CRISTOPHER
- Irmão, você precisa muito colaborar com o tratamento... - minha irmã fala pela milésima vez num só dia.
Começo a pensar que não foi uma boa ideia visitar ela na escola. Mas foi bom porque sem querer esbarrei com uma menina que me lembrava muito minha mulher. Não digo os traços ou o rosto. Mas no jeito de vestir, de falar... de olhar.
- Sei que você ainda está de Luto... - fala tocando no assunto que há meses tento esquecer - e o facto de você não querer conversar e ter superado tão rápido, é que me preocupa mais...
- Eu acho que essa dor nunca vai desaparecer... - suspiro e passo as mãos no rosto - por vezes acordo ouvindo os risos de uma criança e imagino ouvir Brenda a rir-se... Podemos mudar de assunto?
Ninguém melhor que minha irmã para saber que não gosto de falar desse dia. Foi uma tragédia e por vezes até me apetece morrer... Mas estou esperando o tempo de Deus para morrer... E está próximo.
- Não podemos esquecer! - fala brava - eu estou muito preocupada porque a médica ligou dizendo que você não foi a nenhuma consulta desse mês! Sabe que o coágulo ou sei lá - gesticula com as mãos como se estivesse procurando as palavras certas - o Tumor maligno está se expandindo no seu crânio!
- Sabe que eu já me considero um homem morto? - Falo tranquilo para minha irmã de 17 anos. Eu sou um imbecil!
Quando nossos pais morreram, eu fui o único que cuidei dela. Agora que está próximo dos 18 anos, ela já não precisa de mim. Deixei para ela toda fortuna de nossos pais, terras e minhas economias que juntei nesses anos de carreira como um médico-cirurgião bem-sucedido.
- Porra Mano! - bate na carteira provocando um estrondo - Dias atrás você quase me matou de coração quando de repente desmaiou enquanto conduzia! Poderia ter acontecido algo pior, eu ainda preciso de ti! Todos nós que te amamos! - Fala magoada e limpa uma lágrima solitária que escorria em seu rosto.
- Eu já decidi mana - Carinho seu rosto e ela fecha os olhos - eu jamais esquecerei aquele dia... Por favor, respeite minha decisão...
Movimenta o rosto negando minhas palavras e se levanta da cadeira. - me dá um abraço? - pergunta de braços abertos.
Me dói muito ver minha irmã arrasada, mas eu não aguento mais viver nesse mundo sabendo que perdi minha família num maldito acidente. Eu gostaria que estivesse lá para morrer junto!
Me levanto e a envolvo num abraço forte. Não vai ser fácil... Eu sei... Mas será melhor assim!
REBECCA
- O que foi aquilo amiga?! Sua irmã está louca?! - Alma fala atônita.
Maldita seja Ellen! Ela sempre teve inveja de mim, sempre quis chamar atenção de todos, sendo tão diferente de outras garotas. Ela mal sabe a quantidade de garotos que gostam dela, incluindo Ben. Soube que ele concorreu para estudar na Universidade de Nova Iorque, e eu não podia deixar que eles ficassem tão próximo um do outro, por isso fiz o que tinha que ser feito!
- Você sabe como é minha irmã... Ela ficou com raiva de mim porque fui admitida a universidade de Nova Iorque.
Finalmente vou conseguir o que sempre quis. Destruir a vida de Ellen e por fim, conseguir o Patrocínio do meu pai para financiar meus desenhos.
Alma suspira e olho para ela. Estava passando Harry e ela olhava para ele como uma cachorrinha apaixonada - Você ainda gosta desse idiota?!
Solta uma lufada - E você ainda gosta do totó do Ben?! Você devia ir à terapia porque está se tornando obsessão!
- Você cale a boca Alma! - sussurro brava.
Dá de ombros - entenda que ele jamais vai ficar contigo porque ama sua irmã desde o primário!
Cruzo os braços e ergo uma sobrancelha - ah é? Ok.
Alma me irritou, por isso, terá troco! Somos amigas, mas quem ela pensa que é para dizer que Ben não gosta de mim?!
E como se não bastasse, joga na minha cara que ama minha irmã! Como se eu não soubesse! Que tipo de amiga faz isso? Sou ótima com os meus, mas quem escolhe me pisar sempre sofre as consequências!
- OK! - responde brava e se levanta do banco do parque.
Hoje a noite eu vou ficar com Harry e ela verá tudo!
- Tu não perde por esperar, garota burra!
ELLEN
Chego em casa mais tarde do que de costume. Estou arrasada e precisei ficar sozinha por algumas horas. Rebecca vai ter que pagar pelo que fez comigo! E nada melhor que tirar dela o que mais ama! Seus desenhos!
"O melhor modo de vingar-se de um inimigo, é não se assemelhar a ele"
Eu até ouviria a minha consciência se não estivesse possessa! Rebecca ama criar desenhos de grifes. Ela tem uma coleção e meu pai disse que se ela passar esse ano, iria patrocinar seus desenhos e dar materiais para ela costurar... Mas, agora que vou destruir, já não terá mais desenhos para ele investir!
Rebecca é uma garota linda, porém burra. Uma loira oxigenada, de olhos castanhos, lábios rosados e carnudos, de mais ou menos 1,70, e com uma bunda que todo garoto quer comer. Porém, é uma Filha da Puta que não merece nem a beleza e muito menos a vida que tem!
Entro no seu quarto em silêncio, ela ainda não tinha chegado. Vou até a gaveta onde ela guarda os desenhos. Está trancada com um cadeado.
Quase reviro o quarto enquanto procuro a chave, mas nada acho.
- Preciso pensar como Rebecca... Se eu fosse ela, onde guardaria algo tão precioso?
Olho em volta do quarto e constato o quadro de fotos que havia colado na parede. Caminho até o mesmo e olho o que tem por trás... Encontro a chave guardada lá...
- Te apanhei! - murmuro.
Vou até a gaveta e abro a mesma. Tiro seus desenhos e quando estava preparada para rasgá-los paro... Fico estática!
O que estou fazendo? Eu não sou assim... Mas o ódio que sinto por ela agora não me permite esquecer e não dar o troco!
Mesmo sem coragem, pego nos papéis e rasgo-os mantendo os olhos fechados. Sei que vou me arrepender, mas Rebecca merece perder pelo menos uma vez na vida!
Deixo os papéis espalhados no chão para que o choque seja maior.
- O que faz no quarto da minha filha? - Paloma Pergunta. Imaginem uma mulher de cabelos pretos e longos. Olhos grossos e castanhos. Alta e de corpo de "Manequim". É assim minha madrasta. Jovem, linda e má. Bem parecida com a Cruela e madrasta da Cinderela.
- Vim procurá-la, mas ela não está... - digo meio baralhada. Espero que ela não tenha notado meu nervosismo.
- Você não está tramando nada, certo? - pergunta desconfiada
- O que eu poderia fazer?! Nós duas sabemos que as vilãs da história são vocês! E não eu!
- Controle a língua garota! - fala brava e me puxa pelo braço afrouxando - sabe muito bem que eu não costumo tolerar maus comportamento!
- Filha? O que está havendo? - meu pai pergunta. Olho amedrontada para ele, que estava confuso. Com certeza que ele vai achar que mais uma vez eu sou a vilã da história!
Meu pai está enfeitiçado por essa mulher e não consegue ver o monstro que ela é!
Paloma solta meu braço e sorri se virando para olhar no meu pai - Por incrível, Ellen me pediu que lhe mostrasse alguns vestidos para a festa que terá hoje!
- Depois eu só queria abraçá-la por ter finalmente me aceitado - fala com sua voz melosa e falsa. Só me apetece vomitar de tanto nojo - mas você sabe como são os jovens, detestam carinho!
Dá um beijo rápido nos lábios do meu pai - filha, já recebeu o e-mail?
Meu pai pergunta curioso.
Sorrio forçado - Não! E-eu ainda não recebi... - respondo nervosa.
Não tenho coragem de falar a meu pai que não passei... Ainda com essa louca aqui!
- Mas não precisamos nos preocupar por a vitória ser certa! - Ele fala sorridente.
Meu pai deposita um beijo na minha testa e entra no escritório.
- Daqui a uma hora vai no meu quarto e lhe darei uma roupa que preste para ir à festa. - Paloma sussurra próximo ao meu ouvido.
- Festa?! Que porra está falando?! Eu não vou! - falo furiosa e controlando minha voz para não gritar
- Vai sim! Ou não me chamo...
- Então mude de nome! - grito - eu não vou mais obedecê-la! Nunca mais!
Passo por ela caminhando em passos largos e me tranco no meu quarto. É que nem louca eu vou! Eu só quero ficar aqui, sozinha... Sem me divertir! E nem nada!
REBECCA
- Já avisei a minha mãe e meu pai que só volto em casa amanhã! - falo orgulhosa para o grupo. Reparo que Harry olhava para mim com interesse e jogo meu cabelo para o lado, expondo meus ombros magros.
A festa ainda não começou, mas o pessoal já está reunido para organizar. Tipo, colocar as luzes negras. Preparar as bebidas, como Coquetel. Arrumar os aperitivos.
- É isso aí, gatinha, melhor todo mundo avisar porque não quero ver pai de nenhum totó vir aqui estragar a festa! - Harry fala e reparo minuciosamente em cada canto de seu corpo. Ele é gostoso e isso não posso negar.
Mordo meu lábio inferior.
Vendo bem, não será nenhum sacrifício ficar com Harry... Ele é perfeito, porém, não é o Ben.
- Caraca!! - Xavier fala entrando, já todo animado - Trouxe aqui umas Diversões!
- Mano! Até que em fim você fez algo de jeito!- Harry zomba e arregalo os olhos.
Sem avisar aonde vou, me levanto e caminho até a cozinha. A conversa estava se tornando chata e eu preciso me focar em como mostrar a Alma quem manda!
A essa hora a estúpida da Ellen já deve ter contado a seu pai que roubei a sua carta. Mas ela não terá como provar e claro, vou negar tudo!
- Não está gostando da conversa? - Ouço a voz aguda e rouca de Harry e me viro para fitá-lo.
Pouso minha mão no balcão e fazendo apoio, me sento no mesmo com as pernas abertas.
- Gostei... Vou adorar provar uma dessas diversões... - sustento seu olhar no meu e Mordo meu lábio inferior.
Ele sorri de canto e dá passos até mim em silêncio. Ergo o rosto quando ele se alinha entre o meio das minhas pernas - melhor eu arrumar os aperitivos... - murmuro sem desviar meu olhar do dele.
Ele segura meu rosto e aperta. Mas invés de me causar dor ou me assustar, eu fico excitada.
Viro meu rosto para o lado, evitando contacto visual com ele - Não tá querendo brincar? - murmura no meu ouvido enquanto sua mão invadia minha calcinha me fazendo gemer.
Eu preciso me controlar, afinal, Harry será só um fantoche no meu plano para torturar Alma. E não vou lhe dar o gostinho de me ter antes do tempo.
- Me dá um tempo Harry... Ainda temos monte de coisas para fazer. - digo séria e lentamente ele tira sua mão dentro da minha calcinha e leva seu dedo a boca, chupando com gosto sem desviar seu olhar do meu.
- Você que manda gatinha... - fala se afastando de mim e desço do balcão.
- Eu estava procurando você amiga, nunca pensei que estaria aqui! Numa cozinha! - Alma fala entrando na cozinha. Pena que não viu nada!
- Mas estou, agora cale a boca e vem me ajudar aqui! - digo e ela fica parada, uma hora olhando para mim e outra em Harry - O que você tem?! Venha!
- Tá! Eu te ajudo!
Ela deve estar desconfiando de algo e isso é bom. A coitadinha não sabe o que lhe espera mais tarde na festa.