Após a acalorada discussão no escritório, Bryan subiu ao quarto e, sem demora, tomou um banho. A água morna escorria por seu rosto enquanto ele tentava apagar as palavras ríspidas que haviam sido trocadas com o pai. Assim que terminou, vestiu-se, pegou o celular, as chaves do carro e saiu. Ao surgir no corredor, deparou-se com a mãe, que o aguardava com uma expressão preocupada.
— Bryan, aonde vai? — perguntou ela, cruzando os braços.
— Vou encontrar uns amigos.
Justine suspirou profundamente.
— Você devia estudar e tentar recuperar suas notas.
— Para quê? — Bryan parou e, com um olhar desafiador, retorquiu. — A senhora quer que eu viva estressado com o trabalho, igual ao meu pai?
A resposta a pegou de surpresa, mas ela manteve a serenidade.
— Meu filho, se não está gostando de cursar economia, escolha outro curso. Não é tarde para mudar de caminho.
Bryan balançou a cabeça, claramente impaciente.
— Quero jogar futebol, mãe. É isso que quero fazer da minha vida.
— Muitos jogadores de futebol estudam e se graduam em alguma área. Não precisa ser um ou outro, Bryan.
Ele não respondeu de imediato, limitando-se a lançar um olhar apressado na direção da escada.
— Até mais tarde, mãe.
— Não se atrase para o jantar! — insistiu ela enquanto o filho descia rapidamente.
— Tchau, mãe — disse ele, já do primeiro andar.
Dois seguranças já tinham trazido o carro e o aguardavam na frente da mansão. O velho Bill estava ao lado do Mustang prata, que já aguardava o jovem. Ao lado dele, Ricardo, outro guarda-costas, olhava de maneira impassível.
— Vocês têm mesmo que ir comigo? — indagou Bryan, visivelmente contrariado.
— São ordens do seu pai — explicou Bill com um tom monótono.
— Ok, mas eu dirijo.
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Pouco tempo depois, chegaram ao Riverside Pub & Grille, em Bel Air. No interior do bar, Bryan estava à mesa com dois amigos, Will e Harry. A conversa fluía animada enquanto discutiam a última partida de futebol e a líder de torcida com quem Bryan havia passado a noite após a vitória. O riso dos três dominava o ambiente, até que uma figura inesperada chamou a atenção deles.
Uma garota de jardineira jeans entrou pela porta. Seus passos desajeitados a fizeram esbarrar na mesa mais próxima, e ela, sem jeito, ajeitou os óculos enquanto se sentava perto da janela.
— A mãe dela é tão linda… Como ela pode ser uma garota feia e desengonçada? — comentou Will, rindo.
Bryan arqueou uma sobrancelha, curioso.
— Como sabe quem é a mãe dela, Will?
— A mãe dela é a cantora italiana Marie — respondeu Will com naturalidade.
Bryan lançou um olhar de soslaio para a garota, que agora lia concentrada, tocando o lóbulo da orelha.
— Ela não é tão feia assim.
Harry soltou uma gargalhada.
— Ah, é? Então, por que não fica com ela, Bryan? Você sempre escolhe garotas lindas. Nunca te vi dar atenção para alguém assim.
Bryan franziu a testa, claramente intrigado com a provocação.
— Aonde você quer chegar com isso?
Will não perdeu tempo.
— Aposto cinco mil dólares que você não consegue ficar uma semana com ela.
— Quero entrar nessa também! — completou Harry, sorrindo de orelha a orelha.
Por um instante, Bryan ficou em silêncio, avaliando a aposta. Depois, um sorriso confiante surgiu em seus lábios.
— Eu topo.
Minutos depois, a garota se levantou após pagar a conta. No caminho para a porta, esbarrou em Bryan. Os livros que carregava e seus óculos caíram no chão.
— Desculpe — disse ele, abaixando-se para ajudá-la.
Surpresa, ela tentou pegar os óculos antes que ele o fizesse. Ao levantar os olhos, encontrou os belos olhos azuis de Bryan. Seu rosto ficou imediatamente ruborizado, e ela desviou o olhar enquanto recolhia os livros.
— Grazie… — murmurou timidamente, cabisbaixa.
— Espere — chamou Bryan, segurando o braço dela com delicadeza. — Você é filha da cantora Marie, não é?
Ela assentiu com a cabeça, suspirando. Estava acostumada a ser reconhecida apenas por esse vínculo.
— Meu nome é Bryan. — Bryan abriu um sorriso simpático. — Posso te oferecer uma bebida para me desculpar?
— Não, obrigada… Licença — respondeu ela, desviando-se dele e saindo apressada pela porta.
Enquanto isso, Bill e Ricardo observavam de longe, rindo discretamente da tentativa do jovem de conquistar a garota.
— O que acha, Ricardo? Isso vai dar problema — comentou Bill.
— Com certeza. E o senhor Harrison vai nos trucidar se algo der errado.
Sem demora, os dois seguiram Bryan, que, decidido, saiu atrás da garota.
Bryan caminhava apressado, ignorando as pessoas que por ali passavam.
Com um sotaque italiano inconfundível e olhar altivo, a garota havia despertado algo que nenhuma outra conseguiu. O modo como ela o ignorou feriu seu ego, como também o instigou. Não era apenas desejo, era um desafio.
— Espere! — Ele exclamou.
Tentou alcançar a jovem que andava sem olhar para trás, como se não o ouvisse ou, pior, como se ele fosse invisível.
— Pare de me seguir… — respondeu ela, sem sequer virar o rosto.
Por mais segura que ela parecesse, algo naquele encontro também mexeu com ela.
Antes que pudesse insistir, dois homens robustos desceram de um carro preto estacionado na esquina. Outro, que parecia mais jovem, surgiu atrás dele e, sem aviso, torceu-lhe o braço, prendendo-o em um movimento rápido e preciso. Bryan sentiu a dor irradiar pelo ombro, mas manteve o semblante duro.
— Esse rapaz está te incomodando, senhorita Gambino? — perguntou o segurança, fitando Bella com respeito quase servil.
O sobrenome dela ecoou na mente de Bryan. Ele já tinha ouvido aquele sobrenome, mas não sabia onde.
— Ei, solte o garoto! — Uma voz familiar cortou o ar. Era Bill.
Ao se aproximar, ele afastou o blazer, revelando a pistola que trazia presa à cintura. Seu gesto era um aviso claro de que não hesitaria em agir.
A situação ficou tensa. Os passantes começaram a desacelerar, observando a cena com curiosidade e cautela. Alguns já tiravam os celulares para gravar o momento.
A garota, que permanecia com uma postura displicente, virou-se para Bryan. Seus olhos brilhavam com algo entre irritação e curiosidade.
— Solte-o! — ordenou ela, com autoridade.
O homem que segurava Bryan hesitou por um momento, mas acatou a ordem. Ele o libertou e recuou, abrindo a porta do carro para que Bella entrasse.
Sem falar mais nada, ela subiu no veículo, e o vidro escurecido logo a separou do mundo exterior.
Bryan permaneceu imóvel por alguns segundos, observando o carro afastar-se lentamente. Estava absorto num misto de frustração e raiva por ter sido desprezado daquela maneira.
— Vamos, senhor! — chamou Bill, aproximando-se e colocando a mão no ombro de Bryan. — Quer voltar para o bar?
Bryan olhou para a direção do bar onde havia deixado os amigos. Pelas enormes vidraças do estabelecimento, ele podia vê-los rindo e cochichando entre si, sem dúvida estavam zombando do que viram. Aquilo aumentou ainda mais sua irritação.
— Não. Vamos embora! — decidiu.
De volta ao carro, ele se recostou no assento de couro, perdido em pensamentos. A vibração do celular interrompeu sua reflexão. Era uma mensagem da líder de torcida com quem ele havia passado a noite anterior. Sem paciência, ele jogou o aparelho no banco ao lado e desviou o olhar para as ruas da cidade, repletas de imóveis luxuosos e vitrines brilhantes.
A maioria das garotas faria qualquer coisa para ser namorada dele. Além de ser um atleta com um físico moldado por exercícios árduos, o dinheiro, poder e influência estavam sempre à sua disposição. Contudo, ele sentia que nada disso tinha valor diante da indiferença daquela garota. Pela primeira vez em muito tempo, Bryan se sentiu pequeno, quase irrelevante.
— Você sabe quem ela é? — perguntou Bill, quebrando o silêncio, enquanto o olhava pelo espelho retrovisor.
— Filha da cantora Marie! — Bryan respondeu.
O segurança dirigia com a postura rígida de sempre, ficou quieto por um tempo, mantendo os olhos na rua.
— Ela é a Bella Gambino. O sobrenome já diz muito. — Ele fez uma pausa. — O pai dela é um dos homens mais poderosos da Europa. Não é alguém com quem você queira se meter.
Bryan arqueou as sobrancelhas, surpreso. Ele não esperava que a garota que tanto o intrigava tivesse conexões tão profundas.
— Poderoso como? — Bryan arqueou uma sobrancelha.
— Digamos que ele não é do tipo que faz negócios convencionais. Se você valoriza sua vida, vai esquecer essa história.
Bryan ficou em silêncio, refletindo sobre as palavras do velho guarda-costas.
Ele não era do tipo que se deixava intimidar, mas estava entrando num território desconhecido. Apesar do aviso de Bill, ele não queria perder a aposta que fez com os amigos.
Enquanto o carro deslizava pelas ruas da cidade, Bryan estava decidido a descobrir mais sobre ela. Só precisava de duas semanas para conseguir mostrar aos amigos que nenhuma mulher resistia ao seu charme.
Em casa, Bryan estava subindo as escadas quando a irmã descia.
— Ah, aí está você! — A adolescente de olhos dourados encarou o irmão mais velho.
— Não quero conversar agora, Giovanna.
— A mamãe falou para você se arrumar para o jantar. Ela convidou a cantora Marie para ceiar conosco.
Ele parou, segurando firme no corrimão dourado. “Será que ela vai trazer a filha?” Pensou. “E se o pai dela vier?” Mentalmente, ele perguntava.
— Mamãe falou que Marie e a filha vão chegar às 7 da noite. — Giovanna avisou enquanto descia.
Aquela era uma ótima oportunidade de se aproximar da garota desengonçada que o desprezou.