Capítulo 2

LYRIC

Após sairmos do bar juntos, fomos para o hotel que ele havia dito, em um Arcanis GT, um dos carros mais caros do mundo.

Não sabia quem era esse homem, mas uma coisa era certa: ele era podre de rico. Será que ele era um Alfa?

Embora eu estivesse tentada a fazer perguntas, nada disso importava, já que só iríamos fazer amor e nunca mais nos ver.

...

Foi a melhor noite da minha vida! Ele fez amor comigo da maneira mais doce possível. Embora fosse minha primeira vez, eu não achava que a intimidade poderia ser tão prazerosa assim, e não queria que parássemos.

O estranho ficou chocado quando descobriu que eu era virgem. Durante todo o tempo, ele ficava me perguntando se eu estava bem e se precisava que ele fosse mais gentil. Pela primeira vez, alguém se importava com meus sentimentos.

No entanto, algo incomum aconteceu durante o sexo.

Tudo estava indo tão bem até que, de repente, ele se contraiu dentro de mim e gozou com um gemido profundo.

Fiquei chocada, mas nós dois estávamos tão imersos no momento que não podíamos fazer perguntas.

Quase imediatamente, ele saiu de cima de mim e se sentou na beirada da cama.

"Isso é estranho", ele murmurou e olhou para mim.

Fiquei confusa também. Pensei que ele não conseguia atingir o clímax...

Pelo tempo que ele ficou me olhando, pude perceber que ele estava me encarando como se eu fosse um enigma.

Eu ainda estava deitada de costas, exausta. Logo, ele se juntou a mim, se deitando ao meu lado e apoiando a cabeça no cotovelo.

"Quem é você?" Ele então passou o dedo pelo meu queixo, um toque eletrizante.

Engoli em seco, pensando que eu era só uma garota feia que havia sido abandonada por todos que conhecia.

Para minha surpresa, ele tirou a máscara.

Fiquei boquiaberta ao ver o rosto diante de mim. Meu Deus! Ele era o homem mais deslumbrante que eu já havia conhecido!

Ele era tão bonito... Eu nunca poderia ter alguém como ele, que era bom demais para mim.

Puxei o edredom para esconder meu corpo.

"Você deveria ter me dito que era virgem no bar", ele disse.

O que isso importava? Eu não me importava mais em ser virgem.

Lentamente, sua mão se estendeu para o meu rosto. Percebendo o que ele tinha em mente, ofeguei e recuei.

"Não", eu disse, balançando a cabeça enquanto segurava o edredom com força.

"Por quê? Você já viu meu rosto."

Mesmo assim, continuei balançando a cabeça.

"Nosso acordo ainda está de pé. Não há nada a temer", ele acrescentou.

Você não entende! Você vai me odiar se vir meu rosto.

A noite estava indo tão bem, e eu não queria que nada a estragasse.

"Sou feia", murmurei, abaixando a cabeça.

Parecendo surpreso, ele estendeu a mão para o meu rosto novamente.

Desta vez, não tentei impedi-lo, pensando que esse era o meu destino.

Após tirar a máscara, ele colocou um dedo sob meu queixo e inclinou minha cabeça para cima para encontrar seu olhar.

Lágrimas brilhavam nos meus olhos enquanto eu olhava para os olhos prateados e encantadores dele.

Ele estava olhando diretamente para o meu rosto, para a minha cicatriz. Agora, ele iria fugir, com certeza.

Me estremeci e fechei os olhos quando ele passou o dedo pela cicatriz. O que ele estava fazendo?

"O que aconteceu?" Seu tom era suave, seus dedos ainda acariciando meu rosto.

Encontrei seu olhar — até então, não havia nenhum ressentimento nos seus olhos.

"Alguém me atacou", engoli em seco. "Fui sequestrada e vendada enquanto eles me machucavam. Já fui a vários médicos, mas nenhum conseguiu ajudar."

Os segundos se passaram, e ele não tirava os olhos de mim.

"Você é linda", ele murmurou, me fazendo franzir a testa. "Você realmente acha que a cicatriz te deixa feia?"

Do que ele estava falando? Balancei a cabeça, afastando meu rosto do seu aperto. "Sou feia. Todos me dizem isso."

Para minha surpresa, ele me puxou para perto de si, passando os braços em volta do meu ombro. "Até esta noite, acho que nunca conheci uma mulher tão deslumbrante quanto você, princesa."

Meu coração acelerou enquanto eu ouvia seus batimentos cardíacos com a cabeça no seu peito. Incontrolavelmente, uma lágrima escapou dos meus olhos — ele estava mentindo e só queria que eu me sentisse melhor.

"Acha que podemos ajustar nosso acordo? Adoraria passar mais um dia com você", ele disse, me deixando completamente chocada.

O quê?! Isso não era possível.

"Eu..."

"Por favor."

Instantaneamente, meu coração se derreteu. Pela primeira vez na minha vida, alguém estava me pedindo para ficar, não para ir embora.

Enterrei meu rosto no seu peito enquanto respondia: "Adoraria."

...

Infelizmente, como todos os outros, ele mentiu para mim.

Como todos os outros, fui enganada.

Quando amanheceu, ele já havia ido embora.

Acordei e não o encontrei na cama. Não havia nenhum bilhete, nem qualquer vestígio de que ele tivesse estado comigo, além da dor entre minhas pernas.

E, para piorar, alguém apareceu na porta, me pedindo para ir embora.

"O homem com quem vim ontem à noite, você acha que ele vai voltar?", perguntei ao homem, meu coração acelerado no peito.

"Não. Foi ele quem pediu para você ir embora. Ele disse que não quer te ver em nenhum lugar perto desta propriedade. Por favor, saia agora mesmo", disse o homem antes de sair.

E assim, meu coração se despedaçou por inteiro. Surpreendentemente, doeu mais do que quando fui rejeitada por Roderick.

Capítulo 3

LYRIC

"Olha, sinto muito, senhora, mas estou aqui para buscar alguém. Não posso te dar uma carona, se for o caso." Tive que me segurar para não rir ao ouvir Rufus, um dos guardas mais antigos do meu pai, dizer enquanto seus olhos passavam por cima do meu ombro, à procura da pessoa que tinha que buscar no aeroporto.

"Eu sei. Você veio buscar Lyric Harper, não é? Sou eu, Rufus."

Com um olhar desconfiado, ele balançou a cabeça e perguntou: "Você ainda não me disse como sabe meu nome. E... como pode ser Lyric? Isso não é possível. Lyric é..."

"Feia?", completei, com um sorriso largo no rosto.

Com a testa franzida, Rufus balançou a cabeça de novo. Naquela época, ele era o único que nunca tinha conseguido me chamar de feia e um dos poucos que se importavam com meus sentimentos. Mesmo agora, diante de uma estranha, ele ainda não conseguia me chamar de feia.

"Bem, ajudaria se eu te dissesse que sua sopa favorita era de abóbora e que você e a pequena Lyric costumavam jogar o jogo de tabuleiro?", perguntei, dando uma risada.

Imediatamente, o reconhecimento brilhou nos seus olhos e seu queixo caiu em espanto.

"Que Seraphis nos abençoe! Lyric, é você mesma!" Ele abriu os braços e eu não hesitei em ir até ele para um abraço caloroso.

Durante todos esses anos, Rufus e eu mal tínhamos tempo juntos, mas ele sempre fazia com que os poucos momentos que passávamos juntos valessem a pena. Ele era o mais próximo que eu tinha de um pai.

"Como isso é possível?", ele perguntou após me cumprimentar. "Seu rosto... Meu Deus! Você está linda! Você só ficou fora por cinco anos e... não consigo acreditar nisso."

"É uma longa história, Rufus. Mas, por enquanto, vamos dizer que o destino decidiu sorrir para mim."

"Ah, Lyric! Você não sabe como estou feliz em te ver. Tenho certeza de que seu pai deve estar encantado ao ver que você não está mais... desbonita."

Ri da sua tentativa de não usar a palavra "feia" comigo. Bom, quanto ao meu pai, revirei os olhos em pensamento. Fiquei um pouco triste por ter sido forçada a voltar para cá depois de cinco anos por causa dele, já que minha vida estava perfeita em Draconis.

"Aqui. Vou levar isso para o carro", disse Rufus, pegando minha bagagem.

"Pode levar que te encontro lá. Preciso pegar uma bagagem extra. Não se preocupe, serei rápida."

Quando me virei e mal havia dado três passos, Rufus chamou minha atenção: "Você deixou cair algo."

Olhando para o chão, encontrei a imagem. Meu coração foi parar na garganta enquanto eu me agachava rapidamente para pegá-la.

Rufus me observava com surpresa. Obviamente, ele havia visto o raio-x e devia estar se perguntando por que diabos algo assim estava no meu bolso de trás.

Ah, Lyric, você não poderia ser um pouco mais cuidadosa?

"Não é meu." Limpei a garganta, esperando que minha mentira fosse plausível. Afinal, quem carregava fotos de raio-x de fetos no bolso de trás?

Colocando a imagem de volta no bolso, saí às pressas.

...

Com as mãos cruzadas sobre o peito, esperei na área de retirada de bagagem. Minha bagagem extra chegaria a qualquer momento.

Enquanto eu esperava ociosamente, pensamentos perturbadores passavam pela minha mente. Meu pai queria que eu voltasse para casa por dois motivos. O primeiro era cortar completamente os laços com Roderick.

No nosso mundo, quando dois lobos se uniam, eles amarravam uma fita como sinal da sua união e a guardavam num templo. Assim, quando eles queriam se separar, havia duas etapas envolvidas. Primeiro, eles teriam que renunciar um ao outro como companheiros e, depois, cortar a fita juntos.

Depois que Roderick renunciou a mim como sua companheira, não tivemos a chance de nos ver novamente e as circunstâncias acabaram me afastando, mas agora ele estava desesperado para concluir as etapas finais. Aparentemente, ele havia escolhido uma nova companheira, mas não podia aceitá-la enquanto ainda estivesse parcialmente ligado a mim.

Bem, eu estava ansiosa pelo dia em que terminaria as coisas com aquele idiota. Ele era meu passado, e a estúpida fita era a última coisa que nos mantinha unidos.

"Com licença, senhorita. Gostaria de um momento da sua atenção, por favor", disse alguém atrás de mim.

Quando me virei, vi um homem forte de terno preto e óculos escuros. Não precisei de ninguém para me dizer que ele era um guarda.

"Em que posso ser útil?", perguntei, franzindo as sobrancelhas.

"Na verdade, o Alfa ali quer falar com você."

Olhei para onde ele apontava — um bar — mas não consegui ver o homem a quem ele se referia, já que seu rosto estava escondido por um balcão.

Lutando contra a vontade de revirar os olhos, pensei comigo mesma que esses dias estavam sendo cansativos. Era óbvio que nunca haveria um dia em que eu sairia sem chamar a atenção dos homens.

"Estou com pressa. Diga a ele que sinto muito", respondi.

O guarda cerrou o maxilar. "Você não pode ignorá-lo."

Pelo seu tom, pude perceber que as palavras não ditas eram que ele era um Alfa poderoso e que você não podia simplesmente ignorar seu pedido, mas eu realmente não estava interessada em conhecer ninguém. "Sinto muito. De verdade."

Após dizer isso, desviei o olhar, embora fosse desrespeitoso ignorar o chamado de um Alfa. Num mundo onde a hierarquia importava, ele poderia ser um dos poderosos e me punir severamente, mas eu não estava com vontade de falar com ninguém.

"É o Alfa Roderick de Nightshade", o guarda acrescentou, como se quisesse me atrair, sem fazer ideia de que acabara de reabrir velhas feridas.

Meus olhos se desviaram para ele e, em seguida, para o bar onde o homem estava sentado. Roderick? Meu ex-companheiro? Aquele com quem eu estava aqui para terminar as coisas?

Meu peito se apertou de dor e tudo o que pude fazer foi manter minhas emoções sob controle.

"Mais um motivo para não vê-lo", murmurei, me virando.

"Você disse alguma coisa?"

"Eu disse que não vou vê-lo", respondi entre dentes, minhas unhas cravadas nas palmas das mãos.

O guarda me lançou um olhar de desaprovação antes de ir embora, e eu soltei um suspiro trêmulo.

Agora, onde diabos estava minha bagagem?

Encontrei um dos funcionários e pedi informações, e ele me garantiu que ela chegaria a qualquer momento.

Infelizmente, eles não foram rápidos o suficiente, pois logo vi Roderick se aproximando de mim.

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