- Bruno, atende logo esse telefone, ta me dando nos nervos - Vicente falou enquanto digitava no notebook.
- É número desconhecido, alo?....sim é ele.... sim me lembro sim... sobre... - ele levantou os olhos pra Vicente - eu... garota isso é um piada?bufou - espera, eu te retorno. - Discou outro numero e andou pela sala, ficando mais longe - Carlos? Porque diabos aquela sua amiga Luana ta me ligando dizendo que quer ter o filho do meu patrão?
"O que? Entao era por isso que ela queria seu numero... ela falou isso?"
- Falou - disse mais sussurrado no telefone - Falou que odeia crianças, que não vai querer contato depois, disse que precisa do dinheiro, essa garota é louca?
"Ela realmente precisa do dinheiro Bruno, mas não achei que ela estaria tão desesperada... ela é uma garota boa, fora essa pose de má, e eu nem vou dizer nada porque capaz da Luana ja ta ai, ela sempre age mais com a emoção.
- Merda... - desligou - Vicente eu preciso... ir la embaixo um pouco, ja volto.
O patrao nem respondeu, Bruno desceu os andares do predio ate chegar na entrada e realmente encontrou a outra ali. Aquela garota realmente era estranha. Cabelos pretos até a metade das costas, uma jaqueta de couro pesada, calças rasgadas e botas, uma mochila nas costas...
- Era você mesmo que eu queria ver! - ela falou já se aproximando.
- Olha... eu falei aquelas coisas, mas não devia ter dito nada, se meu patrão fica sabendo...
- Eu quero, eu quero ter esse filho dele, eu to falando sério!
- Você ta desesperada, as coisas nao são assim...
- São sim! Eu to com a corda no pescoço, eu não ligo pra crianças, cara... só me deixe conversar com ele...
- Merda - Bruno disse e quando viu ja estava entrando com Luana a sua cola no escritorio de Vicente.
- O que foi que você foi resolver Bruno? - ele disse saindo de tras do computador pra ver uma cena que ele não esperava. Tinha uma mulher com ele, uma mulher nada normal.
- Essa é Luana - Bruna disse dando um longo suspiro - mulher, amiga do Carlos, desesperada por dinheiro...
- Bruno... - Vicente se levantou andando a passos pequenos.
- Eu soltei sem querer a conversa, e... - coçou a cabeça - tcharam, temos uma interessada.
Luana olhava Vicente com curiosidade. Era ele que queria um filho? Não era um velho asqueroso e nojento? - Bom dia senhor Brandão, meu nome é Luana Alves, tenho 24 anos, estou em uma situação bem dificil financeiramente no momento, sou saudavel,aceitaria sua oferta com o maior sigilo.
- Bruno Alencar- Vicente disse mais duro.
- Eu sei... - o amigo disse arrependido.
- Eu vim com as melhores das intenções, sou um a mulher saudavel, podem fazer os testes que quiserem, é serio, não vou vazar isso, eu só... eu preciso do dinheiro, não ligo se usarem meu utero por 9 meses.
Vicente sentia o coração acelerado, chegou mais perto alguns passos e sentiu o cheiro de doce de laranja que ele sabia que a mulher tentava despistar com inibidores. Ela era bonita, tinha um olhar duro mas perdido. Ele se preocupou.
- Não acho que você tenha psicologico pra passar por isso.
- Eu tenho, o senhor não conhece minha historia, eu te conto se for o caso mas, eu realmente preciso do dinheiro, 50 mil ja ajudaria, eu poderia realizar meu sonho de ir embora daqui e você teria seu bebê.
- 50 mil? - Vicente disse confuso - Você não disse quanto eu ofereceria?
- Não - Bruno disse baixinho.
Vicente suspirou -Vamos todos nos sentar, eu acho que to ficando tonto...- foi ate a sua mesa e pegou o telefone - Fabiano, traga café pra três e um comprimido pra dor de cabeça e chame Leonardo, meu advogado por favor.
Vicente se jogou em sua cadeira e encarou Luana a sua frente que o encarou de volta.
Em toda sua vida jamais ficou frente a frente com uma mulher com uma presença tão forte quanto a dela. Fazia seu e querer acalentá-la.Era um sentimento estranho, seu estomago revirava, ele estava realmente coma cabeça explodindo.
Mal sabia ele que Luana sentia as mesmas coisas.
Eram seus instintos se reconhecendo.
Aquele seria um acordo interessante.
Luana não era do tipo que se sentia acuada, mas naquele momento se sentiu. Estava em um consultorio médico, com o tal Vicente Brandão a olhando de canto com os braços cruzados, o advogado dele, o amigo estranho e o médico, que fazia milhares de perguntas a ela enquanto a enfermeira lhe entregava os papéis de seus inumeros exames. Tinha tirado tanto sangue que tinha ficado ate tonta. Examinaram cada parte de seu corpo, fizeram ultrassom em todos os orgãos - principalmente o útero - viram a questão de seu instinto interior, seus hormonios,pelo menos se não desse certo ela teria passado pelo unico check up geral de sua vida.
- É, não há indícios de substâncias ilícitas no organismo dela... - fez careta - E ela é bem saudavel mesmo senhor Brandão, é uma ótima candidata. E a ovulação dela esta proximo, daria pra agendar pra semana que vem.
Vicente assentiu - Vamos todos pro meu escritorio, temos que discutir outras coisas agora.
Luana se levantou, olhando tudo ao redor. Era uma realidade bem alternativa a que estava vivendo e ela nem tinha acreditado ainda que tinha se colocado naquilo.
- Senhorita - o advogado lhe chamou quando se sentaram no escritorio do empresario naquela tarde. - Vou ter que falar duro com você, porque esse assunto é delicado e precisamos ser claros.
- Eu sei disso - Luana disse com a voz firme.
- Se realmente for acertado, faremos a inseminação artificial. Se a inseminação vingar, você carregara o filho do senhor Brandão pelos nove meses. Daremos todo o apoio e sustento durante esse tempo. Você não precisara se preocupar com nada, te daremos um lugar pra morar,comida, roupas, um tratamento adequado. Mas quando o bebê nascer, você não tera direito algum sobre ele.
- Eu sei disso - Luana repetiu.
- Senhorita, você não podera nem chegar perto da criança, ela não será sua, sera somente do senhor Brandão, você entende isso?
- Eu não tenho intenção nenhuma de continuar morando aqui quando tudo isso acabar, então vocês podem ficar tranquilos quanto a isso, vou pra bem longe.
- Você diz isso agora, mas quando o bebê for gerado dentro de você, ou quando o ver...
- Não sera problema, eu garanto.
O advogado suspirou - Tudo isso esta sendo feito no maior sigilo possivel senhorita. Vicente Brandão é uma figura publica, aqui esta a cópia do contrato e gostariamos que, por enquanto, se hospedasse em um dos nossos hoteis.
Luana riu em deboche - Querem ficar de olho em mim né?Tudo bem, vai ser melhor do que onde eu to vivendo mesmo. - ela pegou os papéis que foram oferecidos.
- Um dos nossos motoristas vai te levar ate la, já esta tudo arranjado.
Luana assentiu e se levantou, olhando de canto de olho o empresário na janela, ele roia uma unha,e olhava para a janela. E Luana sentiu uma sensação estranha.
Sensação que esqueceu completamente quando se deitou na cama macia do quarto de hotel onde o hospedaram.
Ela riu, pensando em tudo que poderia acontecer, mas que finalmente poderia ir embora.Pelo menos usaria seu utero de forma que pudesse lhe dar um futuro, quem diria que ser mulher prestaria pra alguma coisa.
Ele tomou um banho demorado. E depois, de roupão, começou a ler o tal contrato.
Não era nada do que já esperava, e concordou com tudo sem pestanejar.
Os dias foram passando muito rápido, o contrato foi assinado, assim como uma clausula de total sigilo, e um segurança que ficaria o tempo todo na cola de Luana.
Ela nem se importava, queria o dinheiro.
A inseminação foi marcada, e lá estava ela, na sala de espera. Já tinha se trocado, e estava apenas esperando o médico aparecer, mas se surpreendeu quando Vicente apareceu ali.
- Oi. - ele disse com a voz fraca.
- Eai - Luana respondeu.
- Sabe... eu evitei falar com você, ate pra não termos nenhum tipo de ligação mais forte...mas nós dois sabemos que, se o feto vingar, ficaremos mais ligados...
- É, eu sei - disse o olhando. Vicente cheirava menta. Era delicioso.
O outro engoliu em seco - Ainda da tempo de desistir.
- Eu não vou desistir, eu preciso disso senhor Brandão,você vai realizar seu sonho e eu o meu, ta tudo certo.
Vicente abaixou a cabeça, mordendo o lábio. De repente Luana viu que ele estava... chorando? - Obrigado Luana... eu... realmente não tenho palavras pra agradecer, esse sempre foi meu maior sonho, eu prometo que vou cuidar muito bem dessa gravidez, e te ajudar no que for no futuro se precisar.
- Eu espero não precisar senhor Brandão. Só esse acordo já basta. E... - engoliu em seco, não era bom com palavras - de nada? acho que... é, de nada. Não é nada mesmo, pra você significa mais do que pra mim.
Vicente assentiu, limpando o rosto assim que o médico chegou - Ah, já temos um papai chorão aqui? Preciso que saia agora senhor Brandão, vamos fazer o procedimento.
Luana respirou fundo. Era agora. Não tinha mais como fugir. E nem ia, não era de seu feitio fugir.No final do dia ela estava deitada em sua cama no hotel. Se sentia meio zonza pelos medicamentos, ia ter que tomar bastante naqueles primeiros meses pra ver se ia pegar.
Lembrou da mãe que a rejeitou por ser mulher, a dando pra um orfanato e sumindo no mundo.Lembrou das casas de adoção que passou. Lembrou de quando fugiu aos 16 anos com uma turma de tatuadores.
Luana não sabia o que era amor. Não tinha sido amada e não sabia amar. Ela precisava era de dinheiro, somente isso.
Mas naquela noite, com as mãos trêmulas,levou as em seu útero.
Tinha que dar certo. Ela precisava do dinheiro.