Red
Oito anos mais tarde...
- Jade, está tudo bem? Parece que você não está comendo.
Levantando meus olhos até os olhos preocupados da minha mãe, eu sorrio e coloco uma colher na boca cheia de bolo de red velvet que ela comprou com os nossos cafés. Nós estamos em um pequeno restaurante na cidade. Os assentos de couro vermelho luminosos estão descascando pelas costuras, mas a comida é boa e o café é ainda melhor.
- Estou bem, mamãe, e mais gorda do que nunca.
É verdade. Eu tive que forçar o botão e esticá-lo para conseguir entrar em meus jeans favorito nesta manhã.
- Você deveria voltar para casa para uma refeição caseira. Seu pai gostaria de te ver. - o sorriso que ela oferece enruga seus olhos.
Pegando a caneca de café e deixando o calor mergulhar em minhas mãos através do copo, eu inalo o vapor que ondula na borda da caneca. - Eu irei em breve. Eu prometo. As coisas estão realmente muito complicadas no trabalho.
Ela mexe com uma colher ao redor de seu copo distraidamente. - Você trabalhou tão duro para ser detetive e, então eles te atiram direto no fundo do poço e não te deixam nem mesmo tomar um fôlego.
É estranho que ela ainda queira falar sobre isso. Ela sabe o quanto eu queria este trabalho e quão duro eu trabalhei para conseguilo. Eu perdi quatro anos de ensino por estar longe do mundo. Eu tive que fazer aulas à noite, curso de verão, e estudava duas vezes mais que todos os outros. - Eu gosto de trabalhar, - eu digo a ela, minha voz aumentando. - Se eu não me mantiver ocupada, eu volto para lá em minha mente e...
Seu rosto empalidece, tal como acontece cada vez que eu menciono o que aconteceu. Foi há anos, mas isso ainda está comigo, como um fantasma me assombrando. Mamãe e papai não gostam de falar sobre isso. Eles tentaram continuar de onde paramos quando eu era uma menina de quatorze anos de idade, ingênua e crédula. Essa menina morreu naquela cela na primeira vez que Benny pôs as mãos sobre ela.
O perfume floral me invade quando uma mulher se aproxima com uma criança. Ela está usando muito perfume e sua sombra azul combina com a bolsa azul brilhante que ela está carregando. Um item cai no chão, rolando para o meu pé. Eu me inclino, chegando para ele e paro. É uma boneca. Apenas uma boneca simples, mas que faz com que todos os pelos de meu corpo se arrepiem e minha mente gire descontroladamente.
É um sinal?
Ele está de volta?
Ele pediu para que ela a deixasse cair?
Ele está aqui, me olhando?
Eu pego a boneca do chão e chamo a mulher: - Com licença. - eu levanto e caminho para frente da lanchonete. - Você deixou cair isso.
Os olhos da mulher se arregalam e sua boca se abre. - Oh meu Deus, obrigada. Ela não dorme sem ela. - ela suspira, pegando a boneca e enfiando mais fundo em sua bolsa neste momento. Eu aceno meus dedos para baixo, para a menina, cujos olhos azuis estão fixos em mim. Ela se encolhe na coxa de sua mãe e sorri para mim.
- Jade, - minha mãe chama quando eu ainda estou de pé com minhas mãos enfiadas no bolso de trás da minha calça jeans, olhando da porta para a mulher e a criança que saíram a uns bons vinte segundos atrás.
Eu odeio perder tempo, perder muito tempo pensando e lembrando. É raro para mim, na verdade, ter um dia de folga, mas eu prometi à mamãe que eu a encontraria para um café e compras. Eu não quero fazer compras. O trabalho é onde eu devo estar, à espera de uma chamada para me ajudar a pegar Benny. Ele está adormecido por tanto tempo, mas eu sei no fundo da minha alma que ele irá ressurgir. Cada caso que assumo ser Benny; cada vitória é um dedo do meio para Benny.
Eu consegui fugir.
Eu consegui fugir e eu vou te pegar, seu bastardo.
- Então, que loja primeiro?
- Eu realmente sinto uma dor de cabeça chegando, - eu digo com um gemido, esperando que ela não possa ver através das minhas mentiras. - Você se importa se nós reagendarmos? - eu esfrego minha testa com as pontas dos dois dedos. Ela está acostumada às minhas saídas até agora e como uma boa mãe, ela me deixa ir.
- Está tudo bem, querida, - ela diz quando linhas de preocupação aparecem em sua testa. - Vá para casa e descanse um pouco.
- Eu vou, - eu digo, embora nenhuma de nós acredite na mentira.
* * *
Em vez de ir para casa, eu me encontro de volta na papelada na delegacia. Meu celular avisa que tenho uma mensagem de texto.
Detetive Idiota: $100 que você está trabalhando...
Meu parceiro gosta de me insultar nos fins de semana quando eu devia estar em casa, mas ao invés disso, trabalho em casos antigos e passo por uma papelada velha para ter certeza de que nada foi perdido na primeira vez. Ele é um idiota. Digito de volta com um sorriso se formando em meus lábios.
Eu: Eu poderia estar precisando de uma nova bolsa.
Eu estou largando o meu telefone de volta na mesa quando ele se acende novamente.
Detetive Idiota: HA! Você carrega dinheiro no sutiã. Eu nunca vi você com uma bolsa.
Idiota.
Eu: É por isso que eu preciso de uma.
Ding.
Detetive Idiota: Eu vou recolher o meu dinheiro na segunda de manhã, Phillips.
Duplo pé no saco.
- Phillips, - Chefe Stanton late, me assustando. Puxando meu telefone e colocando-o na minha mesa, eu lhe dou atenção. Está tarde; eu não tinha percebido o quão tarde era até eu olhar para cima do computador. Está escuro lá fora e meu estômago resmunga.
- Chefe, - eu aceno.
Ele para na minha mesa e se inclina. - Hoje não é seu dia de folga?
Suas sobrancelhas grossas e brancas se juntam e ele cruza os braços sobre o peito, enfatizando a barriga de cerveja que ele cultiva.
- Eu só queria fazer alguns ajustes em uns relatórios, - eu minto. Sempre minto.
Ele já sabe quanto tempo eu passo aqui, então ele deve estar aborrecido se ele está de pé aqui quebrando minhas bolas inexistentes.
- Aqui, - diz ele, cavando em sua calça e tirando uma nota de vinte. Ele para um par de segundos antes de me oferecer. - Eu posso ouvir a sua fome daqui. Vá pegar para nós alguns sanduíches de Benny.
Benny.
Baque.
- O quê? - eu suspiro, um tremor choca meu corpo.
- Jenny's Subs, do outro lado da rua, - ele resmunga e depois franze a testa. - Por que você está tão pálida? Ela passou na última inspeção sanitária. Foi apenas boatos sobre o rato. - ele balança a cabeça e acena a mão para me dispensar.
É Jenny, não Benny. Porra. Eu odeio como ele ainda me afeta.
- Na verdade, Chefe, um homicídio acabou de chegar. Eu poderia precisar dela, se isso estiver bem pra você, - Detetive Marcus diz, passando por minha mesa.
Se aproximando, Stanton pega de volta a nota de vinte e acena com a cabeça, gesticulando para eu ir com Marcus.
Encantador. Folgado.
* * *
- Por que você precisa de mim? - pergunto quando nós paramos em um bloco residencial. Nenhum dos detetives do departamento gosta tanto assim de mim, então ele me pedir para vir é incomum, para dizer o mínimo.
- Você vai ver, - ele sorri.
Minhas sobrancelhas se levantam e eu mordo o interior da minha bochecha, quando eu o sigo atrás do zumbido de outros moradores do edifício.
- Nós avisamos à vocês, policiais, que ele a mataria no final e vocês não ouviram, porra, - uma mulher grita, agitando as mãos em volta da cabeça como se estivesse espantando uma vespa.
Apontando para a porta aberta atrás dela, Marcus late, - Entre.
Ela bufa para ele e permanece parada onde pode ver o que estamos fazendo.
Policiais uniformizados estão na entrada da cena do crime.
- Faça essas pessoas entrarem em suas casas e diga a elas que estarei por perto para tomar declarações no devido tempo, - digo ao policial que parece querer vomitar sobre seus sapatos pretos brilhantes. Novato.
Entrando, há ruído e movimento à minha esquerda, onde uma cozinha está situada.
Dois caras de uniformes estão sentados com um homem forte em algemas. Ele está sem camisa e com respingos de sangue por todo o peito e rosto, exigindo ser solto e gritando que foi um acidente. Seus olhos se chocam com os meus e eu imagino vapor saindo de suas narinas quando ele respira pesado e profundo. Nele, eu vejo a mesma escuridão que Benny sempre teve em seus olhos, sem remorso, sem empatia.
Meus pés me levam para a sala de estar, onde uma mulher nua está de costas. Eu roço sobre sua carne exposta, registrando tudo que se destaca. Contusões nos pulsos de cor azul. Ela foi amarrada recentemente. Novos e antigos hematomas no interior de suas coxas. Sinais de sexo violento ou estupro. Hematomas em torno da garganta mostram sinais de estrangulamento. Coloração sugere que foi antes da morte e é mais do que provável que seja a causa da morte. Há uma lesão na cabeça de um objeto contundente, supostamente da lareira, mas o respingo sobre o suspeito na outra sala, o sangue e a falta de inflamação me diz que isso foi causado depois da morte.
Rolando minha cabeça nos meus ombros, eu puxo um par de luvas de látex do bolso do casaco e as encaixo no lugar antes de fazer o caminho de volta através do pequeno apartamento para a cozinha. O suspeito olha pra mim e levanta a cabeça.
- Foi um acidente. Ela caiu, - ele rosna.
- E as contusões? - eu questiono, lançando os olhos sobre ele para estudar a agitação em seu peito.
- Gostamos de foder, - ele diz com um encolher de ombros. - Áspero. Ela adora. Eu aposto que você também. - ele lambe os lábios e suspira para mim antes de enrugar o nariz. - A menos que você seja sapatão.
Porque eu sou uma detetive e não ando por aí no universo feminino? Isso é novo. Idiota.
- O que você usou? - eu pergunto, e seus olhos disparam em mim. - Para esmagar a cabeça. - eu esclareço.
- Ela caiu sobre a lareira, - ele late com um tom defensivo.
Um riso amargo me escapa quando eu movo meu dedo no ar para o sangue no peito dele e no rosto.
- Eu a segurei depois, - ele tenta.
- Você é um idiota.
Seu corpo fica tenso ao meu insulto.
- Você é o tipo que espanca uma mulher, estupra. Um pedaço de merda que estrangulou a namorada até a morte e, depois entrou em pânico. Você esperava que seu cérebro do tamanho de amendoim pudesse bolar um plano, então encontrou algo que pudesse usar para bater na cabeça dela e depois a deixou à beira da lareira.
Eu cutuco seu peito e ele rosna.
- A autópsia irá mostrar a causa da morte, idiota. Mas, enquanto isso, me deixe te ensinar uma coisa. O sangue não coagula após a morte, ele pulveriza de forma diferente, e sem o corpo para bombear o sangue nas veias, ele fica lá dentro, em vez de bombear para fora. - eu chego na parte de trás da sua cabeça e uso todo o meu peso para bater a sua cabeça na mesa, saboreando o estalo quando seu nariz se quebra.
- Filha da puta, eu vou te matar! - ele grita quando o sangue jorra de seu nariz.
- Você tropeçou, e você vai sangrar mais do que ela. - eu sorrio, e me viro para Marcus.
- Ela me atacou. Ela me atacou, - ele grita.
- Você tropeçou, - ambos os caras de uniformes dizem em uníssono.
- Haverá um objeto escondido em algum lugar que ele usou após a morte, - eu aviso. - Talvez um ornamento pesado ou o fundo de um troféu. O estrangulamento causou a morte dela. Eu vou pegar carona para casa.
* * *
Marcus sabia que eu ia ser dura com o suspeito, é por isso que ele queria que eu fosse. Ele sabe que eu odeio violência contra as mulheres mais do que qualquer outra coisa, mas eu não sou o seu entretenimento. Eu posso ter feito o trabalho por ele; eu não ia ficar para a limpeza.
Subindo na cama, eu afago meu namorado, Bo.
Bo Adams, o rapaz literalmente da casa ao lado. Quando eu fui resgatada e, finalmente, encontrei os meus pais, foi Bo que veio em meu auxílio emocional. Meus pais não sabiam nada sobre como lidar com a minha raiva. Fiquei furiosa que eu não conseguia encontrá-la. Furiosa comigo mesma. Furiosa com a polícia. Furiosa com os meus pais.
Foi Bo que me mostrou como canalizar essa agressividade.
Ele me levou para a minha primeira aula de autodefesa apenas três meses depois que eu voltei para casa. Minha cabeça ainda estava fodida e eu estava fraca, mas, eventualmente, eu me tornei obcecada. Não só eu aprendi a me defender, mas aprendi como me livrar de alguém que poderia me atacar e depois fiz outras aulas como kickboxing.
Ele me ensinou a atirar. Primeiro apenas em latas de refrigerante na parte de trás da casa, na mesa antiga de seu pai, mas, em seguida, ele me ensinou a caçar e a cada morte era Benny nos meus olhos. Cada aperto do gatilho, a resistência, e então a recompensa era gratificante. Cada vez eu fantasiava sobre isso penetrando na sua pele, sangue, ossos.
Bo me ajudou a canalizar essa agressividade, o ódio, e o que começou como uma amizade entre ele e eu, evoluiu para algo mais. Uma vez que me mudei para a cidade, Bo me seguiu, conseguindo uma vaga aqui na universidade local, e nós temos vivido juntos desde então. Ele odeia quando eu trabalho até tarde e nos fins de semana, porque este é o tempo que podemos ficar juntos e isso nem sequer é intencional para ele.
Eu sou uma namorada terrível, mas ele simplesmente não pode ver isso.
Rolando sobre minhas costas, eu olho para o teto e rezo para conseguir dormir, assim como todas as noites, para Benny fodido me deixar em paz.
Claro, minhas orações não são ouvidas.
Ele está comigo no momento que fecho meus olhos.
Rosas americanas
- Pessoa desaparecida. Mulher branca. Catorze anos de idade. Vista pela última vez em Woodland Hills Mall às três e meia, ontem à tarde. Phillips? Você está pronta para ir?
Mulher branca. Catorze anos de idade. Suas palavras ecoam na minha mente, fazendo com que os cabelos arrepiem no meu pescoço.
- Quantos anos você tem? Doze?
- Eu tenho catorze anos, e eu não sou uma criança!
- Sim, - eu respondo, apertando os olhos, - Se acalme, Scott. - a idade da vítima me faz estremecer. É um lembrete de como eu também fui levada nessa idade. Forçando a memória de volta para o fundo da minha mente, eu levanto uma sobrancelha e aceno com um dedo.
Ele resmunga enquanto sai. No momento em que o Chefe Stanton nos designou para trabalharmos juntos, Dillon ficou agitado. Temos sido parceiros por oito meses e ele ainda me trata como se eu fosse um espinho na sua pele. Pode ser por causa da minha idade, mas eu não tenho certeza. Eu sou jovem para ser detetive, mas eu não sou incapaz. Eu trabalhei pra caramba para chegar a uma posição onde eu poderia realmente fazer algo sobre os monstros do mundo.
Benny.
E talvez eu seja um espinho para Dillon, mas eu não serei tratada como se eu não importasse. Ele não tem autoridade sobre mim como ele acredita. Eu deixei isso claro; ele nem mesmo trabalha nos fins de semana.
Eu sou a detetive dos sonhos de Stanton quando se trata de resolver casos difíceis e encontrar os pequenos detalhes que possam incriminar a pessoa. Quando eu estou debruçada sobre os arquivos e provas, estou no meu universo. As pistas não me iludem. Eu faço sentido na loucura. Porque eu vivi dentro dela.
São as pessoas que têm problema.
Pessoas como Dillon Scott.
A fábrica de fofocas na estação é forte. Eu escuto os sussurros e vejo os olhares quando as pessoas passam por mim. Todas elas sabem. Todo mundo sabe que eu fui sequestrada com a minha irmã quando eu tinha catorze anos e que de alguma forma consegui escapar quando eu tinha dezoito, deixando minha irmã com então treze anos de idade para trás. Todo mundo sabe que eu quase morri no dia em que escapei quando fui atingida por uma caminhonete Ford. Inferno, está no sistema, eles só têm de procurar a informação em seu computador e está tudo lá para eles verem. Para fazer suposições sobre mim e falar em voz baixa sobre bebidas no bar... eles são tão sutis como quando seu namorado vai para cima de você usando uma máscara de gás.
Depois do acidente, eu passei três semanas em coma induzido devido à hemorragias internas e inchaço no meu cérebro, e quando eu acordei, eu não me lembrava de nada.
Me lembrava de Benny, ou Benjamin... ou quem diabos ele realmente é, e ele nos levando. Me lembrava da forma como a sua pele lisa era na minha enquanto ele pegava o que não lhe pertencia até tarde da noite. Me lembrava no início o jeito que ela chorava todas as noites até que adormecesse. A pior parte de recordar certos momentos é que ainda afeta a minha vida cotidiana. Eu posso atirar em um homem que puxa uma arma em mim, mas eu não posso ir ao banheiro no meio da noite sem que uma luz esteja acesa. As sombras me afrontam; elas veem me esconder dos monstros que podem estar à espreita. Me lembro do silêncio ensurdecedor do meu estado de sonho. Ele roubou tudo de mim até mesmo meus sonhos. Me lembro do seu cheiro, gosto, altura, quão pesado ele era quando ele me prendia à pequena cama.
Eu simplesmente não conseguia me lembrar de qualquer outra coisa.
As coisas importantes. De onde eu fugi. Quanto tempo eu estava correndo antes do caminhão bater em mim. Quanto tempo nós andamos a partir do mercado no dia que ele nos levou. A marca e o modelo de sua van. Reconhecer qualquer alimento que ele nos deu. Qualquer tipo de detalhe que pudesse ajudar. A polícia me fez estas perguntas, e são as mesmas perguntas que eu faço às outras vítimas.
E nunca leva à nada.
A polícia sondou a área do acidente. Nenhuma casa foi vista. Era como se eu estivesse fora do ar.
E eu estive procurando por ela desde então.
Até eu encontrá-la, eu faço o que posso para encontrar outras garotas desaparecidas. Eles me chamam de rastreadora, em tom de brincadeira.
Eu sou cruel e burlo as regras quando preciso, a fim de resolver casos de pessoas desaparecidas.
Chefe Stanton e tenente Wallis estão sempre na minha cola. Eu tenho feito isso mais vezes do que posso contar enquanto eu caço coelhos sem direito a uma cobertura na cova do leão. Até agora, eu tenho sorte, e eu vou levar toda a sorte eu posso. Eu preciso dela para encontrá-la. Eu nunca vou desistir dela.
Mas minha personalidade determinada é o que me faz passar por parceiros como a maioria das pessoas mudam suas roupas íntimas. Ninguém gosta de trabalhar comigo. Dillon durou mais tempo, eu vou dar isso a ele. Mas ele é um canalha e ninguém gosta de fazer parceria com ele também. Nós somos um par improvável.
Durante todo o percurso para o shopping, eu me pergunto se esta menina desaparecida pode ser a ligação para encontrar a minha irmã. É como eu trato cada caso de pessoa desaparecida. Com um pente fino, eu junto os detalhes até que eu encontre evidências e pistas. Nossa delegacia leva o status de casos resolvidos, e por isso somos muito elogiados. Isso mantém os meninos felizes.
Eu não me importo com isso, apesar de tudo. Ou com os prêmios.
Eu não me importo se eu for elogiada milhares de vezes.
Tudo o que importa é encontrá-las.
Encontrá-la.
Eu sempre quis ser da força policial, mas depois dele, depois de deixar ela, eu tinha que ser. Eu precisava da melhor posição e recursos à minha disposição para ajudar a caçá-lo.
- Este lugar realmente se tornou uma merda desde os anos noventa. Na minha época, este shopping era um lugar respeitável. Éramos bons filhos e não entrávamos em qualquer merda. Agora, ele está cheio de gangsters. Olha, - Dillon aponta quando ele circula um grupo de adolescentes em sua maioria de pele escura - entendi.
Eu rolo meus olhos quando ele para o carro. - Você é um caipira racista, Scott. Essas crianças se parecem com adolescentes normais para mim. Vá para dentro e faça perguntas às pessoas respeitáveis. Vou falar com os 'gangsters'. - eu sorrio para ele, e recebo um murmuro de volta: - Porra, eu não estava me referindo à cor da pele dele.
- Se eu for 'castrada' enquanto você estiver lá dentro, foi bom te conhecer, - acrescento, trazendo os dedos até os lábios para imitar ter medo. Ele resmunga, mas não me recompensa com uma resposta. Abordo a 'gangue' com um propósito.
Encontrar a menina.
- Detetive Phillips. Eu gostaria de fazer a vocês algumas perguntas, - eu digo, revelando meu distintivo no meu cinto.
Um par de rapazes adolescentes me olham nervosos e assobiam baixinho, mas eu não estou aqui para amedrontar ninguém ou seja lá com que eles estejam preocupados. Eu só me preocupo em encontrar a menina.
Puxando meu telefone do bolso do blazer, eu seguro um retrato da pessoa desaparecida. Alena Stevens. Seus olhos azuis brilhantes me assombram. Ela é doce e inocente. Como eu era.
- Vocês estavam aqui ontem meninos?
- Pfft... meninos. - um dos meninos cruza os braços e olha para mim. - Sim, e daí? Não é um crime.
- Viram esta menina? - pergunto, segurando a foto.
O grupo visivelmente relaxa e uma menina com cabelo preto puxado em um rabo de cavalo se aproxima. Ela mastiga o seu chiclete e estreita os olhos. - Sim, eu acho que a vi no Raze ontem. Ela estava tentando algumas bombas de glittery-ass que se meninas brancas fossem pegas vestindo, estariam mortas. - o grupo ri, todos, exceto uma menina de pequena de pele macia de mãos dadas com um rapaz, a garota não mantém os olhos para cima. Eu levanto uma sobrancelha para ela.
- Você tem uma irmã? - eu questiono, a minha voz suave.
Ela inclina a cabeça para a garota ao lado dela que se parece com ela. - Keisha, sim. Por quê?
- Alena é irmã de alguém. Alguém a tirou de sua família. O mundo está cheio de maldade. Cada segundo é precioso para encontrar esta menina. Se fosse Keisha, você iria querer ajudar também.
Seu olhar amacia e ela olha para Keisha. - Eu a vi conversando com um cara do lado de fora da loja.
Meu interesse e atenção mudam para ela e eu me viro, questionando. - Cara? Descreva o cara.
- Eu não sei. Bonitinho, eu acho, se você gosta de Orlando Bloom. - sua irmã ri e um frio passa na minha espinha.
- Por favor, seja mais descritiva. Qual o seu nome?
- Kiki.
- Como era o homem, Kiki? Ele era jovem? Velho? Ele tinha pelo no rosto? O que ele estava vestindo?
Ela brinca com o brinco de argola na orelha dela ao olhar sobre o meu rosto. - Talvez da sua idade. Você sabe, mais velho. Ele tinha cabelos castanhos encaracolados. Eu acho que ele era bonito. Uma menina branca acharia isso. O rosto dele era brilhante e a menina estava sorrindo tanto que eu pensei que ela estava planejando seu casamento em sua cabeça ou algo assim.
Um tremor ondula através de mim. Me lembro do jeito que ele fez Macy e eu sorrir. Como ele nos cortejou para sua van. É ele. Tem que ser ele. Um senso de urgência surge e, em seguida, sinto o sangue gelar que corre pelas minhas veias e se instala no meu coração. Um baque, um baque, um baque. E se for ele e ele estiver procurando uma nova boneca, e se ele tiver acabado com Macy?
- Pode me dizer mais alguma coisa? Você conseguia ouvir o que eles estavam conversando? Ele a forçou a ir com ele? - eu lato e meu olhar é raivoso sobre ela, fazendo-a perder o atrevimento que ela parecia ter momentos antes. Sua mão cai de seu quadril e a embala em torno de seu estômago.
Ela encolhe os ombros, mas sua voz prende um ligeiro tremor. - Ele não estava forçando-a a fazer nada. Ela apenas balançou a cabeça, concordando com as coisas que ele disse e o seguiu.
Com um suspiro, eu forço um sorriso apesar de querer vomitar. - Obrigada. Qualquer outra pessoa viu alguma coisa que possa nos ajudar em nossa investigação? - eu ainda não tenho nada que eu possa realmente trabalhar - nenhum rastro para seguir. Apenas uma descrição que pode ser ele, mas também milhares de outros homens.
Todos eles abanam a cabeça e eu tento não deixar que o esmagamento da derrota me engula.
Esta não é uma derrota; ainda pode ser uma vantagem. O criminoso soa estranhamente como ele, e o comportamento coincide com o modo que ele opera.
Eu vou encontrar esse imbecil, eventualmente.
* * *
- Não. - eu aponto para a imagem no monitor a partir das imagens de segurança do shopping. É Alena saindo da loja sozinha e um homem que corresponde à descrição de Kiki a seguindo a menos de um minuto mais tarde. A cabeça dele está para baixo e ele usa na cabeça um boné de beisebol para esconder o rosto. - Você pode alterar o ângulo? - exijo.
- Não, este é o único nessa parte do shopping, - o cara da tecnologia diz, brincando com botões e trazendo a iluminação mais clara na tela para iluminar melhor a imagem. Esta sala é pequena e abafada como o inferno. É claustrofóbico para um shopping grande e tem que haver uma centena de monitores aqui. A grande estrutura de Dillon e a minha própria nesse pequeno espaço me sufoca cada vez que eu inalo, é com se eu estivesse enchendo os pulmões de ar com o seu exalar. Ele já tem cheiro doce e está comendo algo doce. Meu estômago ronca e eu rolo os olhos para o próprio pensamento de doce e Dillon no mesmo espaço.
- E sobre as saídas? - Dillon pergunta, se inclinando sobre o ombro do rapaz e escovando meu braço. Um arrepio gelado me atravessa, apesar do calor da sala. Eu não fico bem em espaços apertados.
Ele mexe em seu computador e clica em um arquivo. - Quando vocês ligaram esta manhã, eu pesquisei aqui e encontrei a menina, - diz ele, apontando o dedo para a tela. - Aqui está ela saindo do shopping.
Ele nos mostra a menina em uma câmera diferente. Ela está saindo através do estacionamento ao sudoeste e rapidamente sai de vista. O cara da segurança levanta a mão para cortar as filmagens e eu agarro seu pulso, parando-o. - Espere. - momentos depois, o homem do boné sai.
Minha frequência cardíaca aumenta à medida que eu vejo o homem na tela. Ele não parece grande o suficiente para ser Benny, mas faz oito anos desde que eu o vi pela última vez. Ele pode ter perdido peso e massa.
É ele. Tem que ser ele.
- Ele vai numa direção diferente, - Dillon anuncia, deixando cair seu olhar para o meu peito e, em seguida, olhando para longe. É sutil, mas eu pego isso imediatamente. Me sinto inundada de calor, o que não ajuda a minha situação nesta sala apertada.
- Não significa que ele não tenha voltado. - eu argumento, me abanando, - ou a levou para uma direção diferente.
Sua cabeça gira de volta para mim, as sobrancelhas escuras se juntam enquanto ele me examina. - Ou ele é apenas um cara que saiu do shopping para ir para casa.
Aí está novamente. Seu olhar cai para meu peito e eu olho para o local enquanto ele continua de boca aberta. Minha abre e, em seguida, fecha, a minha pele queima com essa humilhação. Um botão está aberto e suor brilha no meu decote e tudo está lá fora para todo mundo ver. Pego meu casaco, e o fecho sobre minha camisa e queimo de vergonha.
Um sorriso aparece no canto de seus lábios e ele dá um ligeiro aceno de cabeça antes de falar sério novamente. - Ele não volta. Ele é apenas um cara, - Dillon conclui, trazendo os olhos para meu rosto.
Apenas um cara minha bunda. Benny não é apenas um cara, ele é um monstro.
Eu bufo, derrotada. Dillon está certo. Vamos precisar de mais do que a evidência sobre a filmagem. Batendo no ombro do cara que está em frente ao computador, eu aponto um dedo para a tela, e digo a ele, - Envie isso para a delegacia. É evidência.
Deixo Dillon e o homem sozinhos, escapando ansiosamente da sala sufocante que me faz lembrar muito a prisão que eu vivia.
Eu vou pegar você, Benny.
* * *
- Como foi seu dia, babe?
Eu largo minha arma e distintivo na mesa ao lado da minha bolsa e sigo o aroma na cozinha, onde Bo está em pé na frente do fogão.
- Bem, - eu digo com um suspiro, passando a mão em suas costas enquanto eu espio a frigideira. - Bife de hambúrguer, hmmm. - se ele não cozinhasse para mim, eu teria morrido de fome há muito tempo.
Ele ri e beija o topo da minha cabeça. - Você se parece com o inferno hoje. Que bom que voltou para casa. Tem certeza que está tudo bem? - suas sobrancelhas levantam em questão.
- Só o que quero é ouvir as novidades do homem que afirma me amar, - eu brinco, roubando um pedaço de aipo da tigela de salada que ele está preparando.
- Eu não apenas afirmo, babe. Eu vou te mostrar isso também, mais tarde. - ele pisca e eu suspiro internamente. Ele realmente é um bom homem.
Meus olhos se arrastam sobre o seu rosto bonito, olhando suas feições doces. Ele não tem muito pelo no rosto, mas o que ele tem combina com o cabelo loiro escuro, naturalmente desgrenhado, que ele agora mantém curto por minha causa. A primeira noite que dormimos juntos, quando ele se aninhou em mim no quarto escuro e seus fios fizeram cócegas sobre a minha pele, me virei refém de um terror noturno com ele – só que eu não estava dormindo. Eu lutei contra ele, joguei Bo no chão, deixando uma cicatriz acima do seu olho direito quando dei um soco com o anel que ele havia me presenteado mais cedo naquele dia. Eu era uma bagunça naquela época, ainda sou agora, mas ele me adora. Eu sinto em seu toque, quando ele olha para mim com aqueles olhos azuis cristalinos e a forma como o seu sorriso ilumina cada quarto que eu escureço. Nós realmente fazemos essa brincadeira.
O universo fez com que as coisas se equilibrassem.
- Na verdade, - eu digo a ele, bufando, enquanto pego os pratos - Foi terrível. Pessoa desaparecida. Alena Stevens. Catorze anos.
Sequestrada do shopping por ele.
Ele desliga o fogão, mas não diz nada, e eu sinto a mudança no seu humor. Bo odeia a minha obsessão de encontrar Macy. Ele sabe que eu trato cada caso como uma pista para encontrá-la, e este não é diferente. Dizer alguma coisa sobre o caso é inviável, mas se eu não puder desabafar agora, eu silenciosamente vou enlouquecer.
- Tente não ser sugada para dentro, babe. Você tende a perder muito peso e não dormir o suficiente. Eu gosto da minha menina cheia de curvas, - diz ele com um sorriso forçado. Ele sempre tenta trazer a luz à minha obsessão.
- Bem, eu estou morrendo de fome, então a sua menina curvilínea não vai emagrecer tão cedo.
Desta vez, eu ganho um sorriso genuíno do homem que me ama.
- Ótimo. Eu gosto de você do jeito que você é.
E ele gosta. Eu sou bastante atraente, suponho. O espelho me mostra que eu floresci em uma mulher atraente durante esses anos que fiquei trancada sendo usada e abusada por Benny. Meus cabelos escuros contrastavam com minha pele pálida e os olhos cor de avelã que espelhavam Macy são vibrantes, mas cansados. Só agora comecei a ter curvas que mostram que eu sou uma mulher. Demorou anos para Bo colocar carne em meus ossos frágeis e eu gosto dos quadris maiores. Me sentia lisonjeada pelo meu corpo e minha bunda arredondada.
Eu acho que há uma razão para Bo estar apaixonado por mim, e não pode ser minha deliciosa personalidade.
Mas você não o ama.
* * *
Eu acordo com os lábios chupando meu mamilo e meu coração dispara no meu peito. Por uma fração de segundo, eu estou de volta em minha cela. Tenho dezessete anos e ele está me levando pela primeira vez. Não é até que eu passe meus dedos em seu cabelo, percebendo que estou agarrando um cabelo curto, liso, não encaracolado e espesso.
Meu corpo tenso aperta por um motivo diferente quando eu abraço o sentimento de sua língua quente me chupando.
- Sou eu, babe, - ele sussurra. - Sou só eu.
Bo.
O sexo não é algo que eu pensei que eu quisesse depois de Benny. Eu não gosto da maneira como meu corpo me traiu com ele, mas Bo levou as coisas lentas e me ensinou a estar no controle do que faço e com quem eu compartilho minha intimidade. O sexo é bom com Bo. Ele é um amante gentil, mas há esse demônio à espreita dentro de mim, manchado pela tortura de Benny, que quer mais, precisa de mais.
- Eu te amo. Sou só eu, - ele murmura contra a minha carne enquanto trilha beijos do meu peito ao meu abdômen. - Nunca se esqueça disso, babe.
Eu não vou. Eu não posso. Existem muitas razões pelas quais eu me odeio e ele me amar é uma delas.
Eu não o mereço.
Deixo escapar um gemido quando sua língua mergulha no meu umbigo. Ele continua a sua degustação até que eu sinto sua respiração quente contra os lábios sensíveis da minha buceta. Um suspiro sufocado me escapa no momento que sua língua desliza ao longo da minha entrada.
- Eu te amo, - ele respira contra mim, as três palavras quentes com a respiração que queima sobre a minha carne já febril. Sua boca me dá o prazer que eu preciso, mas as palavras escurecem a faísca que deveria ser disparada agora, fazendo com que o meu sangue flua.
Ele também me amava...
Quando cheguei até Bo, eu não estava procurando amor. Eu estava procurando por um amigo. A ideia de estar sozinha me assustava. Além disso, Bo era por quem eu deveria estar interessada anos atrás. Ele estava indo para a faculdade. Em vez disso, eu permiti que meus hormônios estúpidos me conduzissem para uma van que me levou direto para o inferno.
Nunca mais eu vou deixar meu corpo tomar decisões por mim.
De agora em diante, minha mente manda em mim. E o amor é algo trancado em uma cela com minha irmã. Eu a amava mais do que tudo, e eu falhei com ela. O amor não tem lugar na minha vida agora.
- Eu amo você, Jade. Sou eu, Bo, - ele murmura novamente enquanto ele me adora entre as minhas pernas. Ele me lembra cada vez que ele está dentro de mim que é ele. Eu o adoro por querer me fazer sentir segura em nossos momentos de paixão, mas ele não percebe que Benny também sussurrava essas mesmas três palavras.
Falar sacanagem para mim seria melhor.
- Eu te amo. - suas palavras estão em repetição.
Cale a boca... cale a boca... cale a boca...
Às vezes eu quero desistir, dizer a ele que eu o amo também, então ele vai parar de dizer as palavras, é o presente que ele merece, mas eu não posso. Eu não sou mentirosa quando se trata de coisas importantes. O amor é uma mentira.
- Você é meu doce e adorado Bo, - eu sussurro. É o que eu sempre digo a ele, essas são minhas palavras equivalentes às suas.
E ele sabe disso.
Satisfeito com a minha resposta, ele se torna voraz, mas sei que ele ainda está se segurando, e eu odeio isso.
Ele me chupa e me lambe como ele se ele tivesse feito um curso pra isso. E sendo um professor de anatomia na faculdade local, quem sabe? Talvez ele ensine no maldito curso. Mas, às vezes, eu gostaria que ele me mordesse. Me machucasse apenas uma vez.
- Sim, - eu gemo enquanto ele desliza um dedo no meu centro molhado. - Mais...
Ele habilmente encontra o ponto doce dentro e em seguida, estou tremendo de êxtase. Bo sabe como me dar orgasmos.
Assim como Benny.
Meu corpo é uma puta para o prazer, e estar com Bo, é o castigo para mim, tanto quanto é gratificante. Suas palavras me levam de volta para lá, mas seu cheiro e toque me mantém aqui. Eu estou no limbo.
E eu mereço estar por não amá-lo de volta. Como eu poderia amálo quando eu não posso nem estar com a minha mente focada nele durante o sexo?
Pequena bonequinha suja.
Minhas coxas se contraem até que elas enfraquecem e caem para os lados.
- Jade... - sua voz treme com emoção enquanto ele sobe em cima de mim, espalhando as minhas pernas para que ele possa se posicionar entre elas, a ponta de seu pau endurecido provocando minha buceta molhada latejante.
- Mmm?
Lentamente, quase torturante, ele invade o meu corpo necessitado e eu grito quando ele empurra tudo pra dentro.
- Baby...
- Mmm?
Ele empurra mais e, em seguida, chupa meu lábio inferior. - Case-se comigo.
Uma ducha de realidade apaga as chamas quentes do meu desejo. Seus lábios encontram o meu pescoço e ele chupa como se eu fosse a coisa mais preciosa que ele já encontrou. Eu não posso me casar com ele. Eu nem mesmo o amo. Não é culpa dele. Bo é o parceiro que os manuais indicam. Um grande amante. Compreensivo e piedoso.
Em um mundo perfeito, eu poderia amá-lo, eu deveria amar Bo. Meus pais amam Bo, todos amam Bo... menos eu.
Talvez se Benny nunca tivesse roubado sua bonita bonequinha, eu teria me apaixonado por Bo.
Mas este não é um mundo perfeito.
Ele nos roubou.
O mundo é mau e detestável. Eu nunca vou parar de procurar por minha irmã. Eu nunca vou perder o desejo de encontrar todas as meninas desaparecidas neste mundo. Eu nunca vou perder o ódio inflamado por Benny e o desejo de levá-lo à justiça.
Mas não há espaço suficiente dentro do meu coração partido para Bo. Bo é uma boa alma, e meu trabalho, o meu desejo de vingança, é o que estraga tudo.
Os dedos de Bo no meu clitóris entre nós me tiram dos meus pensamentos. Ele traz outro delicioso orgasmo dentro de minutos. Quando meu corpo contrai em torno de seu pau, ele se joga no seu próprio clímax. No momento em que nossos corpos param e nossa respiração se estabiliza, rompe o silêncio do quarto, ele se levanta para olhar para mim.
Luar brilha em suas belas feições, mas eu não vejo o homem brilhante e feliz que eu conheço. Tudo o que eu vejo é tristeza. Ele quer mais do que eu posso dar.
- Isso é um não? - seu pomo de Adão sobressai em sua garganta. Eu odeio ser tão tóxica para ele.
- Bo... - lágrimas brotam em meus olhos, mas nunca caem. Não mais. Depois do que eu passei, nada me faz chorar. Nem mesmo um homem triste, quebrado, cujo único desejo neste mundo é que eu o ame. - Eu seria uma esposa terrível.
- Não para mim, - garante ele, seus lábios encontrando os meus. - Para mim, você é perfeita.
Bonequinha linda.
Ele me beija tão docemente, que eu acho que meu coração sombrio pode palpitar um pouco com a vida. Ele expõe minhas entranhas.
- Ok, - murmuro com um suspiro, sabendo que mais tarde vou me arrepender.
Pequena bonequinha suja.
- Mas eu quero um longo noivado. Talvez um ou dois anos. - mulher egoísta e cruel. Eu me odeio.
Seus olhos azuis brilham ao luar e ele sorri. Ele realmente é uma bela alma. - Eu vou te dar todo o tempo que precisar, babe. Não temos nada, além de tempo.
Eu devolvo o sorriso, mas não alcança os olhos.
Eu e ele podemos ter muito tempo para nós.
Mas temo que Macy não tenha muito tempo.
Se o homem do shopping for Benny, significa que ele está caçando novamente. Se ele está caçando, então ele está ficando entediado com sua pequena boneca.
Ou pior, talvez ele esteja substituindo uma boneca que está muito quebrada para reparar.
Eu tenho que encontrá-la.
Logo.