Sofia já cansada de esperar por aquele príncipe, já completando 18 aninhos, pediu para sua mãe para dar uma volta na rua.
Sua mãe muito brava, não queria deixar a Sofia sair de jeito nenhum, e dizia, você tem tudo o que precisa aqui dentro do castelo, não tem necessidade de sair.
Mas, Sofia queria conhecer a área externa, tomar um ar diferente e conhecer pessoas, pois não conhecia ninguém além dos funcionários do castelo e seus professores. Sofia queria ter uma vida normal, como as jovens que ela via pela janela. Depois de muita confusão sua mãe lhe permitiu que saísse, com a supervisão de um segurança, ela queria sair sozinha, mas, já era alguma coisa a mãe ter deixado ela sair com o segurança.
Então ela deu um passeio em todo quarteirão, cumprimentava todos que passavam, todo mundo achava estranho, mas ela queria mais que isso, queria se envolver, começou a trocar palavras com uma moça que estava na feirinha, contando toda sua vida e que morava no castelo. A moça era muito simples e pobre também, ela dava atenção a Sofia, e explicava como era o mundo lá fora.
Sofia então, resolveu convidá-la para almoçar em seu castelo, a moça aceitou, porém quando chegou na porta seus pais não a deixou entrar, e brigou com a Sofia, pois, não era para ela trazer gente estranha para o castelo, principalmente pessoas pobres. Sofia lamentou muito essa situação, ficou muito triste pois tinha gostado da moça e todos os dias no mesmo horário a Sofia saia para ver a sua nova amiga, elas conversavam sobre tudo. Certo dia a moça perguntou se Sofia tinha namorado, ela explicou que não conhecia ninguém pois seus pais não deixavam, e seu casamento já estava arranjado com um príncipe de outras terras, que era muito rico.
Então sua amiga Joice, era como ela se chamava, convidou a Sofia para o baile de formatura da sua escola, lá teria muitas pessoas e muitos rapazes também, Sofia ficou interessadíssima em ir nesse baile, pois isso poderia mudar sua vida. Falou com sua mãe, que como esperado não a deixou ir.
Chegando o dia do baile a Sofia teve uma ideia, iria fugir, mas, como? Já que em cada porta tinha um guarda que não deixava Sofia passar. Então ela e sua amiga tiveram uma ideia e fizeram planos para aquela noite, Sofia iria fazer uma corda com os lençóis e pularia a janela, sua amiga estaria esperando lá embaixo para irem juntas para o baile. Quando chegaram ao baile, Sofia avistou logo, aquele rapaz que ela tinha visto passar a cavalo e que tinha trocado olhares, ele estava no baile com sua filha de 15 anos, Sofia então mostrou-o para sua amiga e explicou o que havia acontecido a algum tempo e ela falou.
— Ele é casado e tem dois filhos amiga, a filha que está com ele e outro bebê de 3 aninhos, Sofia ficou atônita. Ela ficou indignada com isso e falou para sua amiga que queria ir embora pois, não tinha mais vontade de ficar ali.
A amiga Joice falou:
— Mas porque você ficou assim, já que não teriam trocado nenhuma palavra com aquele rapaz.
Sofia muito ingênua disse que acreditou que a troca de olhares significava algo, e que ela o esperava voltar para resgatá-la do seu quarto.
Sofia foi embora resmungando e chorando, e deixou sua amiga sozinha na festa.
Depois disso Sofia voltou sua rotina normal, não queria mais sair do quarto, nem conhecer outras pessoas, ela não queria mais sair.
Sofia ficou trancada no quarto por muitos dias, as vezes chorava, as vezes se irritava com uma pessoa passando lá fora e batia a janela. Não queria ver e ouvir ninguém, sua mãe, a rainha Elisa começou a preocupar-se com sua filha, então chamou um médico para avaliá-la e saber o que ela tinha.
Sofia não queria ver médico nenhum, não queria ser avaliada, mas sua mãe insistia muito:
—Sofia abra a porta por favor filha, prometo que será só uma consulta, se não gostar o médico não voltará mais.
— Não mãe, que saco, já disse que não estou doente…
Depois de muito a mãe insistir Sofia abriu a porta, e deixou que o médico entrasse acompanhando sua mãe. O médico Dr Luís, começou a fazer perguntas do tipo: Você tem sentido raiva, muita tristeza ou agonia?
Sofia não queria responder nada, sua mãe então interrompeu:
— Ela não tem se alimentado direito Doutor, e não quer sair do quarto.
O doutor então perguntou:
— Aconteceu alguma coisa que entristeceu ela, alguma briga, discussão, alguma desilusão amorosa?
A rainha realmente não sabia de nada sobre isso, mas ela tinha sim tido uma desilusão, porém ela disse o que sabia, que Sofia tinha saído algumas vezes e em uma dessas vezes ela chegou e foi direto para o quarto e desde então não tinha saído de lá.
O médico então a diagnosticou com depressão, e passou um remédio formulado naturalmente para ajudar a Sofia encarar essa situação e finalmente com sorte melhorar.
A rainha pediu que comprassem o remédio imediatamente, e agendou sessões com uma psicóloga sem a Sofia saber.
Sofia com tanta insistência da mãe, começou a tomar os remédios e descia todos os dias para almoçar com a família, mas, não trocava uma palavra sequer, nem olhava no rosto de ninguém.
Foi numa conversa com seu marido que a rainha teve uma ideia, se trouxesse o noivo arranjado de Sofia e anunciasse seu casamento, talvez ela melhorasse, o rei disse.
— Essa é uma ótima ideia, mas, se não dar certo podemos piorar a situação.
Então decidiram conversar com a psicóloga sobre isso, ela os aconselhou em avisar primeiro a Sofia antes de trazê-lo para não pegarem de surpresa.
A mãe de Sofia então foi até seu quarto e falou com ela sobre essa ideia, Sofia respondeu imediatamente que não queria conhecer ninguém, e não queria se casar com essa pessoa que ela mal conhecia.
Porém seus pais já estavam no limite, não gostava da atitude da Sofia, então ordenou que ela conhecesse seu noivo imediatamente, dizendo isso a Sofia ordenou a um dos empregados que buscasse o Vitor, futuro noivo de Sofia.
No outro dia Vitor veio almoçar com a família de Sofia, ela desceu para almoçar mas, não olhava na cara dele, não queria saber de casamento, muito menos arranjado.
Vitor puxou assunto, perguntando como Sofia se sentia, ela virou a cara e saiu da mesa imediatamente, sem pedir licença, batendo os pés ela subiu para o seu quarto. A rainha se desculpou com Vitor sobre a atitude de sua filha e explicou que ela estava depressiva, e não saia do quarto. Vitor ouvindo isso desistiu do casamento pois não queria casar com uma princesa em depressão e foi embora, nunca mais voltou.
A mãe de Sofia foi até o seu quarto e a repreendeu sobre tuas atitudes, porém Sofia não se importava, nem deu atenção a sua mãe, ficou deitada em sua cama com o rosto para parede.
Sofia sentia que ninguém a compreendia, a psicóloga ficava fazendo perguntas e dizia a Sofia para confiar nela, mas, Sofia não confiava em ninguém.
Ela estava mergulhada em um mar de tristeza e dor, não conseguia se expressar de forma alguma, tinha tanta tristeza que quando alguém falava algo sobre amizade ou amor ela chorava amargamente.
Dia desses a Joice sentiu muito a falta de Sofia, mas, sabia que sua mãe não a deixava visitá-la, então ela conseguiu uma escada e colocou-a escondida na janela de Sofia.
— Sofia, Sofia, sussurrava ela da janela, Sofia estava já deitada para dormir pois era noite, mas se levantou e abriu a janela, quando viu sua amiga Joice, a agarrou pelo braço e trouxe rápido para seu quarto, trancou a porta e as janelas e agarrou o pescoço de Joice, num abraço apertado e chorava sem parar, ficou assim por longos dez minutos, e Joice como uma boa amiga, não dizia uma só palavra, somente ficou abraçada por esse tempo.
Depois de um tempo, Sofia quebrou o gelo e disse:
— Joice, não sei o que fazer, estou amargamente triste, ninguém me entende, eu quero morrer Joice.
A amiga tentando acalmar e dizia:
— Calma amiga, estou aqui, não se preocupe, não vou te abandonar nunca, você sabe que eu te amo né, e te entendo, pode me dizer tudo que está sentindo, eu vir até aqui para te ouvir.
De repente a mãe de Sofia bate na porta e diz:
— Sofia, Sofia minha filha, está tudo bem com você? Ouvi você chorar querida.
Sofia ansiosa, com medo de sua mãe descobrir que Joice estava lá, gritou:
—Está tudo bem mãe, não se preocupe.
Dizendo isso voltou para Joice e disse:
—Amiga me tire daqui, me tire desse buraco, não aguento mais essa vida, tudo isso, sabe?
Joice com cara de quem compreendia tudo respondeu:
—Sim amiga, quer dar uma voltinha agora? Aproveite que a escada está ali, nós voltamos rápido.
Sofia saiu com Joice, bem depressa e em silêncio para que sua mãe não ouvisse nada, elas foram até a pracinha e sentaram em um banco gelado e vazio.
Trocaram muitas palavras e Joice deu notícia que estava ficando com um menino de lá da universidade, ah e disse também que estava fazendo faculdade de pedagogia.
Sofia agora estava mais calma e muito interessada nas novidades da amiga, queria saber cada detalhe.
Ficaram ali na praça alguns minutos e enquanto estavam sentadas passaram alguns meninos bonitos, porém não eram príncipes, mas um deles olhando para Sofia, achou ela muito linda, e a encarou fixamente nos olhos, ela ficou um pouco envergonhada, mas, logo se sentiu a vontade para corresponder.
Elas perceberam que estava ficando tarde e tinha que voltar antes que a mãe de Sofia percebesse seu sumiço, então Sofia fez um pedido para Joice, vem amanhã novamente para darmos mais um passeio, dizendo isso se despediram e Sofia foi dormir.
Depois disso Sofia já descia para o café, almoço e jantar, estava mais feliz e cantarolava as vezes, sua mãe acreditava que os remédios e a consulta estavam fazendo efeito.
Que bom, enfim Sofia tinha desprendido da cama e saído daquele quarto que já cheirava mofo, pois ela nunca deixava ninguém entrar para limpar...