A luz era agressiva.
Ela cortava através das janelas que iam do chão ao teto, atingindo Eliza em cheio no rosto. Ela gemeu, virando-se e procurando às cegas pelo copo d'água que geralmente ficava em sua mesa de cabeceira.
Sua mão não encontrou nada além de ar.
Ela entreabriu um olho. O teto era alto demais. A moldura do teto era intricada demais. E os lençóis... estes não eram seus lençóis ásperos de poliéster. Este era um algodão tão macio que parecia água contra sua pele.
A memória a atingiu como um golpe físico.
A festa. O champanhe. Dallas.
Eliza sentou-se tão rápido que sua cabeça girou. O quarto inclinou, seu cérebro latejando contra o crânio em uma batida rítmica e dolorosa. Ela olhou para baixo.
Ela estava vestindo uma blusa de pijama de seda masculina, grande demais, que a engolia. O tecido era impossivelmente macio contra sua pele e tinha um leve cheiro de sândalo — o cheiro dele.
Pânico, frio e agudo, inundou seu peito. Ela agarrou o edredom enorme e o puxou até o queixo, seu coração martelando contra as costelas como um pássaro aprisionado. Seu próprio vestido, aquele cinza e barato, não estava em lugar nenhum.
Ela examinou o quarto. Era minimalista, masculino e caro. Madeira escura, detalhes em cinza, sem bagunça.
Na mesa de cabeceira, uma pilha de roupas estava dobrada com precisão militar.
Em cima das roupas, havia um pedaço de cartolina grossa e um cartão de crédito preto.
Eliza estendeu a mão trêmula. O cartão era pesado — de metal, não de plástico. Um cartão Centurion. Era um cartão adicional, em branco, ostentando apenas a insígnia de platina do banco.
Ela o largou como se fosse carvão em brasa.
Ela pegou o bilhete. A caligrafia era nítida, angular.
Hidrate-se. A senha é o seu aniversário. —D.
Flashes de memória a assaltaram. A viagem de carro. A exigência de um escudo. O papel na mesa de mármore.
Assine.
Ela ofegou, pressionando as mãos contra a boca. Ela havia pedido o pai de sua melhor amiga em casamento. E ele havia dito sim.
Ela pegou seu celular da mesa de cabeceira. A tela se iluminou com uma enxurrada de notificações.
52 chamadas perdidas de Anson Hyde.
30 mensagens de Anson Hyde.
12 mensagens de voz.
Então, uma única mensagem de um número que ela não tinha salvo, mas reconheceu instantaneamente.
Os advogados estão protocolando. Você está segura. Vá para a faculdade.
Dallas.
Eliza encarou sua mão esquerda. Havia um anel ali. Era uma aliança simples de platina, elegante e discreta, mas parecia mais pesada que um grilhão.
Ela saiu da cama apressadamente, com as pernas bambas. Ela pegou as roupas. Um suéter macio de caxemira, jeans escuro, roupa íntima nova. Ela os vestiu. Serviram.
Serviram perfeitamente.
Ela parou, com o suéter no meio da cabeça. Como? Como ele tinha roupas do tamanho exato dela prontas? O pensamento lhe causou um arrepio na espinha, mas ela o afastou. Ela não conseguia lidar com aquilo agora.
Ela precisava ir embora.
Ela pegou sua bolsa e o cartão preto — enfiando-o no fundo do bolso — e fugiu do quarto.
A cobertura estava silenciosa. Uma governanta tirava o pó no corredor, uma mulher robusta de cabelos grisalhos.
— Bom dia, Sra.—
Eliza não a deixou terminar. Ela disparou em direção ao elevador, apertando o botão com força, meio que esperando que não funcionasse. Para sua surpresa, uma luz verde piscou e as portas se fecharam. Ele já havia lhe dado acesso.
Seu celular vibrou em sua mão. Era Azalea.
Biblioteca. Agora. Emergência.
O estômago de Eliza revirou. Será que ela sabia?
Ela chamou um táxi do lado de fora do prédio, suas mãos tremendo tanto que mal conseguia abrir a porta. A viagem até a universidade levou vinte minutos, mas pareceu vinte segundos.
Ela correu pelo pátio do campus, ignorando os olhares dos estudantes que provavelmente viram as fotos dela fugindo da festa na noite anterior.
Ela encontrou Azalea andando de um lado para o outro atrás da seção de referência na biblioteca. Azalea parecia maníaca, seu cabelo loiro bagunçado, o celular agarrado em sua mão.
— Eliza! — Azalea agarrou seu braço e a arrastou para o meio das estantes. — Meu pai acabou de transferir uma quantia absurda de dinheiro para a minha conta.
Eliza congelou. — O quê?
— Tipo, dinheiro para 'comprar uma ilha pequena' — sussurrou Azalea, com os olhos arregalados. — Ele disse para te levar às compras. Por que ele está te mimando?
Azalea parecia desconfiada. Seus olhos se estreitaram, examinando o rosto de Eliza.
A boca de Eliza secou. — Eu... eu o ajudei com um projeto. Um trabalho de tradução.
Era uma mentira fraca. Eliza cursava história da arte, não era tradutora. Azalea assentiu lentamente, embora um lampejo de dúvida tenha passado por sua mente. Trabalho de tradução? Para o pai dela, que tinha uma equipe interna inteira de linguistas? Parecia frágil, mas Eliza parecia tão frágil que Azalea decidiu não insistir. Por enquanto.
— Que seja. Temos ordens. Venha para fora.
Azalea a conduziu para fora da biblioteca em direção ao estacionamento dos estudantes.
— Ele disse que seu carro é uma armadilha mortal — disse Azalea por cima do ombro. — O que, para ser justa, ele é. Os freios soam como gatos morrendo. Então, tomei a liberdade de mandá-lo rebocar para um ferro-velho esta manhã. De nada.
Elas chegaram ao estacionamento. Um caminhão-plataforma estava parado ali, com o motor ligado, sua caçamba vazia um testemunho da eficiência de Azalea. Estacionado em sua antiga vaga estava um Aston Martin prateado. Ele brilhava sob o sol, parecendo um alienígena entre os Civics e Toyotas amassados.
O motorista saltou para fora e caminhou até Azalea. Ele lhe entregou um chaveiro eletrônico.
Azalea o jogou para Eliza.
— Ele disse que este é o substituto.
Eliza pegou as chaves. O chaveiro era pesado, de couro e cromo. Ela olhou para o carro. Valia mais do que a casa em que cresceu.
— Não posso aceitar isso — sussurrou Eliza.
— Você tem que aceitar — disse Azalea, cruzando os braços. — Você sabe como ele é. Se você devolver, ele vai simplesmente mandar dois.
Os estudantes estavam parando. Os celulares estavam aparecendo. Sussurros se espalhavam pelo ar.
— Aquela é a Eliza Solomon? Quem comprou isso para ela?
O celular de Eliza vibrou novamente. Anson.
Ela recusou a chamada, seu polegar batendo no botão vermelho com força agressiva.
Ela caminhou até o carro e apertou o botão de destravar. Os espelhos se desdobraram. As luzes piscaram.
— Entre, Sra. Koch — brincou Azalea, dando-lhe uma cotovelada nas costelas.
Eliza se encolheu. O título a atingiu em cheio.
Ela deslizou para o banco do motorista. O cheiro de couro novo a envolveu. Tinha o mesmo cheiro do Maybach. Tinha o cheiro de Dallas.
Ela agarrou o volante, os nós dos dedos brancos. Ela havia assinado um contrato com o diabo, e agora estava dirigindo sua carruagem.
A cafeteria do campus estava barulhenta, uma mistura caótica de máquinas de expresso sibilando e estudantes reclamando das provas de meio de período.
Eliza sentou-se no reservado do canto, agarrando um latte como se fosse uma tábua de salvação. A cafeína estava fazendo suas mãos tremerem ainda mais, mas ela precisava dela para combater a névoa em sua mente.
Azalea estava sentada à sua frente, rolando o feed do Instagram com uma careta.
— Todo mundo está falando sobre como você sumiu — disse Azalea, sem levantar o olhar. — Claudine está postando frases passivo-agressivas sobre "lealdade" e "'o lixo se jogando fora'".
Eliza estremeceu. Uma gota de espuma caiu em seu polegar. — Deixa ela falar.
— Ah, eu estou deixando — disse Azalea, sombria. — Estou comentando com emojis de vômito em cada postagem dela.
Eliza pegou um guardanapo para limpar a mão. Ao se mover, o cachecol de caxemira que usava escorregou um pouco para o lado.
Azalea ofegou.
O som foi tão alto que duas pessoas na mesa ao lado se viraram. Azalea deixou o celular cair na mesa com um baque.
— Eliza! O que é isso no seu pescoço?
A mão de Eliza voou para a garganta. Ela sentiu o ponto sensível logo abaixo da orelha. Um hematoma escuro e arroxeado contra sua pele pálida.
Ela o tinha visto no espelho naquela manhã e tentara não pensar nisso. A lembrança da noite anterior era nebulosa, obscurecida pelo álcool. Ela se lembrava de ter tropeçado. Lembrava-se de Dallas a segurando. Teria ele a segurado com muita força? Ou foi... outra coisa? Ela não tinha certeza, e a incerteza era aterrorizante.
— Não é nada — gaguejou Eliza, puxando o cachecol para cima. — A porta do carro me atingiu quando eu estava saindo hoje de manhã.
— Besteira — sibilou Azalea, inclinando-se sobre a mesa. Seus olhos estavam arregalados, predatórios. — Isso não é uma porta, é um chupão. Um chupão de primeira, possessivo, do tipo "fique longe dela". Quem é ele?
O coração de Eliza martelava contra suas costelas. Ela não podia dizer *Seu pai*. Ela absolutamente não podia dizer isso.
— É... complicado — disse Eliza, olhando para sua xícara. — Um cara mais velho.
As sobrancelhas de Azalea se ergueram. — Mais velho? Tipo... da idade do Anson?
— Mais velho — sussurrou Eliza.
Azalea abriu a boca para gritar, mas seu telefone a interrompeu. Começou a tocar, vibrando violentamente contra a mesa de madeira.
O identificador de chamadas piscou: The Bank.
Era o nome de contato dela para Dallas.
Azalea atendeu imediatamente, sua postura se endireitando instintivamente. — Sim, papai?
Eliza prendeu a respiração. Ela podia ouvir o som grave e profundo da voz de Dallas do outro lado, embora não conseguisse distinguir as palavras. Apenas o som fez os pelos de seus braços se arrepiarem.
Azalea franziu a testa. — Agora? Mas temos aula em uma hora.
Ela ouviu por mais alguns segundos, depois suspirou. — Ok. Tudo bem. Estamos indo.
Ela desligou e olhou para Eliza, confusa.
— Ele nos quer na loja principal, no centro.
O estômago de Eliza despencou. — Nós duas?
— Sim. Ele disse que você precisa de um "traje apropriado" para um jantar hoje à noite.
— Jantar? — guinchou Eliza.
— Aparentemente. — Azalea pegou sua bolsa. — Vamos. Não se deixa The Bank esperando.
Elas voltaram para o estacionamento. O Aston Martin prateado reluzia ao sol, atraindo olhares de um grupo de caras de uma fraternidade.
Eliza destravou o carro. Ela deslizou para o banco do motorista, o couro se moldando ao seu corpo. Apertou o botão de partida e o motor rugiu, um rosnado gutural que vibrava pelo assoalho.
— Você vai se acostumar com a vida de luxo, eventualmente — riu Azalea, afivelando o cinto de segurança.
Eliza saiu do estacionamento, entrando na avenida principal em direção à cidade. O perfil dos prédios se erguia à frente, torres de vidro refletindo o sol da tarde.
Ela olhou seu reflexo no espelho retrovisor. Ajeitou o cachecol novamente, garantindo que a marca estivesse coberta.
Fosse um hematoma ou... outra coisa, Dallas havia deixado uma marca nela. E ele havia feito isso em um lugar difícil de esconder.
Parecia uma marca.
De repente, a tela do painel se acendeu. Eliza havia pareado seu celular com o Bluetooth do carro mais cedo.
Uma notificação de mensagem de texto apareceu no console central, enorme e inegável.
Remetente: Anson Hyde
Mensagem: Pare de joguinhos. Volte para casa. Seu lugar é aqui.
Azalea viu. Ela soltou um assobio baixo.
— Ele é obcecado — disse Azalea, balançando a cabeça. — É realmente assustador. Ainda bem que você tem um novo "homem mais velho" para te distrair.
Eliza apertou o volante com mais força. — É. Ainda bem.
Ela dirigiu mais rápido, colocando distância entre si e a universidade, entre si e Anson. Mas estava dirigindo diretamente para o homem que havia colocado um anel em seu dedo e uma marca em seu pescoço.
E ela não tinha a menor ideia de qual era o jogo dele.