Capítulo 2

Angelina Fernandez.

A mulher que Gabriel tinha amado por anos; a mulher que partiu seu coração três anos atrás e fugiu para o exterior; e a mesma mulher que ele esperava ter de volta até o casamento deles três anos atrás.

Esse foi um nome que Leonica nunca esqueceria. Porque até mesmo na noite de núpcias, o nome que Gabriel murmurou foi "Angelina", não se lembrando de que quem estava debaixo dele era sua nova esposa.

Leonica já deveria ter desistido desse casamento sem amor, se a avó não tivesse pedido a ela. A avó nunca gostou de Angelina e sempre acreditou que Leonica era a melhor escolha de esposa para Gabriel.

"Gabriel," chamou Leonica, e então lembrou ele, "Você prometeu à avó que ficaria longe daquela mulher."

"Você está me ameaçando?" Gabriel perguntou com um olhar frio. Ouvir ela mencionar sua avó falecida o fazia sentir raiva. "Você não tem o direito de falar sobre minha avó."

Ela estava prestes a dizer algo mais, quando ele se virou para o motorista e instruiu: "Pare o carro."

A instrução repentina causou uma onda de confusão em Leonica. Suas sobrancelhas franziram quando Gabriel ordenou friamente.

"Saia!"

Os olhos de Leonica se arregalaram e ela congelou no lugar. "O quê?"

Ele...ele realmente quis dizer isso? Pedir para ela descer no meio de uma estrada onde raramente passavam carros nesse horário. Como ela voltaria para casa?

"Saia." Gabriel reiterou com uma voz firme e autoritária.

"G-Gabriel," chamou Leonica, sua voz trêmula.

"Saia, ou eu mesma a tirarei," Gabriel rosnou novamente.

Nesse momento, o motorista já havia saído e estava segurando a porta aberta para Leonica, seu olhar era de desculpas.

Leonica não tinha escolha, então, sem outra opção, saiu do carro. Assim que ela saiu, Gabriel bateu a porta com força. As lágrimas que ela tinha segurado escorreram pelo rosto, enquanto o Rolls Royce acelerava e desaparecia de sua vista. De repente, a dor em seu coração parecia ter descido até seu estômago e uma dor aguda a atingiu. Em poucos minutos, tudo ficou escuro e silencioso.

Leonica acordou com o som dos aparelhos hospitalares apitando e sussurros ao seu lado. Seus cílios se abriram lentamente e ela se viu deitada em uma cama de hospital, com os braços conectados a um soro. Devagar, virou a cabeça para o lado e seus olhos encontraram os rostos familiares de seus pais. A loira que era sua mãe, Cassandra, foi a primeira a notar que ela tinha aberto os olhos.

"Ah, querida, você acordou!" exclamou ela, soltando um suspiro de alívio. "Estávamos tão preocupados." Seu pai, Benjamin, acrescentou, com a expressão cheia de preocupação.

"Papai... Mamãe..." Leonica murmurou, com a voz fraca e a garganta seca. "Vou pegar um copo d'água pra ela," disse Cassandra, levantando-se da cadeira e saindo do quarto, deixando marido e filha sozinhos.

"Querida, você está bem? Está se sentindo melhor?" perguntou Benjamin, sentando-se na cadeira que a esposa ocupava anteriormente.

Leonica olhou ao redor do quarto, antes de olhar para o pai e perguntar: "Por que estou no hospital? O que aconteceu?"

"Você não se lembra?" Ele perguntou e ela balançou a cabeça em negação.

Benjamin apertou os lábios, soltando um suspiro antes de começar sua explicação: "Você desmaiou na estrada quando um casal que passava por ali te viu e te levou rapidamente para o hospital. Você tinha meu número e o da sua mãe salvos como número de emergência, então o hospital nos ligou assim que você chegou."

"Oh," foi tudo que Leonica conseguiu dizer, franzindo a testa instantaneamente quando a lembrança do rosto frio de Gabriel voltou à sua mente.

"Disseram-nos que você desmaiou devido a anemia e excesso de trabalho. Para garantir que não haja outros problemas, os médicos fizeram alguns exames e os resultados acabaram de sair," continuou Benjamin, tirando-a de seus pensamentos.

"O que os médicos disseram?" Leonica perguntou, sem deixar de notar o olhar triste e preocupado que cruzou o rosto de seu pai.

"Querida," Cassandra voltou para o quarto, carregando um copo de água.

Leonica olhou para ela e percebeu que seus olhos estavam um pouco inchados como se ela tivesse chorado.

"Beba isso." Cassandra colocou o copo de água na mesa ao lado da cama do hospital e o entregou a Leonica.

Com um aceno de cabeça, Leonica aceitou o copo e bebeu a água fresca, sentindo a secura em sua garganta desaparecer lentamente.

"Ouvi vocês falarem sobre os resultados dos exames." Cassandra dirigiu-se ao marido enquanto se sentava. Benjamin assentiu.

Leonica, que estava atenta à conversa deles, não conseguiu esconder sua confusão.

"O que houve, mãe? O que o médico disse?" Ela perguntou.

Benjamin e Cassandra trocaram olhares por alguns segundos, comunicando-se silenciosamente, antes de se voltarem para a filha.

"A razão pela qual você desmaiou foi por causa de algumas complicações leves. Você está grávida de dois meses, Leonica." Sua mãe informou, segurando suas mãos com firmeza e um pouco de entusiasmo.

"Como?" Leonica perguntou em surpresa.

Ela... ela estava grávida de dois meses?!

Capítulo 3

A notícia gerou em Leonica tanto medo quanto esperança. Um bebê estava crescendo em seu ventre, servindo como prova das noites de amor que compartilhara com seu marido. Prova de quão forte seria o laço entre ela e Gabriel.

Será que Gabriel desistiria do pedido de divórcio se soubesse da criança crescendo dentro dela?

"Eu... preciso contar para ele." murmurou Leonica, olhando ao redor em busca do celular.

Ela o encontrou rapidamente na mesa de cabeceira e, com um sorriso nos lábios, discou o número de Gabriel e pressionou o telefone contra o ouvido, ouvindo a linha chamar.

Tocou sem resposta por segundos. Os segundos logo se transformaram em minutos e várias tentativas a mais, mas seus esforços foram em vão.

Gabriel não atendeu.

Bem, como ele daria atenção a ela quando seu antigo amor havia retornado?

Seu sorriso se tornou amargo enquanto as pontas dos dedos que seguravam o celular começavam a tremer.

"Chega, Leonica," suspirou Benjamin profundamente, tirando o celular das mãos da filha, após trocar um olhar com a esposa.

"Ele pode só estar ocupado, Pai." Leonica forçou um sorriso, tentando explicar. Ela sabia que seus pais nunca viram seu casamento com bons olhos.

"Leonica, minha querida," Cassandra começou enquanto segurava as mãos da filha. "O Gabriel sempre te trata desse jeito?"

"Desse jeito como?" Leonica perguntou, sem entender o sentido implícito da pergunta.

"Hoje foi o funeral da avó dele, certo? Gabriel deveria, no mínimo, estar ao seu lado, mas quem te trouxe ao hospital depois que você desmaiou foi um completo estranho. O que aconteceu?" Benjamin perguntou com um olhar sério.

Leonica suspirou. Ela não sabia como contar a eles que Gabriel havia pedido o divórcio. Desde o começo, não gostaram do fato de que ela havia sacrificado tanto apenas para se casar com ele. Para não preocupá-los, Leonica mantivera muitas de suas discussões em segredo, tanto de seus pais quanto da falecida avó dele.

Porém, ser amado ou não podia sempre ser percebido nos menores detalhes. O silêncio dela já era suficiente para responder aos seus sábios pais. Ambos suspiraram, e Cassandra balançou a cabeça antes de ajudar Leonica a voltar para a cama. "Querida, estou feliz que você esteja bem, e também estou feliz que você esteja esperando um bebê. Mas esse seu casamento, você deveria pensar bem sobre ele."

"Se não fosse pela proposta da Sra. Bryce e porque você gostava tanto dele, nem teríamos aceitado Gabriel Bryce como nosso genro," Benjamin debochou.

O coração de Leonica se apertou e sua mãe acrescentou, "Querida, três anos são suficientes para ver dentro do coração de um homem. Você é inteligente o suficiente para entender isso. Mesmo que não pense em você, deveria pensar no bebê que está esperando."

Benjamin concordou, "Se Gabriel se comportou tão mal desde o início, então tenho certeza de que ele não é um bom marido para você e duvido que seja um bom pai para essa criança. Divorcie-se dele e volte para casa. Somos capazes de ajudar você a criar esse filho bem."

Benjamin segurou o ombro da filha para que ela encarasse seu olhar e lembrou, "Leonica, minha querida, lembre-se de que você é filha da família Romero. Não somos menos poderosos do que a dele."

Cassandra assentiu em concordância, "Divorcie-se dele, Leonica. Tenho certeza de que você merece alguém melhor. E o seu bebê."

Ao ver a preocupação genuína de seus pais, dizer que Leonica não ficou comovida seria um eufemismo. Ela não esperava que tantas pessoas lhe pedissem para desistir do casamento em um só dia, todas elas tão próximas.

Será que ela realmente tinha feito a escolha errada desde o começo?

Ela abaixou a cabeça e olhou para sua pulseira, um presente de aniversário de casamento da avó. Gabriel quase sempre esquecia, mas a avó nunca. Parecia que a avó era a única apoiadora desse casamento. Às vezes, nem mesmo Leonica sabia por que a avó tinha tanta fé nela.

Se a avó estivesse por perto hoje, será que ela aconselharia também o divórcio?

Leonica pensou amargamente, mas logo afastou o pensamento. Não, a avó teria ficado feliz. A avó há muito esperava por esse bisneto.

E Ragriel ainda não sabia que seria pai. Talvez ele mudasse de ideia?

As lágrimas embaçaram seus olhos, e Leonica tomou sua decisão. Pela avó, pelo bebê e por ela mesma.

"Não. Eu não posso." Ela murmurou, balançando a cabeça.

"Leonica," sua mãe começou.

"Por favor, mãe," ela interrompeu com um olhar suplicante. "Me deixa tentar de novo. Só mais uma vez."

Seus pais a olharam, vendo a determinação e firmeza em seus olhos. Suspirando, eles assentiram e respeitaram sua decisão.

Algumas horas depois, ela recebeu alta do hospital com instruções rigorosas para evitar estresse e com uma bronca dos pais para cuidar dela e do bebê.

Logo depois, chegou em casa e correu apressadamente para dentro, querendo contar para Gabriel sobre o bebê.

No entanto, assim que entrou, seu coração apertou e seu rosto empalideceu ao ver um par de sapatos de salto vermelho e uma bolsa Gucci verde ao lado dos sapatos de Gabriel.

Seu coração doeu novamente enquanto tentava convencer a si mesma de que não havia como Gabriel fazer algo assim, trazer outra mulher para a casa matrimonial que fora um presente da amada avó falecida dele.

Não havia como ele quebrar a promessa que fez à avó, certo?

'Mas então de novo...' os pensamentos de Leonica vagaram quando ela se lembrou de Gabriel quebrando a promessa feita à avó ao contatar Angelina.

Só de pensar nisso, ela se encheu de raiva e desta vez, não iria ficar parada e ver a casa abençoada que ela tanto amava ser manchada por terceiros!

Com os dentes cerrados, a raiva fluindo pelas veias, Leonica subiu furiosa as escadas, correndo para o quarto deles.

Quando chegou e abriu a porta do quarto com força, sem sequer bater, todo seu corpo congelou e seus olhos se arregalaram ao avistar uma mulher de cabelos castanhos sentada na beira da cama, com o cabelo úmido e enrolada em uma toalha de banho.

A pessoa sentada na sua cama matrimonial, olhando para ela com o olhar mais inocente do mundo, não era outra senão a antiga amante de Gabriel.

Angelina Fernandez.

A única pessoa que ela odiava. Seu pior pesadelo!

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