Eu me perco na sensação da sua boca se movendo duramente sobre a minha, já tive alguns Beijos antes, mas nada me preparou para essa dura realidade, ninguém no mundo parecia beijar tão bem assim, cai em si quando esse pensamento me vem a mente, eu não posso deixar que esse grandão desconhecido me estrague para todos os outros.
Eu o empurro e por reflexo acerto uma joelhada no meio das suas pernas, ele grunhi de dor e põe as mãos lá, acho que eu o acertei em cheio, me afasto rapidamente vendo seus olhos queimar de puro ódio em direção a mim.
-Sua cadela! Volte aqui..._ ele diz com raiva.
-Isso é para aprender a não sair por aí beijando mulheres a força! _ rebato.
-Corre mulher! Fuja para as montanhas, porque quando eu te pegar, e eu vou, pode apostar nisso, você vai me pagar caro por isso!
Sinto um arrepio na espinha ao ouvi-lo.
Solto uma risada nervosa e falo a primeira merda que me vem a mente de tão desconcertada que fiquei.
-Ha, ha, Sonha boneca!
Ao me ouvir dizer isso, se possível sua raiva aumenta mais ainda.
-Eu ainda vou te mostrar o que a boneca aqui faz mulher!
Saio rapidamente dali antes que fale mais alguma besteira da qual possa me arrepender depois, antes de entrar no bar novamente, ouço suas últimas palavras ao longe.
-Pode se esconder como um maldito rato, mas eu vou te achar!
Caramba! Eu estou ferrada dessa vez, esse homem é louco, preciso pedir o Bob para ir embora hoje mais cedo, ele vai entender, além do mais, não é como se eu precisasse do trabalho, dinheiro é o que não me falta, trabalho apenas para não levantar suspeitas e também para me distrair.
Tenho uma boa grana guardada em cédulas em casa no cofre, meus avós me deram essa quantia de presente no meu décimo quinto aniversário, foi nosso segredo, nem meus pais souberam dessa pequena fortuna que ganhei deles, era para eu usar para pagar a minha faculdade, mas depois de um ano meus avós se foram em um acidente feio de carro. Eu era filha única dos meus pais, assim que fiz 18 anos aconteceu uma falha nos motores do avião que eles estavam a bordo para chegarem mais cedo e comemorar meu aniversário comigo.
Aquele dia foi a minha morte, eu os perdi para sempre, o avião explodiu em pleno ar, tirando as pessoas que eu mais amava no mundo, eu perdi tudo, não tinha mais ninguém por mim, só restava o meu tio, que tinha sido adotado pelos meus avós quando era pequeno e foi flagrado tentando roubar comida para sobreviver, meus avós com o coração bom que tinha o adotaram, eles só não sabiam que ele iria crescer e se tornar ambicioso, capaz de tudo para conseguir o que queria, e quando eu soube do que ele era capaz reuni meus poucos pertences mais pessoais, em uma noite fria de inverno, fui ao cofre no fundo falso do meu closet, digitei minha senha, retirei todo o dinheiro que tinha lá dentro pondo em duas malas de mão, eu não podia abrir uma conta para colocar todo aquele dinheiro, eu seria descoberta se o fizesse.
Teria que ser esperta, e o mais discreta possível se quisesse sobreviver, então peguei minha mochila e as malas e sumi na noite.
De lá para cá, minha vida se tornou um verdadeiro inferno, todo lugar que eu chegava não podia ficar muito tempo que logo era descoberta e tinha que fugir as pressas, sofri alguns atentados mais nunca com êxito!
Aprendi a não usar nada que contenha tecnologia, como computador, celular, cartão de crédito, para não ser rastreada, localizada e assim venho me camuflando para sobreviver, mas até quando? Eu estou cansada de fugir, de me esconder, isso não é vida, eu o odeio com todas as minhas forças.
Hoje estou com 23 anos, exatos cinco malditos anos fugindo como um rato, eu sei que foi ele que matou todos aqueles que eu amava por ambição, eu o ouvi atrás da porta do escritório do meu pai ao falar por celular com alguém, que mandou matá-los, na noite em que fugi.
Primeiro meus avós que o acolheram com muito amor e carinho, eles eram muito ricos e após suas mortes 70% da herança ficou para meu pai, o filho legítimo e 30% para meu tio Walter, aquilo trouxe sua ira e ele queria mais, ele queria tudo e estava disposto a matar quem fosse para conseguir.
Bob entendeu meus motivos e me dispensou prontamente com medo de mais bagunça como aquela acontecer hoje, estou dirigindo meu Jeep para casa com esses pensamentos nublando minha mente, o mais incrível é que não há um dia se quer da minha vida em que eu não pense nisso tudo, mas naquele momento em que estava nos braços do grandão eu não pensei em nada, nem por um minuto se quer, esqueci o mundo a minha volta, foi uma sensação estranhamente boa, de paz como se ali eu estivesse a salva, mas convenhamos que eu estou ciente de que me meti em uma encrenca com o grande motoqueiro malvado e sexy... Oh, sim! Ele era quente, muito quente!
Chego em casa vou direto pro chuveiro tomar um banho gelado para tirar a tensão que se tornou essa noite. Eu moro um pouco afastada da pequena cidade em que me instalei, não gosto muito de me enturmar, quanto mais eu for despercebida pelos outros melhor pra mim e para todos ao meu redor.
Não deixo de pensar que o tal clube de motoqueiros também fica afastado da cidade, provavelmente não muito longe da minha casa, um arrepio percorre meu corpo ao constatar isso, eu feri o ego daquele motoqueiro, ele não vai deixar isso passar impunemente.
Saio do banho mais relaxada, enrolada na toalha, escolho uma roupa confortável, um short de algodão curto, e um top, vou para a cozinha preparar algo para comer, já é tarde e ainda não comi nada.
Preparo rapidamente uma macarronada, como ali mesmo na bancada, após terminar limpo e lavo tudo ali.
Vou até a sala sentando no sofá, pego o controle remoto e ligo a televisão, que está passando um filme de terror. Tento me concentrar no filme, o que me parecem ser alguns minutos mas, meus olhos começam a pesar, desligo tudo e apago as luzes, indo diretamente para o quarto, para minha cama quente e macia.
Logo adormeço profundamente.
Acordo na manhã seguinte cheia de energia, e também receosa de ir para o trabalho, tenho que ir para a oficina que trabalho durante o dia, medo de trombar com aquele motoqueiro depois de ontem.
Mas, não vou pensar nisso agora, me arrumo rapidamente, faço meu café da manhã e saio logo após comer, pegando as chaves do meu Jeep e fechando a casa.
Dirijo para a oficina, chegando lá em poucos minutos já que a cidade é pequena e não demorava muito se locomover de um canto para outro.
Estaciono meu carro, e entro na oficina, encontrando Mike logo na entrada, ele é o dono daqui.
-Bom dia Chefe!_ digo.
-Bom dia menina!_ ele sempre me chama assim.
-Como estamos hoje?
-Lotados de motos para consertar, e sinto dizer, mas precisa dá uma conferida no estoque hoje, para fazer nota do que está faltando e fazer novos pedidos!
-Já vi que hoje vamos ter um dia cheio! _ digo divertida.
-Põe cheio nisso! Como foi ontem no bar? Cansativo?
-Digamos que foi agitado, teve uma briga daquelas. _ Digo fazendo uma careta ao lembrar do ocorrido.
-Briga? De quem? Não acredito que perdi essa diversão. _ Mike diz se lamentando, mas posso ver divertimento nos seus olhos.
-Você não perdeu grandes coisas chefe, eu fiz uma tolice acredita? Me meti no meio para separá-los, não sei o que estava pensando, agi por impulso!
-Você fez isso? Tá ficando louca menina! Podiam ter a machucado, sabe disso._ me repreende, se tem alguém que converso livremente sobre algumas coisas é Mike, ele não me faz perguntas indiscretas, mas me deixa muito a vontade, eu o adoro e sinto que é recíproco. Ele deve estar na casa dos 40 anos de idade, um homem maduro, de barba grisalha, parece uma montanha, é careca e tatuado. Tem uma cara de mal, mas é uma pessoa maravilhosa e muito divertido.
-Foi o que me disseram Mike, eu só quis ajudar, e o cara quase me engole jogando isso na minha cara!
-E você não gostou suponho eu, pela sua cara..._ Diz me olhando atentamente enquanto limpa as mãos no seu macacão.
-Não, ele foi rude comigo! Jamais alguém o fez!
-Ele quem? _perguntou com curiosidade.
-Um motoqueiro grandalhão, que havia arremessado o outro sob uma das mesas do bar.
-Espera aí! Eram motoqueiros que estavam a brigar? _perguntou alarmado agora.
-Sim, grandes motoqueiros com colete escrito "Black Angel's". _ Digo fazendo aspas com os dedos e revirando os olhos.
- Diabos! Perdi uma briga boa então, porque eles geralmente comandam a cidade, ninguém aqui seria louco o bastante para mexer com eles, nem a polícia que está na folha de pagamento deles.
- Acho que os outros eram rivais Mike, eles usavam um colete de couro igual, diferenciado apenas pelo emblema, que estava escrito "Monsters". _digo detalhadamente.
-Menina! Eles são rivais, não acredito que se pôs no meio disso! _ falou agora bravo passando as mãos pela cabeça sem cabelos.
- Eu fiz por impulso, já disse...O pior é que o grande motoqueiro do Black Angel's, não foi com a minha cara, prometeu que irei pagar caro! _ digo indignada.
- Isso só piora, como era ele?
- Grandalhão, cabelos escuros nos ombros, olhos claros, cara de malvado, tatuado... Já disse que ele é grande? _pergunto enfatizando o quão intimidade ele é.
- Você está encrencada menina!
-Ah, agora me diga uma novidade Mike! Quem é ele?
- Jason! Vice presidente do MC daqui, ele não faz promessas em vão, é osso duro de roer. _ me arrepio ao ouvir isso, estou ferrada de verdade.
- Até o nome tem que ser intimidante? _ bufo ao dizer isso e vou ao trabalho para esquecer essa merda que me meti.
-Não sei porque você trabalha lá, pago você muito bem aqui, saia de lá menina! _ Mike adverti.
- Eu não irei me acovardar, não tenho medo dele, o que irá fazer afinal? Me bater? Ele não bateria em uma mulher não é? _ pergunto desconfiada, porque já ouvi falar que Mc's não são bons garotos, mexem com várias coisas ilegais, porque bater em mulheres seriam errado? Perante tudo que eles fazem e não estão nem aí pra nada.
- Isso não posso responder por todos, mas é uma regra do clube, não bater em mulheres, apesar da fama de maus, eles não são tão ruins assim, cuidam da nossa cidade desde que vieram residir aqui, não permite forasteiros aqui fazendo arruaça, as drogas também não entram aqui, eles não toleram membros que usam qualquer tipo de drogas. _ Ele me explica, e nisso passo o dia inteiro pensando nesse clube, que realmente prova ser até bom em alguns ângulos, coisa que não quer dizer que cada um seja um amor de pessoa, na verdade duvido que algum deles seja.
O dia passa voando, em meio a tanto trabalho, e enquanto trabalhava Mike não parava de falar sobre o clube, me deixando cada vez mais receosa, e com pensamentos nada agradáveis.
Se aquele grandalhão ousar me fazer algo eu o chutarei tão forte nas bolas dessa vez que duvido que ele irá ter filhos num futuro distante.
Já é noite, estaciono o Jeep em frente ao bar, desço do mesmo ligando o alarme, parando para olhar por todo o lugar a minha volta, uma sensação estranha de estar sendo observada, mas não vejo nada suspeito, deve ser paranóia da minha cabeça.
Entro no bar e assim início meu trabalho.
Trabalhamos até tarde, e toda vez que ouvia o sino da porta de entrada do bar tocar, eu ficava nervosa achando que seria ele, ou algum deles do clube, mas incrivelmente nenhum deles frequentou o bar hoje.
Encerrei meu expediente, me despedi de Bob e sai porta a fora indo em direção ao estacionamento onde deixei meu Jeep, quando me aproximo do meu carro pegando as chaves no bolso de trás da minha calça jeans para destravar as portas ouço uma voz atrás de mim dizer.
- Olha se não é a vadiazinha que Jason arrastou pra fora ontem após a briga!
Me viro lentamente para ver de onde vem a voz, me deparando com os gêmeos da noite anterior, um deles com um corte na sobrancelha devido a briga, um gelo percorre minha espinha, o medo me bate na hora, não consigo imaginar o que eles querem comigo.
- O que querem? Não os conheço, então me deixem em paz! _ falo com a voz trêmula.
- Vocês estão ouvindo irmãos? A gatinha pediu para a deixarmos em paz. _ O que estava na frente falou sarcasticamente.
- Pena que não costumamos dar ouvidos a vadias que se derretem por um fodido Black Angel's! _ o que estava machucado disse com rispidez.
- Eu não me derreto por ninguém! _ digo trincando os dentes.
- Não minta cadela! Nós vimos o quanto você gostou de ser tocada por um deles.
- Bill, segure ela! _ o da frente mandou, e logo o gêmeo que estava sem machucados o obedeceu vindo em minha direção, segurando nos meus pulsos fortemente ao ponto de causar dor. Tentei me soltar de suas mãos e de nada estava adiantando, ele só aumentava o seu aperto ainda mais.
Já estava ficando apavorada quando ouvir outra voz, dessa vez autoritária.
- Solte ela agora, seus malditos bastardos! _ quando olho na direção de onde a voz veio, reconheço o loiro que estava na mesa do grandão ontem, eu ouvi chamá-lo de Tyler. Senti um pequeno alívio ao constatar que ele estava com mais três rapazes ao seu lado, todos trajando calças jeans e seus coletes de couro, a visão era intimidadora, no entanto não vi Jason no meio deles.
- Ora, estávamos apenas nos apresentando para a moça, Ty! _ diz o gêmeo que pelo visto dava as ordens ali.
- Pois largue ela imediatamente, ou as coisas vão engrossar por aqui. _ Tyler diz colocando a mão no cós da calça pronto para puxar sua arma.
O bastardo sorri levando as mãos para cima, um sorriso que não chega aos olhos já que ele está transbordando raiva pelo olhar.
- Solte ela Bill, teremos muitas outras oportunidades para nos conhecer!
- Não se depender de nós, não o queremos ver perto dela novamente e nem de ninguém daqui, espero estar sendo bem claro Jake.
- Oh, claro! Vamos rapazes. _ O que se chama Jake, sai andando seguido por seus irmãos, mas não antes de me passar um olhar de canto amedrontador, que gelou todos os meus ossos.
- Você está bem boneca? Eles te machucaram? _ Tyler pergunta se aproximando de mim.
- Estou bem, não me machucaram graças a vocês, obrigada! _ eu o agradeço com alívio na voz.
- Eu sou Tyler, nos vimos ontem aqui no bar.
- Sim, eu me lembro. Sou Kate a propósito! _ estendo minha mão para ele que a aperta firme e logo a solta. Ele se vira para os três rapazes ali presente e os apresenta como Ky, Brad e Natan. Eu aceno levemente com a cabeça para eles que fazem o mesmo.
- Bem, obrigada mais uma vez rapazes, acho melhor eu ir agora!
- O prazer foi todo nosso boneca!_ Tyler diz piscando um olho para mim.
Me viro para finalmente entrar no meu carro quando escuto aquela foz grave e rouca falar, fazendo todos os pêlos da minha nuca se arrepiarem.
- Errado! O prazer ainda vai ser meu Ty.
Me viro novamente e o olho, lá está ele, grande como eu me lembrava talvez até maior, me olhando com aqueles olhos dominantes. Passo a língua nos lábios para molhá-los de tão secos que se tornou, não perdendo o exato momento que ele acompanha o meu gesto com o olhar. Não o espero dizer mais nada, entro no carro correndo fecho a porta e dou partida, saindo dali praticamente cantando pneus, sem nem mesmo me dar o trabalho de olhar para trás.