Capítulo 2

"O quê?" Nathaniel estava surpreso com o inesperado pedido de divórcio de Lucinda.

Ele não tinha ideia de qual era o joguinho dela depois de drogá-lo na noite anterior: "Qual é o seu plano desta vez?"

Lucinda lhe lançou um olhar invernal. Mesmo sendo mais baixa, ela exalava uma imponência que quase o intimidava:

"Não era você que sempre quis se divorciar? Foi seu avô que forçou você a se casar comigo, e agora que ele morreu, nada te impede de me dar um chute na bunda para ficar com Eleanor. Não é ela a mulher com quem você quer viver junto?" As palavras de Lucinda foram cortantes, diretas ao cerne da questão.

Nathaniel expressou um esgar de descrença.

Lucinda poderia ser tão gentil a ponto de deixá-lo ficar com a mulher que ele realmente amava?

Ela parecia estar sendo sincera, então ele bufou e disse friamente: "Não se arrependa depois."

Ela riu em zombaria, nunca estando tão determinada quanto antes, pois sua mente já foi feita: "A única coisa que eu me arrependo foi ter me casado com você."

Determinada, Lucinda saiu do quarto.

Nathaniel olhou incrédulo enquanto ela se afastava.

Ele nunca a tinha visto agir de forma tão segura antes. A mulher mansa e dócil que ele conhecia se tornou impassível e resoluta, o deixando confuso. Então ele se perguntava a razão desta mudança brusca.

Será que ela não teve responsabilidade no que aconteceu ontem à noite?

Quem seria o culpado então?

Mais tarde, os dois foram ao cartório.

Lucinda vestia uma roupa simples sem nada de atraente, enquanto Nathaniel usava um elegante terno Prada. Eles pareciam um casal estranho que atraíram a atenção, mas Lucinda não ligou. Ela estava focada em dar cabo no divórcio o mais rápido possível.

Finalmente, o casamento que só trouxe tristeza foi dissolvido.

Lucinda segurava a papelada na mão, sentindo-se paralisada e desconectada do mundo ao seu redor.

"Então é isso... Tchau", disse Nathaniel friamente e foi embora.

Lucinda o observou desaparecer sem dizer mais uma palavra ou dar uma segunda olhada para trás. Ele não fez nenhuma tentativa para salvar o casamento deles, como se nunca tivesse sido seu marido em primeiro lugar.

'Ele tornou tudo muito mais fácil', ela pensou, rindo dolorosamente e balançando a cabeça.

O comportamento do seu ex-marido só a ajudou. Eles agora não passavam de estranhos, destinados a levar vidas separadas um do outro.

Clareando os pensamentos, Lucinda foi embora também.

De repente, um elegante Bentley preto parou ao seu lado.

A porta do carro se abriu, e um senhor de cabelos grisalhos saiu e caminhou na sua direção. Ele estava acompanhado por quatro seguranças corpulentos.

Quando Lucinda o reconheceu, endireitou a postura com um ar de nobreza. 'Meu pai sempre parece estar muito bem informado. Acabei de me divorciar e ele já o mandou para cá', ela murmurou mentalmente.

O senhor, que se chamava Gilbert Duncan, sorriu docemente e curvou-se diante dela: "Senhorita, hoje é o último dia do acordo de três anos com seu pai."

Demorou um tempo para ele perceber os documentos que Lucinda estava segurando.

Com uma expressão arrependida, ele disse: "Parece que você não conseguiu mantê-lo. Se este for o caso, você deve retornar para Stastle e herdar os negócios da família, como acordado."

Lucinda franziu as sobrancelhas, permanecendo quieta pelo que pareceu ser uma eternidade.

Algo terrível havia ocorrido com ela quando tinha apenas quinze anos, fazendo com que perdesse a memória e viesse parar no orfanato aqui em Forden. Mais tarde, ela salvou Logan, que então a trouxe para a família Roberts. Assim que ela atingiu a maioridade, Logan ordenou que seu neto Nathaniel se casasse com ela.

Não foi até sua lua de mel que Lucinda recuperou as memórias. Na época, ela havia escolhido Nathaniel em vez do seu próprio pai e fez um acordo para voltar para casa depois de três anos se não conseguisse manter o casamento.

Lucinda estava ciente de que tinha acabado de jogar fora três anos da sua vida por um homem que não a amava.

"O senhor Simmons sente muito a sua falta. Por favor, me acompanhe. Não continue aborrecendo seu pai. Ele..."

"Gilbert", Lucinda o interrompeu, seu rosto ficando ainda mais inerte quando o passado foi trazido de volta por ele. "Ele tem aquela mulher do lado dele. A família Simmons não precisa de mim. Tenho assuntos mais importantes para resolver, então não irei com você."

Nos últimos três anos, ela vinha investigando em segredo, tentando descobrir a causa da sua perda de memória e como acabou em Forden. Depois de muito esforço, deduziu que a pessoa provavelmente trabalhava no Grupo Simmons. No entanto, ela ainda não tinha certeza quem era especificamente.

Lucinda estava em uma situação ruim, com o inimigo à espreita nas sombras. Era muito arriscado voltar para a família Simmons agora, além de que a ideia de voltar a morar com a madrasta era insuportável.

Gilbert suspirou pesadamente: "O senhor Simmons estava correto então. Você ainda guarda ressentimento e não voltará facilmente."

Ele tirou um cartão da sua carteira e o entregou a Lucinda: "Este é o seu cartão do banco. Tem ao todo cerca de trinta bilhões de dólares nele."

Então, ele gesticulou para os seguranças atrás dele, e eles imediatamente entregaram um novo contrato para Lucinda.

Capítulo 3

"O senhor Simmons disse que você pode ficar aqui, mas há uma condição associada a isso. Você tem que administrar a Angle Intl, uma das filiais do Grupo Simmons em Forden, e fazer o seu lucro aumentar cinco por cento em relação ao ano anterior. Ele também disse que você poderia recusar, mas assim ele não iria garantir a segurança do Grupo Roberts", informou Gilbert educadamente.

Lucinda cerrou os dentes.

Ela prometeu a Logan, no seu leito de morte, que cuidaria do Grupo Roberts, portanto, não poderia deixar que nada acontecesse com a empresa.

Seu pai conhecia sua fraqueza e a usava como um trunfo para manipulá-la. No entanto, ele não a obrigou a voltar para casa. Em vez disso, ele exigiu que ela assumisse o controle da Angle Intl.

Por que diabos ele fez isso?

A contragosto, Lucinda disse: "Tudo bem, eu farei isso."

Logo depois, ela escreveu seu nome no contrato e pegou o cartão do banco que continha trinta bilhões de dólares.

Ela riu enquanto estudava o cartão.

Minutos atrás, ela estava tão quebrada que mal tinha dez dólares em seu nome. Não podia nem pagar uma corrida de táxi para casa. Porém, agora...

Ela simplesmente ganhou na loteria, certo?

Nos três anos passados, devido ao seu acordo com o pai, a conta bancária de Lucinda foi congelada e ela foi forçada a esconder sua verdadeira identidade para não violar esse acordo.

Lucinda sempre foi desprezada pela família Roberts. Eles nunca a levaram a sério e só se relacionavam com pessoas ricas.

Imagine como eles ficariam chocados se descobrissem que ela era a filha mais nova da família Simmons, a família mais rica de todo o país, que tinha bilhões na sua conta bancária.

Lucinda relembrou a época em que sua melhor amiga de infância no orfanato estava morrendo. Ela havia ficado de joelhos implorando a Amanda, mãe de Nathaniel, por um empréstimo.

Amanda ostentava arrogantemente seu cartão bancário de platina, mas nada deu a Lucinda. "Adivinhe quanto dinheiro eu tenho no meu cartão? Um milhão! Em toda a sua vida, você já viu essa quantidade de dinheiro? Só que eu não vou te emprestar nenhum centavo. Eu prefiro gastar todo o meu dinheiro comprando ração para cachorro! Para mim, a sua amiga pobre é menos relevante que um cachorro de estimação."

Lucinda cerrou os dentes ao se lembrar do quanto se sentiu ofendida e humilhada.

Quando tivesse oportunidade, ela adoraria dar uma lição na mãe e na irmã de Nathaniel. Ela queria se vingar, por sua amiga e por si mesma.

Enquanto pensava, alguém agarrou seu pulso com força por trás.

Se virando, Lucinda reconheceu Amanda.

Com repugnância evidente no seu rosto, Amanda ergueu o queixo e olhou para Lucinda. Atrás dela havia algumas senhoras ricas com sacolas de compras nas mãos. Parecia que elas tinham ido às compras juntas.

Lucinda colocou casualmente o cartão bancário na sua bolsa e perguntou com frieza: "O que você quer?"

Amanda ficou surpresa com o novo comportamento de Lucinda. Ela não conseguia acreditar que Lucinda pudesse um dia ser tão fria com ela.

Amanda costumava gostar de menosprezá-la e intimidá-la, então disse em tom de zombaria: "Quem te deu permissão para sair? Você já terminou as tarefas domésticas? Já preparou o almoço? Eu te esfolarei viva se você deixar meu filho com fome. E o que é isso que você está vestindo? Você é uma desgraça para nossa família! Você está casada com meu filho há anos e ainda assim se veste como uma indigente. Que vergonha! Saia daqui!"

"Desgraça?" Lucinda deu uma risadinha com as palavras de Amanda. "Depois que eu entrei na sua família, você demitiu todos os empregados e me forçou a deixar o meu emprego. E ainda me obrigou a cuidar do seu filho. Eu fiz tudo o que você me pediu para fazer. Mas você ficou satisfeita? Não. Você me acusou de roubar as suas joias e me puniu fazendo com que eu me ajoelhasse na chuva. Você se lembra disso tudo?"

As senhoras atrás de Amanda pareciam desconfortáveis. Embora estivessem cientes de que Amanda sempre foi má com Lucinda, elas não tinham ideia de que ela havia se esforçado tanto para torturar a nora.

À medida que a tensão entre elas aumentava, as senhoras tomaram a decisão de partir apressadamente usando qualquer justificativa que pudessem encontrar.

"O quê? Do que você está falando?"

Amanda tentou intervir, mas a fala rápida de Lucinda dificultou as coisas.

"Não se faça de boba. Você sabe exatamente do que estou falando", declarou Lucinda, de cabeça erguida. "Já estou farta das suas besteiras. Se tentar se meter comigo novamente, farei com que pague por todos os seus atos anteriores!"

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