Capítulo 2

Odeio ficar confuso, mas dessa vez eu nem tenho culpa.

Depois do meu anômalo aniversário, e depois claro, do meu primeiro beijo em UM HOMEM, minha cabeça não está nada normal.

Fiquei por horas durante a noite pensando em como eu tive coragem de beijar um homem na frente de todos, e o pior, de como eu gostei de tudo aquilo.

Fico pensando se de fato eu sou gay.

Ou sei lá o que denomina melhor minha sexualidade, porque acho que ainda sinto sim, atração por mulheres, mas não consigo esquecer o loiro sequer por um segundo.

Depois que Park me beijou e me puxou daquele jeito bem no meio de uma boate, eu não consegui sequer esquecê-lo pelas horas seguintes.

Guardei seu cartão na última gaveta do meu guarda-roupa junto com meu trambolho rosa, certo de que nunca mais o pegaria de volta, mas mesmo hoje, um dia após meu primeiro beijo ㅡ mais precisamente apenas algumas horas após ㅡ, eu abro a gaveta e encaro-os juntinhos lá.

Mas é frustrante porque eu realmente não sei o que fazer.

Eu acho que não quero ligar para o número que tem naquele cartão, mas estou curioso para saber o que ele pode me ensinar. Digo, o que cacete pode ser?

Talvez seja uma merda, porque eu estou doido para ligar para ele e só não quero admitir.

Gostei pra caralho do loiro e admito que queria ter beijado-o mais também, mas como eu falo isso em voz alta se eu estou nessa confusão?

E com essa confusão, cá estou, sentado na beirada da minha cama encarando o pau rosa e olhando o cartão com o nome e número do loiro brilhando ao lado.

Eu devo ligar?

Mas o que pensarão de mim se for atrás de um homem que claramente quer fazer coisas comigo?

Eu nem deveria me preocupar com isso, é o que meus amigos sempre dizem e até fazem, mas comigo é complicado por eu simplesmente não saber o que fazer.

Então, totalmente embolado com os pensamentos, eu visto meu terrível e quente uniforme de trabalho e desço os poucos degraus que ficam do meu quarto até a sala.

Minha casa ainda está cheia de bêbados por todos os lados, mas ao menos Minah acordou antes de todos e está agora fazendo café enquanto Yejun está cochilando sentado à mesa.

ㅡ Bom dia. ㅡ digo buscando minha xícara e pondo ao lado de uma que minha amiga já estava enchendo de café para si.

ㅡ Bom dia. Já vai trabalhar?

ㅡ E eu tenho escolhas? ㅡ bocejo ainda com sono, e pego a xícara agora cheia. ㅡ Minha jornada como escravo me espera.

Ela ri, mas eu realmente sou quase um escravo, quando tenho que trabalhar por um salário que sequer cobre meus boletos mensais.

Quando tento passar por duas criaturas que ainda dormem no meio da minha sala, tropeço em um, e tenho que fazer malabarismo para não derrubar meu café.

ㅡ Oh caralho, tá com o olho onde? ㅡ é Taeshin quem diz, levantando totalmente puto. ㅡ Vai pisar a mãe, seu corno!

ㅡ Pela santa purpurina, calem a boca. ㅡ Jackson grita e abraça Rini que está ao seu lado. ㅡ seus cornos!

ㅡ Por gentileza, eu gostaria muito que todos vocês fossem tomar no cu, pode ser? ㅡ peço calmamente, sentando em meu sofá.

ㅡ E assim começa o dia... ㅡ Yejun resmunga com a voz pesada de sono.

ㅡ E porque você não vai? ㅡ Taeshin retorna para a sala, após usar o único banheiro da casa, que fica no meu quarto. Ele me olha com o rosto ainda inchado, mas eu apenas sorrio, bebericando mais do meu café. ㅡ o que é isso? ㅡ aponta para minha xícara.

ㅡ Café.

ㅡ Me dá um pouquinho? ㅡ ele estica a mão. ㅡ tô com dor de cabeça, cafeína me ajuda.

ㅡ Vai buscar pra você, a Minah fez. ㅡ eu digo e o vejo ir até à cozinha.

Jackson bufa, por não ter seu silêncio, e se ergue, jogando Rini para o lado, que apenas rola e continua deitada com os olhos fechados.

Eu tomo todo meu café, e olho o relógio que está no meu pulso. É quase dez da manhã, o horário em que preciso estar no trabalho, mas não tenho muita pressa, a conveniência que trabalho fica na esquina da rua onde moro.

Deixando todos aqueles invasores abrigados em minha pequena casa, saio ajeitando meu crachá sobre o colete que visto, e rodo as chaves que há entre meus dedos.

O caminho é curto, mas ainda dou bom dia animado para minha vizinha idosa, senhora Lee, que acorda primeiro que toda coreia, apenas para futricar sobre as vidas alheias.

Poucos minutos se passam, talvez nem chegue a dois, e cá estou eu, agachado, abrindo o cadeado da porta de rolo que dá a segurança do local.

Abro a porta, entro, e vou logo em direção ao interruptor de energia para ligar tudo e depois buscar a vassoura e enfim dar um jeito nesse lugar que mais parece uma caverna.

Eu ainda sinto minha cabeça doer e isso com certeza é resultado de todas as cervejinhas gostosas que tomei ontem, mas nada que um analgésico não resolva.

Após deixar tudo em ordem ㅡ ou tentar ㅡ eu vou para detrás do balcão onde passarei minhas próximas incessantes dez horas do dia. É sempre assim, digo até que já me acostumei, pois, trabalho no mesmo local há cerca dez meses, o que ocorreu logo após eu ter terminado o ensino médio.

A princípio eu pensei que vindo assim que terminasse o colégio em Busan para Seul, eu acharia algo para fazer e ter um futuro, mas acho que isso também é algo que se confunde muito em minha mente ainda porque até agora nada ficou claro o suficiente no que eu devo fazer para ter realmente um futuro.

Então ainda aguardo minha mente um dia brilhar ㅡ se é que ela vai brilhar ㅡ e quem sabe me fazer tomar um rumo.

Mas enquanto isso apenas sigo o que Taeshin me instruiu a fazer.

Respirar e não pirar.

Ouço o sino na porta de entrada soar e desvio a atenção do meu celular para quem quer que tenha entrado.

É um grupo de adolescentes e como sempre eles vão correndo para a parte onde estão os salgadinhos de chips. Eu guardo o celular no bolso e me ponho de pé.

ㅡ Bom dia. ㅡ digo assim que param em frente ao caixa.

ㅡ Bom dia. ㅡ um deles fala, deixando os salgadinhos ali. Eu começo a fazer meu trabalho, registrando cada um deles.

ㅡ Deu sete mil wons. ㅡ falo.

ㅡ Certo, mas, hm... Você vende cigarros?

Eu apenas o olhei por alguns breves segundos e apontei com o queixo para a parte de trás de mim.

ㅡ Você poderia me vender uma caixa?

Eu encaro os olhos do guri. Tenho certeza que se ele pudesse implorar com as mãos unidas, faria isso sem sequer pensar. Mas é óbvio que está tímido.

ㅡ Posso ver sua identidade? ㅡ pergunto o que é de praxe. Ele deve ter quatorze, talvez quinze, mas ainda assim, preciso perguntar, quando a minha maior vontade é de chutá-los todos juntos, mandando-os de volta para a escola que, com certeza, estão matando aula no momento.

ㅡ Éer... Eu não trouxe. ㅡ ele diz com um sorriso torto, como se eu fosse algum idiota.

ㅡ Infelizmente só posso vender com identidade. ㅡ falo, suspirando. ㅡ mas os salgados deram sete mil wons.

Vejo-o assentir e cabisbaixo, pagar pelos salgadinhos. Ele segue para fora e todos os outros resmungam, como se quisessem mesmo era me xingar.

Eu sei bem que o que queriam era apenas os cigarros, os salgadinhos eram apenas disfarces. Eu também já fiz isso.

Quer dizer, não fumar, mas tentar comprar cigarros para meus colegas de classe na época do colégio. Nunca deu certo ㅡ ainda bem ㅡ e eu sempre era xingado por eles quando levava um não na cara.

Ainda vejo o grupo pelo vidro transparente e até rio um pouco do modo em como eles parecem tristes, é engraçado. Mas em seguida vejo um carro preto parar em frente ao estabelecimento e meu riso morre na hora.

Tento disfarçar quando olho, mas tenho a certeza que estou igualzinho a senhora Lee agora. É um carro de luxo, com certeza é alguém rico ou importante que está dentro.

Entretanto, me surpreendo quando vejo o vidro do carro abaixar, e a cara de pau de Kim Taeshin aparecer com um sorriso de orelha a orelha.

ㅡ Jae! ㅡ e o infeliz grita.

Franzo o cenho, totalmente sem entender porque caralhos Taeshin está dentro daquele carro, mas vou até ele, o encarando.

ㅡ Sua chave. ㅡ ele diz, erguendo-a pela janela. ㅡ Minah e Rini já foram, e Jackson mandou avisar que pegou seu conjunto de moletom favorito porque era o único que não tinha um buraco.

ㅡ ELE O QUÊ? ㅡ eu grito totalmente enraivado. ㅡ Aquele filho de uma vaca!

Taeshin rir alto, mas outra vez balança as chaves.

ㅡ Anda, pega isso logo, tenho que ir.

Aproximo-me para pegar, mas novamente tento disfarçar quando olho para dentro do carro escuro e tento ver quem o dirige.

Sou surpreendido quando vejo o mesmo homem da noite anterior ali, e ele ainda me lança um sorriso quando acena.

ㅡ Você foi quem beijou Hyun-Suk ontem, certo? ㅡ ele pergunta, super tranquilo. ㅡ A flor do Park... ㅡ e ele rir, enquanto eu ainda mantenho-me quieto de vergonha.

FLOR? Que caralhos de flor ele está falando?

ㅡ Eu e Hanguk ouvimos ele falar muito bem de você quando retornamos para a casa se quer saber.

Eu procuro um buraco para me enfiar e não acho.

ㅡ Não sei do que você está falando. ㅡ falo e pego as chaves com Taeshin, me virando rápido. ㅡ tchau Tae.

Entro em disparada na conveniência e ainda ouço a risada perversa de Taeshin ecoar.

Se minha mente já estava completamente confusa e embaralhada, imagine agora. Não sabia sequer o que pensar a respeito do que aquele homem havia acabado de falar, mas apenas uma coisa me veio à mente, então busquei meu celular ainda tonto por tudo e liguei para a primeira pessoa que apareceu na lista dos favoritos.

Foram apenas alguns segundos para eu ser atendido. Ouvi a risada escandalosa de Jackson antes mesmo de eu dizer algo, mas ele já sabia para quê eu estava obviamente ligando.

ㅡ EU VOU TE COMER NO SOCO! ㅡ grito, lembrando que ele está com meu conjunto de moletom favorito.

ㅡ Minha santa purpurina, porque está gritando?

ㅡ porque, Jackson? Quer mesmo saber?

ㅡ Se eu não quisesse, não teria perguntado.

ㅡ O meu conjunto novo de moletom, seu filhote de cruz-credo!

ㅡ Você deveria me respeitar, eu sou a soberana, você, o súdito.

ㅡ É sério, Jackson, pelo amor de Deus! É o meu moletom favorito!

ㅡ Tudo isso por causa desse conjuntinho mequetrefe de promoção? ㅡ ele rir.

ㅡ Promoção é o seu cu, ele é de marca!

ㅡ Você quer um novo? Te compro até dois se quiser.

ㅡ Eu quero, mas quero que me devolva esse. Também quero que me ajude com algo...

Meu tom obviamente muda, porque eu obviamente lembro do Park. Suspiro.

ㅡ Pode? ㅡ deixo um sorriso torto no ar, mesmo que só tenha eu na loja.

ㅡ É sobre o quê? Se for sobre homens, moda ou dinheiro, pode ser. Outras coisas, I'm sorry, estou ocupado.

ㅡ Então... Lembra do cara que o Taeshin ficou ontem na boate?

ㅡ Menino, nem te conto! ㅡ Ouço ele falar, e somente pelo tom de fofoca, corro para detrás do balcão, voltando a sentar. ㅡ Não é que aquele gay chinfrim saiu com o Jung?

ㅡ Eu vi os dois juntos, e adivinha?

ㅡ Eles te convidaram para um threesome? ㅡ Reviro os olhos, mas a pergunta tem um tom sério. É o Jackson, né...

ㅡ Não, Jack, pelo amor de Deus!

ㅡ Ainda bem, eles não seriam nem loucos de convidarem você e eu não!

ㅡ Jackson?!

ㅡ O quê?

ㅡ Foca na fofoca!

ㅡ Ok, ok! Continua.

ㅡ Então, quando eu fui buscar as chaves com Taeshin, o Tal Jung me viu e falou comigo.

ㅡ Falou o quê?

ㅡ Primeiro ele perguntou se havia sido eu, o mesmo que tinha beijado o Park ontem, mas ele já deveria saber, porque sem que eu respondesse, ele me chamou de flor do Park logo em seguida... Flor do Park! Acredita nisso?

ㅡ Que luxo!

ㅡ Luxo o quê, doido, se liga! Eu sou flor de ninguém não...

ㅡ Eu que não sou, infelizmente.

ㅡ Ele disse que o Park falou muito bem de mim ontem... Mas a gente só se beijou uma vez, o que tanto ele falaria de mim?

ㅡ Você ainda pergunta? Você faltou erguer as perninhas para se encaixar melhor nele!

ㅡ Eu?

ㅡ Não, o Yejun. ㅡ Tenho certeza que Jackson revirou os olhos. ㅡ Quer dizer, deixa meu "Yejunie" fora disso.

ㅡ Hm... ㅡ eu rio, e tenho outra vez a certeza que ele revirou os olhos mais uma vez.

ㅡ Mas voltando, o Park estava com a mão na sua bunda, mais um pouquinho e teria te fodido bem ali mesmo.

ㅡ Na minha bunda?

ㅡ Uhum, e teria sido lindo se vocês tivessem tirado as roupas e dado um show, porque foi só o que faltou.

ㅡ Você tá loucão, isso sim. Eu não senti ele pegando na minha bunda assim.

ㅡ Claro que não sentiu, estava mais ocupado se tremendo todo com o aperto do loiro.

Ouço uma risada escandalosa do outro lado da linha. Espero Jackson terminar seu show, e continuo.

ㅡ Você acha que devo ligar para ele?

ㅡ Você já deveria ter ligado.

ㅡ E se eu parecer desesperado? Ou pior, e se ele achar mesmo que sou gay, e que quero, sabe... Fazer coisas com ele?

ㅡ Amigo... você quer fazer coisas com ele, só não admitiu para você mesmo ainda.

ㅡ Claro que não...

ㅡ Uhum, mas oh, vê se não pilha com isso. Não se rotule como gay, ou nada disso. Não precisa se não quiser. Se quiser ligar para Park Hyun-Suk, ligue. Se quiser fazer coisas com ele, faça. Só você é dono da sua vida, e só você comanda suas decisões.

Ouvir aquilo me trouxe alívio.

Jackson sempre foi o mais sem "papas na língua", ou o que age sem pensar, mas sempre teve as melhores palavras nos nossos momentos de desespero.

ㅡ Está certo... ㅡ eu respondo. ㅡ eu vou pensar se ligo ou não...

ㅡ Ok, me diga o que decidir.

ㅡ Tudo bem, obrigado por me ouvir.

ㅡ É por isso que sou sua rainha, meu caro súdito, amo ajudar aos pobres.

ㅡ Você deveria ir mesmo se foder. ㅡ falo rindo, suspirando quando olho para a rua tão quieta. ㅡ e devolva meu moletom, por favor.

ㅡ Você realmente ainda quer ele?

ㅡ Ou você me devolve, ou eu raspo sua sobrancelha.

ㅡ Eu te processo.

ㅡ Eu raspo a outra!

Jackson rir, o que me diverte ainda mais.

ㅡ Mas agora posso voltar ao que eu estava fazendo?

ㅡ O que você estava fazendo?

ㅡ Nada, e gostaria muito de voltar a fazer isso.

Eu sorrio, mas assinto e me despeço. Depois, apenas deito a cabeça no balcão e fico com meus pensamentos por horas, já que não há muitos clientes pela manhã ou começo da tarde.

No fim do dia quando observo o relógio no canto da parede e o vejo marcar quase oito da noite, me prontifico a contar e organizar todas as notas do caixa, e apenas espero meu substituto de turno, que a propósito é o filho do dono do local.

Assim que ele chega, entrego o caixa e me despeço. De volta para casa, em apenas alguns minutos já estou sobre minha cama e sem roupa alguma, sentindo-me cansado do dia e pensando se devo me erguer para tomar banho ou fingir que já tomei.

No fim, eu decido tomar banho. E quando estou secando meus cabelos recém lavados, vejo meu celular vibrar com algumas notificações.

Deixo-o vibrar e me jogo outra vez na cama, fitando o teto manchado, e pensando em como meus dezenove anos haviam chegado de uma maneira totalmente contrária da que eu mesmo havia imaginado quando tinha acabado de fazer dezoito.

Não que eu imaginei muita coisa. Eu nunca fui de pensar no futuro por mais que uma universidade, mas eu realmente pensei que quando meus dezenove chegasse, eu já estaria em uma universidade cursando o bacharelado de história que sempre foi meu sonho.

Mas se eu parar para pensar agora em como imagino que será daqui a dez anos, eu com certeza não terei uma boa visão sobre minha própria vida. Talvez eu ainda esteja trabalhando num balcão de conveniência e já tenha aceitado que aquilo é tudo o que posso ter.

Mas enfim, após ficar fazendo um monte de nada e divagar sobre minha existência frívola, eu decido me erguer e me vestir com um de meus moletons que tem sim, muitos furos e que são confortáveis para dormir.

Busco o celular e desço os poucos degraus até a sala, me jogando no chão da sala em seguida. Ligo a TV, mas sequer o dorama que passa ali me interessa.

Meu celular novamente vibra com notificações. Eu bufo, pegando-o enfim para olhar o que caralhos tanto me mandam.

|Grupo: Fuzuê, farofa e cachaça|

Tae:

|Onde vocês estão?

Rini:

|Eu tô em casa.

Minah:

|E eu tô com ela.

Tae:

|Vamos sair!

Jack:

|Não!

Minah:

|Para onde?

Tae:

|O Jung tem uma cobertura no centro. Ele disse que poderia chamar os amigos dele se eu quisesse chamar os meus para uma festinha privada.

Jack:

|Hm... gostei.

Minah:

|Onde no centro?

Tae:

|No mesmo bairro que sua casa.

Jack:

|Casa não né, mansão!

Minah:

|Quanto exagero.

Rini:

|Por mim tudo bem. Eu só vou precisar de um tempinho para me arrumar.

Minah:

|Pois é, estamos peladas e suadas.

Tae:

|Vocês são duas safadas!

Jack:

|E se os amigos dele forem assassinos? Ou pior, e se eles quiserem nos vender para o tráfico humano?

Tae:

|Hajun é uma pessoa conhecida, sua bicha de araque. E um dos amigos dele é Kim Hanguk.

Yejun:

|Ah pronto...

Jack:

|Me convenceu, vou me arrumar.

Minah:

|Também vamos.

Tae:

|Ótimo. Yejun? Jaejun?

Yejun:

|Ta... Eu vou.

Jack:

|Falta só o gay não gay responder.

Tae:

|Jaejun?

Jack:

|E tem outro?

Minah:

|Eu acho que ele ainda está trabalhando.

Tae:

|São oito e meia, ele trabalha até às oito apenas.

Jack:

|Jaejun?

Yejun:

|Jaejun?!

Rini:

|Jaejun!!!

Jack:

|Jaejun, caralho, aparece logo!

Jae:

|Minha nossa, quanto barulho.

Jack:

|GRAÇAS A DEUSA!

Jae:

|Eu não vou para festa nenhuma não.

Tae:

|E porque não? Você já largou, não foi?

Jae:

|Já, mas eu tenho três motivos bons demais para não ir.

Jack:

|E quais são?

Jae:

|Hoje é segunda, não tenho roupa e quando você diz amigos do Hajun, isso inclui o Park, então não, obrigado.

Jack:

|Deixa de ser emocionado, seu salsichão descabelado. Quer roupa? Eu te empresto.

Jae:

|Suas roupas são cheias de paetês.

Jack:

|E qual seu preconceito? Tenho uma jaqueta linda que comprei com o cartão do papi e ainda nem estreei.

Rini:

|E o que você não compra com o cartão do papi?

Jack:

|Dignidade. Fui comprar para você, mas não aceitaram o black card.

Rini:

|Vai se foder!

Jack:

|Voltando, a jaqueta fica boa com uma calça preta, e você tem uma, não tem?

Tae:

Literalmente "UMA" ha ha ha ha

Jae:

|Vai se foder, Taeshin.

Tae:

|Aquela calça é uma grande guerreira, Jae.

Jack:

|Realmente, acho que te vejo usando ela há uns três anos, mas pelo menos ela te deixa com uma bundinha redondinha.

Jae:

|Pelo menos, né

Jack:

|Vai querer?

Jae:

|Não precisa, acho que tenho algo bom aqui.

Jack:

|Nada de moletom, pela santa!

Jae:

|Vocês são muito chatos.

Jack:

|E você agride a moda.

Revirei meus olhos, acostumando-me com a ideia de sair de casa em plena segunda-feira e logo após um dia de trabalho, mas para piorar, minha cabeça apenas fazia letras imaginarias brilhar bem a minha frente com o dito "O PARK ESTÁ LÁ, PORRA!"

Eu não deveria ir.

Jae:

|Acho que não deveria ir...

Jack:

|Você já confirmou, então não vai furar.

Jae:

|Quando que eu confirmei?

Jack:

|Quando disse "acho que tenho algo bom aqui". É isso, você vai.

Jae:

Aff!!!

Yejun:

|Vou precisar de carona.

Jack:

|Eu te busco, docinho., não se preocupe.

Tae:

|Beleza, então vou marcar com Hajun para às onze e passo na casa do Jae para emprestar uma roupa decente a ele.

Jae:

|Mas eu disse que tinha algo bom aqui.

Tae:

|Sei. Você só tem moletom.

Jae:

|E a calça preta ha ha ha

Tae:

|Você mesmo ri da sua situação.

Jae:

|Vou chorar? Pelado eu não tô.

Tae:

|Vocês podem me encontrar na residência desse indivíduo?

Jack:

|Podemos

Rini:

|Nos vemos lá, bicha desregulada.

Tae:

|Desregulado é o seu cu!

Isso é o meu grupo de amigos...

Eu bufo jogando o celular no sofá, cruzando os braços, totalmente chateado. Uma ova que eu vou pro mesmo lugar que Park Hyun-Suk...

Ele vai querer me beijar e eu nem vou conseguir dizer não porque vou querer beijar ele também.

E outra, e se ele me perguntar por que não liguei para ele? Tudo bem que somente um dia se passou, mas e se ele pensou o mesmo tanto de vezes em mim, que eu pensei nele?

Não que eu tivesse culpa de ter pensado tanto, mas não consegui controlar.

Eu apenas penso no que ele disse e logo depois me vem à mente o jeito que ele chegou até mim, à voz, o toque, o beijo... Tudo do jeito mais calmo que pudesse existir, mas com uma maneira completamente enlouquecedora.

Eu não quis fugir dele e é isso que me assusta.

E se eu não quiser fugir outra vez? Pensando bem, acho que eu realmente nem quero.

Mas me assusta porque passei toda a minha vida fugindo, cheio de incertezas, e a primeira vez que não senti medo, eu fui beijado por um homem da maneira mais serena e boa possível.

Eu não fugi de Park porque o toque foi firme o suficiente para que, ali, eu me sentisse eu por breves segundos.

É louco, eu sei. Nem eu sei o que pensar a respeito da minha própria vida e vivência, quem dirá outra pessoa.

Mas é sentado no chão, pensando em qual desculpa boa o suficiente vou inventar para Taeshin e todos os outros quando chegarem aqui, que o tempo passa.

É quase dez da noite quando decido enfim erguer meu corpo do chão para desligar a TV e caminhar de volta ao meu quarto.

Eu penso em deitar e fingir que dormi, mas é o som alto de batidas em minha porta que me fazem bufar mais uma vez aquela noite quando eu sequer consegui realmente chegar até a cama. Giro sobre meus calcanhares, rumando de volta para a sala, indo até a porta para abri-la e dar de cara com Kim Taeshin.

ㅡ Eu te odeio... ㅡ falo quando abro e o vejo sorrir.

ㅡ Odeia nada. ㅡ ele estala a língua entra.

Eu o observo caminhar até meu sofá, e lá, abrir a bolsa que trouxe consigo.

ㅡ Aqui, veste. ㅡ e ergue as roupas para mim.

Busco sem dizer nada e observo as peças.

É uma camisa social branca transparente.

TRANSPARENTE!

ㅡ Nem fodendo. ㅡ digo, negando.

ㅡ Usa isso aqui também. ㅡ tira um cinto preto, totalmente exagerado, e uma pequena gargantilha.

Nego, olhando tudo, mas busco a calça também.

ㅡ Não vai caber em mim. ㅡ falo olhando-a. ㅡ vai ficar folgada, sua bunda é maior que a minha.

Taeshin analisa, mordendo o lábio inferior.

ㅡ Então usa a guerreira, sua bundinha vai ficar empinada.

ㅡ Taeshin ... ㅡ eu choramingo. ㅡ O Park vai mesmo estar lá?

ㅡ Jaejun, que coisa. Ele não vai te pegar a força ou algo assim. É uma social.

ㅡ Eu sei que ele não vai, se ele tentar algo assim, eu chuto as bolas dele. Mas é que eu não quero ir...

ㅡ Não quer mesmo? ㅡ ele me olha. ㅡ Ok, não vá.

Quando vejo Taeshin ficar de pé, buscar o celular, e começar a caminhar em direção a porta, eu sinto um desespero tão grande, que apenas me pôr à frente dele e o segurar pelos ombros foi o que pensei.

ㅡ Tá bom, eu vou...

ㅡ Vai porque quer? Porque se não quiser ir, pode ficar em casa mesmo. A gente só quer mesmo se divertir.

ㅡ Eu vou... ㅡ falo, suspirando. ㅡ Eu só... estou com medo ainda...

Vejo Taeshin desmanchar a marra e amolecer, tocando em meu pulso com delicadeza.

ㅡ Medo do quê? ㅡ ele pergunta e caminha de volta ao sofá comigo. Sento ao seu lado, encolhendo meus ombros.

ㅡ Eu não sei, mas estou confuso...

ㅡ Por causa do beijo?

ㅡ Mais ou menos...

ㅡ Desabafa comigo. ㅡ ele pede e me puxa para que eu deite minha cabeça em seu colo. Eu rio, mas deito sem cogitar.

ㅡ Eu passei o dia pensando nele. ㅡ falo, encarando o teto.

ㅡ No Park? ㅡ assinto e até encolho um pouco as pernas. Taeshin é um bom amigo, dos que gosta de ouvir. ㅡ e você acha que isso é ruim?

ㅡ Eu não sei, e é por isso que tenho medo... Eu não sei se sou gay, mas Jack disse que não devo me rotular e tudo bem... mas eu gostei tanto de beijar ele... Gostei ainda mais do toque forte...

Taeshin assente, pensativo.

ㅡ Está tudo bem, Jae. Você gostou de como ele te tratou. Isso é bom, de certo modo, é quem você realmente é, está se descobrindo.

ㅡ Eu pensei nele o dia todo e nem o conheço. Estou com medo de ir nessa social e vê-lo novamente. Não sei como reagir a isso.

ㅡ Você não quer beijá-lo mais? Porque se não quiser, é só dizer isso a ele, ele vai entender. Estaremos todos lá, ele não vai te forçar a nada. Prometo que te protejo. ㅡ ele pisca.

Eu nego novamente e até sorrio.

ㅡ Não é isso, o meu medo é justamente o contrário disso. Eu acho que eu... quero beijá-lo mais.

Ouvi o riso soprado de Taeshin.

ㅡ Você realmente está se descobrindo, Jae.

ㅡ Você acha?

ㅡ Claro que está e não se prive. O autoconhecimento é algo muito bom, assim você poderá respeitar seus limites e extrapolar quando se sentir à vontade para tal coisa.

Me sentei e o encarei.

ㅡ Tudo bem. ㅡ dei-lhe um sorriso, me sentindo um pouco mais tranquilo.

Talvez eu realmente devesse tentar me conhecer mais.

Após alguns minutos, Taeshin me expulsou do meu próprio sofá, para que eu fosse tomar outro banho, mesmo eu resmungando que ainda estava limpinho e cheiroso.

Vesti as roupas que ele havia sugerido, e no fim até gostei. A calça que ele disse para vestir ㅡ e que realmente era a única que eu tinha ㅡ realmente caiu bem no corpo e com a camisa transparente que ele fez questão de me instruir a deixar dois botões abertos para não ficar muito careta.

O cinto não foi opcional, eu fui obrigado a vesti-lo, mas a gargantilha foi a que mais gostei de usar no fim.

Era a minha primeira vez usando algo como aquilo. Sempre vi a peça como algo apenas para garotas, mas o Jack sempre usava e eu achava muito bonita.

E seguindo o conselho de Taeshin eu resolvi me conhecer, e talvez eu também gostasse de usar aquilo, pois eu realmente me senti mais bonito e até atraente quando a coloquei em meu pescoço.

Enquanto penteava meus cabelos, ouvi batidas à minha porta e como se fosse uma grande onda no mar, o barulho de todos os meus amigos chegando de uma só vez adentrou meu quarto.

Ouvi Jackson perguntar onde eu estava e não demorou para que ele subisse as escadas e já estivesse no meio do meu quarto sem nem pedir licença.

ㅡ trouxe para você. ㅡ ele diz.

Olho para ele através do espelho e vejo que está erguendo uma pequena caixinha. Quando me viro, vejo ser de um perfume importado.

ㅡ Para mim? ㅡ arregalo os olhos, me aproximando.

ㅡ É. ㅡ e ele responde simples, sorrindo em expectativa.

Busco o frasco vendo que é o mesmo perfume que ele e Minah usam.

ㅡ Comprei para te dar ontem, mas esqueci.

ㅡ Tudo bem. ㅡ falo olhando-o, ainda sorrindo. ㅡ muito obrigado.

ㅡ Iti, eu vou me derreter todo assim.

Eu sorrio para ele, e coloco um pouco do perfume. Jackson me observa, e apenas com um erguer de mão, me pede para se afastar e analisar minha roupa.

ㅡ Você está uma delícia. ㅡ é o que ele diz. ㅡ Park que me perdoe, mas que florzinha gostosa.

ㅡ Ah, vai se lascar vai. ㅡ sorrio, deixando o perfume junto aos meus poucos produtos. ㅡ Já estão todos prontos?

Ele assente, caminhando comigo até minha pequena sala já lotada.

Taeshin e ele é quem chama os carros que irão nos levar até onde é a tal cobertura do Jung. No carro, eu sinto minhas mãos suarem, e nem consigo esconder que estou ficando mais nervoso a cada segundo que passa.

Não demora para estarmos todos na entrada de um grande prédio, e para que Taeshin sorria para o porteiro dali, assim que nossa entrada é liberada.

Esse é aquele momento em que eu apenas fico quieto.

Vejo meus amigos todos bem vestidos e animados, sorrindo e observando o lugar completamente luxuoso, e tudo o que consigo fazer é ficar quieto.

Não sou de me sentir à vontade em ambientes novos e é sentindo uma enorme estranheza que caminho até o elevador que nos leva até o último andar e já nos deixa dentro do enorme apartamento do Jung.

ㅡ Minha nossa. ㅡ sussurro, totalmente chocado com tudo no lugar.

ㅡ Faz a fina. ㅡ Jackson sussurra de volta para mim.

Assinto, vendo meus amigos sendo recebidos pelo anfitrião.

Taeshin e Hajun se cumprimentam com um selar, mas logo o mais velho vem falar conosco, e é sorrindo grande que ele me cumprimenta.

Ele nos pede para ficarmos à vontade, mas eu não conseguiria sequer se quisesse.

Há muitas bebidas num canto, também há petiscos estranhos e música, que toca num tom tão brando que até relaxa um pouco.

Vejo a porta que, provavelmente, dá para a área externa ser aberta, e é nesse momento que o meu coração dá uma pausa tão grande que até me assusto com a possibilidade de morrer no meio da sala de Jung Hajun.

Eu vejo Kim Hanguk e Park Hyun-Suk adentrarem.

Percebo Jackson se conter ao ver o crush bem ali, a sua frente, mais bem vestido que qualquer um daqui.

Porém, nem demora essa minha percepção, pois meus olhos só conseguem focar nele e em como ele está ainda mais bonito que na noite anterior.

Ambos nos cumprimentam também, e sentam no sofá enorme que há na sala.

Eu apenas engulo em seco, e pisco nervoso. É claro que meu coração está tão acelerado que tenho medo que consigam ouvir as batidas que mais parecem cavalos trotando.

Park me olhou por breves minutos e desviou.

Ele não sorriu ou se aproximou de mim para dar um beijinho como foi com Hajun e Taeshin.

Ok, isso não é um problema.

Na verdade, eu acho que nem ligo, porque assim fica mais fácil, né?

A quem estou tentando enganar? Céus...

Com o decorrer das horas, a noite até segue animada entre meus amigos e todos os outros ali. Eu permaneço no sofá, quieto, mas especificamente no canto esquerdo, e Park está sentado na outra ponta.

Ele até sorri e conversa com todos os outros, e num momento em que se ergueu para buscar bebida, eu até mesmo o vi dançar um pouquinho, animando-se com seus amigos.

Mas outra vez ele sentou e agora está com uma perna jogada sobre a outra, enquanto as apoia no móvel de centro cumprido que há em frente ao estofado.

E você deve estar se perguntando: você vai ficar aí só o observando ou vai falar com ele?

Então, eu vou ficar só observando mesmo.

Ele sequer me olhou mais, talvez ele também não queira falar comigo.

Mas me chateia um pouco, porque talvez ㅡ TALVEZ, OK? ㅡ se ele me olhasse e até me desse um sorriso, eu pudesse enfrentar minha timidez e lhe dar algo mais do que um simples "oi".

Ele me beija, me dá um cartão insinuando que tem coisas a me ensinar, e agora não me dá sequer uma outra olhadinha enquanto eu o observo em todos os seus momentos? Mais que merda.

Eu bufo baixinho e trago a atenção de Yejun para mim. Ele está sentado ao meu lado também, e infelizmente observa Jackson conversar com Hanguk no outro lado da sala.

ㅡ O que foi? ㅡ pergunta.

ㅡ Nada... ㅡ lhe respondo baixo.

ㅡ É o loiro, não é?

ㅡ Não... Foi só que lembrei que amanhã trabalho.

ㅡ Sei. ㅡ ele ri, mas volta a olhar para Jackson.

ㅡ Para de olhar para ele. ㅡ peço baixo.

ㅡ Não dá. ㅡ e agora é ele quem bufa. ㅡ esse tal Kim é um conquistador... Olha só como ele está olhando para o Jack... Um ridículo.

Eu rio e nego.

ㅡ Não é do tal Kim que ele gosta, eu já te disse.

Yejun me olha e revira os olhos.

Ainda sorrindo, levo minha visão para o Park que agora está de pé perto da porta que dá para a área externa.

Ele se vira e somente ali é que ele me olha.

Filho da mãe...

Eu desvio o olhar mais rápido que o próprio flash, mas não consigo permanecer por muito tempo, e torno a olhá-lo de soslaio.

Vejo Park sorrir e piscar, inclinando a cabeça para a esquerda. Franzo o cenho, não entendendo, mas ele apenas sai, fechando a porta em seguida.

Será que ele quer que eu vá até lá?

Mas se é isso, porque esse corno simplesmente não falou?

Idiota...

Mas mesmo assim, sinto um negocinho se acender dentro de mim, e talvez seja um pouquinho de vontade de ir até lá e descobrir o que ele realmente quer, junto a ansiedade que também me vem.

Respiro fundo.

Passam-se alguns minutos e a música até está um pouco mais alta, junto aos risos intercalados de quase todos. E o Park continua lá fora...

Eu hein.

Franzo o cenho, sem entender o que porra ele realmente faz lá e sinto até mesmo curiosidade de descobrir.

Já é madrugada, e está fazendo frio. Ele quer ficar doente?

Eu me ponho de pé e sem que me percebam, vou até onde estão as bebidas.

Ainda tentando disfarçar, eu me esguio para tentar enxergar o que tem do lado de fora, mas apenas vejo uma área grande e completamente aberta, com piscina e uma vasta visão do céu estrelado e da cidade, mas não vejo Park em lugar nenhum.

Bufo, meu campo de visão é limitado.

Eu pego uma bebida qualquer e devagar e sem demonstrar minha curiosidade, eu caminho para o lado de fora também.

O lugar é realmente enorme. Não deveria me causar espanto, comparado ao lado de dentro, mas é inevitável não me surpreender.

Caminho ainda devagar e paro no guarda corpo de vidro transparente que proporciona a visão ainda mais vasta de toda a área abaixo, e a cidade adiante.

A noite está muito bonita e a cidade parece calma, mesmo que Seul praticamente não durma.

O vento frio bate contra meu corpo e até bagunça meus fios, mas antes mesmo que eu possa organizá-los, sinto a mão delicada tocar em meu pulso e subir vagarosamente por meu braço.

Respiro fundo, engolindo em seco quando a voz que pouco foi ouvida por mim, mas que, sem comandos, arrepia todo meu corpo, ecoa no meu pé de ouvido junto ao ar quente da respiração dele.

ㅡ Você demorou.

Suspiro.

Ainda sinto a mão dele me tocar e assim subir, tocando meus fios alaranjados, e, devagar, escorregar até minha bochecha, acariciando-me.

ㅡ porque não me ligou?

Admito que estou a pouco de começar a tremer. Olho-o ainda de soslaio e engulo em seco outra vez.

ㅡ Não te despertei interesse? ㅡ Park acaricia outra vez minha pele, me arrepiando somente com aquilo. ㅡ Não gostou do beijo que te dei?

ㅡ Eu... não disse que... ㅡ suspiro quando ele para ao lado, me encarando de pertinho enquanto sorri com seus olhos pequenos ainda mais apertados. ㅡ que ligaria... ㅡ respondo, fraco.

Park segura meu queixo dessa vez, e diferente do modo em como ele apertou minha cintura quando nos beijamos, seu toque agora é leve.

Ele me faz lhe encarar, suspirando outra vez com o toque que me parece tão bom.

ㅡ Amarílis... ㅡ ele se aproxima aos poucos centímetros que faltam e arrasta o nariz do meu ombro até meu pescoço, subindo até minha orelha. ㅡ você tem um cheiro tão bom. ㅡ ele sussurra, descendo o nariz até minha nuca, roçando e inalando ainda mais do meu cheiro.

ㅡ Porque me chama por uma flor? ㅡ fecho os olhos ao senti-lo ainda com o nariz em minha nuca, mas guiando seu corpo cada vez mais para trás de mim. ㅡ Eu sou um homem...

ㅡ Que bom que é. ㅡ ele comenta, rindo baixinho e deixando um beijinho estalado na minha pele. Encolho-me quando sinto outra vez meu corpo arrepiar por ele. ㅡ Mas ainda é delicado como uma flor. E é belo como tal. Seus cabelos... ㅡ sua palma vai para meus fios, infiltrando-se devagar ali. Seguro-me para não gemer quando ele desliza os dedos, tocando com as pontas, outra vez minha nuca, pois a sensação é boa. ㅡ me lembram o vibrante mais intenso de uma amarílis na primavera. E ela é minha flor favorita.

Ainda sentindo os pequenos beijos que ele deixa em minha nuca, eu nego com fraqueza.

ㅡ Eu não sou delicado, Park. ㅡ digo em um fio de voz, me sentindo totalmente embevecido nas sensações. ㅡ não sou...

ㅡ Ah, você é, Jaejun.

ㅡ Você lembrou meu nome? ㅡ sorrio e sinto o corpo dele se posicionar atrás do meu com mais pressão, encurralando-me ao vidro.

ㅡ Não havia como esquecer... Pensei muito em você, fiquei à espera da sua ligação.

Suspirei ao sentir as mãos pequenas irem para minha cintura, segurando firmemente como ele me segurou na noite anterior.

Eu gosto disso. Gosto do jeito em como ele me deixa.

ㅡ Também pensei em você. ㅡ sussurro, sentindo mais beijos. ㅡ o que quer me ensinar?

Ouço sua risada baixa outra vez, mas espero sua resposta, pois, realmente, quero saber qual é.

ㅡ Eu quero te ensinar a ser meu.

Suspiro mais uma vez ao senti-lo intensificar o aperto, e apenas prendo meu ar quando tenho meu corpo virado sem avisos, parando de frente com os olhos dele. Fito-o em sua particularidade e engulo em seco, fixando meus olhos em sua boca.

Ele se aproxima.

Sinto minhas mãos formigarem por ainda não ter tocado-o, e incerto, as ergo, parando sobre seu peito.

ㅡ Você vai me beijar agora? ㅡ pergunto, incapaz de negar que quero muito isso.

Sinto o peito dele subir e descer com a respiração leve, e até isso tem um charme sem igual.

ㅡ Apenas se você quiser. ㅡ ele diz, aproximando-se mais. ㅡ Você quer que eu te beije, Jaejun?

Novamente engulo em seco, e por breves segundos fico em silêncio. Meu coração está mais acelerado do que nunca esteve na vida, e respirar nunca foi tão difícil como agora.

Mergulho meus olhos outra vez no dele e assinto.

Park sorrir, o que me deixa confuso, mas ainda perto demais, ouço-o dizer:

ㅡ Eu preciso ouvir a sua resposta. Você quer que eu te beije?

Tentando não parecer incerto, eu umedeço meus próprios lábios, respirando fundo.

ㅡ Por favor, Park, me beije...

Capítulo 3

Eu beijei o Park!

E pior, eu implorei por isso!

Ok, para de pirar, Jeon Jaejun, não foi ruim, não é?

Pois é, não foi nem um pouco, e sequer foi um beijinho que só aconteceu apenas uma vez e fim.

NÃO, NÃO!

Eu o deixei me beijar várias e várias vezes e em cada uma, eu me senti mais próximo do céu, sentindo meu interior tremer, me causando uma sensação de medo e prazer em conjunto.

E ele sempre me deixava com vontade de mais um beijo logo após finalizava outro.

Park Hyun-Suk tem mãos pequenas, o que vai completamente ao contrário do que todo o seu corpo diz. Ele tem um jeito que possivelmente dá medo, suas encaradas são sempre sérias demais, sua marra então... é o típico cara que diz muito com apenas um olhar, um jeitinho de pôr medo e você sai correndo.

Entretanto, cacete, sua pele parece delicada...

Mas isso não muda que seu toque é forte e intenso, e todas as vezes que ele passeava com as mãos da base de minha coluna até minha nuca, eu só conseguia pensar em como queria mais, mais e mais dele.

Não sei o que de fato ele tem, ou o que fez comigo, mas quando nos separamos ㅡ após passarmos muitos minutos grudados naquela sacada ㅡ, eu me senti tão embriagado com seu gosto, que temia pedi-lo por ainda mais um pouco de seus beijos já quando não podíamos mais nos beijar, pois, nossos amigos estavam ao redor.

E ele ainda conseguiu me deixar com a pulga atrás da orelha sobre o tal "ser dele."

Mas para deixar claro um fato bem fatídico sobre mim aqui: eu não vou ser de ninguém não, ok?!

Muito menos de um cara que não conheço quase nada sobre quem é ou o que faz.

Digo isso com convicção, mesmo eu sabendo que não tenho muita dignidade e que talvez eu esteja passando vergonha, pois, cedo ou tarde, pagarei pelas minhas próprias palavras...

E hoje, depois de três dias daquela social ㅡ e daqueles beijos ㅡ, eu estou debruçado sobre o balcão da loja em que trabalho, com o queixo apoiado em minha mão, lembrando das pausas dos nossos beijos e das mordidas e chupadas em meu lábio que sempre pareciam tão sedentas.

Penso até mesmo em todas as vezes que ele falava baixinho com a boca ainda sobre a minha, sempre me pedindo para pertence-lo.

Três dias e eu estou ficando louco por um homem que sequer sei onde mora ou o que faz.

Estou louco por um homem! Que absurdo!

Mas não é como se eu realmente não soubesse nada sobre ele. Não, eu até sei que ele tem uma empresa, mas nem sequer sei sobre o que é essa empresa. Também sei que ele é muito rico, pois pelo que Jackson contou brevemente, ele é um dos CEO's mais jovens do nosso país e isso porque herdou diretamente a fortuna de seu avô. Também sei que ele é bonito pra porra, ㅡ uma constatação obvia até ㅡ, mas além dessas coisas tão rasas, o que eu mais sei? Que seu nome é Park Hyun-Suk e que ele tem uma coisa estranha de gostar de chamar outra pessoa pelo nome de uma flor?

Acho que estou ficando louco porque eu não sei nada mais ao seu respeito.

Mas não é como se eu quisesse saber realmente... Eu nem sei se quero beijá-lo novamente, mesmo que tenha gostado muito da noite. Estávamos sob o efeito de álcool.

E se foi isso que nos fez fazer coisas além do que o consciente mandava, entende? E se o álcool fez Park me querer e eu querê-lo quase na mesma intensidade também?

Ok, a quem estou querendo enganar? Que patético.

Isso é confuso, assim como toda a minha vida sempre foi, mas é impossível não pensar nele.

Eu ainda tenho o cartão do Park, e não o dei uma resposta concreta sobre aceitar sua proposta ou não, mas depois de todos os suspiros, beijos e mordidas que trocamos, acho que ele espera isso, certo?

Talvez até eu espere também, mas talvez também eu precise tentar consertar as coisas em minha mente confusa antes de tudo.

É isso, eu preciso saber o que quero primeiro e só então ligar.

Ou é isso, ou eu apenas esqueço e rezo para ele me esquecer também e também rezo para não encontrá-lo em nenhuma boate meia boca por aí.

Mas então no mesmo momento que eu penso em não ligar, eu me obrigo a ligar para dizer a ele que não vou aceitar, por pura consciência e educação, sabe?

Eu seguro o celular em minha mão e disco seu número. Depois apago tudo e volto a minha completa confusão.

E é assim por dias. Semanas até!

Jackson não está nem um pouco contente comigo, porque estou tão atrapalhado, que fazem dois finais de semanas que não vou a bar nenhum com ele e os outros.

Não me animo para nada porque todos os dias a minha cabeça frita com tantos pensamentos e eu acabo tendo dores muito fortes, o que me obriga a dormir assim que chego em casa, e só acordar com o som irritante do meu despertador.

O lado bom disso? Bom, pelo menos estou dormindo bem e não tenho sequer uma olheira na cara.

Viu? Há coisas positivas também, vai...

Mas hoje, quinze dias depois de tudo isso, é a primeira vez que me sinto bem o suficiente para sair e quem me arrasta para um lugar completamente nada a ver com o meu status social é exatamente Jackson.

Ele parece feliz, mesmo ele sendo irredutível e tendo me chamado literalmente o dia todo para sair, ele parece contente por eu ter finalmente aceitado.

Entretanto, estamos no Kim's, um lugar inteiramente requintado e que, com certeza, minhas roupas não são nada adequadas para o estabelecimento.

Jackson, por outro lado, apenas sorri quando somos guiados para uma mesa no qual ele reservou e se senta todo posudo à minha frente. Ele sorri para o maître e aceita de bom grado o cardápio.

ㅡ O que vai querer pedir? ㅡ ele me olha, ainda muito animado.

ㅡ Um buraco! ㅡ digo e vejo-o revirar os olhos. ㅡ Não me olhe assim! ㅡ digo quando ele ainda espera por uma resposta minha. ㅡ Eu quero um buraco para enfiar minha cara. Você não tinha um lugar mais simples e condizente com as condições das minhas roupas, não?

ㅡ Ah, deixa de ser besta e aproveita. Hoje eu quis almoçar em um lugar de classe, condizente a classe que tenho. Qual o problema?

ㅡ Como se você tivesse alguma classe. ㅡ digo, rindo, e vejo um garçom se aproximar quando Jackson apenas o chama com leveza ao sorrir e inclinar o indicador, não ligando para a minha alfinetada.

Jackson pede duas taças de vinho, o que me deixa encabulado, pois são uma da tarde de um domingo de folga, mas se ele quer beber algo assim, tão cedo, porque diz que é chique, quem sou eu para falar o contrário, não é?

Ele agradece o rapaz quando ele vai buscar o que foi pedido e me encara, ainda com o cardápio nas mãos. Eu sei que não tenho dinheiro livre para pagar sequer a água desse lugar que, por sinal, custa o valor de umas quinze garrafinhas lá na conveniência, mas Jackson já havia avisado antes que pagaria por aquele almoço, então não olho os preços para, mesmo não pagando, me assustar.

ㅡ Esse lugar tem o melhor risoto do mundo. ㅡ ele diz. ㅡ vou pedir um.

ㅡ Vou querer o mesmo então. ㅡ abaixo o cardápio, pondo-o ao lado.

O garçom serve nossos vinhos e eu bebo de imediato, logo após agradecê-lo, é claro, e me surpreendo quando sinto o gosto leve e adocicado.

Jackson fez um bom pedido, eu poderia beber, pelo menos, mais umas cinco taças dele.

ㅡ Porque me chamou aqui? ㅡ pergunto após experimentar mais um pouco da bebida. ㅡ Eu queria mesmo ficar em casa hoje, sabia? Eu só vim porque você insistiu muito.

ㅡ Eu só quero meu amigo ao meu lado. ㅡ ele diz, bebendo um pouco de vinho também. Olho-o de soslaio, não acreditando nem um pouco naquelas palavras, e então ouço sua risada. ㅡ é sério, poxa, eu sinto sua falta!

ㅡ Conta outra, a gente não saiu mais, mas você foi lá em casa por muitas vezes. Foi você quem comprou minha aspirina, esqueceu?

ㅡ Isso só foi eu cuidando do meu amigo.

ㅡ Jack...

ㅡ Ok, eu falo. Uma parte disso é verdade, senti mesmo a sua falta. Mas eu também quero saber do Park. Você o ligou?

ㅡ Claro que não... ㅡ falo querendo parecer sério, mas logo suspiro. ㅡ mas eu sei que deveria, né?

ㅡ Não irei opinar sobre isso. ㅡ ele diz, bebendo o vinho. ㅡ Responda você mesmo, acha que deveria?

ㅡ Eu não sei, por isso tive tanta dor de cabeça. Não aguento mais pensar nele e em todos os "e se" que existem ao redor.

ㅡ Então pare de pensar, poxa. ㅡ ele fala, negando. ㅡ isso era para ser divertido, não algo que te faça adoecer.

ㅡ Eu não tenho culpa se penso muito. Mas... você acha que ele quer mesmo fazer coisas comigo?

ㅡ Coisas? ㅡ ele ri. ㅡ Pela santa purpurina, Jae... Coisas? Você tem medo da palavra sexo?

ㅡ Aish, você sabe que eu só não sou habituado a conversar sobre isso...

Jackson apenas assente, tranquilo. Nossos pratos chegam e ele agradece novamente o rapaz, e só então me olha outra vez, parecendo querer continuar o assunto.

ㅡ E se ele quiser fazer coisas? ㅡ ele pergunta, rindo. ㅡ Você não quer também?

ㅡ Não é uma questão de querer...

ㅡ E seria uma questão de quê, então? ㅡ Jackson pergunta, iniciando seu almoço.

Faço o mesmo, me perdendo por alguns segundos no sabor daquele prato, e só depois do meu deleite, falo:

ㅡ Dói?

Jackson ergueu os olhos e franze o cenho. Suspiro e trato de simplificar minha pergunta.

ㅡ Você... Você já fez... aquilo várias vezes, não foi?

ㅡ Você vai falar de uma vez ou vamos mesmo continuar com os códigos? ㅡ pergunta, mastigando com lerdeza.

ㅡ Jack... ㅡ suspiro. ㅡ Você já deu que eu sei. ㅡ sussurro.

Ele ri, debochado.

ㅡ Então essa será a nossa pauta para um almoço, maravilha.

ㅡ Fala logo, dói muito?

ㅡ Jaejun, meu amor, você quer dar? É isso o seu medo? A dor?

Eu não respondo, mas é porque eu não sei qual a resposta que quero dar. Vendo meu silêncio, Jackson suspira, descansando o garfo com elegância, para agora, falar sério comigo.

ㅡ A dor é inevitável, Jaejun, mas irá depender de fatores importantes se ela vai ser intensa ou não.

ㅡ Quais fatores? ㅡ pergunto, mastigando, deixando toda a minha atenção para suas palavras.

ㅡ São vários, mas o primeiro deles é você de fato quer fazer sexo anal. ㅡ ele diz. ㅡ Você precisa querer fazer aquilo, para estar relaxado. O nosso anus é composto por anéis de músculo, com tensão, eles tendem a retrair. E com isso, a penetração pode doer como o inferno. Também depende do seu parceiro e de como vocês vão fazer.

ㅡ Precisa mesmo de tudo isso?

ㅡ U-hum. Tem todo um preparo antes também. Você precisa ter intimidade com a pessoa e ter confiança também.

ㅡ Mas, como vou saber que... o Park é a pessoa?

Jackson sorri para minha pergunta, e ele até se ajeita melhor na cadeira, buscando de volta seu garfo para voltar a comer.

ㅡ Você já deve saber. ㅡ diz, calmo. ㅡ Mas acho que a melhor maneira de ter a certeza se ele é a pessoa, é somente na hora. Você deveria ligar para ele se tem a curiosidade de tê-lo em você. Talvez ajude se você conversar com ele sobre isso também, mas claro, só se você quiser. Não se sinta pressionado a nada disso.

Assinto, demorando um pouco em meu próprio silêncio, apenas mastigando e remoendo a vergonha que sinto para tentar formular minha próxima pergunta.

ㅡ Jack? ㅡ chamo, possivelmente já ficando de bochechas coradas.

ㅡ Hm. ㅡ fala, prestando mais atenção no prato do que em mim.

ㅡ Como que faz para... sabe... hm, no nosso corpo… digo, na biologia… temos o lugar de escape, certo? ㅡ Jackson novamente ergue o rosto para me olhar, mas agora ri baixo. ㅡ Não ri de mim assim, inferno, é sério!

ㅡ Ok, desculpa. ㅡ ele limpa o canto da boca com o guardanapo e suspira. ㅡ prossiga.

ㅡ É sério... ㅡ reclamo mais uma vez. ㅡ mas me diz, como que faz para... hm, para não fazer sujeiras no...

ㅡ Juninho?

ㅡ Credo, pelo amor da santa Beyoncé, quem chama o próprio pau de Juninho?

ㅡ Acho que os héteros, mas era só um teste, se você achou isso estranho, parabéns, você é uma poc.

ㅡ Deixa de besteira e fala logo, inferno.

Jackson continua rindo e eu fico com minha cara de tacho a espera da sua resposta.

Agradeço a santa purpurina por estarmos em um lugar mais afastado no restaurante, e creio que mesmo com o restaurante um pouco cheio, ninguém nos ouve daqui.

ㅡ Você quer saber como não fazer sujeiras no pau?

ㅡ Isso! - digo rápido, me sentindo constrangido em seguida. ㅡ como você faz?

ㅡ Meu querido Jae, como esperei por esse momento. Eu vou te ensinar tudinho, ok, bebê?

Eu reviro os olhos, vendo a cara totalmente empolgada dele, mas vejo-o se erguer, apenas para sentar ao meu lado, e ele manda a etiqueta pra puta que pariu quando traz consigo o seu prato também.

O ajeitando como quem não fez nada, ele novamente me encara.

ㅡ Você tem noção do que é fazer a chuca?

ㅡ Fazer o quê? ㅡ pergunto. ㅡ ah, é aquilo de colocar água no... ㅡ Não consigo continuar a falar, por isso, Jackson revira os olhos mais uma vez, mas eu somente continuo comendo e olhando-o, sabendo que ele me entendeu.

Jackson se aproxima mais de mim, e sussurra:

ㅡ Pode falar "lavagem intestinal", Jaejun, ninguém vai te tacar uma pedra não. E se tacarem, eu taco duas de volta, eu te defendo. Você sabe, Poc unidas jamais serão vencidas.

Eu nego, mas rio de sua fala. Me aproximando um pouco mais dele, vejo-o se inclinar, como se fosse contar um segredo de estado.

ㅡ Ok, presta atenção. ㅡ ele volta a falar sério. ㅡ Fazer a chuca, significa fazer a lavagem do reto, o que é basicamente introduzir água ou outra substância apropriada para limpar o rabo.

ㅡ Jack! ㅡ me afasto, perplexo.

ㅡ Ok, o... ㅡ ele ri. ㅡ Você sabe, o ânus e aquela parte do intestino.

ㅡ Eu sei, pelo amor da deusa...

ㅡ Você precisa parar de ter vergonha, estou ficando nervoso!

ㅡ Só me explica de uma vez, inferno!

Eu juro que essa conversa está saindo mais constrangedora do que eu imaginei. Não sei se buscar essa informação com Jack tenha sido a melhor opção. Talvez até mesmo o google fosse melhor e menos vexaminoso. Sinto tanta vergonha agora que começo a pensar se as pessoas ao redor não nos escutam mesmo ou, ao menos, pensam sobre o que esse almoço tão bom, tem como pauta de diálogo.

ㅡ Jaejun, eu sou ruim em biologia, não sei os termos científicos corretos!

ㅡ Jack, só usa palavras, eu te entendo, esqueceu?

ㅡ Ok, ok. ㅡ ele realmente respirou fundo e bebeu um gole exagerado de vinho como se isso o encorajasse? Minha nossa, Jackson! ㅡ Certo, me escuta.

ㅡ Tô ouvindo. ㅡ falo, voltando a comer porque eu tô com fome também.

ㅡ Como eu te disse, há pessoas que fazem isso com o chuveirinho, mas na minha opinião, não é uma boa ideia usá-lo para isso não.

ㅡ Com o chuveirinho? ㅡ franzo o cenho. ㅡ aquele do banheiro que fica ao lado do vaso?

ㅡ Esse mesmo. Mas, como eu disse, não acho uma boa ideia porque o material não é próprio para isso. Então, o que eu aconselharia usar, e que eu até uso também, é a ducha, ela sim, é totalmente apropriada.

ㅡ E onde que vende isso?

ㅡ Ah, você encontra em qualquer farmácia.

ㅡ Na farmácia? Mesmo, mesmo? ㅡ eu falo um pouco alto, e olho ao redor. ㅡ Tipo, eu chego na farmácia e peço isso? ㅡ sussurro e vejo Jackson assentir. ㅡ minha nossa! Deve ser vergonhoso. As pessoas que trabalham lá vão me julgar se eu fizer isso.

ㅡ Não tem nada de vergonhoso nisso, Jaejun. É algo normal e natural, é higiênico e bom para a sua saúde. E outra, eles estão lá para te atenderem, não julgarem. Você precisa parar de se importar tanto com o que vão achar, entendeu?

ㅡ Certo, certo... mas como, hm... usa isso?

ㅡ Bom, toda ducha higiênica vem com o manual de fábrica, não é difícil de segui-lo, mas como somos amigos, os melhores, vou te explicar. ㅡ Outra vez ele sorrir como se estivesse muito animado com o assunto. Observo Jack buscar o celular e pesquisar algo lá. ㅡ A ducha que eu costumo usar é essa daqui. ㅡ ele vira a tela do celular e mostra a imagem do objeto. É um tanto estranho, pois realmente nunca havia tomado conhecimento daquilo de uma forma extensa, apenas sabia que existia algo que os meus amigos e qualquer outra pessoa que quisesse fazer sexo anal poderia fazer para não ocorrer sujeiras, mas mesmo curioso com o objeto eu assinto, voltando minha atenção a suas palavras que continuam a explicação. ㅡ Ela é super básica de usar, Jae. Você retira o bico ㅡ ele aponta para a imagem ㅡ e põe água limpa e em temperatura ambiente por aqui, e depois é só vedar novamente com o bico. Assim, você só precisa procurar uma posição confortável e introduzir em você.

ㅡ Espera. ㅡ eu peço, olhando-o de modo assustado. ㅡ Eu sei que precisa introduzir lá, mas... como que faz exatamente?

ㅡ Eu disse, é simples. Você enche a ducha de água e depois se coloca de cócoras ou não sei, deita? Você decide a melhor posição para isso. Então é só colocar o biquinho no cu e apertar para a água sair e entrar em você.

ㅡ Jack, não usa a palavra cu! ㅡ Peço baixo, olhando ao redor. ㅡ cadê sua classe?

Ele somente ri e continua a comer.

ㅡ Não dói quando põe isso? ㅡ pergunto, ainda curioso.

ㅡ Quando você quiser usar, você pode utilizar lubrificante.

ㅡ Na ducha ou em mim?

ㅡ Depende, pode ser nos dois. Isso são só detalhes para o seu bem-estar, Jae.

ㅡ É tanta coisa...

ㅡ Relaxa, não serão todas às vezes que você quiser fazer sexo que precisará fazer a chuca. Dependendo do que você comeu no dia, pode fazer seu sexo tranquilo que não haverá acidentes.

ㅡ Não que eu queria fazer isso mesmo, mas... Qual a posição confortável para você?

Jackson suspira, talvez cansado da minha negação sobre realmente pensar até mesmo em fazer isso, mas ele deposita o garfo no prato ㅡ agora vazio ㅡ e continua.

ㅡ Eu sempre faço agachado, essa posição ajuda muito porque sempre quando a água entra, você sente uma vontadezinha de expelir, sabe? Como aquela vontade de fazer cocô mesmo. Daí eu me agacho ao lado do vaso, coloco a ducha e espero uns segundinhos para voltar a sentar no vaso e fazer força para tirar tudo.

ㅡ Mas Jack... E se o Park... Hm, digo, e se eu um dia eu quiser fazer isso... Eu teria que fazer antes de... Dar?

ㅡ Meu deus que conversa legal! ㅡ ele dá pequenas palminhas e aproveita sua animação para chamar o garçom. ㅡ Por favor, nos traga dois Paris Brest e mais duas taças de vinho, por favor.

O rapaz assentiu, retirando os pratos da mesa e outra vez Jackson agradeceu. Eu sorri para ele quando pediu licença e olhei para Jackson.

ㅡ Então, como eu dizia, não é preciso fazer a chuca quando for dar.

O Garçom ainda estava pertinho de nós e nos olhou de soslaio.

Não preciso dizer que o desejo de pedir um buraco voltou, não é?

Sério, às vezes eu quero matar o Jackson!

Mas o pangarave apenas rir quando percebe o homem ainda ali.

ㅡ Sério, você merecia ser deserdado! ㅡ digo. ㅡ Mas me explique isso de não precisar sempre porque eu ainda não entendi.

ㅡ Se você tiver uma boa alimentação, comer fibras, e ter um bom funcionalmente intestinal, é bem provável que não fiquem resquícios de fezes no seu reto.

ㅡ Você falou um termo científico! ㅡ fico feliz, vendo-o arregalar os olhos ao ter a mesma percepção.

ㅡ Foi mesmo! Eu nem falei cu ou coisa assim.

Meu sorriso morre ao ver que ele falou de propósito.

ㅡ Te odeio.

ㅡ Odeia nada. ㅡ e ele ainda manda um beijinho no ar.

ㅡ Mas enfim, se tiver um bom funcionamento intestinal, nem todas às vezes que você quiser fazer sexo anal, você precisará fazer a lavagem, até porque há contradições de seu uso excessivo dela.

ㅡ Esse papo tá tão estranho para rolar num almoço.

ㅡ Ah, deixa de besteira que eu sei que você tá curtindo.

ㅡ Um pouco. ㅡ admito. ㅡ mas eu nunca pensei que para dar a roda tivesse tanto preparo assim.

ㅡ Não é tão difícil, Jae, é porque você é uma poc iniciante, uma fadinha de luz em construção. Quando você enfim desabrochar, vai pegar jeito.

ㅡ Eu não disse que eu ia dar, Jack.

ㅡ Uhum. Mas se você quiser dar, você pode conversar direito com o Park, ele pode até te ajudar também.

ㅡ E quem disse que se eu fosse dar, seria justamente para ele?

ㅡ Para mim, é que não seria. Quer dizer... ㅡ eu o olho e vejo novamente o safado rir. ㅡ Não, eca, não! Duas passivas?

ㅡ Sério, eu vou dar na tua cara! ㅡ ameaço. ㅡ e eu sei que você é flex, ou como poderia fazer aquilo com o Yejun?

ㅡ Você já ouviu falar em próteses? Tem umas tão interessantes, eu até pensei em comprar algumas e chamar ele para testar, mas é capaz dele me xingar.

ㅡ Você sabe que ele iria aceitar no segundo pedido. No primeiro ele iria tentar fazer doce, mas você sabe, é o Yejun, ele é boiola por você, assim como você é boiola por ele. Não se assumem, não sei por quê...

ㅡ Vamos parar de falar da minha triste-barra-confusa relação com o Yejun? O papo aqui era você, a chuca e o Park.

Reviro os olhos. Porque ele precisa associar tudo ao Park?

"Será que é porque você mesmo associa, Jaejun?" Minha consciência ecoa. Odeio que ela tenha razão.

ㅡ Então se um dia eu quiser fazer isso. ㅡ retorno o assunto. ㅡ Eu terei que comprar essa ducha, certo?

ㅡ É bom comprar, sim. É um artigo de higiene pessoal. Sempre que usar, você precisa limpar antes e depois, preferível com água morna. E sempre guarde em um lugar seco e arejado. Ah! Também não precisa pilhar muito com isso. Para o alimento ser digerido e chegar até o seu intestino grosso, leva em média de duas a quatro horas, então se você não tiver se alimentado direito e quiser fazer um sexo gostosinho sem sujeiras, você pode fazer a chuca bem antes da relação. Mas se, por exemplo, você fez num dia e deu a noite e depois disso você não comeu nada e na madrugada você quer dar outra vez, pode dar despreocupado.

Assinto, vendo o mesmo garçom retornar com as nossas sobremesas. O agradeço.

ㅡ E Jack, como eu sei que já está limpo quando fizer a chuca?

ㅡ Certo. Quando você puser a água dentro do seu... você espera um pouquinho e empurra como se realmente tivesse fazendo cocô, a primeira vez, vai sair algo que pode te assustar, mas não se assuste, repita enchendo a ducha, coloque, espere e libere. Acho que três ou quatro vezes é o suficiente, você vai saber que está bom quando a água sair limpinha.

ㅡ Que complexo...

ㅡ Não é não. Com o tempo você vai conhecendo melhor o seu corpo, e vai se acostumando. Eu mesmo sei quando preciso usar e quando não preciso, e sem falar que o Yejun é uma ótima pessoa, e sempre podemos conversar sobre isso, se um acidente acontecesse, não seria tão constrangedor.

ㅡ Viu? Você acabou de admitir! ㅡ Balanço as sobrancelhas, e vejo-o sorrir, me mostrando o dedo do meio logo em seguida, mas bem rapidinho para não perder a classe, é claro. ㅡ Eu nunca pensei que uma conversa sobre limpeza intestinal, fosse tão importante e esclarecedora.

ㅡ Ah, Minha pequena borboleta, eu posso ser uma poc de luxo, mas, além disso, sou uma poc com o coração grande que ajuda as poc iniciantes. Pode me perguntar o que quiser sobre sexo anal, eu te respondo tudo.

Neguei sorrindo, continuando a comer a sobremesa, e agora conversando com ele não mais sobre limpezas ou sexo.

GRAÇAS A DEUSA!

Depois do almoço, ele ainda conseguiu me arrastar para o shopping e ficamos por horas naquele lugar.

Sério, acho que Jackson é o único ser humano que se ficasse uma semana inteirinha no shopping para fazer compras, ele ficaria feliz.

Mas não vou reclamar muito porque acabei ganhando dois conjuntos de moletom ㅡ do bom! ㅡ de presente dele, mas eu ainda vou cobrar o que ele levou e nunca devolveu.

Quando chego em casa para aproveitar o restante do meu dia de folga, sinto uma grande necessidade de apenas cair na cama e dormir até a hora da minha escravidão diária recomeçar.

E eu até faço, mas não durmo. Fico por minutos olhando para o teto empoeirado e sentindo uma grande agonia dentro de mim.

Eu preciso falar com Park, preciso dar uma resposta, ele ainda deve estar esperando.

Assim espero...

Então, é buscando o cartão que já está um tanto amassado no fundo da minha gaveta que sento na beirada da cama, respirando fundo, tentando tomar coragem para digitar aqueles poucos números no meu celular.

Não é uma coisa tão difícil de fazer, sinto como se meu coração quisesse sair pela boca e minhas mãos estão suando como nunca soaram antes. É agoniante.

É puro nervosismo.

Mas eu disco número por número com vagareza e com um leve tremor nas mãos, ponho o celular sobre meu ouvido, ouvindo cada toque angustiante percorrer, fazendo cada segundo parecer minuto, e cada instante uma eternidade.

Até que eu ouço.

ㅡ Você demorou. ㅡ ele atende, com seu tom de riso.

Eu franzo o cenho, e até afasto o aparelho para chegar se é mesmo o número correto que está em chamada. Então volto a ouvir o som de sua respiração e engulo em seco.

ㅡ Não irá falar nada, Jaejun?

Suspiro, surpreso.

ㅡ Como sabe que sou eu?

ㅡ Somente você tem esse número.

ㅡ Mas estava no cartão... ㅡ falo, olhando o pedaço de papel. ㅡ é impossível que só eu tenha esse número.

ㅡ É um cartão especial para alguém especial. Apenas um o teve. Você.

ㅡ Ah... ㅡ eu mordisco o lábio inferior ouvindo meu coração ecoar suas batidas forte e rápidas, enquanto também ouço outra risada baixa dele ㅡ Não te atrapalhei, né?

ㅡ Não, tudo bem. ㅡ ele diz. ㅡ Então, ligou para me dar uma resposta?

ㅡ É... Sim, eu acho que sim.

ㅡ Tudo bem. Diga.

Sinto meu corpo tremer.

"Pela santa, Jaejun, você parece um pinscher!"

Na moral, eu posso mandar minha própria consciência se foder?

ㅡ É que... Bom, você disse que tinha algo para... hm, me ensinar, lembra? Estou curioso.

A essa altura minhas bochechas já estão vermelhas de vergonha e eu nem consigo imaginar o rosto dele ao me ouvir, ou tenho certeza que fico ainda pior.

ㅡ Tudo bem, Jeon, mas antes de qualquer coisa, você está livre?

ㅡ Como assim?

ㅡ Está livre?

ㅡ Livre, tipo... Agora, agorinha?

ㅡ Sim.

Demorei um pouco a responder, e até olhei para minha imagem no espelho grudado na porta do meu guarda-roupa.

Eu estava totalmente despreparado para algo e ainda mais com ele.

ㅡ Hm... Não. Infelizmente não. ㅡ tento soar firme, mas ouço Park rir baixinho outra vez, e cacete, eu me arrepiei com esse som? Porra...

ㅡ Não minta para mim, Amarílis. Eu te pego às nove. Até mais.

ㅡ O QUÊ? ㅡ arregalei meus olhos, mas antes mesmo que eu pudesse dizer algo a mais, a chamada é encerrada. ㅡ Porra, caralho, nem me deu tchau?!

Eu o xingo muito, e até tento retornar a ligação, mas a clareza em minha mente vem minutos depois, pois Park não me atende mais.

Ele disse que me pega às nove, então, isso significa que ele sabe onde é minha casa?

E QUE SENTIDO TEM O "PEGAR" DA FRASE?

Me ergo rápido da cama, saindo dali aos tropeços e ainda encarando minha imagem no espelho, eu olho o visor do celular.

18:47

Ok.

O que eu faço agora?

GRR, COMO EU TE ODEIO PARK!

Corro para o banheiro ainda não entendendo como caralhos ele vai me pegar sem saber onde é meu endereço, e pior, confuso, porque eu nem tento esconder de mim mesmo que me sinto nervoso e, no fundo, animado ao saber que o verei após dias, e, que, provavelmente ㅡ tô confiante, ok? ㅡ, eu irei beijá-lo muito!

Tento ser rápido ao lavar meus fios cor de fogo e retirar alguns poucos pelos do meu corpo.

Porque estou me depilando?

Porque eu quero, é claro.

Mas admito que nunca fui a um encontro, mas acho que o que vai rolar em pouco tempo é tipo isso, então somente de cueca, retiro todas as minhas roupas do armário, apenas para achar a que está menos velha, e mais cheirosa.

É quando estou fechando minha única calça justa, que, adivinha? Isso mesmo, é a preta! Que ouço o som da campainha tocar.

Assusto-me de leve, e até olho adiante sem entender. Busco o celular para chegar às horas, e me espanto.

19:53

Que caralho! Jogo o aparelho de volta na cama e me olho outra vez.

Estou parecendo um pinto molhado, meu pai!

ㅡ JÁ VAI! ㅡ grito, me apressando a me vestir.

Visto rápido a melhor camisa preta que achei, e ainda com os fios molhados, vou correndo atender a porta.

Quando a abro, preciso de forças para não cair durinho no chão.

Park está aqui! Está bem aqui na minha porta, paradinho, encostado em seu carro, enquanto olha para o andar acima onde fica meu quarto.

Franzo o cenho, mas nem me demoro porque logo estou com os olhos arregalados ao perceber que ele agora me olha, e piora quando ele se desencosta do carro, começando a andar em minha direção.

ㅡ Olá. ㅡ ele diz e sorri.

Sério, meu Deus!

Eu me perco em alguns segundos o observando, e percebendo como ele fica ainda mais bonito vestido em um terno.

Seus cabelos estão um pouco bagunçados, e a gravata está frouxa. Ele sorri totalmente encantador, mas o modo que continua me olhando é totalmente intimidante.

ㅡ Oi... ㅡ eu digo baixo, nervoso. ㅡ ainda não são nove horas...

Ele ri soprado, e se aproxima ainda mais. Não há muito da porta aberta, mas é o suficiente para me deixar agoniado.

ㅡ Eu não consegui esperar. ㅡ diz, ainda sorrindo.

Não conseguiu esperar? Caramba, eu demorei mais de duas semanas para ligar, ele é doido?

ㅡ tem algum problema? ㅡ retorna a falar. ㅡ Eu posso ir e voltar somente às nove.

ㅡ Acho que... tudo bem, você já está aqui mesmo. ㅡ tento sorrir, mas ele está muito perto de mim. Consigo até mesmo sentir seu cheiro forte de perfume importado. ㅡ Você... pode me esperar?

ㅡ Eu posso entrar?

ㅡ Mas você quer entrar? ㅡ franzo meu cenho. ㅡ você pode esperar no carro...

ㅡ Não quer que eu entre?

ㅡ Não é isso, é que... sabe, é casa de pobre...

ㅡ Que besteira, minha flor. ㅡ ele sorrir, negando, e ergue a mão até tocar meu rosto, acariciando-o com leveza. ㅡ Eu posso entrar?

Eu pisco algumas vezes, vendo cada vez mais seus olhos se fechando enquanto ainda sorri. Apenas abro um pouco mais a porta, permitindo que ele entre.

ㅡ Só não olha a bagunça... ㅡ peço o que qualquer um pede. ㅡ Eu passei o dia ocupado e não consegui arrumar nada...

Park assente. Observo-o afrouxar mais a gravata, como se estivesse realmente à vontade. Ele caminha até meu sofazinho e busca uma das minhas almofadas de frutas, a de formato de morango, afastando-a para o lado e assim se sentar.

ㅡ Bom, eu, hm... vou... ㅡ Céus, eu não consigo sequer falar uma frase inteira sem querer colapsar antes. ㅡ eu subir para terminar e já volto.

ㅡ Tudo bem, mas não iremos a lugar algum. ㅡ ele diz relaxando mais a postura, abrindo mais as pernas, parecendo ainda mais confortável.

Céus, que pernas...

Mas pisco confuso, quando desvio meus olhos para os seus e franzo o cenho.

ㅡ Não? ㅡ pergunto. ㅡ Eu pensei que iriamos a algum lugar...

ㅡ Bom, eu disse que iria te pegar, acho que você entendeu errado.

Meu queixo cai, perplexo. Meus olhos se arregalaram e tenho certeza que minhas bochechas estão mais vívidas que meus cabelos agora.

ㅡ Quê?

Mas tudo o que ouço é a risada dele, ecoando pela minha casinha pequena.

ㅡ Estou brincando, minha flor. Eu pensei em te levar a um lugar, um restaurante, mas estou com um pouco de dor de cabeça, e como nós iremos apenas conversar, pensei que poderíamos conversar aqui mesmo.

Agora sim, eu acho que ele é realmente louco.

ㅡ Você é louco? ㅡ pergunto, mas ele só rir outra vez.

ㅡ Porque eu seria?

ㅡ Eu pensei que... ah, deixa para lá. ㅡ suspiro, desanimado por um ponto: ele quer só conversar. Sério? Isso significa que não terão beijos. Poxa. ㅡ Tudo bem, vamos conversar. ㅡ falo, esboçando um sorriso pequeno.

Caminho até o sofá e sento um pouco encolhido ao seu lado.

Percebo o olhar dele sobre meu corpo, mas antes que comece a falar, sou eu que pergunto:

ㅡ Como soube meu endereço?

ㅡ Hajun me deu. ㅡ ele diz como se esse tal Hajun fosse um amigo meu para sair dando meu endereço assim.

ㅡ Quê? Como assim?

ㅡ Ele me contou onde você morava há uns dias.

ㅡ Ele te contou ou você perguntou? ㅡ foi impossível segurar o riso que nasceu em meus lábios. Park me olhou por breves segundos, mas riu outra vez.

ㅡ Acho que fui descoberto. ㅡ diz, me fazendo desviar os olhos por pura timidez.

ㅡ Então, baby, porque me ligou mais cedo?

Mordi meu lábio inferior, incapaz de olhar nos olhos dele, que estavam completamente mirados em mim.

ㅡ Só achei que te devia uma resposta... Mas, Park, você poderia... dizer o que quer me ensinar antes?

ㅡ Pode me chamar por Hyun-Suk, baby. ㅡ sorri, vendo-o virar de ladinho para deixar a mão sobre minha nuca, brincando com meus cabelos ainda um pouco úmidos. ㅡ E é simples, Jaejun, eu quero que você seja meu. Apenas meu.

ㅡ Tipo... namorado? ㅡ Eu juro que essa coragem eu tirei do cu, porque eu só queria voltar a dois segundos e retirar o que falei, mas tudo piora quando ouço a risada dele.

ㅡ Não, baby, não como namorado. Mas apenas como meu.

Minha confusão só ficava cada vez pior.

ㅡ E o que seria ser... Seu?

ㅡ Seria apenas ser meu. ㅡ ele desce a mão, tocando sutilmente minha coxa, a apertando sem muita força. ㅡ quero te ter para mim.

ㅡ Eu não sou gay. ㅡ falo, num súbito de consciência. ㅡ Então... Não sei se posso ser seu, Hyun-Suk.

Ele apenas se aproxima mais. E outra vez, eu não sinto vontade de fugir ou me afastar dele. Eu até o espero se aproximar mais porque, no fundo, estou querendo isso, querendo muito, e não consigo controlar uma lufada de ar que me escapa, quando o sinto apertar mais uma vez minha coxa, agora com sua boca pertinho do meu ouvido.

Sua respiração quente me deixa aceso. Socorro!

ㅡ Você tem certeza disso? ㅡ ele sussurra. Eu não o respondo, mas sinto o modo calmo em que sua boca se move sobre minha pele e deixa um beijo pequeno abaixo de minha orelha. ㅡ Tem certeza? ㅡ ele sorri mais uma vez, passeando a língua pelo meu lóbulo, chupando-o descaradamente e então desvia o rosto para perto do meu, me fazendo buscar pelo seu também. ㅡ Então, se eu tentar te beijar agora, você irá fugir?

Eu me odeio por não conseguir sequer raciocinar direito agora, e tê-lo tão perto assim só me faz pensar em todos os nossos beijos passados e em como é bom ter sua boca a minha.

Eu engulo em seco, ainda sem palavras, e apenas me inclino para frente, tocando sutilmente seus lábios com os meus.

É um selinho brando. Um beijinho rápido, mas faz todo o meu corpo arrepiar.

Afasto-me absorto em seus lábios e agora ele somente me observa lhe desejar mais.

Meu coração já está totalmente acelerado, e quando Park se afasta e volta a se sentar relaxado e abre sutilmente as pernas, eu suspiro, entregue.

ㅡ Vem cá. ㅡ ele chama. Eu me aproximo inclinando meu corpo, ainda sentindo vergonha, mas vejo-o negar. ㅡ senta aqui. ㅡ passa a mão pela própria coxa grossa.

Eu já disse que não tenho dignidade, não é?

Pois é, eu não tenho nem um pouquinho mesmo!

Estou nervoso, morrendo de vergonha, mas tudo o que faço é me erguer sutilmente, e, sentindo as mãos dele em torno de minha cintura, me sento em sua coxa esquerda.

ㅡ Você tem dezenove anos, não é? ㅡ Assinto, me encolhendo um pouco sobre ele, sentindo sua mão acarinhar minha cintura. ㅡ Eu não quero que faça nada forçado, baby. Então... não se sinta pressionado.

ㅡ Você... pode dizer o que quer comigo? Com clareza, por favor... ㅡ peço, abaixando o olhar quando o percebo me encarar.

ㅡ Você sabe quem eu sou? Me conhece e sabe o que eu faço? ㅡ pergunta.

Nego com a cabeça porque realmente não sei o suficiente dele, mas ergo o olhar sem ainda o encarar, tocando-o sutilmente sobre a gravata frouxa, brincando com ela.

ㅡ Eu só sei seu nome e sua idade. ㅡ falo o que, realmente, é uma certeza que tenho.

ㅡ Eu sou herdeiro construtora Park e moro aqui mesmo em Seul, Jaejun. Essa parte da minha vida está explícita em todos os cantos, você pode confirmar depois, se quiser. Mas existe uma parte minha que ninguém conhece. ㅡ levo minha atenção ao seu rosto, enquanto agora sinto seus dedos me apertarem sutilmente. ㅡ Eu gosto que me obedeçam. ㅡ ele fala baixo, novamente se aproximando. Quando chega perto de meu ouvido, deixa outro beijo miúdo ali, aspirando meu cheiro em seguida. ㅡ gosto que sejam um bom garoto, comigo, e assim, eu posso retribuir da melhor maneira possível. ㅡ eu fecho os olhos, sentindo os carinhos e sua respiração ainda próxima. Umedeço os lábios, e continuo apenas a senti-lo. ㅡ Você quer ser esse garoto? ㅡ Eu suspiro, virando-me sutilmente para frente até estar devidamente sentado sobre ele, sentindo as mãos dele subir pelas laterais de meu corpo, até pararem em meu rosto. Park roça os lábios nos meus, me fazendo balbuciar baixo algo que sequer eu compreendo, meus pensamentos estão uma bagunça ainda maior. ㅡ Se você aceitar, bela flor, eu posso te ensinar a ser esse garoto.

ㅡ Eu não sei o que pensar, Hyun-Suk… ㅡ confesso, ainda sentindo os lábios dele sobre os meus. ㅡ Você vai me beijar ou não? ㅡ sussurro, sentindo-o mordiscar meu lábio. ㅡ me beija como você me beijou na cobertura.

ㅡ Então me peça como você me pediu.

ㅡ Me beija, Hyun-Suk. ㅡ sorri, encarando-o num segundo de coragem. ㅡ por favor… Eu quero te sentir outra vez. ㅡ fechei meus olhos, entregando-me.

Sinto-o sorrir sobre meus lábios, mas logo sinto seu beijo afoito me invadir.

Não há calma no toque, porém também não há mais vergonha.

Hyun-Suk me beija enquanto segura ambos os lados de meu rosto, e eu sou rápido a levar minhas mãos até seus ombros, abraçando-o.

Sua língua desesperada toca a minha pedindo permissão para que ambas tenham sua própria sintonia.

Ouço-o suspirar quando cedo, e sinto suas mãos descerem devagar por mim. Um aperto retorna a minha cintura, mas outra mão vai até minha coxa, apertando-a devagar outra vez.

Sinto a minha temperatura corporal aumentar no mesmo instante que sinto outra coisa aumentar também.

ㅡ Minha nossa. ㅡ eu sussurro, buscando um pouco de ar, mas ainda o sentindo ereto, bem abaixo de mim. ㅡ Eu... Eu não sei se isso vai dar certo.

ㅡ Eu te assusto? ㅡ pergunta, voltando a roçar em meus lábios com sua boca tão viciante, deixando pequenos beijos e mordida por meu queixo.

Nego sua pergunta, suspirando vergonhosamente aos seus toques, e até inclino meu pescoço para a esquerda, pedindo sutilmente para que ele me beije ali.

E Hyun-Suk me dá o que peço.

ㅡ Então... ㅡ ele fala entre os pequenos beijos e lambidas. ㅡ deixa apenas rolar, uh? Eu te quero tanto pra mim, minha flor. Desde a primeira vez que te vi.

Sorrio, me sentindo bem por saber daquilo. Mas me assusto levemente com o modo em como ele me toca na cintura, me puxando mais para perto, fazendo com que sua ereção deslize por entre minhas nádegas.

ㅡ Hyun-Suk, eu... eu nunca fiz nada disso. ㅡ confesso-lhe outra vez. ㅡ nada disso, nem beijos... Não podemos ir assim.

ㅡ Me desculpe. ㅡ ele pede voltando a me encarar de perto, desviando suas mãos para meu rosto, segurando ambas as minhas bochechas, acariciando-as. ㅡ não quero te forçar nada.

ㅡ Tudo bem. ㅡ digo, e, incerto, movo minhas mãos, dedilhando sua clavícula, até tocar a pontinha de sua orelha. Também lhe acaricio. ㅡ Eu não sei se consigo fazer... sabe? E nem sei consigo te obedecer assim, seja lá a forma em como você está falando. Mas... Você poderia me ensinar se quisesse... Sabe, aos pouquinhos...

Hyun-Suk sorriu, me olhando nos olhos, mas desviou sua visão para minha boca.

ㅡ Eu prometo que cuido bem de você.

Eu sorrio, mordiscando o lábio inferior, e assinto, buscando de onde não há, certezas.

ㅡ Tudo bem. ㅡ falo.

Park continua com carinhos vagarosos em mim, e ainda ousa roubar alguns beijos, onde por minha vontade, aprofunda, nos fazendo às vezes perder o controle de nossos corpos.

E por vezes ㅡ não conte isso para Jack ainda ㅡ, eu deslizo sobre sua ereção entendendo porque a tal dor possa valer a pena.

Mas é após muitos minutos de pegação em meu sofá vergonhoso e barulhento, que Hyun-Suk finaliza os beijos, tocando minha cintura para que eu me afaste sutilmente, e o encare.

ㅡ Eu menti. ㅡ ele diz, sorrindo.

ㅡ Em qual parte? ㅡ Observo-o ainda de seu colo e ele parece ainda mais belo agora que está uma bagunça também.

Sua boca gordinha está ainda mais inchada e está vermelha. Seus olhos pequenos e escuros não desviam dos meus e seus cabelos estão numa bagunça charmosa, mas creio que os meus também estejam, já que acho que estão até secos, então tudo bem.

Passeio minha mão, tentando de alguma forma arrumá-los e espero pela resposta de Hyun-Suk.

ㅡ Eu não estou com dor de cabeça alguma, só queria te beijar em um lugar privado,

ㅡ Você é um safado, Park. ㅡ eu rio. ㅡ e parece que está se escondendo de algo.

ㅡ Não é isso, mas muitos conhecem o nome, gostam de criar matérias sensacionalistas.

ㅡ Então, se te vissem se beijando com um suposto homem de cabelos laranjas, isso daria uma matéria sensacionalista? ㅡ sorriu, acompanhando seu riso.

ㅡ Bom, se estivéssemos em público e do modo em como estamos agora, creio que sim. Você está literalmente com meu pau entre a sua bunda agora, Jaejun.

Chio, resmungando, e cubro meu rosto na curvatura de seu pescoço.

ㅡ Você aceita jantar comigo? ㅡ ele pergunta.

ㅡ Agora?

Olho-o daqui, até mesmo assim ele é bonito. Mas vejo-o assentir e olho o relógio que tem na minha cozinha.

ㅡ Já passou das nove.

ㅡ Mas ainda não são dez. ㅡ ele ri. ㅡ Eu conheço um restaurante muito bom, é de um amigo. Eu posso te trazer de volta, ou podemos fazer qualquer outra coisa depois.

Hyun-Suk toca meu queixo, me fazendo se erguer sem sequer protestar e assim lhe beijar.

O beijo é calmo, o que nos faz suspirar com leveza. O olho de pertinho quando o ósculo finaliza e enfim me ergo, vergonhosamente cobrindo a ereção que também tenho entre as pernas.

Ele apenas continua sentado com as pernas abertas, com a calça apertada em suas coxas e também em outra área.

Com certeza essa é uma das melhores imagens que devem existir no mundo.

ㅡ Eu vou subir e... terminar de me arrumar. ㅡ digo, tímido.

Ele se ergue, assentindo, mas antes que eu vá, ele me puxa para junto de seu corpo, e me segura com força lá, roçando, novamente, a boca sobre a minha.

ㅡ Não demore muito.

ㅡ Não irei. ㅡ sorrio me sentindo um bobo em suas mãos, e apenas vejo-o acariciar meu rosto.

ㅡ Não sei se acreditará em mim, mas você é o homem mais belo que eu já vi. O mais belo que em minhas mãos já tocaram, e o que minha boca já beijou.

Eu nego, ainda me sentindo um bobo, e sem avisos, Park me rouba um beijo.

Sinto minha boca formigar, talvez já esteja cansada, mas quem disse que eu quero parar? Ele também parece não querer.

Eu o agarro devagar pela camisa e me perco só mais um pouquinho em seu sabor e toque.

Hyun-Suk suspira ao me soltar, e permanece próximo, segurando meu rosto. Acariciando minha bochecha com calma, ele me dá um último selar.

ㅡ Eu vou e volto rapidinho. ㅡ digo, me afastando antes que ele me beije mais uma vez. Mas não o suficiente, por isso ele ainda consegue acariciar de minha bochecha até meu queixo, analisando meus detalhes com cuidado.

Seus olhos recaem sobre os meus.

ㅡ Você é o mais belo...

Eu sinto minhas bochechas esquentarem.

ㅡ Eu já volto. ㅡ falo mais uma vez, desta vez, me afastando de verdade.

Caminho tentando não tropeçar enquanto estou sob seu olhar, e é assim que subo os poucos degraus que há até meu quarto. Quando chego lá, tranco a porta e respiro fundo.

Corro até minha cama, pegando meu celular e abro no grupo que sei que com certeza terei ajuda.

|Grupo: Fuzuê, farofa e cachaça|

E é como se convocasse todos, em uma situação de extremo risco, que mando a mensagem mais desesperada de toda a minha vida.

Jae:

|S.O.S!

Espero alguns segundos, e ninguém me responde.

Jae:

|Onde caralho vocês estão? ESSA É A PORRA DE UMA MENSAGEM SOSO!!!!!

Jack:

|SOSO?!

Jack:

|Que desespero é esse?

Jae:

|Essa é uma situação é séria, atenção!

Yejun:

|Medo...

Rini:

|Fala logo!

Minah:

|O que você aprontou?

Tae:

|Eu tô indo na sua casa agora!

Jae:

|NÃO!

Tae:

|Porque não?

Jae:

|Hyun-Suk está aqui! AQUI!!!!!!!

Rini:

|Hyun-Suk?

Minah:

|Park Hyun-Suk, amor.

Rini:

|Ah, o da boate?

Minah:

|Esse mesmo.

Rini:

|Mas, o que tem?

Yejun:

|O que tem? Simples, ele não pode ver aquele loiro que fica doido.

Jae:

|Gente, é sério, atenção, eu não tenho muito tempo!

Jack:

|Já deu ou ainda vai dar?

Tae:

|Claro que ainda vai dar né! Olha só esse desespero.

Jack:

|O que te dá essa certeza? Ele pode ter visto o tamanho da cobra e se assustou.

Tae:

|Eu conheço o Jae, se ele finalmente ver a cobra, ele vai querer sentar. E se ele estivesse sentado gostoso, ele não estaria mandando mensagem.

Jae:

|Será que EU posso falar?

Yejun:

|Claro.

Jae:

|Obrigado. Então... Eu ainda não dei.

Yejun:

|Vocês leram essa palavra com atenção? Ele disse """Ainda""".

Jack:

|AINDA!

Tae:

|A.I.N.D.A

Rini:

|Hm...

Minah:

|Usa camisinha!

Jae:

|Gente, é sério, pelo amor da santa purpurina, da deusa Beyoncé ou qualquer outra divindade, me deixem falar, caralho!

Jack:

|Tá, tá, fala logo.

Jae:

|Obrigado. Então, eu não dei caralho nenhum ainda a ele, e nem sei se eu vou dar porque eu não comprei a ducha! Mas ele quer sair para jantar. Tipo, agora!

Tae:

|Põe a sua calça filha única e aquela blusa vermelha de tecido fino, você vai ficar uma delícia.

Jack:

|A calça preta de novo? Não!

Tae:

|Ele só tem aquela, ué.

Jae:

|E eu meio que já tô com ela mesmo. Mas prestem atenção, ainda não terminei!

Yejun:

|Não liga pra eles.

Rini:

|é diz logo!

Jae:

|Ele me chamou para jantar, mas é além disso... Talvez ele queira transar MESMO comigo, então... Vocês acham que se eu disser que não estou pronto, ele vai achar ruim? tipo, vai pegar mal?

|Ele disse "eu não quero te forçar a nada", mas ele me pega de um jeito que eu acho que nem precisa forçar, mas eu sei que ainda não estou pronto. O que eu faço?

Jack:

|Primeiro, ele não precisa achar nada ruim. Se você não quer, é isso e acabou. E se você não está pronto, é muito correto falar. Se você se forçar, não vai ser legal e você não vai sentir prazer.

Tae:

|E você lembra do nosso código, certo?

Jae:

|Lembro. Se algo parecer estranho, eu te mando uma mensagem com a localização e você aparece para me resgatar.

Jack:

|não se esqueçam de mim também!

Yejun:

|Nem de mim.

Rini:

|Eu te defendo com a minha taser.

Minah:

|E não se preocupe, Jae, eu pago o advogado para soltar a Rini da prisão.

Eu rio, meu grupo só tem maluco!

Jae:

|Só me desejem sorte. Acho que pela primeira vez estou me permitindo conhecer um pouco de mim mesmo, e é estranho, mas também é bom.

Yejun:

|Boa sorte, Jae!

Jack:

|E com camisinha.

Minah:

|Eu já disse isso.

Jack:

|É sempre bom lembrar mais, ué.

Tae:

|Nós te amamos. Bom jantar, Jae!

Sorrio para o celular, mas o bloqueei, jogando de volta na cama, apenas para me trocar rápido.

Busco a camisa que Taeshin sugeriu, e ajeito meus cabelos com o secador.

Uma última olhada, e um suspiro nervoso.

Observo minha imagem e até que está bonitinha no espelho.

Preciso me conhecer e conhecer o que quero e gosto e o que não quero e não gosto, e é indo a esse jantar que saberei ao menos um pouco disso.

Coloco um pouco do perfume que Jackson me presenteou, e endireito meus brincos.

Uma nova ㅡ e definitiva ㅡ olhada no espelho, e um "boa sorte" ditado baixinho para mim mesmo é o que faço logo ao terminar.

Busco meu celular, guardando-o no bolso, e, pronto para sair do cômodo, eu respiro fundo, para me acalmar um pouco.

E logo após respirar três ou quatro vezes, eu finalmente vou.

Desço os poucos degraus, me sentindo ainda nervoso, e paro ao ver Park ainda sentado, e agora me olhando.

Eu me aproximo, vendo-o se erguer do sofá, e meio sem jeito paro a sua frente.

ㅡ Vamos? ㅡ chamo-o, baixo.

Ele ri soprado e se aproxima sorrateiramente como sempre, até tocar meu queixo, e roubar um pequeno e novo selar.

ㅡ Vamos... Meu lindo amarílis.

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