Eventualmente, os pais dela, com lágrimas nos olhos, concordaram e disseram que se fosse pesado demais para ela, ela poderia voltar para casa e eles entenderiam.
Mas Renee estava determinada a tirar sua família dessa situação difícil, mesmo que isso significasse viver uma vida que nunca planejou.
Foi assim que ela se viu diante da Villa da família Moretti.
Ao explicar aos seguranças o motivo da visita, um homem se aproximou e se apresentou como o mordomo e então disse para ela segui-lo para dentro da casa.
"Hoje você vai passar pela inspeção do jovem senhor." O mordomo informou.
Inspeção?
O que isso significava?
Renee engoliu em seco enquanto continuava a seguir o mordomo. Estava nervosa demais para apreciar o quanto a Villa era magnífica.
Quando chegaram a uma porta, o mordomo a abriu e fez um gesto para que ela entrasse.
O coração de Renee batia forte dentro do peito. Parecia que ia saltar para fora.
Ela não tinha ideia do que iria acontecer nessa tal inspeção.
Mas tentava se convencer de que valeria a pena.
Ela estava fazendo isso pela família.
Ela ama a família e ama muito a irmã.
Ela passou pela porta e o mordomo fechou a porta atrás dela.
Olhou ao redor, desesperada.
O quarto estava escuro e apenas uma luz fraca irradiava do abajur ao lado da cama.
"Tire a roupa e deite na cama."
Aquela voz a deixou apavorada.
Tremendo, ela seguiu a direção da voz e, apertando os olhos, conseguiu distinguir a forma robusta de um homem.
"Não me faça repetir!"
A voz fria dele enviou calafrios por seu corpo.
Seria ele, talvez, o temido Dante Moretti?
Ele queria que ela se despisse?
Ele ia se deitar com ela agora?
Sempre imaginou que a primeira vez seria com alguém que amava, algo mágico - mas isso claramente ficaria só no sonho.
Ela se meteu nessa situação, então precisava ser forte e enfrentar tudo que viesse.
Com dedos trêmulos, ela desabotoou o zíper da saia e a empurrou pelas pernas, puxando a calcinha junto, devagar e relutantemente.
Ela se sentia tão exposta, demasiado exposta.
Ela se moveu lentamente para tirar a blusa, mas parou, inquieta.
"Não me faça arrancar isso de você!" o tom frio da voz dele soou novamente.
O rosnado profundo que ele deu a fez estremecer.
Ela sentiu que ia ficar doente ali mesmo.
Ela tremia de medo.
Sem dizer uma palavra, puxou o tecido por cima da cabeça e o jogou no chão, deixando os braços caírem ao lado do corpo.
"Deite na cama." ele ordenou.
Ela olhou ao redor e, finalmente conseguindo distinguir o formato da cama, se aproximou e deitou.
Ela se perguntava qual seria a idade daquele homem.
Ela tinha tentado pesquisar sobre ele na noite anterior para pelo menos saber com quem possivelmente iria se casar.
Mas havia várias especulações sobre ele na internet.
Alguns diziam que ele era horrendo e notório.
Outros diziam que ele era velho e feio.
Alguns comentavam que ele tinha uma disfunção sexual e por isso encontrava dificuldade em estar com qualquer mulher.
Ela também sabia que ninguém havia se atrevido a oferecer suas filhas para se casar com ele.
Mas ela viera por vontade própria.
O mais misterioso sobre Dante era a tal feiúra do rosto, que tanto comentavam.
Estava nua na cama quando ouviu passos se aproximando.
Tremeu ainda mais ao sentir o colchão ceder com o peso dele.
Mas sua apreensão aumentou quando sentiu a mão dele em seu pescoço.
Era áspera e fria. Ele não a segurava com força, mas seu toque era um pouco firme. E então sua mão se moveu, ele tocou seu rosto e deslizou a mão até seu peito, seus seios, sua barriga.
Seu coração estava praticamente na garganta agora.
O homem ficou em silêncio por um momento e então perguntou, "Você está com medo?" Sua voz era rouca e baixa.
Extremamente nervosa como estava, ela não conseguia dizer se a voz dele era agradável ou não, mas uma coisa ela sabia: era fria, muito fria.
Pensando na sua família, ela respirou fundo tentando acalmar seus nervos trêmulos.
"Eu... eu estou com medo, mas eu... Está tudo bem."
Longe de estar tudo bem.
Ela apenas não queria deixar o homem irritado.
O homem se inclinou e aumentou a intensidade da lâmpada ao lado da cama.
Renee fechou os olhos imediatamente, com medo demais para encarar o rosto que as pessoas chamavam de uma aberração.
As pessoas diziam que ele tinha uma aparência terrível e ela tinha medo de que ver seu rosto a fizesse desmaiar, arruinando suas chances de se tornar sua esposa.
Dante, em silêncio, passou a mão suavemente entre as pernas dela.
Com os olhos fechados, Renée implorou. "Eu... eu realmente nunca fiz isso antes. Por favor, seja gentil comigo."
Enquanto ele continuava a esfregar suas coxas, o corpo dela ficou tenso, e ela pensou que poderia ficar dura como uma pedra.
Suas pequenas mãos agarravam o lençol com tanta força que quase o rasgou.
Dante olhou para a forma trêmula dela e sorriu de canto de boca.
"Você sabe o que significa vir aqui querendo ser minha esposa?"
Ela acenou lentamente com a cabeça.
"O que isso significa para você?" Ele perguntou.
"Significa que serei sua enquanto você me quiser e você... e eu receberei o dinheiro em troca."
Ele fez uma careta, apreciando sua honestidade.
Ela não estava tentando adoçar a conversa como a maioria das mulheres faz.
Ele pegou o edredom e cobriu o corpo dela com ele.
Nenhum homem jamais tinha visto seu corpo nu antes, e o fato de que este homem tinha feito mais do que vê-lo a fazia querer morrer.
Ela o encontrava repulsivo, mas não tinha escolha: seria seu brinquedo esta noite e sua esposa para toda a vida.
"Gosto do seu corpo", ela ouviu ele dizer.
Os olhos ainda fechados, Renee sentiu que a próxima coisa que ele faria seria devorá-la. Decidiu não resistir - entregar-se à submissão era o preço para conseguir o que queria. Não tinha direito de pedir nada, mas esperava, no fundo, que ele fosse gentil. Não era uma virgem ingênua; já ouvira que sexo podia doer, especialmente na primeira vez.
Soltou o lençol e se preparou para o que viria. Esperava que ele tirasse o edredom que a cobria.
Mas ele não o fez.
Surpreendeu-se ao sentir o peso dele sair da cama. Percebeu que agora estava de pé.
"Acho que posso aceitá-la como minha esposa. Mas você não está pronta para o sexo ainda. Quando estiver, vou possuí-la."
Ela ficou chocada. Ao abrir os olhos, o homem já havia saído.
Ficou deitada na cama, ainda pasma por ele não ter dormido com ela. Aliviada, mas amedrontada com a ideia de ser esposa de um demônio.
Vestiu-se e, ao sair, encontrou o mordomo à espera do lado de fora.
"Por aqui, senhora."
Renee seguiu-o em silêncio até a sala de jantar. Abriu a boca ao ver a mesa repleta de pratos finos.
"Por favor, sente-se e coma."
Ela sentou-se obediente e tentou engolir algo enquanto o mordomo se retirava.
Ele foi direto até Gustavo Moretti, pai de Dante e dos outros filhos.
"O senhor Dante aprovou ela", informou o mordomo.
Gustavo acenou brevemente.
Aquele filho era o mais difícil - mas ele impusera uma condição a Dante: só herdaria algo se um dia se casasse.
Acreditava que uma boa mulher poderia tirar Dante da casca.
Gustavo esfregou as têmporas.
Seria ela a certa? Ou teriam de continuar à procura de uma parceira para o filho notório?
-------------------------------------------------------------
Já era noite, e Renee estava mais tranquila. Conhecera alguns funcionários na Villa, todos extremamente gentis. Mostraram-lhe o lugar, e a beleza do local foi a distração de que precisava.
Naquele momento, estava no saguão, admirando pinturas antigas.
A mente voltou àquela manhã.
Dante realmente não dormira com ela.
Será que os boatos eram verdadeiros, então?
Ele era pior que o próprio capeta?
"Bem-vindo de volta, senhor Dante!"
Ouviu os seguranças cumprimentando-o atrás de si. Ao ouvir o nome "Dante", quis sumir - mas ao se virar, uma voz soou:
"Pare!"
Renee não ousou mover um milímetro. Ele caminhou até ficar de frente para ela. Trêmula, ela ergueu o olhar e deparou-se com o rosto mais aterrorizante que já vira. Metade do rosto parecia queimado - uma visão de cortar o fôlego. Os olhos eram frios, impiedosos. Ele parecia jovem, talvez na casa dos vinte e poucos anos, mas a aparência era horripilante demais.
Renee recuou assustada, perdeu o equilíbrio e caiu no chão. Dante estendeu a mão para ajudá-la, mas ela gritou, em pânico:
"Não. não chegue perto de mim!"
"É igual a todos os outros", ele rosnou, irritado.
Ela fechou os olhos, com medo de encará-lo de novo.
Dante virou-se e ordenou ao mordomo:
"Manda ela embora! E diz pro meu pai parar de arrumar mulher pra mim!"
Gritou, subindo a escada.
O mordomo suspirou e olhou para Renee com pena.
Realmente achara que ela poderia ser a escolhida.
Paciência: teriam de continuar procurando.
"Senhorita Gallo, é melhor você ir agora. Não conte a ninguém o que fez ou viu nesta casa. E não se preocupe - o dinheiro será pago integralmente. Considere como compensação pelo dia que passou aqui."
A mente de Renee fervilhava de pensamentos e sentimentos conflitantes. Precisava pensar. Processar tudo.
Levantou-se e saiu apressadamente da Villa.