Guilhermo quando soube do fiasco que foi o velório do meu sócio, não parou um segundo sequer de tirar onda com a minha cara. Meus olhos estavam avermelhados como se tivesse fumado um Beck, foi o maldito colírio! Demorei bastante tempo no banho para tirar o mau-cheiro de defunto do meu corpo. Foi uma decepção atrás da outra e nada saiu como esperava naquele velório. Meu pai queria que eu fosse visitá-lo no final de semana, entretanto, consegui enrolar ele. Minha relação com meu pai tinha seus altos e baixos, porém, ainda existia uma relação entre nós, ao contrário do que não existia com minha mãe. Não sabia do seu paradeiro tinha anos desde que deixara meu pai e eu.
Eu queria esquecer da frustração que foi no velório de não ter conhecido a tal filha do velho, portanto, deixei de lado meu amigo para comprar uma bebida forte. De longe observei Guilhermo dançando com duas mulheres na pista de dança. Ele dançava muito mal, e ainda assim, conseguia qualquer mulher que quisesse.
— Você não parece estar se divertindo também, pois não para de olhar naquela direção. Prefiro acreditar que esteja olhando para as meninas e não para aquele girafa desengonçado. Não gostaria de saber que o homem que coloquei os olhos também gosta de um armário musculoso.
Uma desconhecida disse sussurrando na minha orelha e me surpreendendo. Ela era uma mulher de voz doce que instantaneamente seu contato fez os pelos do meu corpo ficarem eriçados. Olhei para o lado querendo saber como ela era, contudo, seus seios foram o que mais me chamou atenção. Mordisquei o lábio inferior vidrado naquele decote em V. Percorri os olhos por suas curvas até ficar encantado com seus olhos amendoados. Ela era um avião que senti vontade de pilotar.
— Não imaginei que fosse conhecer uma mulher assim direta. Pode ter certeza que não gosto do que você gosta! Devo confessar que me pegou de surpresa e eu adorei essa surpresa! — comentei, tirando um sorriso seu. A sedutora mulher esfregou seus seios no meu peitoral propositalmente.
— Nunca gostei de enrolação! Espero que goste de uma mulher bem abusada porque sou assim...
Ela não brincou quando disse que era abusada ao aproveitar a oportunidade para apalpar minha nádega esquerda. De onde ela tinha saído? As únicas mulheres que conseguia sem me esforçar eram as que pagava pelos serviços sexuais, no entanto, aquela era diferente e decidida. Ousei puxá-la pela cintura para mais próxima do meu corpo.
— Também gosto de ser direto. Não formamos um belo par? Tanto você quanto eu, somos abusados! Estou sentindo que nos daremos muito bem...
Meu coração até bateu mais forte no momento em que ela encostou seus lábios macios no meu pescoço, depositando beijos deliciosos. Quando pensei que nos beijaríamos fomos interrompidos pelo Guilhermo.
— Sebastian, não vai me apresentar sua nova amiga? — perguntou, com um sorriso sacana nos lábios. Ele tinha que nos interromper daquele jeito? Senti vontade de apertar seu pescoço.
— Você não tem mais o que fazer não? Cai fora! Guillermo, três é demais!
— Senhorita, cuidado com ele, ele é um safado e pode se aproveitar da sua inocência...
— O inocente é você, por acreditar que eu seja! Por que não dá o fora? Ou melhor, melhor saímos para um lugar mais reservado, Sebastião...
Ela ter errado meu nome era o de menos, pois ela queria dar o fora daquele ambiente para outro lugar, um reservado.
— Conheço muitos lugares reservados, onde ninguém ira nos incomodar!
— Entendi, que estou sobrando! Tchau, Sebastião! — zombou, me dando um tapinha nas costas antes de afastar-se.
A morena sedutora finalmente beijou meus lábios e acendeu uma chama em todo meu corpo. Apertei forte sua cintura fina enquanto chupava com gosto sua língua com sabor de álcool. Quando nos separamos para recuperar o fôlego resolvi perguntar seu nome.
— Como se chama a mulher que acaba de me deixar louco por ela? — questionei.
— Você quer transar ou saber tudo sobre mim? Não precisamos saber nada um do outro, meu bem, assim será mais fácil para você!
Caí na gargalhada. Como assim mais fácil para mim? Quem ela pensava que era? A mulher maravilha?
— Duvido que me esqueça depois dessa noite, senhorita, contudo, gostei do seu descaramento. Uma mulher nunca falou assim tão direta ao ponto do que quer de mim.
— Quero o mesmo que você, transar essa noite e nunca mais nos vermos outra vez! Guarde essa conversinha de que nunca vou te esquecer depois dessa noite, porque pode ter certeza que irei sim!
— Caramba! Você não facilita mesmo hein! Conheço um motelzinho ótimo, podemos dar uma chegada nele...
— Vamos, Sebastião, que hoje quero sentar gostoso!
Uau, que mulher! Acreditei ter tirado a sorte grande. Saímos juntos daquele ambiente festivo para um motel com espelho no teto. No quarto comecei a ser abusado e aquela brincadeira com a língua pelo meu corpo me excitou cada vez mais. A primeira coisa que fizemos ao entrar no quarto, foi deixar um rastro de roupas até a cama.
— Nossa, você conseguiu abocanhar ele todo sem dificuldade! — comentei, surpreso, pois ela engoliu meu pau como se estivesse faminta.
Quanto mais ela sugava a cabeça rosada do meu pau enquanto balançava aquele par de seios, não conseguia controlar meus gemidos. A minha sedutora era gulosa e ainda chupava as bolas também! Após deixar meu pau bem molhado, ela buscou por um preservativo no bolso da minha calça. Sempre andava prevenido. Soltei outro gemido quando ela usou aquela boquinha para pôr o preservativo em toda a extensão do meu pênis duro como pedra.
— Agora é sua voz de me chupar gostoso! Espero que saiba como usar essa língua grande na minha boceta!
A mulher era uma safada, sentou no meu rosto, esfregando sua racha molhada no meu rosto. Brinquei com minha língua em seus pequenos lábios tirando gemidos seus. Aproveitei para dar tapas em sua bunda. Ela pediu que a penetrasse com meus dedos e assim segui sua ordem. Quando tirei meus dedos da sua entrada escorregadia enfiei na boca.
— Quero que sente no meu cacete agora! Não continue me maltratando assim! Meu pau não aguenta mais ficar longe da sua boceta gostosa!
— Darei o chá que você tanto quer! — proferiu, encaixando-se por cima de mim e sentando no meu pau.
Ela cavalgava sensualizando e sem tirar os olhos dos meus. Como era provocadora e a cada estocada forte gemia mais. Chegamos ao clímax naquela posição em que ela dominava todo meu corpo ao seu prazer. Ser um submisso as suas vontades valeu muito a pena. Tivemos uma transa foda e me deixou com vontade de mais, entretanto, quando saí do banho, certo de que trocaríamos telefone não a encontrei mais no quarto.
— Como assim você foi embora após uma transa como a nossa? — perguntei-me, indignado. Ela não tinha gostado? Era isso?
Após pagar o quarto de motel voltei para casa chateado porque o que ela fez foi safadeza. Acordei no dia seguinte atrasado para o trabalho e com várias ligações perdidas da minha secretária. Mandei um áudio para Fernanda para saber o que ela queria.
— Senhor Ferração, vem agora mesmo para empresa! A filha do seu Benício está aqui! Ela organizou uma reunião em cima da hora! Todos nós estamos nervosos, a mulher é um demônio!
Um demônio? Era exagero da minha secretária para me apressar, isso sim! Respondi seu áudio.
— Ela é apenas uma jovem boba que acabou de perder o pai, Fernanda! Não exagere! Logo estarei na empresa!
Minha secretária ouviu o áudio e mandou emojis de diabinho. Não fiz nada com pressa e ainda tomei o café da manhã em tranquilidade. Quando cheguei na empresa fui diretamente para sala de reuniões, pois a tal demônio estava ainda conversando com alguns funcionários. Adentrei a sala sem aviso prévio e encontrei a mulher sedutora que engoliu como ninguém meu pau na noite anterior.
— Você é a filha do Benício? — questionei, desejando que ela negasse, mesmo vendo não queria acreditar que era ela.
— E você quem é? Por que entrou sem bater? Nada nessa empresa está em ordem! Onde está o imprestável do meu sócio?
Imprestável? Quem era eu? Fechei os punhos indo em sua direção e segurando seu pulso.
— Onde pensa que está? Você sabe muito bem quem sou! E eu não sou nenhum imprestável! Como pode chegar na minha empresa assim e me afrontar desta maneira?
Meu sangue ferveu, a partir daquele momento ela trocou as lembranças de uma foda incrível por ódio. Perguntei-me se ela sabia quem era eu quando me escolheu naquela boate para atacar. Ela não passava de uma cínica, fingida, e queria ainda mandar na minha empresa, nem mesmo o velho seu pai conseguiu me dobrar, não seria ela que conseguiria!
— Sou Abigail Ortiz, uma das donas desta empresa! Me solta agora ou vou te denunciar por agressão, senhor Ferraço! Todos estão de prova de que o senhor quer agredir sua nova sócia...
Larguei ela antes que aumentasse o escândalo desnecessário. Fernanda tinha razão, ela era um demônio. Por que não percebi que ela tinha algo de errado? Ela parecia perfeita demais enquanto dava a boceta pra mim. Abigail queria entrar em guerra e ela conseguira atiçar minha fúria. Mostraria para aquela aventureira que ninguém além de mim, comandava aquela empresa de construção.
Abigail Ortiz
No escritório do meu pai, desabei ao ver um porta-retratos com uma foto minha quando era criança. Ele era o melhor pai que poderia ter e estive do seu lado do início ao fim em sua batalha contra o câncer de próstata. Por fora eu era dura até comigo mesma, entretanto, meu coração estava despedaçado com sua partida. Não suportei estar no velório do meu pai, portanto, decidi que por algumas horas era melhor esquecer. A melhor maneira de esquecer um pouco minha dor foi encontrar um homem qualquer, de preferência um que aparentasse ser babaca. Eu não era vidente para saber que o babaca que escolhera na boate era meu novo sócio. Sebastian Ferraço entrou na sala de reuniões me enfrentando na frente de todos. Como me senti? Desnorteada e muito brava! Não queria vê-lo nunca mais na minha vida, ele era pra ser apenas mais um estranho com quem supria meus desejos físicos e nada mais! Estaria mentindo se dissesse que tinha me arrependido de transar com ele, pois foi algo muito prazeroso, contudo, seria difícil conviver com aquele homem sabendo quem ele era, um mau-caráter como meu falecido pai costumava comentar sobre seu sócio.
Desde pequena aprendi a me defender sozinha, fiquei no orfanato até os meus seis anos e ninguém acreditava que pudesse ser adotada até conhecerem o senhor Benício. Ele me adotou e me amou até o fim de sua vida. Não seria seu sócio que conseguiria me derrubar. Passei por coisas bem piores do que um homenzinho ambicioso e metido a besta como ele. Eu quase morri em Portugal por me envolver com o homem errado. Não estava escrito na testa dele que era um mafioso. Aquele homem assassinou duas pessoas na minha frente e disse que como eu não queria estar do seu lado, seria aproxima. Ele ainda me colocou em uma cova e antes que ocorresse o pior a polícia o capturou. Aparentemente ele estava sendo seguido pela polícia. Retornei para meu país e não contei para ninguém o sufoco que passei, nem mesmo para meu pai.
A empresa de construção tinha uma grande desorganização e muitos contratos que não eram tão lucrativos assim. Uma semana foi o suficiente para me dar conta de que Sebastian Ferraço costumava ser impulsivo e descuidado. Mandei embora a secretaria antiga do meu pai porque ela não sabia nem sequer escrever um documento de maneira correta. Meu sócio sempre que esbarrava comigo no corredor ou no elevador era grosseiro. Fernanda sua secretária estava do meu lado, pois ofereci uma grande quantia em dinheiro para me manter informada do que seu chefe poderia querer aprontar pra cima de mim. Ela era uma mulher inteligente e aceitou sem hesitar a minha oferta. Costumávamos conversar durante o horário de almoço em um restaurante próximo à empresa. Me sentia mais segura por ter uma informante a respeito do meu sócio. Soube muitas coisas em relação sua particular porque sua secretária tinha a língua solta. Ele era um mulherengo como muitos outros homens são. Cadê a novidade? Era um babaca!
Quando Sebastian adentrou meu escritório soltando fogo pelo nariz, imaginei logo que ele tivesse visto as pequenas mudanças que havia feito na nossa empresa. Estava se tornando rotineiro vê-lo furioso. Era uma pena ele querer que as coisas fossem do jeito e não saber ceder nunca. Ele era um homem gostoso com espírito de Touro bravo.
— Abigail, por que mudou nosso cartão de visitas sem me consultar? O cartão de visitas tinha apenas meu nome como fundador desta empresa!
Estalei a língua saindo da poltrona. Um escândalo devido a um cartão de visitas? Eu também era dona da empresa, o mais certo era ter meu nome também! Tudo era motivo para discussões, o único momento que não tivemos foi na cama quando nos conhecemos. Era difícil apagar da memória a lembrança daquela foda sendo que o dito cujo via diariamente.
— Essa empresa também é minha! Meu pai não fez questão de ter seu nome no cartão de visitas, mas eu faço! Acostume-se, esse é apenas o começo das mudanças, senhor Ferraço! — avisei, encarando-o de cabeça erguida.
— Qual é o seu preço, afinal? Por que está colocando dificuldade em me vender sua parte da empresa? Você não tem nada a ver com uma empresa de construção! Não disse nada das outras mudanças, entretanto, era mesmo preciso tocar no meu cartão de visitas? Todos estão falando de mim e do quanto sou ruim por sua culpa! E não estou rindo, senhorita Ortiz! Sei quem realmente você é, uma filha da puta!
— Sebastião, não use esses linguajares baixos! Não pretendo vender meu patrimônio porque um coisinha igual você me julga incapaz de cuidar de uma empresa de construção. Sou formada em engenharia mecânica e nenhuma imbecil como acredita que eu seja!
Chamá-lo de Sebastião era algo que deixava ele ainda mais bravo, talvez fosse porque recordava de quando nos conhecemos. Minha vontade era de cravar minhas unhas no seu pescoço e mandá-lo de vez pro inferno.
— Não faça mais mudanças sem antes me consultar! Você não sabe com quem está mexendo, Abigail, posso ser bastante cruel para conseguir meus objetivos, no caso recuperar minha empresa!
— Devo ter medo de sua ameaça? Por que ainda perde seu tempo querendo me importunar? Se quer tanto me ver assim, traz sua escrivaninha pro meu escritório e passe o dia todo olhando pra minha cara! Estou cansada de homens metidos a bestas, feito você!
— Metido a besta? Você é cínica e fingida! Guilhermo, me contou que você deu em cima dele!
Então era isso? Orgulho ferido também? Sim, admito que passei uma cantada em seu amigo quando o vi na empresa. O tal Guilhermo não era de se jogar fora, contudo, o que queria mesmo era testar sua lealdade ao Sebastian. Ele me dispensou e ainda foi fofocar para seu amigo, ao menos sabia que ele não era um fura olho.
— Seu amigo é um gay enrustido apaixonado por você, não sabia? Foi realmente uma pena porque queria transar com ele em cima de sua escrivaninha quando você saiu para almoçar...
Minha provocação fez Sebastian agarrar forte meu braço direito e sacudi-lo.
— Você é uma puta safada! Como tem coragem de dizer isso na minha cara? Não sente vergonha de ser tão indecente assim? Fala!
— É por que sou mulher? Tenho meus desejos e minhas vontades assim como você! Se eu quiser dar pra quem eu quiser que esteja nesta empresa é problema meu! Posso transar onde quiser também, a empresa também é minha! Larga meu braço seu infeliz! Solta agora ou faço um escândalo e ainda chamo a polícia!
— Não fala assim nunca mais! Vai dar pra ninguém, quer dizer ninguém desta empresa! Respeite esta empresa e me respeite como seu sócio!
Sebastian me puxou para si e me beijou a força, isso mesmo a força! Chutei suas bolas na mesma hora, então ele me soltou.
— Nojento! É assim que quer ter meu respeito? Sinto nojo de você! Espero que seu saco caia com esse chute seu desgraçado!
— Cadela! Você vai me pagar por isso... — resmungou, se arrastando para fora do meu escritório.
Após ele ter saído caí na gargalhada, ele deveria ser um palhaço de circo pelo papel ridículo que acabou fazendo na minha frente. Me roubar um beijo a força era desespero demais para qualquer um. No fim do expediente fui surpreendida com Fernanda que entrou no meu escritório.
— Senhorita Ortiz, graças a Deus ainda encontrei te encontrei, precisei esperar o senhor Ferraço ir embora para ele não me ver entrar em seu escritório. Ouvi uma conversa do meu chefe ao telefone e ele disse o seu nome, e que era para agirem sem falta e pagaria muito bem. Tenha cuidado, algo bom não deve ser.
— O que vai aprontar desta vez? Seu chefe é um babaca, não se preocupe, com certeza, é alguma babaquice. Obrigada por me manter informada sobre isso, assim não serei pega de surpresa.
Sebastian não me pegaria de surpresa seja lá no que fosse que ele estava planejando aprontar para cima de mim. Despedi-me de Fernanda e desci pelo elevador até o térreo. No estacionamento segui meu caminho até meu carro. Mal saí da empresa e logo percebi estar sendo seguida por um veículo, prata.
— Ah! Sebastian, não perdeu tempo! Quer me assustar seu filho da puta? — falei comigo mesma pisando no acelerador. O veículo prata fez o mesmo e vi que não estava para brincadeira, pois começou a bater no meu carro até tirá-lo da pista em direção a um córrego.
Meu carro bateu na barra de proteção, então capotou no córrego. A água barrenta começou entrar dentro do veículo. Consegui tirar com dificuldade meu cinto de segurança, no entanto, a porta estava travada. Chutei o vidro diversas vezes e não resultou em nada. Senti-me sufocada e perdi a consciência ali mesmo. Quando despertei estava no hospital e umas das primeiras coisas que fiz questão de fazer foi chamar a polícia porque até então acreditavam que eu sofrera um acidente.
— Meu sócio, Sebastian Ferraço tentou me assassinar! Sei que foi ele! — afirmei, certa do que dizia aos policiais.
Eu queria que meu sócio mofasse na prisão por tentar tirar minha vida. Fernanda tinha me alertado, porém, não pensei que pudesse ser algo tão grave assim, que ele pudesse fazer comigo. Por que tanto ódio? Ser o único dono da empresa era tão importante assim? Ele tentou tirar uma vida por isso! Minha decepção ficou cada vez maior em relação a ele.