Capítulo 2

Tudo estava pronto e o momento de voltar para o Brasil havia chegado, Miguel pensou ao olhar para o lugar que havia sido seu lar por tantos anos, vazio. Nesse último período decidiu que estava na hora de cumprir sua obrigação, estava de voo marcado para o Brasil e assim que chegasse na cidade de Santa Maria, marcaria a data do casamento com Joice Bentes. A partir daquele momento seu foco seria expandir ainda mais os negócios da família e se casar com uma mulher que com certeza não serviria nem para satisfazer suas necessidades carnais, ele casaria, pois tinha um objetivo bem mais ambicioso que o do pai. Fechou a porta e foi ao encontro da irmã que o esperava no carro.

Salete esperava ansiosa pela retorno do filho, foram cinco longos anos de saudade, saudade que só foi amenizada com suas visitas semestrais a Nova Iorque, para ver o filho. Margareth também não estava em casa, havia passado os últimos quatro anos estudando moda em Paris e os últimos oito meses em Nova Iorque com o irmão. Sua filha Meg decidiu passar os últimos meses em Nova Iorque com o irmão, agora ambos estavam voltando juntos para casa.

Maciel também não acreditava que finalmente iria se aposentar, sua vida perfeita seria viajar com a esposa pelo mundo ou quando não, pescar no rio com Vitor. Pensar no amigo o lembrou que o acordo entre as famílias seria cumprido e se tornariam uma única família. Ligou naquela manhã para o amigo, avisando do retorno do filho.

- Está na hora de dar um basta nesse namoro estúpido da Joice, Miguel não ligou por estar longe mas agora que voltou, vai querer assumir o que é seu por direito. - Maciel foi duro com o amigo.

O homem não entendia porque o amigo permitiu que a filha ficasse de namorico com um qualquer da cidade. Se bem que Pedro não era um qualquer em si, era um rapaz direito, trabalhador e que recentemente se formou em medicina veterinária. O rapaz era tão competente que trabalhava pra ele e por isso, achou correto alertar o amigo para que desse logo um basta nesse namoro que já durou muito tempo, mas por via das dúvidas ... Ele já tinha um plano B nas mangas.

Na casa dos Bentes, Vitor ainda estava no meio das árvores de cupuaçu, olhando para tudo o que construiu em parceria com o amigo. Maldito era por ter concordado em casar seus filhos sem antes levar em consideração os sentimentos de ambos os lados. Ele realmente acreditava que Josiele fosse nutrir algum sentimento pelo colega de infância, não que ela fosse se apaixonar por um palhaço e fugir com ele e o circo.

Como ele contaria a Joice que o casamento que estava planejando não seria com o homem que amou a vida toda? Como falaria a sua menina que deve abrir mão do seu amor para salvar a família de uma guerra judicial com uma das famílias mais influentes do Pará?

Precisava conversar com sua esposa e tomar uma decisão, se abririam mão de tudo o que construíram ou cumpririam o acordo estabelecido entre as famílias a mais de duas décadas e assim, sacrificariam a felicidade de sua filha. Pensou em Josiele, na sua menina que foi embora e se despediu por um bilhete, sentia falta dela.

Decidiu voltar para casa, conversar com Raimunda o ajudaria a tomar uma decisão e assim, quando Joice retornasse a noite, depois de um dia duro de trabalho como auxiliar administrativa do senhor Gurjão, falaria a ela tudo o que escondeu nos últimos cinco anos...

Joice não estava no trabalho, Pedro ligará pra ela antes do almoço pedindo pra encontrá-lo no rio, que passa pela fazenda Foster. Ela tirou o blazer para seguir pela trilha que levava ao seu ponto de encontro.

Jojo avistou um homem alto, esbelto, cabelos negros e compridos, pele morena e os olhos levemente puxados, sorriu. Seu noivo tinha fortes traços da herança indígena de seus ancestrais, ela não teve tanta sorte, mas desejava muito que seus filhos herdassem esses traços. Ao se aproximar mais dele, percebeu uma toalha quadriculada azul e branca e uma cesta de tala. Catorze anos de namoro e ele ainda era super romântico, Joice sentiu-se uma mulher de sorte.

Ela estava com vinte seis anos e ele com vinte e quatro, era louco pensar que iniciaram esse namoro quando eram crianças, Jojo com 13 e Pedro com 11. No início era apenas mãos dadas e abraços rápidos, depois começaram com um selinho, mas somente quando ela tinha quinze anos, ele deu-lhe seu primeiro beijo. Joice já era uma mulher e ele ainda um garoto, sentiu-se boba por ficar de pernas bambas por causa do beijo que um garoto de 13 anos havia lhe dado.

Era louco, insano, duas crianças que cresceram juntas, apaixonaram-se e aprenderam a se amar e agora, faltava tão pouco para serem um do outro, bastava convencer o pai que estava na hora certa de casarem.

Joice não aguentava mais esperar para ser de Pedro por completo e de vê-lo cortar aquela juba. Quando completou quinze anos, Joice decidiu dar a Pedro sua virtude, como presente mas ele a recusou. Naquela noite, fez uma promessa de que só a tomaria para si depois de casados, como uma forma de lembrar da promessa e resistir a tentação, deixou o cabelo crescer.

Pedro viu seu coração se aproximar, abriu os braços para receber sua garota e beijou-lhe de forma terna e apaixonada. Eles tinham muito o que comemorar, muito mesmo. Ajudou a noiva a tirar o blazer, o dobrou e o colocou num canto da toalha.

- Linda! - exclamou antes de beija-la novamente. - Eu te amo tanto. - declarou ao soltar seus lábios.

- Eu também te amo muito. - Joice declarou apaixonada.

- Vêm, pedi a Coralina para preparar um lanche bem gostoso. - ele oferece a mão, que Jojo usa como apoio para sentar na grama. Pedro faz o mesmo.

- Geralmente não pergunto o motivo de querer me ver, mas você parecia bem animado ao telefone. - ela comenta ao aceitar o sanduíche que o namorado entregou-lhe.

- Tem razão, estou bem animado por um motivo muito mas muito bom. - ele fala pegando um sanduíche de peito de peru para si.

- Então conta o motivo. - ela pede curiosa.

- Consegui um financiamento para comprar a nossa casa. - Pedro fala de uma única vez, todo sorrisos.

Joice não contou conversa e se jogou contra o namorado, o abraçando e enchendo de beijos, os pais não teriam mais desculpas para não marcarem a data do casamento.

- É sério, sério mesmo? - ela pergunta incrédula.

- Sim, sim, sim... Meu amor. Finalmente vamos ter a benção dos seus pais para o nosso casamento.

Joice não conseguia acreditar, trabalharam arduamente no último ano para conseguir juntar o dinheiro para a cerimônia e para dar entrada na casa própria.

Finalmente receberiam a benção de seus pais, finalmente se casaria com o único homem que amou na vida e formariam a própria família.

***

Estava nas nuvens quando chegou em casa, contaria a novidade aos pais e no dia seguinte iria ao cartório da cidade e a igreja marcar as datas do casamento. Também ligaria para a irmã, convidando-a para ser sua madrinha.

- Cheguei papito, mamita. - ela avisa animada.

- Aqui na cozinha. - sua mãe avisa.

Joice deixa sua pasta em cima da mesa ao lado da porta, tira os saltos e o blazer, estava morrendo de calor e sentiu-se aliviada por ser ver livre daquela peça de roupa calorenta.

Entrou na cozinha, deu benção do pai que estava sentado, descascando batatas e depois da mãe que estava a beira do fogão mexendo a panela do cozido. Foi até a pia e lavou as mãos, pegou um avental e sentou ao lado do pai para descascar as outras verduras. Não quis comentar o quanto era estranho eles estarem fazendo cozido aquela hora, sendo que sempre comiam besteiras no jantar.

- Miguel e Margareth chegaram hoje do exterior. - sua mãe comenta juntando-se a eles na missão de descascar e cortar as verduras.

- Legal, eu também tenho uma novidade. - Jojo aproveita deixa.

O casal se olha preocupado diante da felicidade estampada no rosto da filha.

- Então... Conta. - seu pai autoriza.

- Pedro conseguiu um financiamento e finalmente vamos comprar nossa casa. Amanhã mesmo vou no cartório e na igreja marcar as datas do casamento. - ela estava que não se aguentava de tanta felicidade.

Seus pais não vibraram com ela e Joice não entendeu porque.

- Joice, meu amor. - sua mãe larga a faca e puxa suas mãos para si.

- Sinto muito querida, muito mesmo. - seu pai lamenta sentindo-se o pior ser humano do mundo, o pior pai.

- Não estou entendendo o que está acontecendo, porque não estão felizes? Finalmente vou casar com o homem que conheço quase a vida toda. - Joice tentava entender os pais, deveriam estar felizes com sua felicidade.

- Sinto muito querida mas... Você vai se casar e não é com o Pedro. - sua mãe fala sentindo o coração subir até a boca.

Os pais só podiam está fazendo piada da cara dela.

- Ah, e com quem mais eu me casaria? - pergunta num tom brincalhão, seus pais as vezes eram tão engraçadinhos.

- Miguel Foster. - seu pai falou sério.

O sorriso de Joice desfez-se.

- Não tem graça. - falo assumindo um tom mais sério.

- Não é uma brincadeira, selamos o acordo uns dias depois da fuga da sua irmã. - sua mãe explica.

- O senhor me disse que tinha se entendido com o tio Maciel. - ela fala em tom de acusação.

- Esse foi o nosso entendimento, você assumiria o lugar da Josiele como esposa de Miguel. - seu pai explica.

- Duvido muito que o Miguel tenha concordado com isso, não sou a pessoa favorita dele. - a garota esbraveja.

- Ele concordou, voltou para cumprir o acordo. - Vitor fala sem conseguir encarar a filha.

- Mãe? - Joice se volta pra dona Raimunda, o desespero na voz fez o coração da mulher se despedaçar.

- Sinto muito querida, mas se não aceitar se casar com Miguel, perderemos tudo. - a mulher explica a filha.

- Não, podemos entrar com um processo judicial, levaríamos anos e até lá, o tio Maciel desistiria dessa ideia absurda. - Joice sugere desesperada.

Ela não abriria mão de tudo que planejou para a sua vida, Pedro era a sua vida, o seu mundo e não poderia perde-lo.

- Não temos dinheiro o suficiente para arcar com os custos de um processo. - seu pai fala. Respira fundo e finalmente encara os olhos desesperados e aflitos da filha, tudo o que ela havia planejado com Pedro estava ameaçado. - Passei os últimos cinco anos buscando uma solução para esse acordo estúpido que fiz no passado.

- Nessa tentativa. - sua mãe toma a palavra. - Seu pai fez alguns investimentos errados e Maciel o salvou, arcando com o prejuízo que esses erros nos causaram e a única forma da dívida ser quitada, é que se case com Miguel. - dona Raimunda conclui.

- Vinícius sabe disso? - é tudo que ela pôde perguntar.

Joice não daria o braço a torcer e daria um jeito de ajudar os pais sem ter que se casar com um homem que não amava.

- Seu irmão está ciente dos nossos problemas financeiros. - seu pai responde.

Ela quer gritar com os pais, xinga-los e sair correndo para nunca mais voltar, fazer o mesmo que a irmã fez. Mas aquelas duas pessoas, deram o mundo pra ela e os irmãos, uma infância feliz, uma boa vida e tudo do bom e do melhor. Joice conhecerá o amor e eles a apoiaram mesmo pensando que era brincadeira de criança, então tudo mudou e não poderia jamais culpa sua irmã por isso. Ela conheceu o amor, algo que Joice já conhecia.

- Eu não posso me casar sem amor. - foi tudo que Jojo falou antes de se retirar para o seu quarto.

- Estamos perdidos. - Raimunda sussurra segurando a mão do marido.

Não estavam, se permanecessem unidos como uma família, poderia superar essa crise e nenhum de seus filhos abriria mão da felicidade pelas terras que pertenceram a seus pais e no qual, foram criados...

Tudo o que tinham estava ali...

Capítulo 3

Joice não conseguia dormir, passou parte da noite rolando de um lado para o outro na cama, pensando em uma solução, queria correr para o colo do irmão e pedir ajuda. No entanto, Vini provavelmente não poderia efetuar muita coisa. Apenas apoiaria a sua decisão de não levar adiante esse casamento arranjado pelos pais.Joice escutou sua janela sendo aberta, olhou a hora no celular que estava no criado mudo ao lado da cama, eram 3h55. Ele não perdia a gostosa mania de entrar sorrateiramente no seu quarto, através da janela, no meio da noite. Sorriu ao ver Pedro se esgueirar para a cama, deitando ao seu lado e a puxando para si.— Estava ansioso de mais para esperar até amanhã. O que seus pais falaram sobre o nosso casamento? — perguntou após beijá-la com paixão e saudade.Jojo travou, como dizer a ele que seus pais revelaram que a cinco anos ela estava prometida ao filho do patrão dele? Era tudo tão absurdo e inaceitável que no interior ainda existiam casamentos arranjados pelas famílias. Isso era tão século XVIII.— Eles… — ela começou, mas travou.Escondeu o rosto contra seu peito magro e começou a chorar compulsivamente pela injustiça que estavam sendo vítimas.— O que foi meu amor? Eles ainda acham que devemos esperar mais um pouco? — ele pergunta a apertando com força.Joice não respondeu, continuou chorando.— Vida, estou preocupado. O que aconteceu? — Pedro estava começando a ficar aflito com a falta de resposta da sua namorada.— Eles não podiam, não podiam. — foi tudo o que ela disse e continuou a chorar, até seu corpo não suportar e então, Joice adormeceu nos braços do namorado sem nem ao menos explicar-lhe o motivo do seu pranto.Joice acordou com as galinhas, Genevieve tinha o péssimo hábito de subir na calha de cima do seu quarto e cantar Cocoricó. Estendeu o braço para o seu lado da cama e abriu os olhos, estava vazio.Sorriu tristemente ao pensar no desespero do seu namorado em saber o motivo das suas lágrimas e a sua aflição em deixá-la antes do nascer do dia. Joice Não queria ir para o trabalhar, não estava com cabeça para lhe dar com o senhor Gurjão e muito menos arriscar esbarrar com o tio Maciel ou Miguel, este último duvidava que fosse possível. Ele jamais se rebaixaria a ralé, sempre foi assim, nunca se envolvia com os inferiores a si, ainda não compreendia o porquê aceitou esse acordo absurdo entre as famílias.Se levantou, pegou sua toalha, saiu para o corredor e para sua sorte, o banheiro estava livre…Seu estômago roncou pela terceira vez e dessa vez mais alto. Seu Gurjão a olhou pelo canto dos olhos e ela afundou na sua cadeira, envergonhada. Saiu de casa sem tomar o café da manhã, estava fazendo birra para mostrar aos pais o quanto estava chateada com toda a situação que eles a envolveram sem o seu consentimento. Kevin, assistente do veterinário, no caso, de Pedro. Entrou no pequeno escritório e seguiu até ela, entregando-lhe um bilhete.— Ele sabe que você só olha as mensagens de texto no seu intervalo. — o rapaz explica e se afasta, indo até Gurjão e falando algo para o velho administrador. Seu chefe franze o cenho e assente.— Tenho que ir até a casa principal, parece que Miguel quer falar comigo. — o homem avisa com certa preocupação.O homem não suporta o filho do seu patrão.— Me ajuda a organizar uma papelada… — ele pede a moça.No estábulo, Pedro está na baia de Thor, o examinando.— Está tudo certo, o rapaz está em perfeita saúde e pronto para ser selado e montado por seu dono. — ele fala para o capataz da fazenda, Francisco.— Tá bem. — o matuto fala. — Xavier, leva o Thor para selar, o patrão quer montar agora pela manhã. — o capataz fala para um rapaz franzino que carregava feno para o celeiro.Pedro sorriu, o velho capataz não tinha jeito. Avistou Kevin vindo em sua direção, com certeza entregou o recado com sucesso.— Desculpa a demora, encontrei Nádia no caminho e ela pediu para dar um recado para o senhor Gurjão. — o rapaz explica.— Não esquenta. Vamos, temos muito trabalho pela frente…Como uma manhã que tinha tudo para ser tranquila virou uma zona? Joice se perguntou.Seu Gurjão ligou para ela pedindo o pendrive onde havia documentos importantes salvos, JoJo deveria levar a casa principal, ela não encontrou o pendrive e acabou tendo que organizar os documentos em papéis. Joice ainda não estava pronta para enfrentar Miguel, então se agarrou a esperança de que Nádia pudesse entregar as pastas. Teve sorte e a mulher fez como ela pediu, mas antes que pudesse colocar os pés para fora da casa principal, foi abordada por ninguém menos que Salete Foster, mãe de Miguel.— Isso, sim, é uma surpresa. — a mulher alta e esguia, de cabelo longo, negro e liso comenta polidamente.Jojo nunca ia à casa principal desde que sua irmã fugiu. A mulher a olhou dos pés a cabeça e torceu a boca em desaprovação.— Você precisa de uma dieta com urgência, senão seu vestido de noiva vai parecer mais uma capa de botijão. — fala como se mandar alguém fazer dieta fosse algo normal.Joice sentiu o choque diante de tais palavras, esse era um dos motivos que sempre evitou a casa principal. Dona Salete sempre a ofendia, desde que era uma menina. Fazia tempo que ela não era alvo de preconceito, sempre tão amada por sua família, bem-querida por seus amigos e tinha Pedro, que sempre a amou do jeitinho que era.— Tenho que voltar ao trabalho. — a moça fala na tentativa de se afastar da mulher.— Que isso. Temos muito o que conversar e planejar, Miguel foi hoje bem cedo a igreja e ao cartório, conseguiu marcar ambos os casamentos para daqui a duas semanas. — a mulher revela.Os olhos de Joice se arregalam, como assim marcaram a data de um casamento que nem sequer foi confirmado?— Como? — pergunta sem acreditar.— Vêm. — a mulher ignora a pergunta da futura nora. — Ia mesmo roubar você do seu afazeres para tirar as medidas do vestido de noiva e do vestido do jantar de noivado que vai ser nessa sexta. — dona Salete puxa Joice pelo braço e a leva para o ateliê de Meg.Margarete está sentada em sua mesa, fazendo um desenho exclusivo para uma atriz italiana. Ela mandará o desenho por e-mail para que o Marceline o confeccione. Não se surpreendeu ao ver a mãe arrastando a noiva do irmão, mas se surpreendeu ao ver o rosto pálido da futura cunhada. Ambas eram muito próximas quando crianças até Joice começar a namorar o Pedro, filho de um feirante.— Você não mudou muito. — a moça fala olhando para Joice. — Não cresceu muito, exceto pelos lados. — comenta maldosa.— Vou chamar Maria, minha nutricionista e ela vai passar uma dieta milagrosa para a Joice, agora preciso que tire suas medidas e desenhe os vestidos dela para sábado e o de noiva. — sua mãe fala autoritária.— Já? — a garota pergunta para a mãe.Como ela pretendia fazer Jojo emagrecer em duas semanas? Nem um milagre daria conta desse feito.— Sim, seu irmão disse que não tem por que adiar o inevitável. — Salete responde.Joice está estagnada, ela não consegue falar. É do seu destino que as duas mulheres estão falando, da sua vida. Antes que as duas pudessem dizer mais alguma coisa, saiu correndo sem se importar em ser taxada de maluca, acabou esbarrando em alguém, mais isso não foi o suficiente para fazê-la parar, estava desesperada de mais para se gentil…Miguel entrou no ateliê, parou na porta, cruzando os braços acima do peito, olhando sério para as duas mulheres paradas olhando de uma para outra, perdidas. Esbarrou com a noiva e ela nem sequer olhou para ele de tão aflita estar, talvez nem o tenha reconhecido.— O que aconteceu? — perguntou frio.— Não sei, sua irmã ia tirar as medidas dela para os vestidos. — sua mãe responde.— A senhora falou a ela que já marquei a data do casamento? — ele pergunta olhando fixo no rosto fino da mãe.Só então a mulher entendeu, Joice até pouco tempo não sabia do seu noivado com o filho.— Merda. — a mulher xinga para a surpresa dos filhos.— O que foi? — Meg pergunta sem entender.— Eu ia falar com ela hoje a noite, a senhora como sempre não pode esperar não é mesmo? — então se volta para a irmã. — Desenhe os vestidos e começa a confecção, até amanhã ela estará vindo tirar as medidas. — ordena.Miguel da meia volta e sai do ateliê sem esperar pela resposta da mãe.Joice correu sem olhar para trás, ela era uma covarde por não ter acabado com aquela farsa quando teve a chance, sentiu-se aliviada ao ver a trilha que levava para o rio. Só parou de correr quando estava na segurança da trilha, sua respiração estava acelerada, seu peito queimava e ainda estava sentindo aquela maldita dor de veado. Se viu obrigada a parar e tomar fôlego, suas pernas também estavam acabadas, sua condição física em nada ajudou na sua fuga.Após recuperar um pouco a energia, voltou a seguir pelo caminho que levava ao ponto de encontro com o seu amor. Sentou na grama e esperou, ela contaria toda a verdade a Pedro, que se dane seus pais, bastaram uns minutos com as mulheres Foster e ela soube que aquele lugar, aquela família jamais seriam a sua…

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