Nossa! Esqueci de mencionar! Às vezes ele me ajuda a aprender algumas letras do alfabeto, é o que ele chama, para que eu possa praticar a escrita em um papel. Isso acontece somente quando ele finge estar doente para faltar à escola e ficar comigo, ou de noite, quando espera todos adormecerem para ficar comigo no meu quarto. Não aprovo que ele minta para ficar comigo, mas os pais dele não deixam que ele se aproxime de mim.
Ele fica aqui, contato história que eu nunca ouvi falar, de um tal de Peter Pan… Nem sei quem é, só sei que gosto muito da história e a gente conversa muito.
Todos os dias, ele vem para meu quarto, fazer carinho no meu cabelo, é tão bom quando estou com meu melhor e único amigo.
De tempos em tempos, Kevin prefere ficar ao meu lado em vez de sair para dar uma volta, compartilhando comigo o que aprendeu na escola. Estou absorvendo um pouco do conhecimento dele, pois ele é como um anjo protetor para mim, sempre disponível para ajudar. Tenho apreço por ele e ele será a única pessoa da qual sentirei falta.
Queria tê-lo por perto incessantemente, pois ao lado dele sou plenamente feliz. Meu coração transborda de alegria, é como se estivesse repleto de borboletas coloridas. Não sei por que são borboletas, porém recordo que certa vez, em minha casa, escutei-o dizer palavras apaixonadas.
Na televisão da casa ao lado, uma jovem está se comunicando:
“Quando estou na companhia dele, sinto um turbilhão de emoções! É como se houvesse um enxame de borboletas voando dentro de mim.” Deve ser por isso que meu coração fica assim quando estou perto de Kevin. Quando eu sair dessa casa, que mais parece uma prisão, vou morrer de saudade do meu único amigo.
— Hadiya, não se importe nunca com o que os outros falam de você. Você é muito especial para mim e para a sua família também. — Ele diz. — Não deixe ninguém te humilhar, nunca! Ano que vem eu terei que te deixar aqui, meus pais vão me mandar para estudar em outro lugar.
— Não! Você não pode me deixar aqui sozinha, Kevin. Por favor! — falei enquanto as lágrimas desciam pelo meu rosto.
Sempre tenho Kevin ao meu lado e ia perder meu único amigo, aquele que me ensinou a escrever meu nome e que me protege, eu sempre me sinto segura e muito feliz ao seu lado, inclusive me ensinou a escrever o seu nome.
— Não se preocupe, vai ficar tudo bem! Você vai ver. — Kevin me falava enquanto me abraçava.
Não tenho ideia de como as coisas vão se acertar, no momento em que meu companheiro se afasta de mim!
Ele pretende me abandonar nesta casa, desamparada, sem sua presença para me trazer alegria e segurança.
Eu implorava para que o tempo não voasse, pois assim teria mais oportunidades de aprender e compartilhar momentos com ele. Seu rosto é encantador, com a pele suave e olhos da cor do mar, ou talvez verde, embora as nuances das cores ainda me sejam desconhecidas.
Infelizmente, da forma que não esperava, o ano se foi rapidamente.
Completei doze anos há aproximadamente seis meses, Kevin adquiriu um pequeno bolo em segredo, acendeu uma vela e cantou os parabéns para mim.
Meu coração bate mais forte por Kevin!
Desconheço exatamente o significado do amor, porém acredito que seja o que tenho por ele. É tão agradável estar ao lado dele, porém ele está prestes a partir.
Os pais dele organizaram uma comemoração de quatorze anos em sua homenagem, eu desejava intensamente estar presente nesse evento, contudo, após o encerramento da festa e com todos já dormindo, o meu belo amigo veio ao meu encontro e compartilhou comigo todos os detalhes do que havia na festa.
— Feliz aniversário, Kevin! — falei. — Eu nunca, em toda a minha vida vou te esquecer. Eu amo você! — Acabei chorando de novo, estava muito emocionada.
— Por favor, não fique triste. Eu vou voltar todo ano, prometo. Venho aqui só para te ver. — Ele falava para me confortar. — Não quero que você fique triste, nunca! Não chora, por favor. — Kevin me abraçou e me beijou no rosto. Até hoje eu não sei o motivo de ele ser tão bom comigo, com ele me sentia protegida e amada.
Chegou o momento da despedida do meu amigo, infelizmente, e eu não pude me despedir dele, fui novamente deixada trancada dentro da casa.
Era frequente essa situação, quando havia pessoas em casa, eu era obrigada a me isolar, não podia me mostrar de forma alguma, eles me castigavam se eu me mostrasse. No entanto, eu já não derramava mais lágrimas e isso os deixava ainda mais zangados, por eu não demonstrar tristeza diante das punições que recebia em minhas mãos, que ficavam doloridas e extremamente vermelhas.
Constantemente, Kevin ocupava meus pensamentos e eu recordava do modo como ele me tratava. Por isso, evitava derramar lágrimas, pois ele havia pedido que eu não chorasse e eu obedeci. É uma pena que ele tenha partido sem me visitar antes, mas procurei não me abalar com isso. Já nos despedimos e estou confiante de que ele retornará no ano seguinte para me ver.
Com o decorrer dos dias, comecei a perceber que ele não tinha tanto apreço por mim como demonstrava. Poucas pessoas se importam comigo, além da minha mãe, meus irmãos e Maitê.
Acredito que eles não têm mais o mesmo carinho de antes, pois desapareceram. Estou sem saber o paradeiro de minha mãe, ela não veio me buscar, assim como meus irmãos.
Estou extremamente ansiosa em relação a eles!
Será que não terei a oportunidade de vê-los novamente?
Ainda bem que eu sei andar sozinha por aí e posso ir até a minha casa. Acredito que dê para ir a pé, pois não tenho dinheiro. Aliás, nunca peguei dinheiro na minha vida. Contudo, preciso ir ver minha mãe e meus irmãos. Isso se eu conseguir chegar lá.
Anos antes…
Atualmente tenho catorze anos e recebi uma carta de Maitê, que é a funcionária gentil da casa. Ainda não a mencionei, mas ela é muito atenciosa comigo, inclusive mencionou que gostaria que eu fosse sua filha. Prometeu que quando se aposentar, irá me levar para viver em sua casa.
Como eu ansiava por isso!
— Minha filha, o menino Kevin deixou para você.
— Mas, eu não sei ler. Maitê quem vai ler para mim?
— Minha filha, ele pediu para te falar, que ele não quer que você a abra enquanto não aprender a ler e escrever muito bem e realizar o seu sonho. Que é para o desculpar, pois, os pais o proibiram de te ver.
— Mas Maitê, como os pais dele sabiam que ele vinha ao meu quarto? — Perguntei.
— Eles descobriram, minha filha, mas, fica calma, eles não vão te bater mais. O Kevin pediu e eles podem ser ruins, mas respeitam o filho. Ele só foi para esse lugar para se afastar de você, os pais não gostavam de vê-lo com você e é por isso também que Carina e Micaela não conversam com você, os pais não deixam.
— Maitê, conta.
Qual será o meu destino neste lugar? Já não há mais necessidade de permanecer aqui, as meninas já estão crescidas. Vou escapar pela janela e procurar por Kevin, para onde ele terá ido? Mesmo que a janela esteja muito alta, estou disposta a pular para ver meu amigo, o único companheiro que já tive.
— Vou encontrar meu amigo, Maitê! — Falei.
— Não fala bobagem, criança. Ele foi para outro país. Muito longe meu amor, agora pare de chorar, vou fazer o almoço e daqui a pouco eu trago o seu. — Ela fala e vai para cozinha.
Maitê é uma mulher deslumbrante, com um olhar incrível que nunca vi igual, embora os olhos mais bonitos fossem os de Kevin, mas ele se foi e agora os de Maitê me cativam como um horizonte de água azul. Eu nunca nadei em uma piscina, mas consigo imaginar sua beleza, pois meu amigo me mostrou uma foto no celular.
Foi exatamente o nome que ele mencionou, nesse aparelho conhecido como celular, eu presenciei uma piscina pela primeira vez e era muito parecida com os belos olhos de Maitê!
Eu mal encontro mais essas pessoas, diariamente me deparo com a carta do meu amigo e fico imaginando quando conseguirei aprender a ler e compreender suas mensagens. A saudade que sinto dele é tão intensa que parece que meu coração vai saltar do peito a qualquer momento. Fui dispensada pelos patrões, disseram que era hora de ter minha liberdade, afirmaram ainda que não queriam mais sustentar uma negra, considerada sem valor, que não possui fezes no intestino para eliminar. Não entendo o motivo pelo qual disseram que eu não tinha fezes no intestino para eliminar, pois faço cocô todos os dias, minha mãe sempre diz que devo falar cocô e não cagar. Povo estranho, afirmar que não há fezes no intestino para eliminar, só se for eles que não possuem, pois eu tenho e bastante.
— Os patrões falaram que você vai embora, pode deixar as roupas aí.
— A nova empregada disse, se referindo às três peças de roupas que eu tenho para vestir. — Vou dar para outra moça que vem para cá.
Tenho até pena dessa outra moça, só espero que não seja uma criança. Eu hoje sei que lugar de criança é na escola e não trabalhando. Eu sempre soube na verdade, mas não podia obrigar esse povo que só sabe maltratar, me colocar na escola.
— Mas eu vou vestir o quê? — Perguntei.
— Nada, vai com a roupa que você entrou aqui, sua morta de fome.
— A patroa gritou.
Eu me encontrava em prantos sem direção, quando Maitê se aproximou, entregou-me uma chave e algum dinheiro. Inexperiente com valores monetários, fiquei encantada ao receber aquilo e percebi que ela também me entregou um papel com um local indicado.
Ela me informou o itinerário do ônibus que devo tomar até chegar ao terminal, e ao descer do coletivo, eu teria que solicitar orientações para encontrar o caminho até o destino indicado no papel, uma vez que tenho dificuldades com a leitura.
Deixo para trás a casa onde vivi durante tanto tempo, sentindo-me aliviada por finalmente conquistar minha liberdade tão almejada, porém ao mesmo tempo melancólica pela ausência de Kevin ao meu lado.
Após chegar ao ponto, verifiquei o número do ônibus. Quando o ônibus certo finalmente apareceu, entrei e busquei um assento. Enquanto me acomodava, pensei que, agora longe daquela multidão, teria a oportunidade de estudar e quem sabe até frequentar a faculdade no futuro, mesmo que eu já esteja mais velha na época.
Ao alcançar o destino final conforme orientações da Maitê, exibo o endereço ao motorista do ônibus e recebo as instruções de que direção seguir. Caminho por um trecho e alcanço o número apontado no papel, tratava-se de uma casa encantadora. Abro a porta e adentro imediatamente.
Maitê possui uma boa situação financeira?
Iniciei meus estudos aos quinze anos, tudo graças à ajuda de Maitê. Se não fosse por ela, não consigo nem imaginar como estaria minha vida hoje, nem onde estaria. Sinto que foi um verdadeiro ato de Deus colocá-la em meu caminho naquele momento de extrema necessidade. Ela me abrigou sob seu teto após ser dispensada sem nenhum apoio pela outra família.
Depois que Kevin se foi, as coisas ficaram ainda piores para mim... Dona Cristina intensificou seu ódio por mim, me tratava com hostilidade, proferia palavras ofensivas sem nem ao menos entender o significado delas, me obrigava a lavar um grande volume de roupas e sapatos, além de arrumar os pertences das crianças inúmeras vezes ao longo do dia, dizendo: "— Se você não fizer isso direito, sua maldita, terá que refazer tudo de novo."
Vivi muitos anos naquela casa suportando maus tratos daquela senhora, que Deus a perdoe por todo mal que ela causou devido ao preconceito que carrega consigo. Não tenho certeza se consigo perdoar, mas tenho certeza que Deus perdoa sim!
Ele absorve todas as falhas que cada indivíduo comete, pois Deus é misericordioso, enquanto eu guardo ressentimento em meu coração. Parti daquele lugar com tanta raiva daquelas pessoas por me fazerem passar dificuldades, além de proibirem Maitê de se aproximar de mim e ameaçarem mandá-la embora caso tentasse me ajudar como Kevin fazia.
Eles conversavam abertamente na minha presença, sem se importar com discrição, e eu permanecia em silêncio para evitar que ela magoasse a única pessoa que me queria bem neste universo.
Maitê, é guerreira e já está envelhecida e com questões de saúde e eu fico me questionando o que farei se a minha única mãe partir, estou apreensiva com essa possibilidade, mesmo assim, saio para o trabalho deixando-a sozinha. Preciso trabalhar, se fosse possível, não a deixaria e ela compreende isso, afirmando:
— Minha querida não se preocupe comigo, eu vou ficar bem como todos os dias eu fico. Vai para o seu trabalho com Deus e que ele sempre te acompanhe, meu amor.
— Amém, minha mãe. Espero que quando chegar aqui, você esteja bem. Vou falar com a vizinha para ficar de olho em você e vir aqui te ajudar no que precisar, o almoço já está pronto e a casa limpa, não quero ver você fazendo nada. Me ouviu, dona teimosa? Tchau, te amo.
— Também te amo, minha filha!
Para mim, ela representa tudo, pois foi quem me incentivou a frequentar a escola e é minha guardiã.
Hoje tenho 24 anos de idade e já exerci diversas funções, incluindo trabalhos domésticos, serviços em São Paulo e atualmente estou empregada em um restaurante de alto padrão. Apesar de não ser uma chef renomada, desempenho o papel de recepcionista no estabelecimento, o que garante minha subsistência.
Atualmente possuo habilidades de leitura e escrita e embora não tenha ingressado na universidade, mantenho a esperança de cursá-la no futuro. Por ora, a falta de tempo tem sido um obstáculo, mas tenho planos de realizar meu sonho de frequentar a faculdade em breve.
Tenho o desejo de me tornar professora, no entanto, devido à minha idade, não tenho certeza se seria viável. Já atuo na área financeira há precisamente seis anos, então pretendo seguir algo nesse ramo.
Jamais tive notícias sobre o destino da minha mãe e dos meus irmãos, não faço ideia do que ocorreu, eles simplesmente desapareceram.
Eu me sentia um fardo para minha mãe e acredito que ela não me queria por perto, no entanto estou bem e contente do jeito que sou. Comentei com minha mãe Maitê que desejava aprender a pilotar uma moto, acho tão elegante e seria prático para me deslocar até o trabalho, considerando o caos do trânsito em São Paulo. Ainda não iniciei minhas aulas de direção e não adquiri minha própria moto, pois os custos são elevados e não disponho de recursos financeiros para isso.
Minha mãe sempre demonstra preocupação em relação a mim devido à depressão que enfrentei, quase enlouquecendo, porém agora encontro-me em controle da situação.
Já não necessito mais fazer uso dos medicamentos, o médico interrompeu o tratamento e afirmou que minha saúde está em perfeitas condições, contudo, alertou que qualquer sintoma recorrente devo procurá-lo imediatamente.
Frequentei o psicólogo por um longo período, felizmente no posto de saúde havia esse serviço disponível, o que me permitiu não interromper o acompanhamento, já que naquela época eu trabalhava como empregada doméstica, ganhava pouco e temia acabar em um hospital psiquiátrico. Como conseguiria pagar por sessões de terapia?
Foi um começo muito desafiador, antes mesmo de receber o diagnóstico e iniciar o tratamento. Eu não tinha vontade de realizar nada, apenas desejava permanecer no escuro, em solidão, sem me comunicar com ninguém, tomada por uma tristeza no meu coração que nunca parecia desaparecer, com pensamentos negativos constantemente me assombrando naquela fase marcada pela depressão.
Não me dirigia mais ao trabalho, os pesadelos com minha mãe e meus irmãos não me davam trégua. Era uma situação terrível!
Isso ocorreu quando eu completava vinte anos, minha amizade sumiu e eu experimentava um desejo intenso de partir, pois todos aqueles que eu amava haviam me deixado.
Eu me perguntei se eu não estava sendo um fardo para Maitê... Até que sua irmã parou de aparecer para visitá-la, desde que ela me acolheu em sua casa, uma dor profunda tomou conta do meu ser, a melancolia não ia embora.
Apenas derramei lágrimas até me sentir melhor, agradeço a Deus, a Maitê e minha amiga Lara, sem elas, não sei o que seria de mim. Não estou em um relacionamento e só tive relações sexuais porque minha amiga ficava insistindo.
— Minha querida, está na hora de você encontrar um namorado. — Ela comentou.
Naquele período, eu estava interessada em um rapaz chamado Gustavo, uma pessoa bastante agradável que também sentia atração por mim.
Um dia ele me convidou para sair e eu aceitei, depois de um mês de namoro, decidimos ter relações íntimas. Continuamos namorando por mais um tempo, mas logo em seguida decidi terminar tudo. Já não queria mais um relacionamento sério, apenas buscava momentos de prazer quando tinha vontade. É assim que funciona entre nós: quando desejo realizar nossas fantasias e sei que ele está disponível, nos encontramos e nos divertimos juntos. Depois, cada um segue seu caminho, ele vai para casa dele e eu fico na minha. Essa amizade com benefícios é positiva para ambos.
Estou agora no meu local de trabalho refletindo sobre a vida, e como sempre, lembrando do meu amigo de infância, que deve estar agora um adulto. Ainda não abri a carta que ele me enviou, mas em breve irei ler. Não estou com pressa, prefiro mantê-la fechada, como uma lembrança de que um dia tive um grande amigo, o pequeno Kevin, que jamais esquecerei. Espero um dia revê-lo e sentir aquela sensação de proteção novamente, que só ele e mais algumas pessoas, como minha mãe Maitê e minha amiga Lara, me proporcionam. Com ele era algo especial, incapaz de explicar, apenas desfrutava de sua presença.
Ele expressava palavras tão encantadoras para mim, que fico admirada com a sua capacidade de aprender tantas coisas belas para me dizer ou será que ele criava? Acredito que não, pois ele era o rapaz mais perspicaz que já encontrei.
Sinto falta do meu companheiro, sinto um vazio no peito que parece nunca se preencher, tudo por conta da sua falta. Tenho a certeza de que um dia nos encontraremos novamente e poderei dizer o quanto o amo, mesmo que ele nunca tenha expressado esse sentimento por mim.
Será que a afeição que ele sentia por mim era real? A questão é que, atualmente, não sei se seria capaz de reconhecê-lo caso o encontrasse. Parece que a imagem dele foi apagada da minha memória e só consigo lembrar que ele tinha pele clara. O resto do seu rosto não consigo mais recordar, mesmo tendo doze anos quando nos conhecemos. É estranho como essa parte da minha mente bloqueou essa lembrança, pois diversas vezes tento recordar o semblante do meu amigo e não consigo visualizá-lo claramente. A única certeza que tenho é de que ele tratava muito bem de mim.
Ele deixava de lado todas suas responsabilidades para estar ao meu lado, me ensinou a gravar meu próprio nome. Tenho certeza que não era uma farsa da parte dele toda aquela preocupação comigo.
Admirava profundamente ele, mesmo com apenas doze anos de idade naquela época, porém meus sentimentos eram genuínos e continuam vivos até hoje. Kevin sempre terá um lugar especial em meu coração, independentemente de sua idade atual. Minhas memórias mais queridas são da época em que ele era apenas um garoto pequeno.
Por que razão todas as coisas precisam ser tão complicadas? Seria tão bom se ele resolvesse surgir, pelo menos aliviaria a melancolia que habita em meu coração. A simples visão de seu sorriso quando ainda era uma criança era capaz de me trazer imensa alegria. Recordo-me claramente de como ele sorria e conseguia também me fazer sorrir. Incrível!
Desejava muito recordar dele. Sofri de amnésia em relação ao meu amigo, nunca questionei ao médico se isso é comum, não lembrar de alguém de sua aparência.
Onde você se encontra, meu amigo?