"Eu me esforcei bastante pra desapegar
E fiquei muito tempo onde você tá
Mas agora eu já não sinto mais a dor.”
VSF – Jão
♥
Agradeci em silêncio mais uma vez por ter Babi na minha vida, por ela não ter desistido de me arrastar por aí. Tinha certeza que logo tudo voltaria ao normal e, comecei a mudança assim que cheguei em casa naquela tarde, liguei a caixinha de música coloquei uma roupa velha e comecei a subir os móveis iniciando uma faxina, tinha passado os últimos dias ignorando passar que fosse uma vassoura pelo local.
Abri um enorme saco de lixo e não recuei em jogar fora tudo que me lembrava a Eduardo, incluindo as centenas de fotos que cobria o painel no canto da sala.
Horas depois, andei pelo meu apartamento limpo e agora renovado. Me joguei no sofá e decidi ouvir meus recados, apertei a secretária eletrônica que piscava e a voz que eu vinha evitando tomou o local.
“Oi Camile, é o Doutor Ciro, eu sei que parece estranho eu mesmo estar entrando em contato, mas a minha secretária disse que você cancelou a nossa consulta de novo. Olha, eu sei que não deve estar sendo fácil para você, mas iremos completar seis meses desde o diagnóstico e eu quero mesmo te ajudar, você é tão jovem, quanto antes você me procurar melhor será, certo? Pode me ligar há qualquer hora. Até mais. ”
Revirei meus olhos, apaguei a mensagem e fiz outra inspeção para ver se não tinha me esquecido de tirar alguma bugiganga que me lembrasse meu ex-namorado, depois da maravilhosa limpeza decidi por uma hidratação nos cabelos enquanto pintava minhas unhas. Estava totalmente revigorada quando terminei de secar os cabelos, era perto das dez da noite quando a campainha tocou.
— Você bem que podia me dar a chave que era do mané. Eu ficar batendo na sua porta até você decidir abrir é sem condições, Cami. Babi já entrou reclamando carregando quatro sacolas nas mãos.
— O que é isso tudo?
— Roupas e sapatos para usarmos hoje. Deu uns pulinhos engraçados.
— Nós? Você não precisa ficar gastando comigo, Babi.
— Meu pai é rico esqueceu? — Revirou os olhos. — Vem, vamos maquiar, você faz em mim primeiro! — Ela parou me encarando de cima a baixo. Não nos víamos há dias. — Meu Deus, você emagreceu.
— Isso foi um elogio? Foi a minha vez de revirar os olhos.
— Não, foi uma reclamação. — Resmungou me seguindo para o quarto, entrei e pulei no colchão enquanto ela continuava a me encarar dessa vez com os braços cruzados sobre o peito. — Você comeu hoje?
— Sim.
— Que horas?
— Mais cedo.
— Você não me inventa, Camile! Aceitei você ficar triste por esses dias todos, mas agora chega ok? Nada de baixa autoestima, porque sabemos que você é linda e Eduardo quem saiu perdendo.
— Eu estou bem, amiga. Não precisa se preocupar.
— Acho bom mesmo! — Disse autoritária me encarando uns segundos totalmente séria e optei por não responder nada para não prolongar o assunto, quando percebeu isso voltou a falar. — Agora vem ver a roupa que eu comprei. Mudou de assunto correndo e batendo palmas jogando as sacolas sobre a cama.
— Aonde nós vamos? Perguntei abrindo a sacola retirando o jeans preto e uma blusinha da mesma cor que certamente ficaria coladíssima em mim.
— Naquele novo bar que abriu essa semana, Oasis.
— Você me comprou uma blusa P?
— Cale a boca. Vai ficar lindo, é um cropped para combinar com a calça de cós alto.
— Certo... obrigada de todo modo. Agradeci sem graça, pois ela sempre me dava mais presentes do que eu, isso era pelo fato de que se caso faltasse grana para a fatura do cartão ela tinha quem pagasse e eu não.
Passamos as próximas horas nos arrumando, Babi estava terminando seu cabelo enquanto eu já pronta estava esparramada em minha cama pensando se seria realmente uma boa ideia.
— Nem vem, Camile Maier, você vai!
— Eu nem falei nada. Comecei a rir da cara dela, a malvada sabia até quando eu estava pensando em uma desculpa.
— Aí, é bom te ver sorrir novamente. — Pulou na cama ao meu lado. — Já está na hora de irmos, o nosso táxi já está lá embaixo e eu preciso beber urgentemente.
Me olhei no espelho uma última vez, a roupa que Babi tinha comprado tinha mesmo ficado bonita, agradeci mentalmente por ser um bar já que as sandálias que eu havia escolhido eram altíssimas, se fosse uma balada significava que eu com meus dois pés esquerdos cairia na chegada. Meu cabelo caía em ondas macias sobre as costas, meus olhos estavam cobertos por uma sombra marrom esfumaçada, na boca Babi tinha insistido em passar um batom vermelho sangue. Me senti bonita. Sorri ao espelho satisfeita seguindo para fora do quarto.
Fiquei todo o caminho encarando as ruas movimentadas, minha mente girava insistindo em pensar o que Eduardo estava fazendo também, Babi conversava descontraidamente com o motorista, levei os dedos a minha têmpora esquerda tentando disfarçar, mas ciente que a dor de cabeça estava começando a dar as caras novamente e principalmente porque tinha deixado de tomar os remédios antes de sair, pois pretendia beber.
O carro nos deixou em frente ao bar que estava lotado, havia uma enorme fila na entrada, tudo que eu fui capaz de fazer foi ser tomada por pânico, o que creio ser evidente em todo recém solteiro.
— Não se preocupa não. — Babi me puxou pelo braço. — Eu tenho pulseiras. Balançou as duas tiras e colocou uma prateada no meu pulso enquanto íamos para o início da fila e éramos autorizadas a entrar imediatamente. Passamos sem nem olhar para trás diante da reclamação dos que estavam aguardando. Uma moça nos levou até uma mesa e avisou que logo o garçom viria.
— Que pulseira é essa?
— Vip, o Bruno conhece o dono do lugar, como é o mês de inauguração essas pulseiras que são exclusivas pagam a nossa conta, ou seja, vamos encher a cara que a comanda está liberada!
— Olá senhoritas, o que desejam essa noite? O moreno alto bonito com o sorriso lindo perguntou enquanto descaradamente me encarava.
¬— Dois mojitos e um balde de cervejas. Babi falou, mas ele não a olhou.
— E uma água. Sorri sem graça sob seu olhar.
— Sabia que quem pede água ganha de brinde o meu telefone? Piscou e Babi arregalou os olhos chocada com a audácia do cara.
— Que sorte a minha então. Decidi flertar de volta.
O garçom sorriu. — Para você ver. Estendeu a mão para mim e quando aceitei levou até seus lábios dando um pequeno beijo. Vou providenciar os pedidos e o brinde, senhorita?
— Camile. Respondi rindo.
— Rafael, é um prazer. Já volto.
— Hum, alguém já chegou flertando forte. Bárbara gargalhou assim que ele saiu.
— Ao menos ele é bonitinho né? Brinquei relaxando encarando ao redor, o lugar era lindo, espaçoso, uma parte ao ar livre e a outra dentro do salão, um grupo tocava pagode no canto onde algumas pessoas se arriscavam na dança. Me senti feliz e me permiti aproveitar o momento.
Horas depois Babi já estava no seu quinto mojito, flertando com o cara da mesa ao lado e eu tinha desistido de beber álcool depois da primeira rodada, pois minha cabeça tinha aumentado muito a dor, assim decidi por me manter apenas hidratada. Rafael tinha entendido que eu pedir água era como um incentivo, pois cada vez que eu pedia o cara ficava mais à vontade para conversar, seu número de telefone já estava guardado na minha bolsa o que provavelmente eu nunca ligaria, mas estava divertido saber que eu era interesse de alguém.
Assim que os rapazes do lado se convidaram para se juntar a nossa mesa desatando a conversar uns assuntos desconexos devido ao álcool, chutei a perna de Babi decidida que para mim a noite estava chegando ao fim.
Ela me olhou feio por uns segundos e agarrou o celular digitando algo, logo o meu chegou notificação de mensagem.
Babi: Te odeio! Chegando em casa me avisa! Você escolhe o loiro surfista ou o moreno empresário?
Camile: Para uma noite só? Sem dúvidas o surfista.
Babi: Concordo plenamente!
Despistei falando que iria ao banheiro e andei para fora do bar respirando ar puro. Minha cabeça latejou e eu andei rápido para o táxi que estava parado próximo. Assim que adentrei e fechei a porta a ouvi batendo do outro lado, virei o rosto assustada e encarei o rapaz bêbado que tinha se sentado ao meu lado.
— Ei, esse táxi é meu! Reclamei.
— Você é a dona dele?
— Não, mas ele parou foi para mim. Revirei os olhos.
— É meu, parou foi para mim. Falou na voz grossa porem embolada aparentemente alterada pelo álcool.
— Ele já estava parado, espertinho. Repliquei.
O homem suspirou e levou a mão ao estômago como se estivesse enjoado. — Foi. Para. Mim. Fechou os olhos jogando a cabeça no encosto.
— Senhor, quem entrou primeiro no táxi? Perguntei irritada e o taxista me olhou pelo espelho do meio como se estivesse entediado.
— Resolvam entre vocês.
— Eu preciso vomitar. O homem falou se mexendo e segurando meu braço como um apoio.
— Senhor, caso vomite no carro a lavagem será cobrada. — O motorista olhou para trás encarando a cena bizarra. — Contenha seu amigo senhorita.
— Ele não é meu amigo! Vou descer. Fiz menção de abrir a porta, e a voz do motorista me parou.
— Eu não posso levar ele sozinho nessas condições, se vai descer o desça com você. Senhor desça do carro por favor.
— Vou te foder por trás. O bêbado falou trazendo seu rosto pertinho do meu e eu o encarei assustada reparando seus enormes olhos azuis prateados.
— Me respeita garoto! Levei uma mão em seu ombro o afastando de volta ao banco e bufei ouvindo a risada do taxista.
— Para onde a corrida moça?
— Eu já disse que eu não vou nesse táxi! Quase gritei.
— Então desçam os dois logo! Não carrego bêbado sozinho, se morre aí atrás me dá maior dor de cabeça depois.
— Vou ficar no Alto Leblon, no edifício Golden... na cobertura. O poço de pinga sussurrou e em seguida abriu a boca com ânsia de vômito seco.
— Devo lembrá-los que caso vomite no carro deverão pagar a lavagem. O motorista repetiu como um funcionário de call-center.
— Então vai logo antes que ele vomite não só no carro, mas também em mim, ele já disse o endereço! Gritei e o taxista arregalou os olhos colocando o carro em movimento.
O homem ao meu lado se debruçou sobre mim e ronronou algumas palavras que eu não consegui entender antes de fechar os olhos e acalmar sua respiração totalmente apagado, seu cheiro era uma mistura de perfume muito bom amadeirado com whisky e cigarro. Me mantive imóvel com medo de que com qualquer movimento ele lançasse o vômito que tinha ameaçado antes, o taxista nos encarava pelo espelho do meio.
— Você não conhece mesmo ele?
— Não.
— O rapaz não parece muito bem, sorte dele de te encontrar então. Falou e não abriu mais a boca até chegarmos ao destino que havia sido indicado pelo cara antes de dormir com o rosto sobre meus peitos.
— Me ajude a tirar ele do carro. Pedi e o vi descer do carro correndo para abrir a porta me ajudando a amparar o bêbado pela lapela do seu paletó aparentemente caro. Ele tinha dito que morava na cobertura, cheirava bem e parecia ter muito dinheiro, o que diabos tinha acontecido para ficar bêbado assim?
— Ei, cadê a sua carteira? Perguntei quando ele se encostou no táxi como se estivesse prestes a desmaiar.
— Bolso. — Respondeu e eu tateei os bolsos da sua calça, arregalei os olhos quando sem querer rocei a mão sentindo o enorme pacote no meio das suas pernas. Ele estava muito bêbado, mas não passou despercebido meu lapso, abriu os olhos rapidamente me lançando um sorriso de lado que me subiu um arrepio na coluna. — No bolso do paletó. Disse mansamente como se brincasse com minha cara.
— Ah, sim. Concordei e enfiei a mão no bolso interno, sua carteira estava recheada de cartões e notas de cem reais. Sério? Nem uma nota de cinquenta ao menos? Esse cara devia mesmo ser um figurão. Entreguei uma nota para o taxista e deixei que ele ficasse com o troco. Com a sua ajuda comecei a arrastar o rapaz portaria a dentro.
— O senhor conhece esse homem? Perguntei para o porteiro baixinho e bigodudo.
— Claro, é o seu Diogo moça! Se colocou de pé em prontidão aparentemente preocupado. Diogo era um nome bonito.
— E aí Zé? O tal Diogo iniciou a conversa com o porteiro sorrindo totalmente grogue.
— Eita seu Diogo, perdeu o rumo de casa hoje homi? O porteiro riu e Diogo começou a gargalhar ao meu lado. Só eu não estava achando aquela situação engraçada?
— Preciso que o senhor o leve até o apartamento dele.
— É a cobertura dona, só ele tem a chave do elevadô e, vai me desculpando nois não tem a permissão de entrar em nenhum apartamento, se o síndico me vê perco o emprego.
— Mas moço, ele está bêbado!
— Por isso mesmo. Se seu Diogo tivesse são ele poderia me defende igual as outras veiz que me pediu para subir, mas bêbado, não posso.
— Eu não tô bêbado não Zé, só um pouco tonto. — Diogo gargalhou de novo antes de ajeitar sua postura e se virar para mim. — E mesmo assim dou conta do recado, gata. Murmurou pertinho da minha boca de modo que eu sentia seu hálito de álcool. — Só vou precisar vomitar antes...
— De novo com isso?
— Acho melhor subir logo com ele antes que faz estrago aqui em. O motorista do táxi falou e eu tive que concordar.
Cutuquei o homem que ainda ria de algo sozinho. — Sua chave, cadê?
— Bolso da calça.
Respondeu e eu corei ao enfiar a mão mais uma vez no seu jeans. Que bolso fundo era aquele? A maldita da chave estava bem perto do seu volume. Agarrei seu braço o colocando sobre meu ombro e começamos a caminhar para o elevador.
— Você não vem? Perguntei ao perceber que o taxista continuava parado ao lado do porteiro assistindo a cena bizarra.
— Eu não... tenho que ganhar a noite ainda, boa sorte aí. Acenou antes das portas se fecharem e ficarmos sozinhos.
Encarei o homem encostado na parede do elevador, mal se aguentando em pé, os olhos estavam fechados e ele ronronava algumas coisas sem nexo. Não podia evitar notar que ele era lindo, pois conseguia ficar bonito mesmo naquele estado.
Seu cabelo castanho escuro tinhas fios compridos e pouco ondulados que roçavam o colarinho de sua camisa, pareciam tão macios que eu quase me atrevi a tocá-los, o rosto anguloso e o nariz reto levava a uma boca bonita, seu lábio inferior era um pouco mais carnudo que o superior o que dava vontade de morder, o queixo quadrado era tomado por uma barba cerrada bem feita, a camisa branca por baixo do paletó preto estava com os primeiros botões aberto dando a visão do seu peito aparentemente forte coberto por alguns cabelos ralinhos.
Eu estava prestes a descer mais os olhos numa inspeção melindrosa quando o elevador parou e se abriu.
— Chegamos, venha. Segurei seu braço e ele voltou a abrir os olhos como se tivesse mesmo cochilado em pé.
— Eu te conheço?
— Não. Foi tudo que eu disse.
— Legal. — Franziu a testa. — Vamos foder, me deixe só ir ao banheiro e pegar uma camisinha.
Não segurei a risada. O cara era doido. Lindo e rico, porém louco. Ele estava mesmo acreditando naquele devaneio? Estava mal se segurando e falava em transar comigo desde o táxi.
Sua cobertura era linda, espaçosa e arejada, os móveis negros davam charme e masculinidade ao lugar, tirando baixo cabiam quase seis apartamentos meus ali dentro.
Diogo começou a tropeçar andando desajeitado enquanto tentava desabotoar a camisa e antes mesmo que eu pudesse segurá-lo ele lançou a bebida que insistia em sair há tempos. Vomitou sujando o chão e sua roupa.
— Meu Deus! — Corri para perto dele o segurando. — Você aguentou todo esse tempo, não podia esperar chegarmos ao banheiro? Reclamei.
— Me desculpa. Pediu perdão como uma criancinha repreendida.
— Vem, vamos procurar o banheiro e o seu quarto.
— Fica lá em cima.
Que ótimo! Minha mente gritou enquanto eu olhava a imensa escada de granito negro, comecei a puxá-lo do melhor jeito que pude tentando evitar também me sujar com vômito.
Adentramos o quarto lindíssimo e passei os olhos pelo local impactada. Ser rico deveria ser bom as vezes, a cama parecia caber umas quatro pessoas, o lugar cheirava a limpeza, abri a porta do banheiro e mais uma vez fiquei chocada, diferente dos outros lugares da casa tomados por móveis negros esse era totalmente branco com detalhes dourados, uma banheira enorme em um canto, a ducha com o box do outro, o enorme espelho tomava toda a parede e até a pia era lindíssima.
— Você é meu anjo da guarda? Me perguntou enquanto eu o colocava sentado no vaso para retirar sua camisa.
— Estou ajudando um bêbado que eu nunca vi na vida e que roubou meu táxi, com certeza eu sou um anjo, mas não o seu anjo.
— Quero tomar banho. Se levantou afoito indo para dentro do box já ligando a ducha e se enfiando em baixo ainda com o restante da sua roupa, pois só tinha conseguido arrancar seu paletó.
— Ok, só não se afogue. Concordei babando no seu belo tórax aparentemente malhado, já que a camisa branca ensopada colava em seu corpo. Pela primeira vez desde que comecei a namorar Eduardo eu olhava para um homem e conseguia achá-lo bonito, ou melhor, mais bonito que o meu ex. Diogo se remexeu e tirou a camisa a jogando no chão do piso. Me permiti babar mais ainda comprovando que seu abdômen era mesmo trincado e enxergando o que as roupas escondiam, seu braço direito era fechado com desenhos que saiam do ombro e desciam do bíceps até o pulso. Nunca tinha sido encantada com tatuagens, mas nele pareciam ideais em complementar tudo.
Fiquei curiosa querendo olhar todos aqueles desenhos de perto. Sua calça encharcou e o seu oblíquo apareceu ainda mais dando imagens boas para imaginação com a fina linha de pelos que iam abaixo do umbigo e sumiam no cós da calça, desabotoou o jeans e o embolou nas pernas até conseguisse se livrar ficando apenas com sua cueca Calvin Klein cinza que agora molhada deixava bem claro que o que tinha ali dentro era farto. Engoli em seco, vi quando ele segurou o elástico para puxar e ficar totalmente nu. Minhas bochechas queimaram quando me aproximei correndo.
— Não! Chega de banho. Agarrei a toalha na bancada e a enrolei na sua cintura.
— Não... Ele tentou dizer.
— Vamos, vou te colocar na cama, você está me dando muito trabalho cara. Resmunguei nervosa.
— Não esquece a camisinha...
Definitivamente ele tinha um problema com preservativos, ao menos deveria ser limpo, com certeza com toda aquela grana morria de medo do golpe da barriga.
O deitei na cama e ele rolou inquieto, enquanto eu observava em pé ao lado, jogou a toalha longe e abaixou sua cueca. Minha boca caiu aberta ao pôr os olhos sobre o seu membro que era tão grande e grosso, deixei-me encarar mais uns segundos a beleza dele todo bem depilado antes de cair em mim novamente me sentindo envergonhada. Joguei o edredom para tampar sua nudez e senti meu coração acelerar. Eu não podia acreditar que estava vivendo aquilo.
— Você quer vomitar mais? Perguntei tentando me distrair.
— Não sei... está rodando tudo.
— Fique de lado. Se ficar de costas e vomitar pode se engasgar com vomito e sufocar. Falei o ajudando a virar de lado, assim que o soltei ele se virou de novo ficando novamente sobre as costas.
— Você é difícil de lidar. Falei imensamente irritada o virando mais uma vez.
— Você não é o tipo de garota que eu costumo meter. — Balbuciou baixinho. — Mas eu quero muito te foder. Me puxou para a cama e se enroscou em mim colando nossos rostos. — Porque você é bonita. Disse antes de fechar os olhos.
Fiquei lá, com os olhos arregalados e estática esperando que ele adormecesse para que pudesse dar o fora dali. Eu não era o tipo de garotas em que ele metia? Talvez porque o tipo de garotas com quem ele costumava meter devesse ser modelos loiras e peitudas. Eu sou peituda, mas não sou modelo, talvez eu fosse uma plus-size se quisesse, já que recebi algumas propostas trabalhando no estúdio. Pensei e ele se moveu acomodando ainda mais em mim. Seu rosto se encaixou entre meu pescoço e sua mão descansou aberta em meu seio.
— Está brincando? Falei e ele continuou imóvel.
Merda. Eu queria gritar e sair dali, mas ele estava tão tonto que não sabia o que estava fazendo, tirei sua mão e a desci para ficar sobre minha barriga. Tentei sair diversas vezes quando senti que ele havia dormido, mas cada movimento que fazia Diogo se aconchegava ainda mais em mim. Por fim desisti de lutar, seja o que fosse eu estava cansada e toda aquela loucura tinha feito minha cabeça até parar de doer, o sono me tomou e adormeci abraçada a um estranho.
" Tudo no seu tempo
Tão veloz por dentro
Em mim passa devagar
A me acertar”
Areia – Sandy, Lucas Lima
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Abri os olhos. O teto branco não era o do meu quarto, as cenas da noite anterior me tomaram a mente e eu virei rapidamente na cama a encontrando vazia. Assustada me sentei e não contive o grito ao ver o homem da noite anterior parado usando apenas uma calça preta de seda que caia baixa em seus quadris, ele fechou os olhos quando gritei.
— Jesus! Levei a mão ao peito.
O semblante de Diogo estava estranho, por algum motivo ele parecia furioso.
— Nós usamos camisinha ontem à noite? A voz saiu extremamente rude.
— Não. Respondi o encarando.
— Mas que porra! Foi a vez de ele alterar a voz. Levou as mãos à cabeça no momento seguinte. Com certeza ele estava morrendo de ressaca.
— Não usamos porque nós não transamos. — Bocejei me levantando da cama e comecei a passar as mãos no meu cabelo que deveria estar uma bagunça só. — Você não se lembra de nada?
— Não transamos? — Ele fixa o olhar na cama. — Eu estava pelado hoje de manhã...
— É, você decidiu se livrar da cueca quando eu te coloquei na cama depois do banho. E olhe só, eu estou de roupas. — Pisquei de um olho só. — Tudo que rolou foi que você roubou meu táxi ontem, como estava caindo de bêbado eu trouxe você para casa, aí você vomitou em tudo, inclusive no chão da sala... depois do chuveiro gelado não parava quieto e fiquei com medo que voltasse a vomitar e sufocasse, em algum momento você me puxou para a cama e me usou de travesseiro, como era bem tarde eu acabei pegando no sono.
— Nós não transamos então? Repetiu e eu sinceramente comecei a desconfiar se aquele homem tinha algum problema mental.
— Você tem alguma dificuldade de entendimento ou só escutou essa parte? Falei aborrecida.
— A minha cabeça está doendo muito. Reclamou me olhando e eu quase respondi: A minha também, sorte a sua ser apenas ressaca.
— Você tem banana aqui?
— O que? Falou me olhando como se agora eu fosse a doente mental.
— Vitamina de banana cura ressaca.
— Você é enfermeira?
— Não, mas minha melhor amiga que sempre passa mal de ressaca eu tive que aprender um remédio.
— Banana. — Ele falou e voltou a me encarar por longos segundos. — Pode usar o banheiro se quiser. Apontou para a porta.
— Ah, claro, obrigada. Respondi começando a andar rápido para o outro cômodo. Diogo me olhava estranho e eu ficava extremamente incomodada com aquele seu olhar de gato prestes a atacar.
Lavei o rosto e bochechei um pouco de pasta de dente, ninguém merecia sentir meu bafo matutino. Como já previa meu cabelo parecia um ninho de passarinho que havia pegado fogo, juntei tudo no topo da cabeça e improvisei um coque. Voltei para o quarto e encontrei o local vazio, agarrei a minha pequena bolsa que tinha caído ao lado da cama e desci as escadas.
O barulho de um liquidificador tomava a casa silenciosa. Estava prestes a me esgueirar para fora quando a voz agora menos brava chamou.
— Quer um copo?
— Estou bem, já estou indo. Olhei na sua direção.
— Fiz café também, tome uma xícara. Parecia manso, cavalheiro até. Sua rudeza tinha ficado para trás desde que confirmei que não havíamos transado na noite passada. Me aproximei do balcão aceitando a caneca que ele me ofereceu e meu organismo agradeceu o cheiro de café fumegante que me ofereceu enquanto encarava seu copo de vitamina como se avaliasse se aquilo seria uma boa ideia.
— Você disse que roubei seu táxi?
— Com certeza.
— Como é que eu fiz isso?
— Eu já estava dentro quando você invadiu falando nada com nada. Dou um sorriso sem mostrar os dentes.
— Desculpe. — Ele levou as mãos aos cabelos puxando os fios para trás. — Acho que sai do controle ontem.
— Tudo bem... você teve sorte sabe? O taxista se recusava a te trazer sozinho quando eu disse que desceria, por isso eu te acompanhei.
— Você me acompanhou tranquilamente sem nem me conhecer? E se eu fosse um maluco estuprador?
— Você estava visivelmente bêbado precisando de ajuda, o cara disse que se eu descesse também te faria descer, tinha duas opções, deixar você sozinho na rua correndo o risco de acontecer algo, ou trazer você para casa em segurança, fui educada para fazer a segunda. Respondi petulante e Diogo me encarou como se minha resposta tivesse o surpreendido. Podia ver bem seus olhos nessa manhã e, estava encantada, o tom não era tão azul quanto pensei, era mesmo cinza, como os olhos de um gato, pratas brilhantes.
— Desculpe, eu só achei perigoso, sou uma pessoa boa, mas poderia não ser. Enfim, devo agradecimentos, ontem à noite fui uma vergonha alheia de primeira. Bebericou a vitamina abaixando os olhos envergonhado.
— Todo mundo já passou por isso. Falei enquanto observava suas tatuagens sobre a pele levemente bronzeada de sol. Identifiquei um pé com asas meio aos girassóis que eram espalhados entre alguns outros desenhos rodeavam o interior do seu braço.
— Não estou mais na idade para estes acontecimentos. Abriu um sorriso encantador mostrando os dentes brancos e certos, era diferente dos sorrisos da noite passada. Nesse ele não demonstrava nada sexual, apenas simpatia.
— Lembre-se disso da próxima vez, senhor preservativos. Pisquei deixando a xícara sobre o balcão e me colocando de pé.
— Você me chamou de quê?
— Nada. — Dei-lhe um sorrisinho amarelo. — O papo está ótimo, mas eu preciso mesmo ir para casa.
— Eu pago o seu táxi.
— Não se preocupe, eu sei me virar. Tchau, Diogo. Acenei lhe dando as costas enquanto andava rumo à sua porta.
— Eu te falei o meu nome? Andou atrás de mim me observando pedir o elevador.
— Seu porteiro fez por você.
— Você me disse o seu? Se me disse eu não me lembro...
Por sorte ou azar o elevador se abriu naquele momento e eu entrei o encarando sorrindo enquanto apertava o botão para a portaria.
— É Camile. Camile Maier.
No caminho para casa eu respondi algumas mensagens incluindo as de Babi mentindo que havia me esquecido de avisar quando cheguei.
Assim que adentrei meu apartamento eu não pude evitar de compará-lo com a enorme cobertura de Diogo, mas como era eu quem limpava só agradeci o meu ser do tamanho suficiente.
Entrei embaixo do chuveiro e deixei que a água me relaxasse, a noite não tinha sido nada confortável apesar daquele colchão ser maravilhoso, decidi ignorar as aspirinas e me enrolar embaixo dos cobertores abaixando o ar condicionado para a temperatura mínima. Molhei uma toalha de rosto e a posicionei sobre os olhos. Agradeci imensamente por não ter que ir trabalhar as quartas e peguei no sono.
Acordei já se passavam de quatro da tarde, voltei a tomar um banho refrescante, fiquei feliz pela minha cabeça ter dado uma trégua desde a madrugada, coisa que não vinha acontecendo nas últimas semanas. Coloquei um vestido de verão e desci para ir à praia, atravessei a avenida já tirando os chinelos e colocando meus pés na areia macia aproveitando que já não estava tão quente devido ao fim de tarde, caminhei até bem perto do mar e analisei as ondas calmas se quebrando bem antes de chegar a margem. Sentei encarando o horizonte, o sol estava se pondo quase dando lugar a noite, respirei fundo tentando fazer com que aquela angustia que insistia em me tomar saísse, a pior notícia que eu já havia recebido na vida voltava claramente a martelar na minha cabeça.
“Infelizmente nós descobrimos um tumor, Camile, a nossa única alternativa é tentarmos uma cirurgia. ”
As lágrimas que estava segurando há meses desde que fui diagnosticada escorreram e me permiti chorar, porque o choro silencioso lavava minha alma triste e desesperada, estava com vinte e quatro anos, perto de terminar a faculdade de Direito que era um grande sonho, com planos para a vida toda e de repente tudo tinha desmoronado, estava sentenciada a morte.
O toque do meu celular chamou minha atenção fazendo com que as lágrimas aumentassem ao ver o nome do meu irmão escrito na tela. Forcei ao máximo para que minha voz não saísse embargada quando atendi.
— Oi.
— Cami? Ei, você sumiu, está ocupada? A voz grave de Matheus me deu ainda mais vontade de chorar apesar de ser confortante falar com ele.
— Para você nunca né Math, estou na praia.
— Que vida boa a de carioca em? Riu e me fez sorrir também. — Só liguei para saber se estava tudo bem, você não apareceu muito nos últimos dias.
— Esta semana foi corrida na faculdade e no trabalho, mas aqui está tudo certo e por aí?
— Aqui está tudo ótimo também, você vai mesmo vir nos visitar?
— Sim, ficarei duas semanas provavelmente.
— Que bom, nosso pai vai ficar muito feliz, estamos com saudades suas, pequena.
— Eu também estou morrendo de saudades.
— Eduardo virá com você?
Fechei os olhos por uns segundos antes de responder. Teria de contar a verdade, ao menos isso eu podia contar.
— Eduardo e eu não estamos mais juntos Matheus.
— Vocês terminaram? Aquele cara aprontou com você? Sua voz subiu vários tons acusatórios.
— Não! Ele não fez nada... nós só não estávamos mais concordando com nada, parece que o tempo nos mudou e nem percebemos, nossa convivência estava ruim. Decidimos que seria a melhor terminar.
— Jura? Você sabe que pode dizer, não é? Se ele fez alguma coisa eu pego o primeiro voo para quebrar a cara dele.
Ri da sua insinuação, meu irmão era o meu melhor amigo e sempre me protegeu, eu tinha certeza que ele não estava blefando em suas palavras.
— Fica tranquilo, terminamos bem, eu juro.
— Se Eduardo não vem, Bárbara virá então? Fingiu desinteresse e eu soltei uma gargalhada fazendo com que minhas ultimas lágrimas sumissem. Matheus me fazia bem, rir da sua cara de pau só me deixava com mais saudades. Babi e Matheus tinham um rolo e acreditavam que eu não sabia, em público se alfinetavam como gato e rato, mas todas as vezes que ela viajou comigo para casa ele cedia o quarto para que ela dormisse dizendo que dormiria na sala mesmo eu falando que poderíamos dormir juntas, quando ele veio me visitar eu tive a certeza já que ela sumia sempre quando ele saia para a balada sem mim.
— Talvez, ainda não conversei com ela sobre isso.
— Preciso desligar pirralha, estão me chamando aqui.
— Sinto sua falta.
— Eu também sinto, me ligue ok? Te amo.
— Também te amo. Me despeço sentindo meu coração mais leve.
— Era o seu namorado?
Dou um pulo assustada olhando em direção a voz e meu coração dispara ainda mais ao ver quem está sentado ao meu lado.
— Puta que pariu! Levo a mão ao peito e ele me dá uma risadinha.
— Assustei você?
— Óbvio, chegou sem fazer barulho. O que faz aqui garoto?
— Diogo.
— Eu sei o seu nome.
— Ah, é verdade. — Ele ri de novo. — Então, — Faz menção com a cabeça para o celular que continuava em minhas mãos. — Era o seu namorado no telefone?
— Não, não era ele... quero dizer, não tenho namorado, não mais, terminamos há algumas semanas. — Me calo percebendo que não precisava explicar nada para o estranho bêbado ladrão de táxi. — Era meu irmão... O que faz aqui?
— Estava com alguns amigos no quiosque. — Apontou para o barzinho a beira do calçadão atrás de nós e eu desconfiei ao ver o local vazio. — Eles já foram, eu também estava indo quando te vi. Justificou-se.
— Não tem quiosques bons no Leblon? Falei na defensiva.
— Au. — Franziu o cenho aparentemente chateado. — Estou incomodando?
— Não... desculpe, não quis ser rude, só achei estranho mesmo.
— Tenho uns amigos que moram aqui perto. Quando eu vi você, achei que seria legal vir dar um oi, afinal nós não conversamos muito nessa manhã, nem pude te agradecer como deveria.
Encarei o homem que estava bem perto, era capaz de reparar cada detalhe do seu bonito rosto, a barba cerrada no queixo bem marcado, os olhos pratas brilhavam sob a luz alaranjada do fim de tarde.
Dou um sorriso dessa vez receptivo e ele retribui.
— Você estava chorando? É pelo fim do namoro?
— Eduardo é o menor dos meus problemas. — Encaro o mar suspirando. — Na verdade ele não é nem um problema, já que não faz mais parte da minha vida. Só fiquei emocionada por falar com meu irmão, somos muito próximos e como ele mora em outro estado fico com saudade. Minto ocultando o fato de que já estava chorando quando Matheus ligou, Diogo pareceu acreditar em parte já que analisava meu rosto minunciosamente.
— Você aceita sair para jantar? Sabe... como agradecimento pelo o que fez por mim.
Quis rir do seu jeito habilidoso, parecia jogar charme ao mesmo tempo que fingia desinteresse, achava graça devido ao fato de estar numa fase altamente reversa a homens, minha vontade de arranjar outro namorado era a mesma que eu sentia para pular de um prédio, mas nem por isso eu era cega, Diogo era um homem muito atraente que qualquer uma gostaria de experimentar, mas definitivamente ele não era para mim e nem se fosse, não podia o querer.
— Não precisa fazer isso.
— Faço questão! — Insistiu. — Posso pegar você hoje?
A noite toda se quiser, com muito prazer. Minha mente grita. — Se você insiste... eu moro ali naquele prédio.
— Eu sei.
— Sabe?
Vejo-o disfarçando tirando os olhos dos meus olhando para trás. — Eu sei que estou insistindo no jantar, mas eu faço mesmo questão. — Sorriu. — Então, qual deles é o seu? Apontou para o rumo dos condomínios.
— Posso fazer uma pergunta sincera?
— Sim.
— Você estava mesmo com amigos no quiosque?
— Sim. Responde aparentemente sincero e solto a respiração jogando para longe a paranoia de que ele me seguia. Diogo não era nenhum psicopata e, muito menos estava correndo atrás de mim, não seria lógico ele saber onde eu morava então apenas dei-lhe um voto de confiança, pois seria apenas um jantar.
— Eu só estava tendo a certeza que não é um perseguidor. Moro naquele azul, se chama Harper.
— As oito está bom? Me passe o seu número...
— Camile? A voz que eu conhecia bem interrompeu o que Diogo me dizia e eu virei o rosto para ver Edu se aproximando. Não era possível.
— Eduardo. Fiquei de pé e Diogo me acompanhou, cumprimentei o recém-chegado o mais friamente possível e percebi ele medir Diogo de cima abaixo, o que me surpreendeu foi o ver fazer o mesmo com Eduardo. Não podia mentir, estava felicíssima por ter encontrado o traste logo agora, com esse deus grego ao meu lado. Apontei para o moreno lindíssimo ao meu lado e Diogo apenas acenou com a cabeça quando o apresentei.
— Este é Diogo.
— Como você está? Eduardo me olhou com raiva ignorando o fato de que eu havia acabado de lhe apresentar alguém.
— Bem, obrigada. Não ousei perguntar como ele estava, até porque eu não queria saber.
— Pensei em te ligar, mas Babi me deu notícias suas.
— Com certeza ela deu. — Dou um sorriso falso. — Não me leve a mal, Edu. — Falei e mordi a língua ao perceber que o chamara pelo apelido. — Já estávamos indo, não é?
Diogo estava parado ao meu lado como um segurança de cara amarrada. — É, estávamos. Concordou.
Eduardo o olhou em desafio, pousou os olhos em mim e depois na minha companhia como se avaliasse nossa proximidade, por uns segundos longos eu observei os dois colírios em minha frente. Diogo era mais alto e tinha a pele mais clara que Eduardo que apesar dos centímetros a menos era mais grande, Diogo era malhado e com os músculos trincados, mas Edu passava horas na academia e tomava suplementos o suficiente para parecer um monstrinho, porém o rosto de Diogo não demonstrava nenhum medo se fosse necessário medir forças.
— Adeus. Me despeço já virando para não precisar escutar a resposta.
— Espera, Cami. — Sua mão rodeou meu pulso e eu percebi os pomos de adão de Diogo subindo e descendo como se estivesse irado. — Posso ligar para você?
— Não, não temos o que falar. Puxo minha mão.
— Tem certeza?
— Tenho. Conclui voltando a andar com Diogo ainda mudo ao meu lado com a cara emburrada até que saímos da faixa de areia e chegamos ao calçadão.
— Você ainda gosta dele?
— Não. Respondo prontamente. Não gostava mais de Eduardo, na verdade estava desconfiada que nunca havia o amado, parecia que depois que nos separamos eu tinha percebido que tudo que aconteceu entre nós não havia se passado de amizade e bom sexo, sentia falta de sexo, mas não dele.
— É bem recente o término, não é? Talvez você só esteja chateada.
— Sim eu estou chateada, Eduardo me abandonou mesmo sabendo que era a minha única família nos últimos anos, não hesitou em ir e quando foi eu percebi que foi a melhor coisa que ele poderia ter feito... prefiro rolar em brasa quente do que reatar, satisfeito?
Diogo me encara surpreso com minhas palavras.
— Eu não quis ser evasivo, desculpe.
— Você quer ou não anotar o número?
Ele o celular do bolso bermuda e me olha enquanto dito os números, assim que termino volta a guardar o aparelho.
— Vejo você a noite então. Estendo a mão, mas ele ignora me puxando para perto deixando um beijo em minha bochecha. Dei-lhe as costas e atravessei a avenida indo de volta para casa, dessa vez ainda irritada pela cara de pau do meu ex-namorado.
As horas passaram rápido. Estava deitada no meu sofá desde que tinha chegado da praia, meu celular tocou e eu estendi o braço para alcançá-lo.
— Oi, Babi.
— Ok, quem é gostoso da praia? Conta tudo!
— Como é que é? Me sentei perplexa.
— Eduardo, ele estava aqui em casa para sair com Bruno e estava me interrogando para saber sobre o cara que ele não conhecia que estava te acompanhando hoje na praia.
— Eduardo podia me esquecer. Bufo com raiva.
— Falei isso para ele... mas conta aí, quem é a carne nova?
Fechei os olhos, já prevendo a gritaria que Bárbara arranjaria no meu ouvido quando ouvisse a história. — Ajudei um cara bêbado a chegar em casa na noite passada, coincidentemente nos encontramos na praia e ele resolveu me chamar para jantar como forma de agradecer.
— Cara bêbado? Jantar? — Babi comemorou. — Sua vida toda movimentada e você escondendo o jogo, Camile?
— Não estou escondendo, só cheguei em casa agora pouco.
— Ele é bonito?
— Não é um encontro, Babi.
— Como não? Para com isso, estou radiante por você estar flertando, aposto que já jogou o número do garçom fora.
— Só estou falando a verdade, não é um encontro, o cara só está agradecido.
— Você é sempre chata, Cami. Só se vive uma vez.
— Ok, anotado, mas ainda não quero outro relacionamento tão cedo. Falei tentando encurtar a conversa.
— Vê se ao menos me ligar para contar como foi.
— Prometo que sim, te amo beijo.
Despedi-me e desliguei antes mesmo que ela respondesse e percebi que estava totalmente atrasada, a sorte era que eu não tinha a menor intenção de impressionar Diogo, ele tinha dito na noite passada que eu não era o tipo de garota com quem ele fodia e isso não me incomodou, já que apesar de me encantar por sua beleza não estava interessada nele. Um jeans e uma camiseta teriam de servir para um jantar de agradecimento.
Pontualmente as oito horas meu celular apitou com Diogo avisando que já estava lá embaixo me esperando, olhei no espelho uma última vez ajeitando meus fios ruivos que teimavam em desprender da trança lateral que caia sobre o ombro, usava um jeans de cintura alta escuro e uma blusa preta de mangas compridas que eram presentes de Babi. Nos pés eu calcava meu velho e querido tênis preto que combinava com qualquer roupa. Eu parecia uma colegial entediada, Diogo perceberia que eu estava “nem aí” para aquele jantar quando batesse os olhos em mim?