Capítulo 2

Chegando lá ela foi bem recebida por todos seus colegas que ficaram encantados com a simpatia de Jaqueline que ainda estava nervosa com o novo ambiente. Ela sentiu que aí começava um novo ciclo da sua vida.

Estranha era a sensação de um novo começo, mas havia alguma coisa que despertou misteriosamente quando se sentou -se na cadeira de secretária na sala bem aconchegante com ar-condicionado e janelas de vidros coberto por persianas cor cinza.

A sala ficava no vigésimo andar. E para chegar até lá tinha que usar elevador, Aliás ela odiava andar de elevador. Logo de manhã subir no elevador lotado de gente mau humorada e diversas pessoas com mau cheiro de odor insuportável.

Mas não tinha do que reclamar após entrar em sua nova sala e começar a nova realidade para ela. E pelo que ela ficou sabendo ia trabalhar bem perto do poderoso chefão que costumava viajar muito para diversos países.

Assim como na Europa, Estados Unidos e Japão e até em Israel, o sonho de consumo de Jaqueline que sonhava conhecer Israel.

Por enquanto ela tinha que esquecer aquele sonho impossível. Agora era focar no seu novo emprego de secretária, não era o emprego dos sonhos, mas a empresa onde ia trabalhar era o mais desejado. A única coisa que deixava ela incomodada era quando falavam do tal CEO. Algumas suspirava por ele só de pensar, outras sentiam ódio sem saber o motivo.

E como Jaqueline acreditava só vendo ficava calada sem dizer uma palavra, até porque sabia que não podia confiar em ninguém sem antes conhecer a pessoa de quem realmente era. Para não tirar conclusões precipitadas.

Com 22 anos já passou por tanta coisa ruim e não queria passar de novo do quanto ela se decepcionou com algumas pessoas bem próximas dela. Sofreu sabotagem em outros empregos.

Então o foco dela era o trabalho e prestar bem atenção na secretária que estava prestes a sair, e só estava cumprindo aviso prévio. Ela se chamava Joaquina que se viu obrigada a pedir demissão por motivos pessoais que a impediam de trabalhar naquela empresa que ela gostava muito.

Olhando para ela, Jaqueline sentiu simpatia e detectou que era uma boa pessoa e confiável. Era bastante prestativa e pelo jeito as duas sentiram simpatia uma com a outra. Era um bom começo pensava que Jaqueline Joaquina estava 5 anos trabalhando, e tinha muita experiência e capacidade, era discreta e organizada. E isso ajudaria muito Jaqueline que para ela tinha que ser igual a ela ou até melhor.

— Porque você está saindo do emprego se gosta de trabalhar aqui?

— Porque estou de mudança para Santa Catarina, meu marido foi transferido para lá. Então tenho que acompanhar. Ele foi promovido e vai ganhar o triplo do que ganhava aqui nesta cidade.

— Há que legal, você tem filhos?

— Tenho duas filhas e um menino de 8 anos.

— E você é casada?

— Não, e nem quero casar tão cedo!

— Achei que era. Porque uma mulher bonita não vai faltar pretendente!

— Por enquanto está bom assim. — Jaqueline se empolgou demais, quase contou sua vida, mas freou a sua língua. Mesmo sentindo simpatia por ela, mas que não se sentia à vontade para revelar segredos de sua vida. Ainda mais com pessoas que ela não conhecia. Coisas que ela queria esquecer, as dolorosas lembranças que só faziam mal.

A única coisa que ela queria era se concentrar no seu emprego novo porque precisava ocupar a sua mente para não pensar no que aconteceu com ela no passado.

Já no primeiro dia de emprego Jaqueline estava se sentindo mais à vontade como se já tivesse trabalhado naquele lugar tão aconchegante.

Por enquanto ela ia dividir a sala com Joaquina que estava de saída. Faltava menos de um mês para ela terminar de cumprir o aviso prévio. E Jaqueline sem entender já estava sentindo saudades dela.

— Confesso que quando você for embora, vou sentir sua falta.

— É mesmo? Disse Joaquina.

— Eu também, porque você é a primeira pessoa que estou me sentindo à vontade, e pra dizer a verdade eu gostei muito de você.

— E eu também gostei muito de você. Mas eu acho que você vai se adaptar fácil.

— Porque está dizendo isso?

— Você é bonita, inteligente e parece que está disposta a trabalhar!

— Há, isso é verdade, até porque eu preciso muito desse emprego.

— Todos precisam, mas poucas pessoas mostram que estão mesmo querendo trabalhar.

— Como assim?

— Já vi muitas que fizeram entrevista e no dia seguinte nem apareceram.

— Porque? Perguntou: Jaqueline.

— Pelo mesmo motivo, fofocas quando chega alguém como novo funcionário fazem terrorismo sobre o CEO de que ele é isso e aquilo. Entende onde eu quero chegar.

— Foi o que eu imaginei.

Porque falaram que ele é arrogante e prepotente.

— E você acreditou?

— Se eu disser que não, eu estaria mentindo, fiquei insegura, mesmo assim sou daquelas pessoas que tenho que ver para crer.

— Fez bem, eu aconselho não dar ouvidos a ninguém em hipótese alguma. Se existe uma coisa que o diretor não gosta é de pessoas que conversam demais nos setores onde é local de trabalho. Mas isso não quer dizer que ele manda embora.

— É porque as minhas colegas falaram que ele é arrogante e prepotente?

— História delas. Acontece que vivemos num mundo cheio de hipócritas que falam e falam, mas não fazem nada. E tudo que fazem é para chamar atenção. Se pudessem, elas mesmas se atiravam nos pés dele por uma migalha de atenção.

— E você, Joaquina, o que pensa a respeito dele? Seja sincera.

— Da minha parte eu não tenho nada do que reclamar. Para mim ele sempre foi um bom patrão, sempre me respeitou como pessoa e profissional.

— Outra coisa que eu ouvi falar é que ele é muito paquerador! É verdade isso?

— É outra mentira, ele sempre foi um homem discreto que não gosta de mostrar os dentes. Ele tem uma postura de um empresário sério que dirige uma grande empresa e com muitas filiais no mundo inteiro. Então se exige dele uma postura respeitável para não perder a credibilidade que ele tem no mundo inteiro.

Capítulo 3

No dia seguinte, Jacqueline mais uma vez levantou cedo e seguiu seu caminho ao trabalho. Mas antes tinha que deixar sua filha de quatro anos na escolinha para o seu orgulho. A menina se chamava Natasha e estava bem entrosada com as novas coleguinhas para o seu orgulho.

Assim ela podia trabalhar tranquilamente sem se preocupar. Afinal de contas, a escolinha que ela estudava era uma das melhores da cidade de Gramado RS.

E a cidade também era a que tinha a melhor qualidade de vida do país tanto no turismo como nas estruturas e das empresas que tinha na cidade. E a educação era uma das melhores do país, podendo até competir com universidades de outros países da Europa, Estados Unidos e Canadá.

Jaqueline amava essa cidade e não pretendia sair tão cedo, embora o custo de vida fosse umas das mais caras do país. Mesmo assim, não estava disposta ir para uma outra cidade.

E nessa cidade ela começava um novo ciclo e acreditava que tudo mudaria na sua vida desde que chegou da capital. No seu segundo dia no emprego se sentia mais à vontade e por dentro da realidade da empresa, embora ainda não conhecia pessoalmente o CEO. Ela começou a mudar um pouco o conceito a respeito dele, de que ele não era tão vilão quanto as pessoas comentavam.

Jaqueline estava consciente de que todo diretor executivo precisa agir com firmeza e disciplina. Era o que ela imaginava dele, e como ela era curiosa perguntava tudo para sua colega Joaquina que estava de saída.

— Bom dia Jaqueline? — Disse Joaquina tirando o casaco e colocando em cima de uma mesa enquanto ela se preparava para mais um dia de expediente.

— Bom dia, que bom que você chegou, ainda me sinto uma estranha nesse lugar.

— É normal, isso acontece com todos os funcionários nos primeiros dias de emprego, porque tudo é novo. Tudo é novidade que deixa as pessoas ansiosas, mas eu estou aqui para te orientar e te ajudar a esclarecer todas as dúvidas.

— Com certeza eu vou precisar muito antes de você ir embora. — Estranha era essa intimidade que uma tinha com a outra. Jaqueline estava se sentindo mais leve e solta com a presença de Joaquina, mas não a ponto de revelar assuntos íntimos sobre seu passado conturbado que ela fazia questão de esquecer. Queria deixar para trás o inferno que ela passou na capital paulista.

Queria começar tudo do zero. A única alegria que ela teve em sua vida foi o nascimento de sua filha Natasha, fruto de um relacionamento com um desconhecido, na verdade nem foi um relacionamento e sim um deslize que toda moça jovem inexperiente comete. No caso de Jaqueline foi quando ela tinha 19 anos.

Aconteceu da seguinte forma. Na época, ela era livre que fazia o que bem entendia da sua vida de solteira, seus pais nunca se opuseram sobre sua liberdade, mas que deixaram claro que ela deveria assumir todas as responsabilidades pelos seus atos. E Jaqueline sabia disso, ela gostava de sair a noite e ir em bar, festas e baladas.

E curtiu todos os momentos que a vida lhes proporcionou. Namorou muitos caras, mas nunca levou ninguém a sério. E valorizava muito sua liberdade de viver intensamente e sempre assumiu suas responsabilidades e não gostava de envolver ninguém em seus problemas.

Gostava de fumar e beber e por causa disso teve sérias consequências e uma delas foi se envolver com um desconhecido numa boate de luxo de São Paulo

onde tudo acontece quando se bebe demais.

E por excesso de bebida acabou fazendo algo que não devia, que foi se deixar levar pelos encantos de um jovem sedutor que não resistiu ao charme do rapaz que se chamava Guilherme. Era o que ela lembrava apenas. Jaqueline por ser linda e atraente não tinha nenhuma dificuldade em se relacionar com alguém, era cobiçada por onde ia.

Tinha forte personalidade que não se iludia facilmente por promessas vazias. Aquela noite apenas queria se divertir e nada mais indo para motel com o tal Guilherme e que ficaria no esquecimento.

Uma noite de prazer apenas para extravasar o estresse do dia a dia. Ela nunca gostou de se envolver emocionalmente, gostava da sua liberdade e não tinha pressa de se casar e muito menos se apaixonar.

Foi muito difícil fugir do assédio masculino. E quanto mais ela fugia mais perseguida pelos homens era. Ela era fria quando se tratava de homens, pelo menos por enquanto.

Não pensava em se casar tão cedo. Tinha outros objetivos traçados que era estudar, trabalhar e ter sua independência e tinha total apoio da sua família.

Mas naquela noite tudo aconteceu ao se envolver com um desconhecido

Após ter bebido muito e sentindo atração por ele, acabaram indo para um motel e no dia seguinte ela nem lembrava muito bem o que de fato aconteceu sem saber se a noite foi maravilhosa ou não. Resultado dessa noite foi quando ela descobriu que estava grávida deixando ela em Pânico sem saber o que fazer da vida.

Não estava em seus planos engravidar. Ainda mais que ela nunca quis compromisso com ninguém, gostava de curtir sua liberdade. Seus pais não aceitavam muito bem a ideia dela estar grávida de um homem desconhecido.

Ser mãe solteira era o destino de Jaqueline que não cogitava a ideia de tirar a criança e muito menos casar com alguém para dar um pai para sua filha.

Embora aquela gravidez surgisse fora de hora, ela até estava gostando da ideia de ser mãe. E como Jaqueline tinha personalidade forte e sendo independente, não queria ajuda de ninguém e nem de sua família.

O problema era dela e de mais ninguém. Seus pais tinham problemas demais para se preocupar com o estado dela. Tinha saúde e muita energia para trabalhar.

Pensando assim, Jaqueline até aceitou bem a ideia de ser mãe, assim seria mais responsável pelos atos.

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