e colocava um milhão de qualidades nele!

— Não jogue a culpa em mim, Vivi, a culpa é dele!

— ‘Tá bem, chego aí em vinte minutos.

Eduarda roía as unhas enquanto esperava, não era lá uma pessoa muito paciente, estava pensando em como queimar totalmente a fita de seu atual ex-marido, ele não foi um companheiro muito ruim, mas ela era daquele tipo que erra, sabe que está errada, mas morre e não admite.

Acabou por ter roído todas as unhas e agora já não sabia o que fazer, mudava de posição a cada dois segundos, olhava para a porta a todo instante, estava vermelha de raiva a ponto de socar a parede, só não fez isso porque sabia que iria se machucar, como machucou-se na expulsão de seu terceiro marido, Josué, o mecânico.

Foi só então que Vivian chegou, Eduarda, Madu para os íntimos, ainda ouviu quando ela se despediu de seu marido, tinha inveja de como Vivian conseguia manter seu casamento tão bem. A moça de cabelos cacheados fechou a porta e deu de cara com a irmã descabelada e jogada no sofá, parecia uma daquelas vendedoras de bugigangas após quase ter sido pega pelo Rapa.

— De novo, Madu?

Vivian sentou-se ao seu lado no sofá, e a moça de cabelos cor de rosa já foi tratando de deitar a cabeça em seu colo, já estava prontinha para reclamar e dizer o quanto estava sofrendo e tudo mais que costumava fazer quando isso acontecia, o que pelo visto, era comum, discurso ensaiado inclusive.

— Ele ficava reclamando da minha comida o tempo todo, Vivi! — choramingou. A moça de cabelos cacheados revirava os olhos.

— Você sabe que sua comida é ruim, nem você mesma come. — A mais velha foi sincera, o que fez a outra não gostar nada, mas tinha que admitir que não era nenhuma cozinheira de mão cheia.

Nem de mãos vazias, nem de mãos cheias pela metade.

— Mas ele me dizia que adorava a minha comida! — ela protestou, sacudindo os braços como se esganasse um pescoço imaginário.

— Porque estava apaixonado, você podia dar uma chinela com sal para ele que ele iria comer, mas chega uma hora que a fome fala mais alto, mana, não pode culpá-lo por comer fora de casa. Aliás, isso nem é motivo para terem se separado.

— Eu não contei que ele comia fora de casa — a rosada comentou desconfiada, endireitando-se sobre o sofá. — Espera aí, dona Vivian, você estava dando comida a ele também? — Eduarda se levantou automaticamente e olhou para a irmã como quem olhava para um inimigo que acabara de confessar um crime bárbaro.

Indignada era a palavra.

— Eu não podia deixar o coitado morrendo de fome, além do mais, ele é primo do meu marido, eu tinha que dar comida a ele ou ele iria morrer intoxicado pela sua comida horrível! — a cacheada se defendeu, mas acabou sendo a pior defesa do mundo, ela poderia ter sido menos sincera.

Eduarda abriu e fechou a boca várias vezes, indignadíssima, não conseguia acreditar que a própria irmã estava ajudando seu marido a fugir da comida que ela fazia, qual é, não era tão ruim assim, era?

— Eu sou a pior esposa do mundo! — Desabou-se a choramingar de novo, estava na hora de admitir que o defeito estava mesmo nela e não nos homens com quem ela se casava.

— Relaxa, Madu, um dia você vai encontrar o cara certo pra você, um que saiba cozinhar, lavar a própria roupa, tenha uma paciência enorme e escute todas as suas besteiras, seja compassivo nas suas crises, ah! E que saiba lutar alguma arte marcial para se defender quando você tentar matá-lo, alguém que te compreenda, que te complete, alguém que seja tão louco que se case com uma mulher que já teve outros cinco maridos, um cara bom o suficiente que te ensine a fazer coisas que você não sabe, sabe, um cara bonitão que você possa levá-lo a qualquer lugar, sabe, ele pode estar em qualquer lugar a essa hora! — Vivian falava sem parar, mal sabia ela que, a cada palavra que dizia, aumentava mais a sensação de má esposa que Eduarda tinha sobre ela mesma. — Eu sei que um cara desses existe, em algum lugar do mundo existe!

— Vivian.

— O que foi?

— Para de falar.

[...]

Do outro lado da cidade, o rapaz moreno tentava a todo custo escrever o último capítulo que faltava para o seu livro, mas não tinha ideia de como terminá-lo, sabia que esse seria um sucesso ainda maior do que o primeiro, estava se esforçando muito para conseguir isso, mas ainda faltava um pequeno detalhe a ser concluído, e ele não podia fazer aquilo sem antes ter passado por uma experiência do tipo.

— Olha, não dá! — disse o moreno afastando o computador de sua frente, estava cansado e sem nenhuma ideia. — Eu agradeço a sua ajuda, Shin, mas não posso falar sobre casamento se nunca fui casado antes.

— Cada casamento é diferente um do outro, não existe nenhum padrão entre eles, você só vai saber como funciona a cabeça de uma esposa se tiver a sua — o asiático respondeu meio distante, ainda estava pensando no que sua esposa tinha dito antes dele sair de casa, algo como “traz leite” ou coisa do tipo.

Shin era descendente de japoneses que vieram para o Brasil em meados de 1970, seu nome de batismo era Joel Yuzuyu, mas sempre detestou esse nome mais do que qualquer coisa, Shin era seu nome de guerra. Era amigo de Rafael desde a infância, quando foram vizinhos de porta e sempre compartilhara dos desejos de Rafael se tornar um escritor, enquanto o mesmo ainda estava na faculdade.

— Tem razão, não posso escrever nada enquanto não for um homem casado. Tenho que resolver esse detalhe logo!

— Do jeito que você falou, parece até que vai se casar só pra saber como é estar casado. — Shin até riu do que ele mesmo havia dito, era loucura demais só de pensar nisso.

Os olhos do moreno estavam brilhando de tão animado que havia ficado, ele até se levantou da cadeira e olhou para o japonês com aquela cara que ele fazia antes de meter a ele mesmo em alguma confusão, daquelas grandes, inclusive.

— Ótima ideia! — o moreno disse. — Se eu me casar vou finalmente poder entender tudo, claro, por que não pensei nisso antes?

— Você é maluco!

— Mas isso é perfeito, Shin, se eu me casar agora, em um ano já terei o suficiente para concluir o meu livro, 12 meses é tempo suficiente para estudar o que se passa na cabeça delas e descobrir a forma certa de lidar com a esposa, eu devo isso a todos os homens casados dessa cidade! — Ele parecia mais animado ainda com a ideia, estava quase subindo em cima da mesa.

— É sério que vai mesmo fazer isso? — O japonês ainda não conseguia acreditar no que estava ouvindo.

— Claro que vou, é perfeito, vou finalmente dar ao homem a receita certa para um casamento perfeito! — Ele era assim mesmo, muito positivo, mal sabia o que realmente iria acabar acontecendo, Shin olhava pra ele imaginando a furada que o amigo estava se metendo.

— Com a sorte que você tem, vai acabar se casando com uma maluca, escreve o que eu tô te dizendo.

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